MaDame Lumière

Sou MaDame Lumière. Cinema é o meu Luxo.

Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Bruce Willis protagoniza o rem...





Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




Bruce Willis protagoniza o remake de "Desejo de matar" (2018) com direção de Eli Roth, roteirista e produtor conhecido por trabalhos de horror como "Cabana do inferno",  "Albergue 1 e 2", entre outros trabalhos com larga experiência no gênero. Nesse filme, Roth tem vários elementos que favorecem a eficiência da obra: um ator virtuoso e nostálgico na ação que é icônico na franquia "Duro de matar", o seu background e paixão pela linguagem do horror e um argumento afetivo que pode provocar no espectador o não-julgamento moralizante pelos assassinatos cometidos pelo protagonista.


Desejo de matar é uma franquia que começou nos anos 70, estrelado o ator Charles Bronson como o arquiteto  Paul Kersey. Naquela época, o filme , datado em 1974,  trazia uma crítica mais social na qual o personagem tinha uma relação distante do mundo do crime e da violência em geral, vivendo seu mundo em uma redoma ao lado da filha e da esposa. Quando perde a esposa e sua filha é violentada, Kersey assume outro comportamento diante da morosidade e fracasso investigativo da polícia, além da revolta pessoal e do luto: fazer justiça com as próprias mãos. 


Nesse argumento, o protagonista também mobiliza tempo e esforço para comprar e ter habilidades com armas, fato que faz alusão à indústria armamentista nos Estados Unidos. Todos esses elementos foram preservados no remake com Bruce Willis, exceto sua profissão, agora um médico de pronto socorro que,  convivendo com a vida e a morte, vê em sua rotina pacientes vítimas da violência urbana de Chicago, assim como criminosos baleados que chegam ao seu plantão.  Até então, sua relação com o crime é distanciada e racional, convive bem com a família, tem uma vida de classe média alta.






Essa questão do ofício, médico ou monstro, é interessante pois espera-se que um médico sempre opte pela vida; entretanto nesse longa, Bruce Willis é o homem comum cuja profissão não é mais forte do que seu desejo de matar os assassinos de sua esposa. De cidadão anônimo, ele se torna uma celebridade escondida em um capuz que toma gosto pelas armas e decide investigar quem invadiu o seu lar, matou sua mulher (Elisabeth Shue) e deixou sua filha em coma. 



Após a tragédia, o médico muda "da água para o vinho" e encarna aquele desejo que muitos têm, a vingança a qualquer preço. Só que essa vingança acontece de forma bem facilitada, até um tanto non sense em algumas cenas, já que não há uma melhor investigação. Esse detalhe torna o filme mais ficcional e raso, e só vale pela diversão.


O diferencial no perfil do personagem é que Dr. Kersey tem uma humanidade em si. Ele carrega toda a revolta que muitas famílias que perderam seus entes queridos têm, então é um homem comum em ação quando a justiça é morosa demais. Por outro lado, por mais que ele comece a matar os bandidos, ele continua sendo uma vítima dessa violência pois carrega a perda, o inconformismo e a solidão. Torna-se o herói urbano a fazer justiça com as próprias mãos, contudo, a violência permanece como um problema social e coletivo. Ele suja as mãos de sangue mas o problema não se resolve pois o argumento é totalmente de cunho particular, afetivo.


Roth combina cenas com a dimensão pessoal, a do homem, pai de família e esposo, com outras cenas que utilizam ação criminal e horror cômico. O resultado é bem eficiente e garante um filme agradável de assistir. Willis persegue e mata os assassinos com um grau de facilidade que, apesar do estranhamento e exagero, tem uma tônica bastante bem humorada que relembra algumas cenas do terrir (terror + rir), o que mostra que Roth deixa um pouco do que gosta no próprio filme.


O chamariz é Bruce Willis, que não perde nem o charme e nem a competência para filmes de ação. Carisma é algo que lhe é natural, tanto que , em uma das cenas com uma terapeuta, ele faz a graça que apenas os coroas da ação nos fariam sorrir. Aliás, nos últimos anos, esses atores de personagens durões  apareceram em filmes de menor orçamento e bem eficientes. Entre as boas diversões: "Herança de Sangue" com Mel Gibbson,  "O passageiro" com Liam Neeson,  "Três dias para matar" com Kevin Costner.  




Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Alguns dizem que "...







Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




Alguns dizem que "Três dias para matar" (3 Days to Kill, 2014) é um filme mais do mesmo. De fato, ele não é uma excelente comédia de ação, mas tem em si uma característica muito autêntica que o torna divertido: ele mesmo não se leva a sério e não engana o público.


