MaDame Lumière

Sou MaDame Lumière. Cinema é o meu Luxo.

Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Alguns dizem que "...







Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




Alguns dizem que "Três dias para matar" (3 Days to Kill, 2014) é um filme mais do mesmo. De fato, ele não é uma excelente comédia de ação, mas tem em si uma característica muito autêntica que o torna divertido: ele mesmo não se leva a sério e não engana o público.


Estrelado por Kevin Costner no papel de um atirador freelance que presta serviços para agências secretas, a história tem autoria de Luc Besson, conhecido produtor, realizador e roteirista que tem verdadeira paixão por filmes de ação e influenciou o gênero no Cinema Francês com reconhecimento internacional. Assim, o filme é uma combinação de drama familiar com comédia de ação na qual Ethan Renner (Costner) retorna à Paris para reencontrar a filha Zooey (Hailee Steinfeld) e reconquistar seu afeto e confiança.










Luc Besson escreveu uma história que reúne o cômico, a ação e o sentimental, o que não é surpreendente. Como lhe é natural, o filme não projeta uma narrativa muito rígida nos conflitos familiares e mantém um apelo desencanado e divertido.  Acometido por uma grave doença, Ethan apenas deseja conviver os dias que lhe restam com a filha e a esposa Christine  (Connie Nielsen). Como vários homens a serviço de agências e  contra o crime, ele também carrega a culpa de ter ficado distante da família.


Para manter a ação em foco, Ethan é contratado pela agente da Cia e femme fatale Vivi Delay (Amber Heard) para matar um criminoso. Toda a história é construída entre a ação e as tentativas e retomada do relacionamento entre Ethan e sua filha. Com isso, o filme se torna agradável ao ver a atuação de Kevin Costner, um cara durão que se aproxima da filha adolescente e nem sempre sabe como lidar com ela. Em várias cenas, tanto sensíveis como tolas, o ator está bem relaxado a ponto de interagir comicamente com os comparsas do inimigo ou ajudar a filha em situações perigosas e afetivas.






O diretor McG combina com esse lado divertido de Luc Besson, pois já produziu e realizou várias comédias de ação como "Guerra é guerra" e as "As panteras: detonando", além de séries televisivas como "Nikita". Nesse filme, há boas cenas de ação, mas nada excepcional, apenas o diretor faz o que já está acostumado sem comprometer tanto a naturalidade de Kevin Costner. Entre os contras, o filme se estende bastante e desnecessariamente, não tem bom desencadeamento de cenas para o desenvolvimento equilibrado entre drama, comédia e ação, além do papel de Amber Heard ser medíocre e subaproveitado pelo roteiro.






O melhor do longa é Kevin Costner, um daqueles atores queridos que já foi guarda-costas, príncipe dos ladrões, anjo da vida e tantos outros personagens protetores no Cinema. Ele continua em forma, boa pinta e carismático, então o filme traz uma nostalgia de contribuições passadas do ator. Assim como Kevin Costner, Ethan também é um cara legal e apenas isso basta.





Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Com distribuição pela HBO, o ...






Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Com distribuição pela HBO, o filme "O conto" (The Tale, 2018) foi produzido para a TV e recebeu várias nominações nas premiações em festivais voltados para a Televisão e/ou Cinema independente como o Festival de Sundance, o Globo de Ouro, o Spirit Awards, entre outros.  O longa tem como destaque o seu roteiro, edição e atriz principal (Laura Dern). É um drama tão equilibrado e bem executado entre o elenco, direção e narrativa que merecia ter ido ao circuito de exibição nos Cinemas Brasileiros.






Dirigido pela documentarista Jennifer Fox, o longa-metragem tem a honra da valiosa presença de Laura Dern, que se adequa perfeitamente a este tipo de drama contundente que aborda um tema doloroso: abuso infantil e pedofilia. Com roteiro escrito pela própria cineasta, baseado em suas experiências pessoais,  "O Conto" é centrado na proposta, de maneira bem racional, mas também profundamente incômoda.


