MaDame Lumière

Sou MaDame Lumière. Cinema é o meu Luxo.

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Imperdíveis dicas Streaming MaDame Lumière 

Filme da @A2filmes disponível nas plataformas online



#Família #Infância #Literatura #CinemaAlemão
#Mulheresnadireção #Guerra #Amadurecimento #CineMundi 


Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



O Cinema é um grandioso palco das memórias afetivas que circulam na nossa sociedade ao longo de séculos, tanto por parte dos contadores de histórias como pelo público. Continuamente é uma honra conhecer sobre biografias que apresentam esperança em tempos sombrios. É uma maneira de permanecer firme e resistente diante das mazelas da vida que nunca serão controladas em sua totalidade. 














Nessa ampla gama de produções cinematográficas que utilizam a memória como um dispositivo sensível, entrelaçando a História e sua relação com outras áreas como a Literatura, a Infância e a Educação,  Quando Hitler roubou o coelho cor de rosa  (Als Hitler Das Rosa Kaninchen Stahl, 2019) de Carolina Link, se destaca como um drama familiar contado sob a perspectiva de Anna (Riva Krymalowski), uma garota judia-alemã de 9 anos que vivia em Berlim em 1933. Com seus pais (Oliver Masucci e Carla Juri) e irmão (Marinus Hohmann), ela abandona a Alemanha para viver na Suiça, e depois na França e Londres. O percurso da família começa como consequência da perseguição de judeus pelo Nazismo e todo o clima de medo e insegurança da época.





Adaptado do romance homônimo e semiautobiográfico da escritora e ilustradora Judith Kerr, o longa cativa pela narrativa delicada sob a perspectiva da inteligente Anna e mistura elementos da Literatura Infanto-juvenil na forma como é desenvolvida. Em momento algum, o terror da guerra é mostrado de uma maneira abertamente violenta, sangrenta. Entretanto, tais estratégias do roteiro e direção não significam que não há violência. Ela existe nos deslocamentos dos personagens, nas dificuldades de moradia, emprego e autoestima, na incerteza e no medo.
















A família Kemper está fugindo mas o inimigo não está em cena. Como na guerra, eles podem estar ocultos no cotidiano, assim, eles têm que lidar com a invisibilidade do inimigo e também ser invisíveis ou, no mínimo, discretos. O pai Arthur é jornalista e, como um anti nazi e homem da palavra, ele é perseguido e vive a tensão entre a responsabilidade pela família, a falta de trabalho e o medo de ser descoberto.  A mãe Dorothea é do lar. Ao perder a antiga empregada Heimpi (Ursula Werner), tem que reaprender a comandar a casa, cozinhar e apoiar o marido. Max, na faixa etária adolescente, perde as referências de amigos e grupos e se vê bem sozinho. Com isso, Anna é a garotinha esperta que protagoniza o arco dramático. Das cenas fofas aos questionamentos do amadurecimento, é Anna que move a história.











Considerando a Literatura Infanto-Juvenil e seu potencial pedagógico nas adaptações para o Cinema, o drama entrega uma boa experiência que proporciona uma conexão com a empatia e o carisma. A família Kemper é agradável, bastante pé no chão e ciente das mudanças, dessa forma, não haverá altos e baixos emocionais e reviravoltas muito dramáticas. O ritmo tende a ser lento, possibilitando mais a observação e contemplação dessas mudanças familiares.





Nesse sentido, é um roteiro que preserva bastante linearidade nas ações apesar dos deslocamentos e situações novas vivenciadas pela família. Em alguns momentos, falta um pouco da inserção de elementos históricos externos e gatilhos para movimentar as cenas e os conflitos. Por outro lado, o drama ganha pelas sutilezas com belos momentos de ternura entre pais e crianças e uma direção que explora bem as locações e design de produção. Carolina Link, vencedora do Oscar por "Lugar nenhum da África" opta por uma direção humanista, equilibrando as pontas entre a realidade histórica e a ficção literária.












Para quem aprecia filmes como  "A viagem de Fanny", "Os meninos que enganavam nazistas", "O menino do pijama listrado"  e a "A menina que roubava livros", certamente, gostará desse drama. Todos eles trazem a realidade cruel da guerra e/ou do Holocausto, protagonizadas por crianças que vivenciaram esses dramas e tiveram que amadurecer além do convencional. Histórias duras que, no mundo ideal e fantasioso, deveriam ter sido experienciados apenas por adultos.





