MaDame Lumière

Sou MaDame Lumière. Cinema é o meu Luxo.

  Disponível no Belas Artes a la Carte #Drama #Família #Violência #Crime Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e sp...

 




Disponível no Belas Artes a la Carte


#Drama #Família #Violência #Crime


Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



É um prazer assistir a um filme clássico de Sidney Lumet, em especial quando no elenco há atores incríveis como Sean Connery, Dustin Hoffman e Matthew  Broderick. Em Negócio de Família (Family Business, 1989), o diretor coloca essas três gerações : avô, pai e neto como criminosos em diferentes estágios de preservação desse "status" de família que, entre um golpe e outro, se metem em problemas na justiça.





Não é especificamente um longa sobre gângsteres, porém carrega em si uma estrutura dramática que reúne os familiares com fortes vínculos afetivos que ultrapassam suas escolhas pelo crime. É como manter a tradição da transgressão mais motivados pela conexão que os une do que propriamente pelo dinheiro e adrenalina. Nesse sentido, Sean Connery no papel de Jessie é o patriarca e o audacioso chefão que tem o afeto do neto Adam (Matthew Broderick) mas tem problemas mal resolvidos com o filho  Vito (Dustin Hoffman).











Certo dia, Adam recebe uma oferta para roubar um plasma em uma empresa de tecnologia e ganhar 1 milhão de dólares. A ideia desperta o interesse de Jessie, bem influenciado pelo neto disposto a aventurar-se. Eles convencem Vito a invadir o laboratório e as consequências são danosas a ponto de despertar as emoções dos familiares em distintos aspectos, afetando as relações interpessoais.





É perceptível que Sidney Lumet dirige o filme em uma combinação de experiente apuro cinematográfico e uma leveza narrativa, assim não se trata de um longa dramático e violento como muitos de sua época. Está mais próximo de um drama cômico. Na verdade, o trio se aproxima e distancia, se alia e briga, mas no fundo, o amor e sangue os une. Essa força familiar masculina de que o negócio da família deve ser preservado, mesmo que este business seja uma violação da lei. O sucesso do negócio implica proteger as gerações dentro do possível. 





No geral, é uma família de golpistas com diferentes níveis de experiência. O neto acaba sendo um iniciado e se dando mal, fazendo com que sacrifícios sejam feitos em prol de seu bem-estar. A relação entre Jessie e Vito tende a ter altos e baixos nessa jornada, assim, abrindo e mantendo mágoas que não são superadas.










Assistir a Sidney Lumet é uma experiência cinematográfica prazeirosa partindo da premissa de que ele é um ótimo orquestrador de planos e movimentos de câmeras. Planos amplos e médios que localizam o espectador com todos os detalhes da cena, com a ampliação dos espaços e profundidade de campo é um bel-prazer para os admiradores de decupagem. Nesse aspecto, o filme é um colírio de linguagem cinematográfica através de suas sutilezas na direção. Por outro lado, esse não é o melhor filme do diretor exatamente porque o roteiro deixa a desejar e se arrisca pouco a desenvolver os conflitos e transição entre cenas.  A todo momento, o filme transmite que é o trio que o sustenta e não a narrativa.




Ainda assim, vale testemunhar este encontro de 3 gerações do Cinema. É uma produção que não tem o status de obra prima, fato que é positivo pois propicia uma experiência mais espontânea e exploradora para o público. E o melhor: Sidney Lumet é um cineasta que sabe fazer cinema até nas pequenas joias. 






  Disponível na Amazon Prime Video #FilmesApocalípticos #FicçãoCientífica #SciFi #Streaming   Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira cr...

 



Disponível na Amazon Prime Video


#FilmesApocalípticos #FicçãoCientífica #SciFi #Streaming
 


Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



O ator Chris Pratt tem três qualidades imbatíveis quando se trata de colocá-lo em filmes de ficção científica: confiável, bem humorado e humano. Na seara de produções que abordam ação apocalíptica e catástrofes de impacto global, inserir um personagem que transmite valores nobres como bondade, heroísmo e confiança cria um elo de conexão com o público, principalmente quando se trata de blockbusters que oferecem uma mistura de dinâmico entretenimento com o necessário escapismo.