Na história, Jennifer/ Jenny (Laura Dern) é uma documentarista que está realizando uma não - ficção sobre vítimas de estupro na infância.  Após sua mãe Nettie (Ellen Burstyn) encontrar um de seus escritos com detalhes intrigantes da infância e puberdade da filha, Jennifer passa a lembrar da relação próxima que tinha com seus treinadores de equitação, Mrs. G (Elizabeth Debicki)  e Bill (Jason Ritter). Como tem experiência em documentários, Jenny vai voltar seus olhos à realidade presente para encontrar seus antigos coaches e trazer à luz certas revelações.






A narrativa é desenvolvida com planos do presente e em flashbacks, nos quais Jennifer se dedica a investigar seu passado e tentar relembrar qual era a natureza deste relacionamento. De forma bem perspicaz, a roteirista utiliza um texto dentro do texto, ou seja, usa o gênero narrativo conto para contar a história, escolha que torna o filme mais denso e inteligente. Além disso, ao utilizar e explorar o conto, a cineasta também cria uma tensão entre o que foi escrito em papel e no passado (infância) versus o que está sendo narrado na atualidade (vida adulta). Desta forma, essa dicotomia tensiona a história mas também possibilita explorar e libertar o potencial narrativo do longa.



Não há como não valorizar o equilíbrio dessa produção e a articulação da diretora e roteirista para tocar em um assunto tão pessoal e traumático. Só considerando esse aspecto, o longa merece todas suas indicações e reconhecimentos, além do mais, um dos aspectos louváveis da obra é observar que, até mesmo uma documentarista acostumada a filmar o cotidiano, também pode se manter cega ou perdida diante de um abuso sofrido no passado.  Diante das dúvidas e perguntas, Jenny realiza uma jornada investigativa como se fosse  um recorte do documentário da sua vida. Essa transição de gêneros que adentram outros gêneros torna o filme bem mais interessante.







Jenny admirava tanto os seus coaches que os desejou e se aproximou dos agressores, mas não parecia ter total consciência da natureza da relação. Ela simplesmente os "amava" e tinha uma imaginação fértil como várias crianças em transição para a puberdade. No mais, especificamente,  Mrs G. e Bill são aquele tipo de casal acolhedor, sedutor, misterioso, diferente. Um casal perigoso e fingido que facilmente seduziria qualquer pessoa, traço da história que estabelece um jogo tenso e em suspense na imaginação de Jenny e, consequentemente, no público. Essa combinação de thriller e drama favorece a conexão e o engajamento com a história.



Sem dúvidas, este é um roteiro com variadas virtudes, principalmente, pelo fato de que estamos diante de um filme espinhoso que, com bastante tato, mostra cenas de pedofilia, mas que em momento algum é um filme visualmente vulgar na decupagem. Pelo contrário, é impressionante a tranquilidade como a narrativa se desenrola, bem apoiada por uma montagem de alto nível. Mostra  uma falsa "paz" que, pouco a pouco, vai se apropriando de um efeito devastador até o grande clímax. 


Assim, o personagem de Bill é extremamente repugnante porque ele representa o homem que ganha a confiança do (a) menor e prepara o terreno para  o ataque. Essa dissimulação sedutora é um traço clássico dos piores agressores sexuais. Para tornar estas memórias mais traumáticas, ele não age sozinho, então entra a figura da mulher no papel de Mrs G, igualmente intrigante e dissimulada, ela é uma incógnita, ora aparentando culpa, ora nenhuma emoção.


Digna de aplausos, Isabelle Nélisse realiza uma interpretação incrível como a jovem Jenny. Segura e madura para sua idade, ela contracena em cenas bem difíceis, sendo este o filme que mais lhe deu liberdade  para o protagonismo . Pela sua atuação, fica evidente que Jennifer Fox conseguiu ampliar ao máximo o valor de sua direção para a qualidade fílmica, assim, respondendo bem à direção de atores pré(adolescentes).