De fato, um de seus pontos altos é observar a fusão entre a Literatura a partir da perspectiva da criança e a linguagem cinematográfica no desenvolvimento da narrativa. O filme tem um carater educativo ao mesclar essas dimensões na forma de contar histórias que, se fossem contadas arduamente, não seriam bem compreendidas por crianças e jovens. Com isso, apresenta-se como uma bela história de uma família que permaneceu unida e corajosa. Independente qual foi o seu destino, eles foram muito fortes. 





Por uma coincidência ou não, o sobrenome da família Kemper lembra muito a sonoridade da palavra Kampf (em alemão "luta") que dá título a uma obra de Hitler.





(3,5)



Fotos do filme, uma cortesia A2filmes para divulgação em veículos credenciados.

Vicenta integra a programação do Festival É tudo Verdade 2021 Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista ...



Vicenta integra a programação do Festival É tudo Verdade 2021




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




Realizado pelo documentarista Argentino Darío Doria, Vicenta (2020) surpreende pelo híbrido processo de criação em torno da controversa relação entre abuso sexual e aborto.  Desenvolvido como uma fusão de Cinema de Animação com narrativa documental, o longa apresenta um caso real da Sra. Vicenta e sua filha, cidadãs contra o Estado Argentino durante uma longa batalha judicial.



O caso verídico torna-se mais delicado quando relatam que a filha de Sra. Vicenta tem deficiência intelectual severa e incapacitante e foi abusada sexualmente pelo tio. Partindo dessa trágica ocorrência, independente de quem defende ou não o aborto, por razões óbvias e humanizadas,  caberia à família decidir sobre a interrupção da gravidez ou não.  A família está destroçada por uma violência sexual e doméstica praticada por uma pessoa próxima e revela que a menor não teria condições de criar uma criança. Essa decisão seria ainda mais destrutiva e traumatizante para todos, porém, para o Estado Argentino, o aborto legal não poderia ser liberado.



"Não foi o ódio nem a indignação  que me levou a fazer esse filme. Se trabalhei mais de cinco anos nele, foi por admiração pela luta gigantesca  e vitoriosa dela. Ele quer ser uma celebração, um pequeno tributo a essa grande mulher."



O desenvolvimento do documentário é de um cuidado ímpar e diferenciado. Ele não se aparta dos registros documentais como visibilidade do caso nas esferas familiar, midiática e jurídica intercalada no storytelling que, muito bem escrito, revela detalhes relevantes que vão desde a lentidão da lei até a participação de mulheres no apoio à Sra. Vicenta. Mas, é visível que a qualidade da produção advém de um corajoso híbrido trabalho com a Animação, que se constitui com uma criação minuciosa de bonecos em stop motion.








Vicenta é uma produção fora da curva. Se aproxima bastante do bom Cinema animado em virtudes visuais, mas os registros históricos preservam o documentário. Os personagens representados em bonecos não se movem e, nesse sentido, o poder da palavra narrada tem uma importância chave para a compreensão da realidade. No efeito de locução de voz, o documentário inclina-se mais à rigidez e racionalidade jornalística na contação, sem muita emoção e ênfase de diálogos na narração, assim, aproxima-se de uma narração documental que traz o elemento de suspense. Pouco a pouco, revela os desdobramentos.



Por outro lado, a técnica empregada na criação dos bonecos mantem uma forte autoria do artista, da direção de Arte e da intenção dramática do documentário. Os olhos dos bonecos estão continuamente entristecidos, observadores e pensativos.  Esse olhar distante e sério é uma marca registrada como o que denuncia, testemunha e observa esse drama, inconformado com a procrastinação e descaso do Estado. Um olhar cansado que espera pela justiça.




Vicenta se situa como uma obra necessária para reflexão sobre a liberalidade de aborto para casos de estupro de vulneráveis e de maiores, assim como uma forma de conhecer um caso real que se arrastou pelos tribunais por mais de 8 anos, no qual o Estado foi negligente em diferentes momentos e adotou uma postura rígida e antiprofissional, dessa forma, não dando a devida importância às especificidades da história e à aplicação da justiça.

 





  #MaDameNews, notícias especialmente selecionadas  sobre festivais, premiações e eventos de Cinema Já está disponível no site oficial do  A...