Estrelado por Kevin Costner no papel de um atirador freelance que presta serviços para agências secretas, a história tem autoria de Luc Besson, conhecido produtor, realizador e roteirista que tem verdadeira paixão por filmes de ação e influenciou o gênero no Cinema Francês com reconhecimento internacional. Assim, o filme é uma combinação de drama familiar com comédia de ação na qual Ethan Renner (Costner) retorna à Paris para reencontrar a filha Zooey (Hailee Steinfeld) e reconquistar seu afeto e confiança.










Luc Besson escreveu uma história que reúne o cômico, a ação e o sentimental, o que não é surpreendente. Como lhe é natural, o filme não projeta uma narrativa muito rígida nos conflitos familiares e mantém um apelo desencanado e divertido.  Acometido por uma grave doença, Ethan apenas deseja conviver os dias que lhe restam com a filha e a esposa Christine  (Connie Nielsen). Como vários homens a serviço de agências e  contra o crime, ele também carrega a culpa de ter ficado distante da família.


Para manter a ação em foco, Ethan é contratado pela agente da Cia e femme fatale Vivi Delay (Amber Heard) para matar um criminoso. Toda a história é construída entre a ação e as tentativas e retomada do relacionamento entre Ethan e sua filha. Com isso, o filme se torna agradável ao ver a atuação de Kevin Costner, um cara durão que se aproxima da filha adolescente e nem sempre sabe como lidar com ela. Em várias cenas, tanto sensíveis como tolas, o ator está bem relaxado a ponto de interagir comicamente com os comparsas do inimigo ou ajudar a filha em situações perigosas e afetivas.






O diretor McG combina com esse lado divertido de Luc Besson, pois já produziu e realizou várias comédias de ação como "Guerra é guerra" e as "As panteras: detonando", além de séries televisivas como "Nikita". Nesse filme, há boas cenas de ação, mas nada excepcional, apenas o diretor faz o que já está acostumado sem comprometer tanto a naturalidade de Kevin Costner. Entre os contras, o filme se estende bastante e desnecessariamente, não tem bom desencadeamento de cenas para o desenvolvimento equilibrado entre drama, comédia e ação, além do papel de Amber Heard ser medíocre e subaproveitado pelo roteiro.






O melhor do longa é Kevin Costner, um daqueles atores queridos que já foi guarda-costas, príncipe dos ladrões, anjo da vida e tantos outros personagens protetores no Cinema. Ele continua em forma, boa pinta e carismático, então o filme traz uma nostalgia de contribuições passadas do ator. Assim como Kevin Costner, Ethan também é um cara legal e apenas isso basta.





Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Com distribuição pela HBO, o ...






Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Com distribuição pela HBO, o filme "O conto" (The Tale, 2018) foi produzido para a TV e recebeu várias nominações nas premiações em festivais voltados para a Televisão e/ou Cinema independente como o Festival de Sundance, o Globo de Ouro, o Spirit Awards, entre outros.  O longa tem como destaque o seu roteiro, edição e atriz principal (Laura Dern). É um drama tão equilibrado e bem executado entre o elenco, direção e narrativa que merecia ter ido ao circuito de exibição nos Cinemas Brasileiros.






Dirigido pela documentarista Jennifer Fox, o longa-metragem tem a honra da valiosa presença de Laura Dern, que se adequa perfeitamente a este tipo de drama contundente que aborda um tema doloroso: abuso infantil e pedofilia. Com roteiro escrito pela própria cineasta, baseado em suas experiências pessoais,  "O Conto" é centrado na proposta, de maneira bem racional, mas também profundamente incômoda.


Na história, Jennifer/ Jenny (Laura Dern) é uma documentarista que está realizando uma não - ficção sobre vítimas de estupro na infância.  Após sua mãe Nettie (Ellen Burstyn) encontrar um de seus escritos com detalhes intrigantes da infância e puberdade da filha, Jennifer passa a lembrar da relação próxima que tinha com seus treinadores de equitação, Mrs. G (Elizabeth Debicki)  e Bill (Jason Ritter). Como tem experiência em documentários, Jenny vai voltar seus olhos à realidade presente para encontrar seus antigos coaches e trazer à luz certas revelações.






A narrativa é desenvolvida com planos do presente e em flashbacks, nos quais Jennifer se dedica a investigar seu passado e tentar relembrar qual era a natureza deste relacionamento. De forma bem perspicaz, a roteirista utiliza um texto dentro do texto, ou seja, usa o gênero narrativo conto para contar a história, escolha que torna o filme mais denso e inteligente. Além disso, ao utilizar e explorar o conto, a cineasta também cria uma tensão entre o que foi escrito em papel e no passado (infância) versus o que está sendo narrado na atualidade (vida adulta). Desta forma, essa dicotomia tensiona a história mas também possibilita explorar e libertar o potencial narrativo do longa.