Em A Guerra do Amanhã (Tomorrow War, 2021), grande produção disponível em streaming pela Amazon Prime, o ator desempenha o papel de Dan, pai, ex-militar e professor de Ciências que viaja no tempo para salvar a humanidade da extinção. Com a contínua ameaça dos alienígenas Os Garras-Brancas que estão dizimando a Terra, Dan recebe a missão de viajar para o futuro com uma equipe e acaba por liderar o combate.




O roteiro utiliza ideias comuns em filmes apocalípticos como Independence Day (1996) e  Guerra dos Mundos (2005) e de batalhas contra alienígenas como No Limite do Amanhã (2014) e realiza uma explosiva mistura de elementos audiovisuais para criar um ambiente desolador e destrutivo, logo, o que o espectador vê não é nada diferenciado, com exceção dos esforços de Chris Pratt e Yvonne Strahovski para carregar o filme nas costas.









Ao viajar para 2051, Dan tem a chance de mudar o curso da história. Muitas perguntas contundentes surgem em meio ao caos: como lidar com os encontros e desencontros da missão? Como ser o pai que ele prometeu ser para a filha Muri? Como tomar decisões que impactam em sua família? Assim, o longa também busca combinar guerra alienígena com planos que situam os dilemas familiares de Dan, como sua relação com o pai (J. K. Simmons) e o retorno à esposa (Betty Gilpin) e filha. A ideia central é estabelecer sintonia com este pai heróico, algo similar ao que Tom Cruise fez em Guerra dos Mundos.





Quando não há no filme uma inovação ou DNA em roteiro e direção, resta ao público divertir-se como se não houvesse amanhã. Ao invés de entrar em crise com o filme, é melhor entrar na aventura. Esse blockbuster é exatamente isso! Ele transmite uma diversão  no meio à sua irregularidade narrativa. Chris Pratt é o pai legal que não está satisfeito com os rumos de seu cotidiano profissional, assim, há uma ligeira frustração no seu dia a dia como dar aulas para alunos desinteressados ou não ter aquela oportunidade de projeto que tanto desejava. Entrar em uma missão repentina é dar um senso de propósito a este pai.





Dan como pai e combatente não se sai mal porque, desde Guerra das Galáxias (2014)  e Jurassic World (2015), o espírito aventureiro de Chris Pratt e seu carisma como herói descolado funciona como um ótimo background e matéria de trabalho para Hollywood. O diretor Chris McKay dá bastante autonomia para o ator em cena, mas infelizmente Chris Pratt poderia ter tido um roteiro melhor a seu serviço porque funcionou mais como militar do que como pai e filho. O mesmo acontece com o excelente J. K. Simmons que tem uma participação coadjuvante que poderia ter sido melhor explorada, em especial, nos conflitos com o filho.









Até mesmo Yvonne Strahovski  como a filha adulta de Dan precisou se esforçar muito mais para dar coerência e seriedade a cientista e militar, esforço que racionalizou demais sua personagem que teve pouco tempo para desenvolver seu arco dramático. É estranho perceber que, mesmo nas cenas emotivas entre ela e Chris Pratt, ainda há dureza em cena. De qualquer maneira, foi bom vê-la sair do corpo de Serena Joy (da série The Handmaid's Tale) e encarnar uma guerreira em ação que acrescenta inteligência, obstinação e sacrifício à narrativa, tudo em prol de salvar a humanidade.




Tudo que é muito exagerado no Cinema, tende a levar ao riso ou ridículo. Por trás da seriedade do caos, há muitos momentos hilários, por isso o melhor é curtir o escapismo. Por exemplo, os Garras-Brancas são antagonistas visualmente mal construídos e insuportáveis que só não se tornam mais desinteressantes porque há a matriarca deles. A geniosa fêmea acrescenta mais perigo às cenas de ação e recebe um tratamento melhor do roteiro. Outro exemplo engraçado: A equipe de Dan é composta por pessoas improváveis para tamanha responsabilidade, com exceção de um ou dois personagens que têm mais ação, todas as outras não tiverem nem o direito a ter um desenvolvimento dramático. Pelo menos, é impagável ver a atriz comediante Mary Lynn Rajskub no campo de batalha.