 

#MaDameNews, notícias especialmente selecionadas 

sobre festivais, premiações e eventos de Cinema




Já está disponível no site oficial do Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência a programação de curtas, médias e longas-metragens, contando com 16 produções de 11 países.  O público pode acessar também os 4 debates que ocorrem no evento: “Arte e Diversidade”, “Escola e Vida Independente”, “Vida Amorosa e Autonomia” e “Autismo e Neurodiversidade”. 


A partir de hoje, 15 de abril, parte da programação é exibida no site de forma gratuita e com acesso direto aos links das produções no You Tube.


Os filmes contam com recursos de acessibilidade como audiodescrição e legendas para surdos e ensurdecidos (LSE), além de interpretação em LIBRAS - Língua Brasileira de  Sinais. 


O site oferece a possibilidade de realizar um cadastro e ter acesso ao catálogo do festival, ao  material de apoio para atividades reflexivas com os filmes e como utilizar os recursos de acessibilidade em projetos culturais.


Para conferir a programação completa do Assim Vivemos, acesse:

http://www.assimvivemos.com.br



Divulgação via Assessoria de Imprensa do festival @AgênciaFebre. Aproveite a programação online gratuita! Respeite e acolhas diferenças! Reprodução de fotos, uma cortesia para divulgação em parceria com realizadores e/ou assessorias.

  #MaDameNews, notícias especialmente selecionadas  sobre festivais, premiações e eventos de Cinema Na noite desta quarta-feira,  14 de abri...

 



#MaDameNews, notícias especialmente selecionadas 

sobre festivais, premiações e eventos de Cinema




Na noite desta quarta-feira, 14 de abril, o ator Silvero Pereira anunciou ao vivo, no canal do CineSesc no Youtube, os filmes e artistas eleitos pelo júri especializado e pelo voto popular do 47º Festival Sesc Melhores Filmes. Com a cerimônia digital, o mais longevo festival de cinema de São Paulo abriu a programação de filmes que foram destaques em 2020. Essas produções serão exibidas gratuitamente na plataforma do Sesc Digital até o dia 5 de maio. Além disso, o evento também proporciona ao público encontros e atividades com realizadores e pensadores do cinema.

 

Tanto júri especializado quanto a votação popular elegeu Pacarrete, de Allan Deberton, o melhor filme nacional, e sua protagonista, Marcélia Cartaxo, a melhor atriz do país em 2020. O filme também foi escolhido pelos dois corpos de jurados como o melhor roteiro, criado por Allan Deberton, André Araújo, Natália Maia e Samuel Brasileiro. Já na categoria internacional, público e críticos concordaram que o francês Retrato de Uma Jovem Em Chamas foi a melhor produção estrangeira do último ano, assim como sua realizadora, Céline Sciamma, recebeu o título de melhor direção  estrangeira.  

 

O longa-metragem M-8 - Quando a Morte Socorre a Vida conquistou dois títulos pelo voto do público: melhor direção nacional para Jefferson De e melhor ator nacional para o protagonista Juan Paiva. Os espectadores elegeram Babenco - Alguém tem que ouvir o coração dizer: Parou, de Bárbara Paz, o melhor documentário brasileiroPacarrete mais uma vez chama atenção do júri popular quando o tema é melhor fotografia, de Beto Martins. Já os títulos de melhor atriz estrangeira e melhor ator estrangeiro ficaram para Scarlett Johansson (Jojo Rabbit) e Willem Dafoe (O Farol), respectivamente.











 

A crítica também escolheu Willem Dafoe como melhor ator estrangeiro, mas o prêmio de melhor atriz ficou para Adèle Haenel, de Retrato de Uma Jovem Em Chamas. Nas categorias nacionais, o júri especializado elegeu Geraldo Sarno como melhor diretor nacional pelo longa Sertânia, que também recebeu o título de melhor fotografia para o profissional Miguel VassyIrandhir Santos como melhor ator do país, por sua atuação na produção Fim de Festa; e, também de acordo com o voto popular, melhor documentário para Babenco - Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou, de Bárbara Paz.  