Mais uma vez, Laura Dern tem total domínio do personagem. Jenny é uma mulher que não teme ir atrás da própria história, mas tem suas inseguranças e miopias. Ainda que, de forma inconsciente, ela tem problemas para se firmar de vez no relacionamento com  Martin (Common), o que indica certa relação com traumas passados ou seu atual desconforto. Seguramente, esta é uma performance especial, tanto que ela foi indicada ao  Globo de Ouro como melhor atriz em série limitada ou filme para a TV.



Ainda que o tema seja difícil de digerir, "O Conto" é imperdível e se destaca como um dos melhores filmes lançados em streaming nos últimos dois anos. É de longe uma obra diferenciada lançada em uma plataforma e/ou canal de TV. Ao mesmo tempo que o filme deixa espaços abertos para o espectador refletir sobre  negação, perdão, culpa, desejo, sexualidade, redenção, ele não perde de vista o seu foco, que é trazer à memória e à discussão utilizando o  gênero ficção em longa-metragem abusos que aconteceram e seguem acontecendo na realidade de muitas crianças e jovens. Esses dramas devem ser denunciados, dentro e fora das obras audiovisuais.







Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Dan Stevens (de "O hóspe...






Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação





Dan Stevens (de "O hóspede") é um daqueles atores que guardam muito mais mistérios do que seu olhar marcante. Ele deveria realizar mais filmes dramáticos.  Muito mais do que sua beleza e charme britânicos, ele é o tipo de ator que, se bem dirigido em bons roteiros, poderá surpreender o público. "Um outro olhar" (The Ticket, 2016), longa americano com direção de Ido Fluk, é um exemplo de drama que ofereceu um bom espaço para atuação de Stevens, porém, ainda se estabelece como um filme que não entregou o suficiente dentro do potencial que a história tinha. 






O ator interpreta James, um homem cego, casado com Sam (Malin Akermane que tem como melhor amigo, Bob (Oliver Platt), também com deficiência visual. Certo dia, James volta a enxergar como se fosse um milagre. A partir do restabelecimento de sua visão, ele começa a ficar em êxtase, mas  um pouco deslocado no ambiente e entre as pessoas ao redor. À medida que a história avança, sua mudança comportamental dá uma virada de 180 graus e ele passa a atingir um regresso nas atitudes, mascarado por seu crescimento de carreira e uma ganância a qualquer custo.






Quando dizem que a "ganância cega", ela realmente cega e representa um atalho com duras perdas pelo caminho e, até mesmo, um caminho sem volta. Assim, essa história é sobre a relação da cegueira como símbolo da ganância no caráter, exposto nas mudanças comportamentais do protagonista que , de tão perversas e dissimuladas, de tão preocupadas com a beleza, o sucesso e o status que seus olhos testemunham, desejam e veneram, vão demonstrando que, se uma pessoa não tomar certo cuidado, ela passa a abandonar amigos e familiares quando ela finalmente "ganha um bilhete de loteria". 


James é exatamente aquele homem interesseiro que ninguém deseja ser ou ter por perto. É aquele que remove a máscara quando começa a se dar bem na vida e descartar pessoas do dia para a noite. A imagem dele como personagem principal é construída de forma bem negativa e mostra o quão superficial ele se torna, por mais inteligente que seja no seu emprego. Então, um bom contraponto é perceber a perda de valores do protagonista, valores que talvez ele nunca realmente teve para si. Esse "outro olhar" é o que ele desenvolve quando recupera a visão, mas também nós, como espectadores,  temos a chance de desenvolver um nova perspectiva sob o personagem. Aliás, um olhar que não é muito otimista.





Dan Stevens realiza uma interpretação crível que reforça seu potencial para novos trabalhos de maior natureza dramática. Seu personagem muda da água para o vinho. Ao mesmo tempo, ele se torna mais belo, sedutor e bem sucedido, por outro lado, a facilidade com que ele abandona coisas importantes na vida o torna um homem desprezível, ou melhor, um coitado que está mais cego do que antes e que pode se dar muito mal na vida.  Desse modo, o filme tem grande valor como reflexão de quem realmente somos ou quem podemos nos tornar quando somos bem sucedidos, mais endinheirados e/ou desejados e apreciados socialmente. 


