segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Um amor em Paris (La ritournelle) - 2014








Em mais uma parceria de trabalho entre o diretor Marc Fitoussi e Isabel Huppert, que haviam trabalhado juntos em Copacabana (2010), Um amor em Paris conta a história de uma mulher casada que se aventura em Paris após conhecer um homem mais jovem e sexy. Em Copacabana, a protagonista era uma mulher mais madura que decidiu largar a zona de conforto e partir para uma viagem de autoconhecimento  Aqui, a mulher se permite experimentar uma nova situação movida pela necessidade de sair do entendiante dia a dia. Neste aspecto, ambas as obras têm bastante aproximação e ressaltam o interesse de Fitoussi em abordar desejos e sentimentos da mulher madura. 


Brigitte Lecanu (Huppert) trabalha no interior da França como fazendeira e mantém com seu marido Xavier (Jean-Pierre Darroussin) um casamento de longa data e de negócios bem sucedidos. Ambos são bem batalhadores e conduzem o business local com muito afinco mas o casamento não tem mais aquela paixão e caiu na rotina. Durante uma festa na vizinhança, Brigitte se sente atraída pelo bonitão Stan (Pio Marmaï). Curiosa, ela inventa uma mentirinha ao marido e vai ao encontro de Stan em Paris. Sua jornada se torna uma viagem cheia de surpresas e revelações, entre elas conhecer  o charmoso Jasper (Michael Nyqvist).


Marc Fitoussi trabalha muito bem com Huppert e a escolhe para os seus papéis sem pestanejar. Como Huppert aprecia os roteiros com papel feminino maduro assinados pelo cineasta, a produção tem sinergia, leveza e espontaneidade. Este longa é uma comédia dramática em vários aspectos que colocam Brigitte em situações frustrantes e sentimentos como culpa e dúvidas sobre seu casamento, no entanto não chega a ser muito dramática por causa do frescor cômico do Cinema Francês que inclui situações muito engraçadas e nada caricatas. O objetivo de Brigitte não é deixar o marido para sempre. Seu propósito é muito mais legítimo, verdadeiro e  impulsionado pela curiosidade por outro homem, pela ida a uma cidade cosmopolita, pela afirmação de uma feminilidade que havia se perdido ou estava oculta de alguma forma, detalhe que é natural encontrar em muitas mulheres casadas e, muito mais em sua condição de fazendeira que realiza árduos trabalhos braçais. 


A  atriz faz uma ótima atuação saindo um pouco mais dos papéis pesados e dramáticos de filmes que foram exibidos nos últimos festivais de Cinema Francês como Uma Relação Delicada, A  bela que dorme e Amor.  Huppert encarna a mulher que não sabe nem trair e leva consigo uma ingenuidade muito especial. Até mesmo sua ida à Paris tem os tropeços de uma falta de tato e isso é bonito de ver na personagem porque ela não é canastrona. A sua crise com o marido não é um campo de batalha e há respeito entre eles, afinal são companheiros no negócio e estão ficando sozinhos com a partida dos filhos. Como Xavier é um homem fechado e rústico,  a narrativa também o transforma assim como evidencia que um casal maduro tem altos e baixos e uma relação cujo amor pode ter uma prova de fogo.


Por causa dessas caracterizações dos personagens e a construção da narrativa, o filme ganha mais em roteiro e atuação do que na direção.  O único trabalho de Fitoussi é guiar seus atores para um resultado final mais coerente com o drama de casamentos mais maduros sem maniqueísmos. Muitas questões nevrálgicas de um casamento em crise  estão no filme inclusive a decepção e o perdão e o melhor é perceber a leveza de como essas emoções são projetadas na Tela. 







Ficha técnica do filme no ImDB Um amor em Paris

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