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Lançamento nos Cinemas 28 de Maio.


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Lançamento nos Cinemas: 16 de Abril


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Lançamento nos Cinemas: 02 de Abril


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  Vencedor no Oscar 2026 na categoria documentário  estreia no  Filmelier + em    26 de março #Documentário #CinemaEuropeu #Oscar2026 #Críti...

 



Vencedor no Oscar 2026 na categoria documentário 

estreia no Filmelier+ em  26 de março


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Estreia nos Cinemas 13  de Novembro de 2025

Belo Horizonte, Salvador, São Paulo e Vitória



Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



LAR: A Nobreza do Tema e o Desafio da Consolidação Narrativa 

 




O Documentário LAR, que retrata o cotidiano de famílias LGBTIAPN+ através da perspectiva de seus filhos e filhas, desempenha papel essencial ao iluminar realidades silenciadas e combater a ignorância. Nesse sentido, a proposta de LAR é um retrato necessário para a sociedade, abrindo espaço para discussões educacionais e jurídicas que ainda carecem de representatividade no cinema brasileiro. O acerto do filme está em estabelecer uma conversa honesta e bem cotidiana, incluindo o exemplo do diretor. Embora a proposta seja potente e necessária, sua realização como obra cinematográfica enfrenta obstáculos que comprometem parte de sua força. A costura narrativa se revela frágil diante da complexidade do tema, com dificuldades em consolidar a totalidade da sua potência: manifestadas na distribuição desigual do tempo de tela para cada família, na fluidez da montagem, que não convida à imersão esperada, e na abordagem breve de subtemas que mereciam maior aprofundamento.










O filme demonstra acerto ao apresentar uma diversidade de realidades na adoção, desde a experiência do diretor até o cotidiano das outras famílias, trazendo relatos honestos sobre abandono, rejeição e os desafios envolvidos. As cenas que utilizam a perspectiva das crianças e adolescentes são, de longe, as mais engajadoras, pois eles carregam o repertório vivido do recomeço na vida familiar. Contudo, em diversas passagens, a narrativa arrisca-se a manter certo distanciamento do cotidiano dos lares. Isso se deve à montagem, que provoca cortes abruptos e abala a estrutura narrativa e o ritmo. A consequência direta é que a experiência do público pode ser comprometida: mesmo com a duração de 76 minutos, o filme não alcança uma imersão suficiente para o aprofundamento das histórias. Não se trata de exigir um tom didático, mas sim de reconhecer que a fluidez ausente compromete a conexão emocional esperada.





O diretor Leandro Wenceslau opta por entrelaçar sua jornada pessoal com o cotidiano das famílias, uma escolha que, em tese, poderia fortalecer a busca por pertencimento, mas que, na prática, não resultou em um produto coeso. Os diferentes círculos de convivência e as narrativas não são suficientemente desenvolvidos, diluindo o foco narrativo. Infere-se que, se o diretor tivesse se mantido como um pesquisador empático, utilizando sua experiência de forma mais distanciada, talvez houvesse mais tempo e clareza para consolidar as outras realidades. De certa forma, a sinceridade de Leandro Wenceslau ao expor questões familiares pode ter impactado o resultado final, gerando uma honestidade que, paradoxalmente, o faz questionar a própria obra. O cinema também é aprendizado: há espaço para que ele continue explorando o tema, observando que a técnica narrativa, diferentemente da intenção, interfere diretamente no sucesso de um documentário. A fotografia do filme, por exemplo, é um ponto bem trabalhado e pode impulsionar novas e mais bem-sucedidas produções.





O filme é inegavelmente afetuoso em determinados círculos, como nas cenas mais naturalistas de convivência familiar, mas ainda carece de equilibrar a celebração dos afetos com a exposição dos conflitos. O material é rico, com potencial para explorar os bastidores e os desafios da adoção no Brasil para famílias LGBTIAPN+, mas a forma como foi montado prejudica a fluidez. Isso torna o envolvimento orgânico com o tema desafiador, pois o espectador, que nem sempre conhece a complexidade da adoção, é mantido à distância das dores e dos obstáculos. O documentário se contenta em mostrar a camada visível dos afetos, mas perde a oportunidade de alcançar a profundidade da denúncia social e das lutas jurídicas, limitando o seu impacto final.