Não há como não valorizar o equilíbrio dessa produção e a articulação da diretora e roteirista para tocar em um assunto tão pessoal e traumático. Só considerando esse aspecto, o longa merece todas suas indicações e reconhecimentos, além do mais, um dos aspectos louváveis da obra é observar que, até mesmo uma documentarista acostumada a filmar o cotidiano, também pode se manter cega ou perdida diante de um abuso sofrido no passado.  Diante das dúvidas e perguntas, Jenny realiza uma jornada investigativa como se fosse  um recorte do documentário da sua vida. Essa transição de gêneros que adentram outros gêneros torna o filme bem mais interessante.







Jenny admirava tanto os seus coaches que os desejou e se aproximou dos agressores, mas não parecia ter total consciência da natureza da relação. Ela simplesmente os "amava" e tinha uma imaginação fértil como várias crianças em transição para a puberdade. No mais, especificamente,  Mrs G. e Bill são aquele tipo de casal acolhedor, sedutor, misterioso, diferente. Um casal perigoso e fingido que facilmente seduziria qualquer pessoa, traço da história que estabelece um jogo tenso e em suspense na imaginação de Jenny e, consequentemente, no público. Essa combinação de thriller e drama favorece a conexão e o engajamento com a história.



Sem dúvidas, este é um roteiro com variadas virtudes, principalmente, pelo fato de que estamos diante de um filme espinhoso que, com bastante tato, mostra cenas de pedofilia, mas que em momento algum é um filme visualmente vulgar na decupagem. Pelo contrário, é impressionante a tranquilidade como a narrativa se desenrola, bem apoiada por uma montagem de alto nível. Mostra  uma falsa "paz" que, pouco a pouco, vai se apropriando de um efeito devastador até o grande clímax. 


Assim, o personagem de Bill é extremamente repugnante porque ele representa o homem que ganha a confiança do (a) menor e prepara o terreno para  o ataque. Essa dissimulação sedutora é um traço clássico dos piores agressores sexuais. Para tornar estas memórias mais traumáticas, ele não age sozinho, então entra a figura da mulher no papel de Mrs G, igualmente intrigante e dissimulada, ela é uma incógnita, ora aparentando culpa, ora nenhuma emoção.


Digna de aplausos, Isabelle Nélisse realiza uma interpretação incrível como a jovem Jenny. Segura e madura para sua idade, ela contracena em cenas bem difíceis, sendo este o filme que mais lhe deu liberdade  para o protagonismo . Pela sua atuação, fica evidente que Jennifer Fox conseguiu ampliar ao máximo o valor de sua direção para a qualidade fílmica, assim, respondendo bem à direção de atores pré(adolescentes).







Mais uma vez, Laura Dern tem total domínio do personagem. Jenny é uma mulher que não teme ir atrás da própria história, mas tem suas inseguranças e miopias. Ainda que, de forma inconsciente, ela tem problemas para se firmar de vez no relacionamento com  Martin (Common), o que indica certa relação com traumas passados ou seu atual desconforto. Seguramente, esta é uma performance especial, tanto que ela foi indicada ao  Globo de Ouro como melhor atriz em série limitada ou filme para a TV.



Ainda que o tema seja difícil de digerir, "O Conto" é imperdível e se destaca como um dos melhores filmes lançados em streaming nos últimos dois anos. É de longe uma obra diferenciada lançada em uma plataforma e/ou canal de TV. Ao mesmo tempo que o filme deixa espaços abertos para o espectador refletir sobre  negação, perdão, culpa, desejo, sexualidade, redenção, ele não perde de vista o seu foco, que é trazer à memória e à discussão utilizando o  gênero ficção em longa-metragem abusos que aconteceram e seguem acontecendo na realidade de muitas crianças e jovens. Esses dramas devem ser denunciados, dentro e fora das obras audiovisuais.







Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Dan Stevens (de "O hóspe...






Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação





Dan Stevens (de "O hóspede") é um daqueles atores que guardam muito mais mistérios do que seu olhar marcante. Ele deveria realizar mais filmes dramáticos.  Muito mais do que sua beleza e charme britânicos, ele é o tipo de ator que, se bem dirigido em bons roteiros, poderá surpreender o público. "Um outro olhar" (The Ticket, 2016), longa americano com direção de Ido Fluk, é um exemplo de drama que ofereceu um bom espaço para atuação de Stevens, porém, ainda se estabelece como um filme que não entregou o suficiente dentro do potencial que a história tinha. 