Apesar do esforço de Dan Stevens, é importante considerar que o filme tem problemas exatamente porque faltou desenvolver melhor os conflitos, além de apresentar um ritmo muito lento para as ações presentes. Ao colocar muito foco no protagonista, os conflitos que ele tem com a esposa, com o amigo e em outras cenas não são bem desenvolvidos gerando, assim, lacunas na história, um desperdício para a potência psicológica do tema. Como o diretor não é um expert em dramas e nem o roteiro é fenomenal, temos aí um filme que se posiciona na fronteira entre o bom e razoável e deixa uma sensação de vazio, a de que ele poderia ter sido bem melhor.








Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Normalmente o Cinema Dinamarquês tem...




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Normalmente o Cinema Dinamarquês tem a virtude de contar histórias reais ou tão próximas à realidade com uma aparente naturalidade que, logo mais, leva ao choque. Em um mundo cada vez mais caótico e perverso, chocar-se com o desdobramento de uma história violenta não deveria ser novidade, entretanto, no Cinema produzido pela Dinamarca, a dinâmica é levar o espectador a uma compreensão de determinados dilemas morais que, por mais chocantes que sejam, fazem parte do cotidiano de muitas famílias e ainda surpreendem na ficção.








Em "Culpa" (Den Skyldige, 2018), filme dirigido por  Gustav Möller, vencedor de prêmios nos Festivais de  de Rotterdam e Sundance, pré indicado ao Oscar e destaque na Mostra SP 2018, o excelente ator Jakob Cedergren (de "Submarino") é o policial Asger Holm que, após ser afastado da atuação em campo, atende chamadas de emergência na delegacia.  Ao receber uma ligação de uma mulher sequestrada, ele passa de um envolvimento racional com a vítima para uma determinação bastante emotiva. Começa a corrida contra o tempo para salvá-la.


É um filme bastante interessante na forma como foi dirigido, com uma clara limitação de espaço e tempo para a ação do protagonista, o que favoreceu o resultado da obra. O personagem central fica bem restrito ao telefone e as impossibilidades de ir atrás da vítima, como consequência, o público é jogado em uma tensão entre a situação vivenciada pelo policial, seu histórico profissional e o sentimento de culpa e as dúvidas sobre a mulher sequestrada e seu caráter.  


A experiência de Cedergren como um ator dramático, bem seguro na atuação, possibilita uma melhor conexão do público com sua interpretação. Além do mais, foi uma grata surpresa ver o seu retorno ao Cinema. Ele não realizava longas desde  o excelente "Submarino", drama premiado que realizou com Thomas Vinterberg. Em "Culpa",  considerando que ele realiza uma atuação com pouca transição entre espaços e tempos, sem muita interação com coadjuvantes e com uma câmera continuamente em close up no seu rosto, certamente, seu retorno é um presente aos apreciadores de um bom drama.






O thriller criminal do começo ao fim é envolto em um iminente descontrole do policial. Ao mesmo tempo que ele deseja ajudar a vítima, ele  começa a fazer suposições impulsivas em uma relação mais próxima com a sequestrada, que já ultrapassa o código racional que há em situações como esta, assim , ele realiza julgamentos que, certamente, o público também realiza. Em muitos momentos, questões como : "o policial está exagerando na tratativa do caso"?, "essa vítima é realmente uma vítima"?, "quem é esta mulher e seus segredos"? são comuns. Tudo isso torna a experiência mais envolvente, na qual o público também sente a pressão em tempo real.


A escolha de realizar um suspense no qual um policial estabelece uma conexão mais emotiva com o crime como se fosse um membro da família ou um amigo próximo da vítima também ajuda a criar uma conexão com o policial. Muito mais do que o ofício, tentar resolver algo por telefone chega a ser doloroso para quem observa toda essa angústia. Esta é uma dor necessária à história. Sem essa tensão à distância, o filme não teria qualquer diferencial.


Como o bom Cinema Dinamarquês, nem tudo é o que parece. Há bastante pressão no protagonista, confinado à uma sala, em um trabalho econômico de câmeras que ajuda a criar um clima de forte tensão e mistério. Cabe ao espectador acompanhar esse conflito com várias incógnitas pelo caminho. Nesse aspecto, Jacob Cedergren foi um elo eficiente. O filme é dele, bem apoiado por uma direção jovem, competente e focada na proposta.





Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Em grande parte, um autêntico estilo d...



Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




Em grande parte, um autêntico estilo de vida cinéfilo exige que, em alguns momentos, a gente desconstrua a visão sobre um (a)  diretor (a) e reconheça que ele(a) pode oscilar entre uma produção e outra não por falta de  talento mas exatamente porque seu estilo pode combinar melhor com um tipo de gênero e/ou filme.

O diretor alemão Dennis Gansel é um caso interessante que realizou um filme bastante cult na filmografia da Alemanha chamado "A onda" (Die Welle). O longa é reconhecido como um drama independente que trabalha com a questão da gênese de um pensamento totalitário como o Nazismo e está entre um dos melhores clássicos contemporâneos alemães datado em 2008.






Em 2016, Gansel lançou a continuação da franquia "Mechanic" que tem Jason Statham como protagonista intepretando Bishop, um matador especializado em serviços por encomenda. Basicamente é um filme de ação que trabalha com toda a intensidade e capacidade de Statham para o gênero, porém tem um roteiro bastante frágil, para não dizer medíocre. Na história, Bishop está morando no Rio de Janeiro e usando outro nome a fim de ter um pouco de paz e não voltar ao seu passado assassino. Ele acaba sendo localizado por um chefe criminoso que deseja que ele volte à ativa e assassine 3 figurões também criminosos, entre eles Max (Tommy Lee Jones).


Entre os aspectos falhos do roteiro está fazer com que rapidamente Bishop se apaixone por Gina (Jessica Alba) em uma situação bastante sem verossimilhança, realmente forçada. Ele é obrigado a realizar os homicídios para que ela não morra. Assim, para apreciar o filme, o espectador tem que pular essa parte tola e tentar ao máximo focar na parte de ação que, sob a batuta de Gansel, é bem construída de tal forma a aproveitar ao máximo o talento físico de Statham e minimizar a falta de roteiro com um vilão nada convicente que não dá medo em ninguém.



Assassino a preço fixo 2 tem ótimas cenas de ação e nesse sentido a parceria com Gansel salva o entretenimento.  Statham já está um pouco mais maduro, com linhas de expressão bem marcadas, entretanto sua agilidade para esse tipo de gênero é fascinante. Ele tem uma energia excepcional, um fôlego e elegância inigualáveis.  Gansel não é especialista em ação, mas surpreende, principalmente por ser o aclamado diretor de A onda. Diante desse esforço do diretor e um nítido e contínuo perfeccionismo de Statham em dar o melhor, o filme vale a pena ser visto. 






Entre os bons momentos estão observar as cenas que são bem construídas como, por exemplo, as sequências que Bishop deseja matar o segundo criminoso da lista que faz lembrar as cenas de Tom Cruise escalando prédios em Missão Impossível. Minuciosamente, Bishop realiza um passo a passo para apagar os caras do mal, o que mostra que ele também é estratégico, inclusive há uma ótima decupagem nessa sequência que usa uma piscina na cobertura. A sequência de lutas e tiroteios no barco do vilão também se alongam mais de forma a preencher bem o esvaziamento narrativo da obra.



Essa é a magia do cinema quando comparamos as obras do diretor e percebemos que, sendo um bom cineasta, ele consegue transitar entre gêneros e realizar filmes de baixo orçamento com aspectos de qualidade e/ou que elevam um ou duas características de um filme. É o que acontece aqui! O filme é mediano no conjunto da obra, mas o trabalho de um diretor muito mais de drama em colocar as mãos em um filme de ação deve ser reconhecido.






Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Uma característica que chama a ...




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Uma característica que chama a atenção em Halle Berry, ganhadora do Oscar em uma excepcional e inesquecível atuação em "A última ceia" (The Monster's ball, 2001), é sua versatilidade como atriz em filmes drama, de ação e suspense. Transitando entre produções irregulares e outras de previsível boa recepção, ela  também tem uma virtude bem atrativa e divertida: a sua atuação drama queen (rainha do drama).