Apesar dos desafios na costura narrativa, o valor de LAR como registro histórico essencial é inegável no cinema brasileiro contemporâneo sobre o tema da adoção em famílias LGBTIAPN+. O filme abre um espaço crucial para novos realizadores e cumpre um papel na formação do cidadão de forma transversal, uma vez que o tema engloba não apenas os afetos familiares, mas todo o ciclo de desafios em instituições como a escola, o sistema jurídico e a sociedade civil. É nesse ponto que a experiência prévia de Leandro Wenceslau, que valoriza o cinema com jovens e crianças e possui formação em audiovisual, reforça sua qualificação para evoluir e consolidar suas narrativas em futuros documentários. Por sua importância como documento, LAR é um filme que merece ser prestigiado, reforçando que o tema exige conhecimento, experiência e aprofundamento contínuos.









Imagens: Divulgação Embaúba Filme. Fotos para veiculação do lançamento.

  #Documentário #Envelhecimento #CinemaAmericano #EstrelasdeHollywood #Autenticidade #Liberdade #Feminino #DivaDoCinema Por  Cristiane Costa...

 




#Documentário #Envelhecimento #CinemaAmericano #EstrelasdeHollywood #Autenticidade #Liberdade #Feminino #DivaDoCinema



Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Kim Novak's Vertigo: A liberdade como último papel




O cinema, em sua fascinação pelo mito, frequentemente busca desvendar os grandes enigmas de Hollywood. É nesse território que se posiciona o documentário Um Corpo que Cai, por Kim Novak (Kim Novak's Vertigo, 2025), destaque na Mostra SP. O filme, que não se apoia em artifícios narrativos espetaculares, revela-se um documentário intimista sobre a busca por autenticidade da atriz após uma longa e exaustiva carreira. A obra é um mergulho na jornada existencial de uma mulher que trocou o estrelato pela autonomia, sem renegar os papéis que a moldaram e os aprendizados que a sustentam.





O documentário utiliza o clássico Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958) como metáfora central para a vida de Novak, que contracenou com James Stewart. Em seu depoimento honesto, ela revela que a atuação no filme elevou o drama do “duplo” a uma tensão excepcional, mas também expôs um espelhamento profundo com sua própria trajetória profissional e sua confusão de identidade. O fato de ela assumir a bipolaridade evidencia que essa tensão de duplos já a acompanhava, e conviver com o transtorno, sem compreender plenamente sua complexidade, tornou-se um fardo existencial.












A decisão de Novak de se desconectar do star system foi um ato de liberdade e autenticidade. O documentário é cauteloso em como lida com a política de Hollywood. Ele não se rende ao sensacionalismo nem à exposição gratuita, mas pontua o que muitos já sabem sobre a indústria. Ela lapidou atrizes belas e talentosas, cobrando em troca sua sanidade e identidade. A forma como o filme é estruturado e montado, preservando sua voz e sua privacidade, deixa claro que o cuidado com a saúde mental e a proteção da sua individualidade eram imperativos inegociáveis.





O trabalho do diretor Alexandre O. Philippe é inegavelmente respeitoso e demonstra um alinhamento amigável com Novak, mantendo uma harmonia narrativa. Contudo, o filme carece de profundidade investigativa. Há a impressão de que o diretor assumiu mais o papel de arquivista do que de cineasta, contentando-se com o depoimento da atriz sem adicionar perspectivas externas, como outros entrevistados ou aprofundamento nos bastidores de Vertigo. Confunde-se, assim, a escuta empática com uma vitrine da fragilidade, onde o silêncio pesa mais que o contexto, o que pode desagradar o público que buscava um olhar mais crítico sobre Hollywood.












O documentário não investiga o envelhecimento em sua plenitude estética, mas tem um lado saudosista de homenagem que sedimenta a escolha da atriz por sua autonomia e autenticidade. Para o espectador, o maior legado é o exemplo de vida que o filme oferece. A busca por outras artes pessoais, como a pintura, e uma vida mais tranquila funcionam como a vitória final. Embora o formato documental pudesse ter explorado mais a história profissional de Novak, para além das imagens congeladas em arquivos, o resultado é um retrato positivo sobre a importância de ser autêntica e de priorizar a verdade interior acima do brilho fugaz das telas.







  Documentário de Leos Carax entra em cartaz  no IMS Paulista , IMS Poços de Caldas e Cine Arte UFF em Niterói e será precedido pelo curta ...