Combinar viagens do tempo, com ciências naturais e biológicas, batalhas alienígenas, catástrofes globais e família é uma mistura bombástica que tem seus riscos e aqui não seria diferente. Sem dúvidas, o filme será pura diversão se o espectador entrar na onda do "Assista o filme sem levar a experiência tão a sério". Se colocar A Guerra do Amanhã em uma régua comparativa com outros sci-fis com dinâmica narrativa similar, com certeza,  ele vai perder e o espectador vai se frustrar. Então, simplesmente curta a ação!





(2,5)




  #Drama #Família #Paternidade   Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Empatia é uma ...

 






#Drama #Família #Paternidade 


Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Empatia é uma palavra preciosa que guarda em si muitos significados. O mais primário deles está relacionado a se colocar no lugar do outro e reconhecer que cada um tem uma história de vida diferente, principalmente convicções, preconceitos, dores e desafios a enfrentar.  A partir do instante que a empatia é cultivada, a vida fica mais leve e as conexões são fortalecidas, mesmo naqueles dramas que não podem ser arrancados do peito.










Algum lugar especial (Nowhere Special, 2020) é um daqueles filmes delicados que tem uma expressividade fora do comum exatamente por despertar a empatia por uma história que não há muito o que fazer sobre o destino dos personagens; ainda assim, é preciso enxergar esperança ali mesmo em meio à doença e morte. É uma combinação de singeleza e força que ajuda a compreender a realidade de variadas famílias e suas diferentes configurações.




Baseado em fatos, o diretor e roteirista Italiano Uberto Pasolini conta a história de John (James Norton), um pai jovem e solteiro que, entre exercer o ofício de limpador de vidros e lutar pela sobrevivência de sua família, tem que procurar um novo lar para Michael, seu filho de 3 anos. A razão não poderia ser mais devastadora: John tem uma doença terminal e tem pouco tempo de vida. Certamente o mais dilacerante é perceber que tanto John como seu Michael percorrem caminhos impostos pela vida que não são os trajetos naturais que esperamos para pais e filhos.









A narrativa é construída sutilmente com fragmentos do cotidiano e da busca por uma família, sem transformar o filme em um sentimentalismo apelativo. Pelo contrário, sua força narrativa está em mostrar um pai que vive um dia por vez embora sinta as incertezas do tempo, a pressão da situação e o peso da doença. Aos poucos, John amadurece este doloroso processo, passando a incluir uma assistente social e o próprio filho na decisão. Uma das inspirações do diretor foi a obra de Yasujiro Ozu e de Jean-Pierre e Luc Dardenne.




As atuações de James Norton e de Daniel Lamont são críveis e afetuosas, muito bem costuradas com a abordagem do roteiro e olhar da direção. É comovente notar que a paternidade se constrói de maneira universal no próprio filme. A conexão entre eles é tão profunda que os olhares e silêncios são capazes de dizer muito mais do que palavras verbalizadas. 





Para a sorte do Cinema, brilha uma estrela mirim: Daniel Lamont. Com apenas 4 anos, ele apresenta uma naturalidade impressionante com as cenas, demonstrando o realismo de uma criança linda e encantadora mas que também tem uma melancólica sensibilidade de quem percebe o que está acontecendo ao redor. De fato, as crianças são sábias e observadoras!






"Felizmente, no jovem Daniel Lamont, então com quatro anos, temos um ator natural extraordinariamente consciente e sensível, e, em James Norton, um ator muito generoso, que ficou feliz em dedicar longos dias para criar uma conexão com o menino bem antes das filmagens, e apoiar e guiar Daniel durante o que para qualquer criança teria sido uma experiência intensa e, às vezes,desconcertante."