 

Para esta edição online, a equipe do CineSesc preparou um recorte com alguns dos filmes mais votados. O público poderá ver e rever títulos como o documentário da Macedônia do Norte Honeyland, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov, o drama francês Retrato De Uma Jovem Em Chamas, de Céline Sciamma, o britânico Você Não Estava Aqui, de Ken Loach, e o franco-belga O Jovem Ahmed, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, além dos nacionais Três Verões, de Sandra KogutSertânia, de Geraldo SarnoFim de Festa, de Hilton LacerdaPacarrete, de Allan Deberton, e o documentário Babenco - Alguém Tem Que Ouvir O Coração E Dizer: Parou, de Bárbara Paz. Eles estarão disponíveis on demand por 24h, uma semana ou até o término do festival, na plataforma Sesc Digital (sescsp.org.br/cinemaemcasa). Parte dos filmes exibidos possui recursos de acessibilidade, com legendas open/close caption, libras e audiodescrição, disponíveis via app MovieReading.




 

Além dos filmes mais votados de 2020, o festival presenteia o público com sessões especiais de clássicos premiados em edições passadas, como o alemão A Vida dos Outros (2006), de Florian Henckel von Donnersmarck, o inglês Segredos e Mentiras (1996), de Mike Leigh, e o francês Meu Tio da América (1980), de Alain Resnais. Apresenta também uma homenagem à atriz brasileira Marcélia Cartaxo, eleita melhor atriz nacional pela categoria popular e pela crítica, com a exibição dos filmes A História da Eternidade (2015), de Camilo Cavalcante, e A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral, vencedor do Festival de Cinema de Berlim, com os prêmios da Confederação Internacional de Cinemas de Arte e o Urso de Prata de Melhor Atriz para Marcélia. Na Faixa Especial Abril Indígena, são exibidos os filmes brasileiros Serras da Desordem (2006), de Andrea Tonacci, e Martírio, (2017), de Vincent Carelli, Tatiana Almeida e Ernesto de Carvalho - também premiados nos Melhores. O projeto Abril Indígena integra o Programa Diversidade Cultural do Sesc São Paulo, que aborda questões relativas aos povos originários, com objetivo de valorizar e difundir a diversidade cultural no Brasil.




 

O festival também promove uma série de atividades paralelas com pensadores e profissionais do cinema que se reúnem para debater temas importantes e atuais na sociedade e no audiovisual, nos encontros on-line: Cinema Negro em Várias Telas; Histórias Indígenas e o Brasil em RuínasCinema Nordestino Contemporâneo: Uma Só Identidade?; e A Fotografia no Cinema: Sertânia e Pacarrete. O CineSesc ainda oferece um curso prático gratuito sobre Podcasts de Cinema. Confira a programação completa.



 

PREMIAÇÃO

 

 

VOTO POPULAR

 

Melhor Filme Nacional: Pacarrete
Melhor Direção Nacional: Jeferson De (M8 - Quando a morte socorre a vida)
Melhor Atriz Nacional: Marcélia Cartaxo (Pacarrete)
Melhor Ator Nacional: Juan Paiva (M8 - Quando a morte socorre a vida)

Melhor Documentário: Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou

Melhor Roteiro: Pacarrete (Allan Deberton, André Araújo, Natália Maia e Samuel Brasileiro)

Melhor Fotografia: Beto Martins (Pacarrete)

 

Melhor Filme Estrangeiro: Retrato de uma jovem em chamas

Melhor Direção Estrangeira: Céline Sciamma (Retrato de uma jovem em chamas)

Melhor Atriz Estrangeira: Scarlett Johansson (Jojo Rabbit)

Melhor Ator Estrangeiro: Willem Dafoe (O farol)

 

 

VOTO DA CRÍTICA

 

Melhor Filme Nacional: Pacarrete
Melhor Direção Nacional: Geraldo Sarno (Sertânia)
Melhor Atriz Nacional: Marcélia Cartaxo (Pacarrete)
Melhor Ator Nacional: Irandhir Santos (Fim de festa)

Melhor Documentário: Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou

Melhor Roteiro: Pacarrete (Allan Deberton, André Araújo, Natália Maia e Samuel Brasileiro)

Melhor Fotografia: Miguel Vassy (Sertânia)

 

Melhor Filme Estrangeiro: Retrato de uma jovem em chamas

Melhor Direção Estrangeira: Céline Sciamma (Retrato de uma jovem em chamas)

Melhor Atriz Estrangeira: Adèle Haenel (Retrato de uma jovem em chamas)

Melhor Ator Estrangeiro: Willem Dafoe (O farol)


 

Serviço

 

PROGRAMAÇÃO 47º FESTIVAL SESC MELHORES FILMES

De 14 de abril a 5 de maio



Divulgação via Assessoria de Imprensa do SESC através de release oficial. Aproveite a programação online gratuita! Reprodução de fotos, uma cortesia para divulgação em parceria com realizadores e/ouassessorias.

  Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Muito já foi narrado no Cinema a respeito de p...

 





Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




Muito já foi narrado no Cinema a respeito de presidiários no corredor da morte, na sua maioria, obras dramáticas nas quais advogados de defesa e famílias lutam para provar a inocência do condenado, outras com maior ênfase nas últimas horas do sentenciado, na busca pela verdade ou algum roteiro que opta pela redenção. Os Estados Unidos tem um dos sistemas penais mais rígidos com relação à aplicação de condenações que levam ao fim da vida, contexto polêmico que desperta o interesse de realizadores na relação da realidade com as emoções dos personagens e o sistema prisional.



Nos últimos 5 anos têm aumentado o número de filmes ficcionais e não ficcionais que questionam a legitimidade das sentenças desse sistema e utilizam uma abordagem mais independente e investigativa assim como subjetiva , entre eles: o documentário a 13ª emenda (13th, 2016) de Ava DuVernay, Justiça em Chamas (Trial by Fire, 2018) de Edward Zwick e Luta por Justiça (Just Mercy, 2019)  para citar apenas alguns exemplos de ótimas produções. A mais recente, Clemência (Clemency, 2019) estrelado por Alfre Woodard, apresenta um excelente ponto de partida: o drama da diretora do presídio, Bernardine Williams, interpretada de maneira crível por Woodard.








A personagem representa o dilema entre fazer bem o seu ofício, atendendo à sua ética do trabalho e compromisso com aplicação da lei, e a sua subjetividade com o peso desse papel. Como acontece com juízes e médicos, por exemplo, ainda que determinadas funções sociais tenham o poder entre a vida e a morte, decidindo o destino de outras pessoas, nem tudo é arbitrário. Determinada decisão é tomada após algum processo ou procedimento, assim, nesse filme, Bernardine enfrenta o conflito natural de profissionais que têm esse tipo de poder e/ou a responsabilidade de execução após alguma decisão formal. O resultado culmina em diferentes sentimentos e situações que assombram suas mentes.



Clemência é um bom drama independente dirigido por Chinonye Chukwu, uma cineasta Nigeriana que vem a agregar talento ao pool de diretores(as) negros(as) que se voltam às realidades de homens e mulheres da comunidade negra. Tanto Alfre Woodard como Aldis Hodge são excelentes atores que entregam performances críveis, dessa forma, ajudam o público a se voltar ao tema e às  controvérsias que existem na criminalização da população negra nos Estados Unidos. 




A cineasta se inspirou no caso Troy Davis para a elaboração do roteiro e não reduziu seu trabalho a um drama clássico sobre a temática. Como uma autora independente, ela preserva espontaneidade na direção e o mal estar da personagem central. Esse equilíbrio na produção deu-lhe o prêmio do Grande Júri do Festival de Sundance de 2019.



Apesar da universalidade do filme, o roteiro e direção reúnem elementos que não têm como objetivo dar conta e aprofundar as múltiplas facetas da complexa realidade do sistema prisional e do caso Troy Davis, logo, o longa não exerce uma militância mais intensa e pautada no documental como os de Ava Duvernay. Prioritariamente, ele preserva o drama de uma mulher e a relação com seu polêmico trabalho. Essa escolha é positiva pois deixa ao público a liberdade de construir sua própria subjetividade  com o tema, observando o que essa mulher sente  e não consegue expressar em ações. 



Com isso, as virtudes de Clemência são o recorte narrativo e a interpretação de Alfre Woodard. Cabe ressaltar que esses aspectos centrais não ocultam as complexidades das vidas negras em um sistema prisional. Infelizmente, esse sistema também age com arbitrariedade e interesses econômicos, sociais e políticos em diversos cenários. Basta assistir ao documentário 13º Emenda  e a série When they see us para analisar essa questão.








Nesse sentido, é preciso reconhecer a trajetória profissional da atriz e as nuances dramáticas desse papel. Ela é uma atriz bem conhecida no Cinema, TV e em produções de baixo e médio orçamento, na maioria. Na década de 90, ela realizou trabalhos de renome como The piano lesson e Miss Ever's boy, mais recentemente participou de produções mainstream como Pantera Negra (Marvel), a série Luke Cage (Netflix), O Rei Leão (Disney).  Com maior abertura do Cinema aos profissionais negros, esse é um exemplo de filme que coopera para o público reconhecer atrizes e atores que precisam de maiores oportunidades na tela grande mesmo após longos anos de carreira.