 



Documentário de Leos Carax entra em cartaz no IMS Paulista, IMS Poços de Caldas e Cine Arte UFF em Niterói e será precedido pelo curta Alegoria Urbana de Alice Rohrwacher e JR

Lançamento de 17 de Abril



Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação

 


O cineasta Francês Leos Carax tem uma ampla experiência em um Cinema muito particular e sensorial marcado pelo lirismo, pela narrativa sensorial e não-linear e pelo uso expressivo de elementos oníricos mesclados à beleza, solidão e violência da existência humana. Como parte do seu percurso, Não sou eu (C'est pas moi, 2024) é um documentário curto, com duração de 42 minutos que percorre imagens marcantes da carreira do diretor, com a mesma fluidez não convencional de seus trabalhos, assim, representando uma homenagem ao seu próprio lugar no mundo, o Cinema.




Baseado em uma exibição que nunca aconteceu, o Museu Pompidou fez a seguinte pergunta a Leos Carax: Onde você está, Carax? Ele tinha que respondê-la em imagens, criando esse documentário que percorre os 40 anos de sua filmografia. O projeto favorece o próprio estilo do diretor, singular e poético, na expressão das individualidades e na captura da melancolia  e fragmentação do próprio viver.










Ao acompanhar o documentário, a audiência é levada a contemplar o Cinema na sua interpretação mais imagética, o que muitos dizem ser o Cinema no seu carater mais puro e poético, sem som ou com pouco som, com referências musicais, literárias, cinematográficas e artísticas, mostrando recortes ora visuais ora realistas, captando momentos icônicos de sua cinematografia como Sangue ruim (Mauvais Sang, 1986), com Juliette Binoche em início de carreira e a memorável referência à canção Modern Love de David Bowie.










Neste tipo de documentário que condensa variadas imagens, com expressivo uso da fotografia e montagem, percebemos o valor do Cinema e da trajetória de um cineasta. Por si só é o Cinema em sua natureza mais intimista. Por mais que as imagens possam parecer aleatórias e/ou conectadas demais com o estilo do diretor, a beleza está em imaginar a  força do Cinema em todo o seu caos e lirismo que, ao refletir sobre um lugar de mundo à serviço da humanidade, é a expressão de muitas vidas e histórias. É onde encontramos o quão universais podemos ser por meio da lente de um cineasta.









Imagens cedidas pela assessoria de imprensa para divulgação da crítica.

Tradicional bairro do Bixiga, quilombo urbano em São Paulo, na luta contra o apagamento histórico Em cartaz de 03 a 09 de Abril em São Paulo...




Tradicional bairro do Bixiga, quilombo urbano em São Paulo, na luta contra o apagamento histórico


Em cartaz de 03 a 09 de Abril em São Paulo,

no Espaço Petrobras de Cinema 



Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação

 


Se valorizamos o Cinema a serviço da cidadania, seguramente, temos que celebrar o gênero Documentário. Muito mais do que mostrar determinada realidade, ele funciona como uma ponte para ideias, relatos, experiências e afetos para que as pessoas possam enxergar além de suas realidades cotidianas e territoriais e compreender onde se dão os encontros de suas histórias, vivências e liberdades, afinal, o mundo é grande demais para caber em uma curta visão.






O coletivo feminino Negro Ilú Obá de Min faz a lavagem da escadaria na rua 13 de Maio, 

como símbolo da falsa abolição, e abre o documentário com sua beleza e potência





O Bixiga é nosso! (2024), longa documental de Rubens Crispim Jr, é um daqueles filmes necessários em uma cinematografia realista que acompanha as mudanças contextuais e as lutas da população ao longo do tempo em diferentes espaços urbanos. Com um brado simbólico de que o Bixiga é do povo e, por meio das narrativas de vários grupos de resistência, o diretor revela um documentário pulsante de como o Bixiga em São Paulo é um quilombo urbano vivo que resiste ao apagamento histórico.









Historicamente, desde a década de 80, o Bixiga passou por um processo de tombamento patrimonial que, ainda que celebrado como direito à sua existência e preservação, não garantiu que o bairro estivesse inteiramente protegido das ambições de empresários e do Estado. Tradicional e único em sua essência e valorizado por sua cultura, arquitetura e gastronomia, o Bixiga foi construído pelas mãos de trabalhadores, na sua maioria imigrantes italianos, negros e nordestinos. Assim, ele é um patrimônio erguido por aqueles que lutam para não serem silenciados. Uma luta contínua pela permanência, ancestralidade e pertencimento.