(Palavra do diretor)




Sobre o passado, o filme o utiliza como contextualização e acerta em não culpabilizar a mãe. Menciona que houve uma situação de abandono da criança no pós parto,assim importa muito mais o futuro da criança do que remoer mágoas que não contribuem para resolver o bem estar de Michael. O pai assume um papel que é dele como progenitor, mas que não é tão comum no dia a dia. Normalmente são as mães solteiras que levam a família adiante. Posto isso, o longa traz a perspectiva dos filmes sobre pais solteiros.



Assim, muito mais do que mostrar uma das configurações de família existentes e que, pela força do afeto, sobrevive em uma situação de vulnerabilidade, o belo do filme é construir uma narrativa de que a vida deve continuar para uma criança, independente da doença e da morte dos pais. A busca de John por uma família para seu filho é a continuidade de uma vida com segurança, bem-estar, saúde e amor. 








Nessa busca, John encontra algumas famílias de possíveis adotantes e o roteiro garante uma boa miscelânea de configurações familiares de uma maneira leve e realista. Esses eventos reais propiciam uma visão de que não há famílias perfeitas, o que há são possibilidades de ser feliz em alguma delas. A certeza é algo que John nunca terá sobre o futuro do seu filho, porém é o aqui e o agora que realmente importam. 



Comovente e delicado, o desfecho do longa faz todo o sentido e é especial. Talvez aquelas configurações familiares nada tradicionais podem ter mais amor e respeito do que esperamos. Talvez sejam elas as que buscam preencher o afeto que lhes faltou em suas trajetórias. Com isso, a empatia não é apenas pela história de John. A empatia também está em John.




(3,5)




Fotos e citação do diretor: uma cortesia A2filmes

Disponível na Amazon Prime Video #Thrillerpsicológico #Horror  #Violência   Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e...





Disponível na Amazon Prime Video


#Thrillerpsicológico #Horror  #Violência
 


Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



O eterno gladiador Russell Crowe retorna à telinha de forma assustadora e perigosa como um homem comum, insano e furioso que, após uma discussão de trânsito, decide perseguir e aterrorizar Rachel Hunter (Caren Pistorius) e seu filho Kyle (Gabriel  Bateman). Os créditos iniciais já entregam um bom argumento e cenas documentais e antecipam o caos presente no cotidiano, no qual as pessoas externalizam suas intolerâncias e violências de toda natureza de forma gratuita, letal e sem sentido.







O personagem de Russell Crowe é como um estranho em um dia de fúria. O público não sabe seu passado, sua história, suas relações. Ele surge como uma pessoa qualquer no trânsito e uma buzinada é suficiente para revelar seu temperamento obsessivo e homicida.  Atrasada para o trabalho, Rachel enfrenta o trânsito insuportável como qualquer cidadão. O que ela não esperava é que uma discussão mudaria o seu dia com a presença de um real psicopata na traseira do seu carro em diferentes momentos. Muito mais do que um insuportável stalker, esse homem está disposto a matá-la.










É um filme interessantíssimo partindo desta analogia de como o trânsito desperta o pior das pessoas. Na verdade, o ritmo acelerado e caótico da vida contemporânea é apenas o estopim para revelar a verdadeira e maléfica essência do ser humano, deste modo, a situação retratada pelo diretor Derrick Borte é o meio para tornar visível que uma discussão aparentemente banal pode trazer desdobramentos aterrorizantes e danosas para os envolvidos. Situações como esta não ocorrem apenas no trânsito, mas estão em vários espaços e estampam os programas sensacionalistas. São discussões em bares, restaurantes, mercados, ruas, festas,  vizinhanças em geral. É como um vírus da intolerância que impacta vidas, colocando muitos em risco e como vítimas da violência.









Após a experiência com todo o horror deste filme, alguns podem vir a dizer: "Rachel só teve o azar de cruzar com um psicopata. Isso é somente um filme, não a  realidade".  Mero engano! O diferencial da narrativa é exatamente o exagero do roteiro e diretor. Algumas cenas são realmente dignas de exploitation, com situações bizarras e absurdamente imediatistas e violentas, como se o ser humano não fosse absolutamente nada. Porém, se analisarmos que é o que vem acontecendo no cotidiano, em maior ou menor grau, o filme utiliza recursos de forte exagero para reforçar que , infelizmente, a intolerância da sociedade e a banalização da vida  estão atingindo níveis severos de uma psicopatia social.