No seu mais recente longa, "O sequestro" (Kidnap, 2017), dirigido por Luis Prieto, ela personifica uma mãe que, após ver  o filho ser sequestrado em um parque, começa a perseguir os criminosos implacavelmente. No papel de Karla Dyson, ela entra com tudo em um "filme perseguição", uma combinação de road movie com suspense de ação e crime. Muito mais do que uma mãe leoa e  imbatível que apresenta tanto a sua vulnerabilidade como sua coragem, Halle Berry realiza uma performance muito boa em 95 minutos igualmente bem executados.






Este é o tipo de filme que, por trás de sua casca de produção mediana, tem bons momentos e  questões reflexivas a apresentar. Primeiramente, Halle Berry se consolida como uma atriz com excelente perfil para suspense e/ou ação combinadas com uma abordagem mais dramática e heroica. Não à toa que ela estará no próximo John Wick 3, atualmente em pós-produção. No desenvolvimento da história, ela consegue extrair fôlego em diversas cenas que poderiam permanecer apenas  como ridículas e/ou previsíveis demais, entretanto, sua capacidade física, psicológica e interpretativa, até mesmo exagerada no overreacting combina perfeitamente com o desespero de uma mãe que não sabe onde estão levando o filho.



Com boa coesão entre o suspense e a ação, o roteiro de  "O sequestro" é daqueles que exige uma atriz capaz de segurar a responsabilidade como protagonista que responde pela maioria das ações, que deve convencer até mesmo em momentos extremamente perigosos e exagerados e que demonstra suas fraquezas e fortalezas. A parceria entre Luis Prieto e Halle Berry deu muito certo neste sentido. O diretor teve habilidade para dar um ritmo intenso e aproveitar todos os recursos em cena, crescendo no suspense e valorizando o que Halle Berry faz muito bem como heroína e mãe. Desde  os créditos iniciais com fotos da infância de uma criança até uma mãe que enfrenta os sequestradores em uma sequência que lembra os filmes de horror, todas as cenas são bem articuladas ao tempo de duração total com uma edição satisfatória para essa proposta.






O longa se destaca como um ótimo entretenimento para essa temática, pelo menos, tem várias qualidades que farão o público segurar a mão dessa mãe. No meio do desespero de Karla, leva o público à reflexão: o que você faria se sequestrassem o(a)  seu (sua) filho (a) ? Iria até o inferno? Pediria ajuda  esperaria as ações? Estaria disposta(o) a matar, se necessário? Confiaria na polícia? Por mais que a personagem mãe tenha agido de forma inconsequente e absurdamente corajosa em diversas cenas, neste ponto, a decupagem do roteiro foi eficiente pois expõe algumas preocupações e situações recorrentes quando o agir sozinha (o)  e o instinto pela vida são a única força que resta a uma pessoa.


Finalmente, o filme  cumpre seu papel social: a denúncia ao sequestro e tráfico de crianças. Ainda que se apegue a uma ficção em cenas que poderiam levar uma criança sequestrada à morte, como por exemplo, uma mãe que não deixa de perseguir os bandidos que, a qualquer momento, poderiam se cansar disso tudo e ter matado Frankie (Sage Correa) e ela, o maior mérito do longa é sua denúncia. 



Assim, cada vez mais, a população tem que ficar atenta e cuidar das crianças. A maioria das crianças desaparecidas somem em momentos cotidianos que nem sempre as pessoas acham que representam um risco. Esses momentos não devem ser subestimados. 










Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Jason Momoa , ator que ganhou...




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




Jason Momoa, ator que ganhou popularidade nos papéis de Khal Drogo (Série Game of Thrones) e Aquaman ( Liga da Justiça) protagoniza "Braven", filme de ação canadense dirigido por Lin Oeding e traduzido no Brasil como "Perigo na Montanha". Na história, ele é Joe Braven, casado e pai de uma menina, dono de uma madeireira e morador nas áreas isoladas e montanhosas do Canadá. Joe também atravessa um momento delicado, cuidando do pai que começa a apresentar uma demência mais severa.