O documentário aborda exatamente essas questões, trazendo alguns contextos que, articulados com diferentes vozes, narram que a resistência é ativa; caso contrário, certamente o bairro será dominado pela especulação imobiliária e pelas mudanças ambientais provocadas pelo desenvolvimento urbano. Entre esses contextos principais, temos a menção ao conflito entre o Grupo Silvio Santos e o saudoso diretor teatral Zé Celso, do Teatro Oficina, que se estenderam em um processo judicial para que o empresariado não ocupasse a área do futuro Parque do Rio Bixiga, além das recentes obras da criação de mais uma linha de metrô na Praça 14 Bis que levaram à identificação de vestígios antropológicos do quilombo urbano de Saracura.









Tais evidências ajudam a compreender que as tentativas de apagamento histórico do Bixiga realmente acontecem com uma força empresarial e política muito influente, entretanto, mais forte do que essa elite está a existência de uma comunidade unida e consciente de seu valor, poderosa em sua ancestralidade e tradição artística e bastante empoderada em diferentes áreas e saberes: História, Arquitetura e Urbanismo, Música, Gastronomia,  Artes cênicas, Cultura Popular, entre tantos outros. Com uma comunidade atuante que não desiste do seu lar, o Bixiga se torna mais apaixonante e revela que há amor em São Paulo, mesmo que as línguas amargas digam o contrário.







"'O Bixiga é nosso!' joga luz em diversos grupos de resistência articulada no território do Bixiga", resume o diretor Rubens Crispim Jr. "Acredito que esses movimentos sirvam como estímulo e ensinamento para diversos outros grupos espalhados pela cidade e pelo país. O Bixiga precisa ser estudado!", conclui (fonte: press kit)




Assim, uma das grandes alegrias do documentário é observar que há cidadãos apaixonados pelo Bixiga, multifacetados, experientes, generosos e combativos. Além do Bixiga ser a casa da escola de Samba Vai Vai, bastante conhecida nacionalmente, há uma diversidade riquíssima de vidas corajosas que acreditam no diálogo, construção e justiça. Por meio desse belo documentário, o público poderá conhecer mais sobre a importância do coletivo, do aquilombar-se para poder resistir e existir.










Ainda, sob uma perspectiva educacional, o documentário é imprescindível para alunos do Ensino Fundamental ao Médio, universitários de Jornalismo, Artes, Arquitetura, História, Geografia, Ciências Socias,  Pedagogia e Licenciaturas, Políticas Públicas, professores e gestores. Uma de suas alavancas para estudos e discussão está em abordar a pauta dos territórios e ocupação do espaço urbano. Dessa forma, em uma jornada de aprendizagem, conhecer, fortalecer e defender o próprio bairro deveria ser um exercício diário, porém, muitos cidadãos estão ocupados demais, vivem um dia a dia ligados no automático ou são consumidos pelo trabalho exaustivo. O problema é que, a própria vida moderna torna os indivíduos cada vez mais individualistas, logo, a prática do coletivo fica em segundo plano. Mas nunca é tarde para mudar o comportamento!




No geral, essa perspectiva é aplicável a outros bairros de São Paulo e tantos outros no país, trazendo as seguintes reflexões: É possível conciliar desenvolvimento e tradição? Individualidade e coletivo? Futuro e ancestralidade? Vulnerabilidade e resistência? Com certeza é possível, e muito mais após assistir a O Bixiga é nosso! 









Imagens do filme autorizadas pela assessoria de imprensa para divulgação do longa. crédito olé produções. Patricia Rabello Assessoria.

  Feirantes são protagonistas do documentário  e mostram a desigualdade social no país  Lançamento nos Cinemas em 03 de Abril em São Paulo e...