As cenas de perseguição em carros pelas ruas, a utilização do celular e as tomadas do psicopata com os amigos e/ou familiares de Rachel são recursos clássicos e garantem uma tensão constante, levando em conta que colocam forte pressão e culpa sob Rachel, continuamente alvo das chantagens e vinganças deste louco. Apesar do desfecho ter sido muito rápido, podendo ter sido trabalhado de forma mais cuidadosa, o longa apresenta boas atuações, fotografia e ritmo e é bem sustentado pela competência de Russell CroweCaren Pistorius.  




Disponível na Amazon Prime, Fúria Incontrolável possibilita uma reflexão necessária partindo da ideia de que a maioria da violência atual continua deixando mais pontos de interrogação do que de exclamação.  O que leva as pessoas a serem tão abusivas, violentas e vingativas? Seguramente, a intolerância por motivos torpes em situações banais nas quais poderia haver mais diálogo e entendimento é uma delas.






  Dicas  Streaming  MaDame Lumière  Filme da  @A2filmes  disponível nas plataformas online #Corrupção #Impunidade #Drama #Redenção   Por  Cr...

 



Dicas Streaming MaDame Lumière 

Filme da @A2filmes disponível nas plataformas online



#Corrupção #Impunidade #Drama #Redenção
 


Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Sam Claflin, galã do famoso drama romântico Como eu era antes de você (2016) chega mais uma vez às plataformas de streaming com um drama bem diferente do que vimos em seu charmoso Will Traynor. Em Teia de Corrupção (The Corrupted, 2019), ele interpreta Liam McDonagh, um ex-boxeador que após sair da condicional, tenta reconstruir sua vida ao lado da esposa Grace (Naomi Ackie) e filho. Ambientado em Londres, Liam reencontra seu irmão Sean (Joe Claflin), envolvido em uma trama criminal sob constante ameaça dos corruptos Cliff Cullen (Timothy Spall) e Anthony Hammond (Hugh Bonneville).








O drama combina a busca pela redenção com uma teia conspiratória que envolve criminosos, policiais e mídia. Liam tem a melhor das intenções para  ter uma nova chance apesar do distanciamento das pessoas e do cenário com raras boas perspectivas. Seu irmão continua por caminhos incertos e corruptos e sua esposa não acredita mais na relação. Com isso, Liam tem que lidar com um passado  que deixou marcas danosas como se ele não tivesse mais saída.




A ideia central não é original, entretanto, o roteiro busca ir guiando o espectador por uma teia que deixa os personagens sem escapatória e em um ambiente inseguro no qual poucas ou quase nenhuma pessoa é realmente confiável. É uma narrativa que não investe muito em plot twists surpreendentes, ainda assim, não deixa de desmascarar os principais corruptos. O protagonista permanece em um beco sem saída e, infelizmente, a impunidade continua devastadora. 








Muitos outros filmes abordam poder, conspiração, crime e impunidade, logo o que faz a diferença no longa é ter a oportunidade de ver Sam Claflin, um ator jovem, talentoso e elegante em um papel decadente, pouco expressivo. Liam desperta essa piedade durante a trama pois está realmente preso a esta teia. Por mais que deseje uma vida melhor, encontra difíceis obstáculos e tem que fazer uma escolha para sobreviver. Embora o ator se esforce e tem um carisma natural, falta ao longa uma melhor combinação de roteiro, direção e elenco coadjuvante.  Nem mesmo atores como Timothy Spall e Hugh Bonneville são bem aproveitados como vilões.




Outra questão que fragiliza a narrativa é a edição. O longa é extenso sem necessariamente aproveitar os conflitos de forma dinâmica e envolvente. Quando se trata de filmes conspiratórios, o suspense e tensão na sequência dos fatos devem ser mantidas como um contínuo acerto, porém aqui se perde um pouco.  Dessa forma, é um drama que teria condições de entregar um melhor resultado na experiência. As dimensões familiares foram pouco exploradas nos diálogos, considerando que os conflitos nestas relações costuma oferecer um bom material para a exploração em cena. 