Vivendo em um local tão isolado e com um negócio que envolve transportes de madeiras,  Joe tem o azar de entrar na mira dos traficantes da região, drama que o leva a proteger a família a qualquer custo, assim, a história é de um homem trabalhador e comum que, de uma hora para outra, apresenta suas habilidades físicas, de combate para proteger o lar.






Trata-se de um roteiro bem aquém em termos de conflito, indicando que o filme vale mais a pena pela oportunidade de ver Jason Momoa em ação do que propriamente se envolver emocionamente com a história. Nos créditos iniciais com duração mais extensa, a gélida região é apresentada como um personagem, o local silencioso e entendiante onde a perseguição e luta pela sobrevivência será palco para uma família que estava em paz. Neste ponto, é interessante perceber que, mesmo em lugares aparentemente tranquilos, famílias entram em uma fria.


O problema maior do longa é subaproveitar o conflito, realizando sequências que não têm qualquer preocupação com a qualidade narrativa em elaborar melhor os conflitos entre o protagonista e o vilão, em preparar o terreno para um clímax. Aliás, o vilão Kassen (Garret Dillahunt) é medíocre por ser caracterizado como um apenas homem brutal pela brutalidade e dinheiro, sem qualquer estratégia ou conteúdo psicológico a somar à história.  Desta forma, o filme entra nos eixos apenas nos últimos quarenta minutos quando, efetivamente, a ação  explora os ambientes desta região.





Apesar de não ser um ação completa, envolvente e bem dirigida, um aspecto favorável destes  minutos finais é aproveitar o pouco tempo de duração que restou para o melhor da ação. Embora inexperiente  na direção de longa metragem, Oeding tentou explorar o tempo e espaços ao máximo, o que foi bem desafiador considerando que a região em si é tão mais do mesmo, apenas com montanhas, uma estrada, uma cabana.  Em várias cenas, bastante previsíveis, não há tanta tensão e variedade na ação, o que acaba mantendo o longa como mediano no resultado final.


Outro fato curioso e não convencional é Joe Braven ser ajudado pelo próprio pai que se mostrou um exímio atirador. Então, vem a seguinte indagação para qualquer espectador mais atento: como um homem debilitado e com crises instáveis de demência consegue se dedicar tantos minutos a atirar nos caras maus? Ficção ao extremo e roteiro raso explicam. Sem a presença do pai na ação, Joe Braven ficaria muito solitário também. 


Deficiências no roteiro e direção à parte, Perigo na Montanha é um entretenimento regular para quem gosta de Jason Momoa, ação e não espera um grande filme como retorno. Sobre a atuação do ator, ele cumpre um papel dentro que lhe foi exigido, equilibrando a agressividade do protagonista com a bondade e proteção da paternidade.





[Crítica] Por  Cristiane Costa , blogueira crítica de Cinema e especialista em Comunicação. Acompanhe novidades e sel...





[Crítica]


Por Cristiane Costa, blogueira crítica de Cinema e especialista em Comunicação.

Acompanhe novidades e seleção de filmes #MadameLumière da 42ª Mostra SP





Guerra Fria (Cold War, 2018), novo filme de Pawel Pawlikowski,  é uma contemplativa jornada de amor e guerra. Protagonizado por Joanna Kulig e Tomasz Kot, respectivamente como o casal Zula e Wiktor,   a história retrata o contexto da guerra fria na década de 50, como pano de fundo, para narrar as idas e voltas de um amor impossível. No seu desenvolvimento, o filme aborda muito mais as diferenças de personalidades, temperamentos e atitudes entre eles do que propriamente um elaborado roteiro de drama de guerra.







Cineasta (re)conhecido pelo belíssimo trabalho de direção e roteiro em IDA (2013), longa ganhador de melhor filme estrangeiro no Oscar 2015, Pawlikowski é um diretor bastante atraente no quesito direção e cinematografia em preto e branco; tanto que, Guerra fria venceu como melhor direção no Festival de Cannes 2018. Suas escolhas de decupagem, em retratar fragmentos de uma Polônia ainda ressentida e machucada pelos dramas de guerra que afetam as individualidades, é de uma beleza ímpar. 