Com relação ao seu personagem e atuação, Alfre Woodard tem uma expressividade única para um  papel difícil, duro e devastador. É uma mulher em conflito por mais que saiba que aplicará a execução da injeção letal. De certa forma, a clemência não se reserva apenas a sentir que o sentenciado é um ser humano, mas a clemência é sobre Bernardine. Ela também precisa se perdoar e reconhecer suas vulnerabilidades. 



Em várias partes do longa, ela luta contra essas emoções pois seu ofício representa a autoridade, a disciplina, a ordem e a execução. Ela é parte de um sistema punitivo que é retroalimentado continuamente por interesses de diferentes grupos sociais, políticos e midiáticos, a maioria, de natureza hegemônica. Sendo uma mulher negra, esse contexto ganha uma dimensão bem particular e subjetiva para Bernardine e situa-se em um bom filme para analisar os impactos dessas realidades sociais nas subjetividades dos sujeitos.






Um Lançamento Warner Bros Pictures  Acompanhe os especiais  Franquias de Cinema  no MaDame Lumière.  O blog trará sagas, super heróis e outr...




Um Lançamento Warner Bros Pictures 


Acompanhe os especiais Franquias de Cinema no MaDame Lumière. 

O blog trará sagas, super heróis e outros personagens inesquecíveis!





Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




 

O retorno de Diana Prince aos Cinemas é apresentado com uma total mudança em comparação ao primeiro filme de 2017 e mantém a excelente parceria entre Patty Jenkins Gal Gadot. Datado na efervescente década de 80 nos EUA, o longa coloca a heroína em ação contra novos personagens como A Mulher Leopardo (Kristen Wiig) e Max Lord (Pedro Pascal) e retorna a parceria romântica entre ela e o piloto Steve Trevor (Chris Pine). 





A ideia central continua valorizando o altruísmo, a força e o carisma da Mulher Maravilha em um contexto no qual as relações políticas,  econômicas, sociais e culturais se voltam à ambição, poder e consumo dos indivíduos. Neste sentido, os anos 80 foram uma época de descobertas do próprio eu, com ampla produção industrial e cultural, também tida como um período divertido, hedonista e consumista. Por consequência, para o Cinema, traz uma ambientação saudosista que funciona bem em MM84 pois as aventuras presentes na narrativa conciliam atos heroicos e fragilidades de pessoas comuns, assim como o desejo do prazer do ego a qualquer custo e o risco que isso representa para a humanidade.






“o coração da história nunca perde de vista quem é a Mulher-Maravilha, otimista, positiva, corajosa... nosso melhor ‘eu’. Ela é um exemplo perfeito do que eu acredito que os super-heróis estão destinados a fazer – mostrar a nós todos como viver nossos melhores ‘eu’, e nos lembrar que, ao fazer isso, podemos criar um mundo melhor”  (Patty Jenkins)





É nesse cenário de excessos que aparecem personagens como Barbara Minerva / Mulher Leopardo e Max Lord. São pessoas comuns que carregam o peso do fracasso e da baixo auto estima. Esse sentimento de inadequação encontra uma possibilidade perigosa de atender aos desejos do ego. Embora Barbara seja uma cientista brilhante, não se sente bonita e atraente o suficiente. Totalmente desajeitada,  ela apresenta o perfil da nerd que se acha invisível aos outros. Max é um homem bem instável e ambicioso, cujo desequilíbrio emocional demonstra bastante vulnerabilidade do ego. Logo, ele quer dominar o mundo e mostrar ao filho pequeno que é capaz de alcançar esta ambição. 




Sob a perspectiva de vilania, ambos são mais divertidos do que propriamente excepcionais vilões. Diante de suas vulnerabilidades, é perceptível sentir pena de Barbara e Max a medida que o mal domina suas personalidades e ações. De certa forma, isso diz respeito à uma leveza na recriação de época considerando que alguns filmes dos anos 1980 tinham grandes aventuras e vilões excessivos e tolos. Tanto a Mulher Leopardo como Max Lord são retratados como vilões que tomaram um caminho errado quando, na verdade, teriam totais condições de exercer seus reais talentos, bondades e verdades. Esse jogo com o alter ego funciona bem como uma boa diversão nostálgica, assim, a experiência é mais aventureira e alegre do que obscura.