Teia de Corrupção está disponível também com a tradução "Poder e Corrupção" e vale a pena para quem gosta de Sam Claflin em qualquer contexto. Outro ponto favorável é ser realista em um mundo cada vez mais corrupto.  Apesar do pessimismo, o filme não oculta a lamentável constatação de que a impunidade  afeta as individualidades e  o coletivo no mais doloroso dos silêncios.




(2,5)







Fotos: uma cortesia A2 filmes

Imperdíveis dicas  Streaming  MaDame Lumière  Filme da  @A2filmes  disponível nas plataformas online #Guerra #CinemaEuropeu #CineMundi   Por...





Imperdíveis dicas Streaming MaDame Lumière 

Filme da @A2filmes disponível nas plataformas online



#Guerra #CinemaEuropeu #CineMundi
 


Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Dirigido pelo roteirista e cineasta Peter Bebjak, O Protocolo de Auschwitz (The Auschwitz Report, 2021) utiliza fontes históricas sobre o Holocausto e a denúncia das atrocidades ocorridas no campo de extermínio de  Auschwitz-Birkenau, possibilitando que o público conheça os horrores do Terceiro Reich que visava por fim às vidas de prisioneiros da Segunda guerra. Baseado na obra "What Dante did not see", de Alfréd Wetzler, o drama conta a história de Freddy e Rudolf, dois jovens judeus eslovacos que, após um plano de fuga corajoso, escapam do campo de concentração em abril de 1944. 













Quem carrega o peso do protagonismo para mostrar o real drama dessa jornada arriscada e resiliente é o ator Noel Czuczor que interpreta Freddy. Ele mostra um comando maior em cena durante a fuga, bem respaldado pelo companheiro Rudolf Vrba (Peter Ondrejicka). Muito do interesse de Czuczor para interpretar esse personagem real está no compromisso de trazer para o presente um passado que nunca ou raramente foi contado nas escolas da própria Eslováquia.






Alfréd Wetzler e Rudolf Vrba não foram apenas sobreviventes de guerra, mas também heróis que se arriscaram em montanhas tenebrosas, sob a constante ameaça dos nazistas. Eram judeus movidos pela esperança e tinham como objetivo trazer à luz da população as informações de extermínio de judeus e salvar outros que seriam deportados. Trata-se de liberdade com voz para denunciar o genocídio sistemático em Auschwitz-Birkenau.










"eu li tudo que pude, incluindo o romance de Wetzler, e assisti
a documentários e entrevistas com sobreviventes. E, além de visitar
Auschwitz pessoalmente, tive a chance de conversar com a senhora
mais incrível, uma sobrevivente de Auschwitz, Srta. Laura, que tinha
96 anos de idade na época. Mas nem mesmo todas essas informações
me deixaram mais perto de compreender totalmente como deve ter
sido. Eu me senti preso por um longo tempo - todas as coisas que
aprendi estavam apenas se acumulando dentro de mim. E então um
dia voltei ao livro de Wetzler e de repente percebi que estava tudo lá
- cada pensamento seu, cada sentimento, cada dúvida."
(Ator Noel Czuczor, sobre preparação para o papel)







O roteiro segue um caminho bem autoral para esse tipo de narrativa de memórias de guerra, sendo dividido em três principais momentos: a fuga com o apoio dos colegas, o percurso de sobrevivência nas montanhas e o encontro com a resistência e Cruz Vermelha seguido da elaboração do relatório sobre o funcionamento do campo. Há certa peculiaridade nessa estrutura narrativa considerando que, logo no início, o foco não é precisamente os dois protagonistas. O diretor opta por enfocar o medo, sofrimento e resistência dos prisioneiros que ficaram e cobriram a fuga de Freddy e Rudolf. Esse é um aspecto bem interessante na direção que não segue um padrão, lembrando o excelente húngaro "O filho de Saul", de Lászlo Nemes.