Neste filme, o cineasta se arriscou em roteiro e favoreceu a potência de sua direção. A câmera sofisticada em várias nuances e o apurado expertise fotográfico em enquadrar planos de uma magnitude temporal que transporta o público para outra época fazem a diferença e tornam as lacunas de esvaziamento narrativo dignas de perdão. Assim, sob a perspectiva de roteiro, em decorrência de uma passagem cronológica e espacial não tão bem trabalhada, que se desloca entre Polônia, Berlim, antiga Iugoslávia e Paris com pouco desenvolvimento entre o contexto social de guerra e a relação entre os dois, a história perde oportunidades de aperfeiçoar esses conflitos. 







O que fascina neste cineasta é a notoriedade, sensibilidade e bom gosto da sua direção. Ele teria várias maneiras diferentes de executar determinadas cenas das formas mais comuns possíveis, entretanto, estamos diante de um grande cineasta Polonês, que tem uma marca identitária bem vísivel na parceria com o diretor de fotografia Lukasz Zal. Neste aspecto, é essencial contemplar o seu cinema valorizando a maneira como ele posiciona a câmera e desenvolve o olhar sobre lugares, pessoas e emoções nem sempre ditas.


Entre os bons momentos da cinematografia, por exemplo, além do belo desfecho que costuma deixar uma reflexão em aberto, há momentos de apurado senso cinematográfico como ver Joanna Kulig dançando um clássico rockabilly com vários homens em um bar em Paris. A forma como ela rodopia loucamente pela pista, com uma câmera em sintonia com sua energia, é uma daquelas cenas que reforçam a importância de um bom cineasta.



As cenas inicias mais focadas na tradição folk misturam as dinâmicas do teatro e dança bem coreografada com a música da região. Elas  representam um ponto alto do filme, em especial, porque a música e suas letras se fundem com os sentimentos dos personagens e as realidades vivenciadas com a pátria e com o amor. Mais adiante, é possível observar como a relação com a música vai se tornando algo mais propagandista e afetada por uma guerra de interesses e distanciamento. A música genuinamente sentimental e parte da carreira dos protagonistas vai se afastando desse romance e já não tem mais o mesmo vigor. Junto com outros elementos da narrativa, essas mudanças mostram perdas, dores e conflitos que desafiam o romance. 



Com isso, Guerra fria é muito contemplativo na observação da relação afetiva que sofre com a passagem do tempo e a incomunicabilidade entre o casal. O cinema de Pawlikowski facilita esse processo pois, como já dito, ele sabe como criar planos de expressiva sensibilidade que possibilitam ao público se entregar a essa intimidade do amor , dos encontros e desencontros e das escolhas que atingem seus personagens dramáticos. 







Neste sentido, o diretor realiza um filme bastante intimista, fluído em sua proposta, sem preocupações de entrelaça-lo demasiado com o contexto social e um roteiro muito aprofundado. Ainda que a história traga elementos comuns ao drama de guerra da época como a propaganda política, o exílio, a suspeita, a separação abrupta, entre outros, o que está marcado na história é esse louco amor que esquenta um ambiente tão frio como uma guerra mas que também tem o seu esfriamento na relação.



Além da direção, de igual forma, a escolha do casal de atores vem a somar à qualidade do longa. Os componentes da beleza do amor e da química passional  estão visualmente atrativos para o cinema, por isso o filme tem seus encantos românticos. Joanna Kulig encarna a beleza estonteante da mulher cheia de vida e de espírito livre, mas também uma mulher que ama muito um homem, é amada reciprocamente e ambos têm suas vidas ligadas acima de todas as dificuldades.



Guerra Fria é um filme sobre um amor que atravessa os tempos difíceis. É sobre uma relação afetiva que nem sempre se comunica bem, mas que se mantém leal.  É sobre um amor impossível que muitos gostariam de vivenciar como possível.









Fotos uma cortesia Mostra SP 2018