Com esse novo capítulo na história da heroína Diana Prince, pode-se dizer que MM84 é uma celebração dos anos 80 na experiência audiovisual ao trazer vários elementos comuns em filmes desta emblemática década. Ele tem uma peculiar característica na proposta que transita entre a grandiosidade de uma franquia DC Comics e a simplicidade do filme "sessão da tarde", logo, trouxe todos os riscos dessa escolha como vilões sem fantásticas ações e uma heroína que não tem tantos momentos extraordinários para se dedicar e salvar o mundo. Cabe ao público curtir muito mais a oportunidade de entretenimento de maneira desencanada e a bonita mensagem sobre a verdade e os valores por trás das escolhas e ações. 





O roteiro não é tão bom como o do primeiro filme, porém é compreensível quando são analisadas outras dimensões bem executadas como o design de produção, os figurinos, a fotografia e a filmagem imersiva. Mesmo mantendo locações mais urbanas ambientadas em Washington como apartamentos, museu, shopping, escritório, ruas, entre outras, o longa consegue trazer aquela atmosfera vista em filmes icônicos dos anos 80  com direito a relíquias sagradas (A pedra dos sonhos), viagem em nave, heróis com asas,  ação no Oriente Médio e caos e destruição apocalíptica na capital norte-americana. Todas essas referências são utilizadas por Patty Jenkins e equipe com claras evidências, porém a história em si não alcança a qualidade de outros roteiros e nem consegue ter tanto engajamento e carisma. Trata-se mais de uma lacuna de roteiro do que de direção e o elenco continua sendo a parte mais divertida.








Outra ponta solta na narrativa é o retorno de Steve Trevor, um reencontro que deveria ter alto potencial de parceria e ação com Diana Prince. Ainda que seja um retorno "forçado" e um desejo já bem interiorizado de Patty Jenkins e Gal Gadot, no começo da história, tudo parecia promissor com um toque de romance e diversão. Infelizmente, no transcorrer do desenvolvimento da história, Steve Trevor foi sendo anulado de tal forma que passou a ser um coadjuvante sem muita força. Com isso, mesmo que ele seja o grande amor de Diana e elemento crucial para uma escolha da personagem, seu retorno não é maximizado pelo roteiro. Basta ver a forma mecânica que ele sai de cena.









Sem nenhuma dúvida, a melhor parte de MM84 é Kristen Wiig e sua transformação dramática que transita entre o cartunesco e a realidade. A Mulher Leopardo se torna maldosa do dia para a noite e acaba roubando a cena ao ser uma mulher totalmente diferente da cientista insegura. Além disso, a atriz se encaixou perfeitamente em uma produção ambientada nos anos 80, trazendo um pouco da inadequação, loucura e diversão dos cientistas do Cinema. Ela passa de anônima com baixa auto estima à vilã indomável e sedutora.  No meio dos excessos, ela é mais espontânea e eficiente do que  Max Lord assim como representa a humanização do vilão que precisa enxergar a verdade. É o tipo de atriz que surpreende na atuação, normalmente subestimada no Cinema, com isso, a partir de então, deveria ser mais convidada para outras produções.









MM84 é um filme estilo "sessão da tarde". Tem a virtude de colocar a Mulher Maravilha  em um cenário leve, colorido, nostálgico e equilibra os conflitos em um cenário mais americanizado no qual a egoica carga excessiva nos sujeitos possibilita uma reflexão sobre qual a verdade que cada um deve buscar e descobrir. Nesse sentido, a presença dos vilões, ainda que muito caricatos, colaboram para alcançar a mensagem final do filme e a missão heroica de Diana.








Fotos e citação da diretora: uma cortesia Media Press Warner Bros Pictures.

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Acompanhe os especiais Franquias de Cinema no MaDame Lumière. 

O blog trará sagas, super heróis e outros personagens inesquecíveis!





Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação





Quando na época de seu lançamento em 2017, o filme da heroína Diana, a Mulher Maravilha (Wonder Woman) da legendária DC Comics, apresentou um hype bem feminino muito além da sua icônica personagem. Ao ser dirigido por uma mulher Patty Jenkins que não tinha tanta experiência como cineasta de grandes produções, produtores assumiam o risco de trazer inovação no elenco e na direção para um blockbuster que tem um vínculo bem afetivo com as plateias geek e cinéfila. 