A visão do inferno que Dante não viu. 
Palheta de cores quentes na linguagem cinematográfica e fotografia






Nesse primeiro ato, entra em cena a competência da direção de fotografia de Martin Ziaran, que trabalha as nuances da paleta de cores mais esfumada, aterrorizante e claustrofóbica, alternando entre cores quentes como o inferno na terra ou frias como o clima cinzento e brutal de um campo de extermínio.  Nesse desenvolvimento inicial, os recursos de linguagem cinematográfica como som e trilha sonora (de Mario Schneider), enquadramentos  e close ups bem planejados e ênfase na atuação do elenco coadjuvante traz uma unidade tensa, melancólica e desesperadora para a narrativa. Esse clima de violência sádica se torna mais brutal quando fica perceptível a naturalidade de como os nazistas agiam e silenciavam a morte e sofrimento alheios. É a visão da tortura normatizada pela História. Algo difícil e nauseante que o tempo não apaga.














Na segunda parte, Freddy e Rudolf percorrem a jornada de de coragem, força e superação em caminhos arriscados, contando com a ajuda de estranhos.  Aqui temos uma visão visceral da luta pela sobrevivência, da fome e miséria humana. Por outro lado, a generosidade de uma mulher que entrega-lhes um pão, por exemplo, demonstra que, apesar dos perigos que cercam a fuga, os dois jovens não desistiram de seus propósitos.  Em todo o percurso, o cineasta se dirige mais ao esgotamento físico e mental dos heróis, uma superação a qualquer custo, realizando movimentos de câmera mais lentos, ora próximos ora mais distantes, e enquadramentos icônicos como realistas pinturas da guerra. 







Freddy e Rudolf certamente sabiam que inúmeros judeus poderiam ser salvos se eles conseguissem cruzar as fronteiras e chegar às autoridades aliadas e Ocidente. O Relatório Vrba-Wetzler era uma arma contra os assassinatos em massa autorizados e defendidos por uma ideologia genocida como a de Hitler. A direção subjetiva mostra esse peso dos personagens.  "Queríamos permitir que o público passasse pelas mesmas coisas que nossos personagens principais estão passando, em um mundo onde não existem padrões ou regras, um mundo onde o medo e a morte são seus únicos companheiros, um mundo onde você está fraco, doente e impotente, um mundo que está louco. Isso é o que estávamos tentando encontrar e alcançar", desabafa o diretor.











Por fim, o desfecho é o momento mais aguardado mas também ligeiramente frustrante. O cineasta se apressa na sua finalização, o que decepciona pela expectativa criada.  Em filmes sobre  memórias da guerra baseado em caso real, por mais que o espectador suspeite que há esperança para alguma justiça, nem sempre as conclusões otimistas ocorrem de forma  fluída. Aqui não seria diferente. O anti-clímax é visível em comparação ao desenvolvimento dos dois primeiros atos. Pensando sob a perspectiva de um cineasta contador de história dos horrores da guerra, essa decisão é compreensível. As dificuldades encontradas por Freddy e Rudolf fazem parte da vida como ela é. Uma vida cheia de angústia que muitas vezes quem luta por justiça tem que provar o óbvio.










Nesse sentido, um dos melhores aprendizados com essa história real é a constatação de que o passado deve ser lembrado porque ele pode se repetir no presente e ser absurdamente destrutivo às pessoas; assim, temos que tomar cuidado com as personalidades que estão no poder agindo como "Hitlers".  Como diz o diretor Peter Bebjak " As pessoas mais influentes na política geralmente são aqueles que a criam. São suas realizações, sua retórica, sua abordagem. Se alguma dessas coisas for odiosa, sempre haverá pessoas que irão, talvez por frustração, se voltar para políticas como essa. Isso está acontecendo em todo o mundo, onde o populismo é a forma de governança. E em tempos de crise, econômica ou moral, as pessoas tendem a se refugiar em ideologias extremas. Foi assim que Hitler ganhou seu poder e também como nascem as ditaduras.




Nos créditos finais, isso se confirma como uma necessária mensagem às nações e cidadãos.  Os boçais estão por aí , com suas falas populistas e neonazistas, com o avanço dos imbecis, extremistas e racistas, desse modo, os erros brutais do passado não podem ser mais aceitos e muito menos cometidos.