 



Feirantes são protagonistas do documentário

 e mostram a desigualdade social no país


 Lançamento nos Cinemas em 03 de Abril em São Paulo e Rio de Janeiro pela California Filmes



Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação

 


Primeiro filme de Silvia Fraiha como cineasta, Todo dia é dia de feira (2023) mostra o protagonismo e a resiliência de quatro feirantes profissionais, Arnaldo, Cristina, Fernando e Luis, que trabalham nas feiras livres cariocas. Apaixonada por essa cultura, além de frequentadora das feiras desde a infância, a diretora apresenta um documentário valioso para compreender a luta diária dos feirantes que, em meio às desigualdades sociais no país, representam a resistência na ocupação de seus territórios e no exercício de seu trabalho diante do descaso do Estado.





Arnaldo



Com muita fluidez e naturalidade, a câmera percorre as feiras com sua alegria urbana e pitoresca, entre as cores vibrantes das frutas, o aroma das ervas e a beleza das flores. Essa paisagem colorida traz uma força tremenda para que isso não desfaleça em um país no qual nem sempre o feirante é valorizado. Com o protagonismo desses trabalhadores, cada um com sua experiência e estilo muito único, o público é convidado a compreender suas realidades que vão além da vivacidade de uma feira, mostrando também as contradições da melancólica luta pela sobrevivência.





Cristina



Responsável pela produção, roteiro e direção, Silvia Fraiha e sua voz serena na narrativa tem uma grandiosa virtude: ela entende desses amores e dores pois, ainda que tenha um lugar de privilégio, ela vivencia as feiras livres e escolheu esse tema como um projeto de Cinema, inaugurando sua direção em longas metragens. É uma atitude que está acima do seu papel como cineasta, mas uma ação cidadã, de ímpar nobreza em dar voz à categoria. Ao retratar Cristina, Arnaldo, Luis e Armando tanto na feira como em suas famílias e comunidades, ela mostra a humanidade do feirante para além de uma banca bem montada e atrativa em uma feira. Insere os sonhos, desejos, vulnerabilidades e desafios dos trabalhadores que preservam uma tradição. Acima de tudo, os feirantes representam essa esperança de não serem excluídos como trabalhadores de valor em uma sociedade desigual.





Fernando



O documentário ganha uma dimensão de crítica social sem abandonar a leveza e alegria dos feirantes. São diferentes retratos que refletem suas identidades em tantos outros trabalhadores espalhados pelo Brasil. Acompanhamos Cristina, um mulher negra, viúva e arrimo de sua família  que levanta cedo e vai até um Ceasa para garantir boas frutas; Arnaldo, pai de família e morador da Rocinha que, com o filho, sobrevivem às caras diárias de manter uma peixaria ambulante; Luis, o senhor experiente que vende melancias sem perder sua calmaria e Fernando, o florista que mantém essas cores da natureza por amor à feira e à família. Todos apaixonados pelo seus ofícios, movendo o documentário com histórias de superação, humor e autenticidade e respeito pela cultura das feiras livres.





Luis



Como resistência, o documentário nos faz refletir sobre como o sistema opera de uma forma a negligenciar e/ou prejudicar o empreendedor feirante. Há um sistemático processo de sobreviver a esse negócio, desde o feirante buscar a mercadoria em um mercadão ou Ceasa, até realizar o tratamento das frutas, legumes, verduras, flores, entre outros, passando pela conquista e venda do produto ao cliente, o estoque e/ou descarte do que não foi vendido e a gestão financeira do próprio negócio. Analisando essa perspectiva, parece simples mas não é, sendo extremamente trabalhoso para um trabalhador que tem poucos recursos, além do mais, feirantes que encontram como poderosos concorrentes as grandes redes de supermercado que utilizam de eficiente logística e ações predatórias de vendas e marketing. Assim, a desigualdade não é apenas social, mas uma desigualdade mercadológica.





A cineasta Silvia com os feirantes Arnaldo e Cristina




Com esse excelente documentário fica mais evidente o descaso do Estado, que coopera para essa desigualdade não dando a devida importância à feira como um patrimônio cultural nos variados territórios e parte relevante do empreendedorismo familiar e direito ao trabalho. Na situação exposta nas filmagens, é lamentável o total desconhecimento de um secretário público com relação ao funcionamento das feiras livres e melhores condições de trabalho para o feirante. Assim, ao observar essa falta de compromisso do Estado, entendemos o porquê documentários com o de Silvia Fraiha são fundamentais para dar voz contra o apagamento e silenciamento dos feirantes.




(3,5)





Imagens integram divulgação do filme. Autorizadas pela assessoria de imprensa California Filmes para a imprensa.

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