Tanto ela como a atriz principal Gal Gadot tinham também o desafio de representar a voz e o talento de milhares de mulheres que todos os dias lutam para trabalhar em ambientes de diversidade, inclusão e equidade. No imaginário dos quadrinhos, do Cinema e da TV, a Mulher Maravilha sempre foi uma inspiração para muitas, com isso, a responsabilidade era enorme. Ainda que esse tipo de decisão não costuma intimidar produtores, porém, haviam cobranças e expectativas previsíveis para uma bilionária produção. Não era apenas mais um blockbuster na voraz esteira industrial de Hollywood, mas uma nobre prova de fogo para consolidar mulheres à frente de grandes bilheterias. 



A decisão foi certeira, o resultado, incrível. Mulher Maravilha é um dos melhores filmes de super heróis até o momento.  




Na essência de sua mensagem, o longa diz muito mais do que somente ter protagonismo feminino em várias etapas da sua produção, ele diz respeito sobre um enfrentamento heroico da mulher como representação de uma guerreira contra toda forma de opressão, guerra e morte. Ao sair da ilha, onde é uma princesa protegida pela mãe e outras mulheres, Diana tem o desafio de amadurecer como mulher e como heroína. Na sua jornada ela tem escolhas difíceis e tem um belo papel de líder com uma excepcional capacidade de trabalhar em equipe com outros homens e colocar em ação a sua natureza sensível e leve com forte compaixão.










A partir dessa observação em toda a sinergia entre direção, roteiro e elenco, é possível corroborar que a personagem Diana, com a delicadeza, beleza e simplicidade da atuação de Gal Gadot, tem um excelente arco dramático que cresce a medida que ela compreende o que está acontecendo fora da ilha de Temyscira.  Ela carrega em si uma ligeira e bem humorada ingenuidade que é proposital na construção da personagem, mas também contribui para dar o contorno de uma mulher que equilibra a doçura, a força e a inteligência. Aos poucos, Diana percebe o que é a guerra e por que sua missão no mundo é lutar contra esse mal.








Ao conhecer o espião e piloto Steve Trevor (Chris Pine), Diana encontra um bom parceiro para essa caminhada. Um tanto fechado em si, como a maioria dos espiões em uma guerra, Trevor reúne o conhecimento da experiência e do contexto  para trabalhar em equipe com Diana e os demais colegas. Com isso, essa aproximação possibilita o desenvolvimento das emoções dos dois. Como um inevitável encontro amoroso, Steve e Diana se amam, mas servem à humanidade e a propósitos maiores, constatação que é vista em um dos melhores e mais comoventes momentos da história.





Seria possível discorrer sobre vários detalhes sobre o longa, porém coube aqui selecionar um recorte relevante sobre o generoso presente dado por Patty Jenkins ao público: representatividade, feminismo e amor bem combinados com envolventes cenas de ação, guerra e aventura. Ainda que o Feminismo seja muito mal compreendido por quem não busca compreendê-lo bem em sua historicidade, valor e  importância, Mulher Maravilha traz essa contemporânea celebração de amadurecimento de uma mulher e heroína. Diana ama como sobre humana e como humana. 




Ela defende a humanidade como mulher e reconhece a importância dos homens que ali estão com ela. Assim, o filme é sobre representatividade feminina, mas também sobre equidade e empatia na interação dos personagens homens e mulheres. Isso ajuda a compreender porque a fotografia que Diana tira com os colegas combatentes é tão significativa. A perspectiva do Feminismo nunca foi odiar aos homens. Talvez o filme ajude muita gente a compreender a real força feminina que integra a todos.










Nunca é fácil fazer um longa-metragem de super herói capaz de se conectar com questões de gênero, porém Mulher Maravilha o faz com leveza, bom humor, ação e afeto. É um filme sobre amor e guerra, propósito e coragem para o bem coletivo.  Essa extraordinária capacidade de unir o que é sobre humano com a vulnerabilidade de ser humano catalisou as emoções da personagem no clímax. Diana enfrenta a guerra e a si mesma ao lidar com escolhas e perdas. Diana se humaniza e isso é apaixonante como produção feminina que dialoga com o que nos une como seres humanos: fragilidade, força e a nobre capacidade de amar.