Fotos e citações do diretor e do protagonista, uma cortesia A2 filmes para divulgação via veículos de comunicação credenciados.

  Classificação do filme para faixa etária: 16+ anos Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunic...

 


Classificação do filme para faixa etária: 16+ anos




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



O vencedor do Bafta 2014 de melhor estreia na direção, Kieran Evans, explorou a cidade de Liverpool, entre cenários urbanos e melancólicos  assim como naturais e líricos, para realizar o drama de um amor jovem, transgressivo e trágico entre Kelly (Antonia Campbell-Hughes) e Victor (Julian Morris). Adaptação do romance de Niall Griffiths, a qualidade da  direção transborda naturalidade em filmar o encontro de dois jovens solitários que, ao se conhecerem em uma balada e terem uma noite de sexo casual, passam a ter uma peculiar atração e desejo de descobrir a paixão e o prazer juntos, se arriscando a romper as barreiras do convencional.











A coerente apropriação de recursos espaciais e temporais pelo cineasta, bem como a competente direção de atores e espontaneidade ao dirigir perturbadoras cenas de sexo fazem a diferença. Pode-se afirmar veemente que o filme não entrou em um declínio narrativo em função de como o diretor soube equilibrar as dimensões controversas entre o tema e o roteiro, os perfis dos amantes e respectivas atuações e as cenas da cidade.  












A narrativa tem variados aspectos líricos e intimistas como a mulher que está sozinha e com pensamentos distantes e misteriosos, mas também o homem que trabalha em uma rotina entediante e se sente bem quando está próximo à natureza e das memórias da amante. Nesse sentido, Kelly e Victor são como duas almas anônimas e solitárias que se encontram em um cotidiano realista e melancólico. Começam a ceder aos seus desejos sem necessariamente estarem focados no tipo de relação que ali se desenvolve. São duas almas que sentem a inadequação ao mundo e são impactados por ela em diferentes situações.





Assim, o sexo é um meio de comunicação entre eles. Apresenta-se na sua natureza mais visceral e libertadora, mostrando sua pulsão de vida e morte na história. Kelly é uma jovem mais discreta e madura que decide morar sozinha após uma separação conturbada, com um passado de violência doméstica. Victor é um jovem estilo bom moço. Bonito, gentil e de sorriso tímido, ele se sente muito atraído por Kelly e se permite ter uma experiência sexual mais selvagem. Tanto um como o outro tem a oportunidade de colocar para fora suas pulsões sexuais reveladoras. O sexo vem acompanhado por uma quebra de tradições, dando vazão à proximidade entre prazer e violência.













Mesmo em meio à complexidade da relação amorosa em um casal tão jovem e de personalidades bem diferentes, o longa garante boas cenas de flerte, confiança e cumplicidade. Algumas cenas mais fortes são dirigidas de uma forma rápida e exagerada, com alguns recortes abruptos, porém não chegam a comprometer a qualidade da direção.  A trilha sonora indie-rock apresenta as emoções dos personagens com melancolia, escapismo e descoberta do amor.  O final doloroso choca pelo imediatismo da finalização. 











Ainda que seja trágico e obscuro, o filme  traz as contradições do lirismo do amor e do sexo jovem. Estranhamente, tem aspectos leves e pesados, unindo essas duas pontas extremas bem amarradas por uma ótimas atuações e direção. A escolha por Antonia Campbell-Hughes e Julian Morris foi bem acertada. Ambos apresentam diferenças de personalidades e vivências. Ela teve experiências traumáticas que ele não teve e desconhece em grande parte da narrativa. Ele é mais ingênuo e romântico mas não menos sexual. Os dois conseguem encontrar um ponto de intersecção nos diálogos e na cama, fato que tem o lado prazeroso mas também destrutivo. Tudo depende até onde o fetiche controla a relação.





Kelly e Victor são como aquele casal escapista que poderia ter dado certo se o tempo assim o permitisse. Poderiam ter curtido mais as noites de Liverpool, a música que os aproxima e que substituiu as palavras que, muitas vezes, foram silenciadas ou não puderam ser ditas.