O ator interpreta James, um homem cego, casado com Sam (Malin Akermane que tem como melhor amigo, Bob (Oliver Platt), também com deficiência visual. Certo dia, James volta a enxergar como se fosse um milagre. A partir do restabelecimento de sua visão, ele começa a ficar em êxtase, mas  um pouco deslocado no ambiente e entre as pessoas ao redor. À medida que a história avança, sua mudança comportamental dá uma virada de 180 graus e ele passa a atingir um regresso nas atitudes, mascarado por seu crescimento de carreira e uma ganância a qualquer custo.






Quando dizem que a "ganância cega", ela realmente cega e representa um atalho com duras perdas pelo caminho e, até mesmo, um caminho sem volta. Assim, essa história é sobre a relação da cegueira como símbolo da ganância no caráter, exposto nas mudanças comportamentais do protagonista que , de tão perversas e dissimuladas, de tão preocupadas com a beleza, o sucesso e o status que seus olhos testemunham, desejam e veneram, vão demonstrando que, se uma pessoa não tomar certo cuidado, ela passa a abandonar amigos e familiares quando ela finalmente "ganha um bilhete de loteria". 


James é exatamente aquele homem interesseiro que ninguém deseja ser ou ter por perto. É aquele que remove a máscara quando começa a se dar bem na vida e descartar pessoas do dia para a noite. A imagem dele como personagem principal é construída de forma bem negativa e mostra o quão superficial ele se torna, por mais inteligente que seja no seu emprego. Então, um bom contraponto é perceber a perda de valores do protagonista, valores que talvez ele nunca realmente teve para si. Esse "outro olhar" é o que ele desenvolve quando recupera a visão, mas também nós, como espectadores,  temos a chance de desenvolver um nova perspectiva sob o personagem. Aliás, um olhar que não é muito otimista.





Dan Stevens realiza uma interpretação crível que reforça seu potencial para novos trabalhos de maior natureza dramática. Seu personagem muda da água para o vinho. Ao mesmo tempo, ele se torna mais belo, sedutor e bem sucedido, por outro lado, a facilidade com que ele abandona coisas importantes na vida o torna um homem desprezível, ou melhor, um coitado que está mais cego do que antes e que pode se dar muito mal na vida.  Desse modo, o filme tem grande valor como reflexão de quem realmente somos ou quem podemos nos tornar quando somos bem sucedidos, mais endinheirados e/ou desejados e apreciados socialmente. 


Apesar do esforço de Dan Stevens, é importante considerar que o filme tem problemas exatamente porque faltou desenvolver melhor os conflitos, além de apresentar um ritmo muito lento para as ações presentes. Ao colocar muito foco no protagonista, os conflitos que ele tem com a esposa, com o amigo e em outras cenas não são bem desenvolvidos gerando, assim, lacunas na história, um desperdício para a potência psicológica do tema. Como o diretor não é um expert em dramas e nem o roteiro é fenomenal, temos aí um filme que se posiciona na fronteira entre o bom e razoável e deixa uma sensação de vazio, a de que ele poderia ter sido bem melhor.








Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Normalmente o Cinema Dinamarquês tem...




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Normalmente o Cinema Dinamarquês tem a virtude de contar histórias reais ou tão próximas à realidade com uma aparente naturalidade que, logo mais, leva ao choque. Em um mundo cada vez mais caótico e perverso, chocar-se com o desdobramento de uma história violenta não deveria ser novidade, entretanto, no Cinema produzido pela Dinamarca, a dinâmica é levar o espectador a uma compreensão de determinados dilemas morais que, por mais chocantes que sejam, fazem parte do cotidiano de muitas famílias e ainda surpreendem na ficção.








Em "Culpa" (Den Skyldige, 2018), filme dirigido por  Gustav Möller, vencedor de prêmios nos Festivais de  de Rotterdam e Sundance, pré indicado ao Oscar e destaque na Mostra SP 2018, o excelente ator Jakob Cedergren (de "Submarino") é o policial Asger Holm que, após ser afastado da atuação em campo, atende chamadas de emergência na delegacia.  Ao receber uma ligação de uma mulher sequestrada, ele passa de um envolvimento racional com a vítima para uma determinação bastante emotiva. Começa a corrida contra o tempo para salvá-la.


É um filme bastante interessante na forma como foi dirigido, com uma clara limitação de espaço e tempo para a ação do protagonista, o que favoreceu o resultado da obra. O personagem central fica bem restrito ao telefone e as impossibilidades de ir atrás da vítima, como consequência, o público é jogado em uma tensão entre a situação vivenciada pelo policial, seu histórico profissional e o sentimento de culpa e as dúvidas sobre a mulher sequestrada e seu caráter.  


A experiência de Cedergren como um ator dramático, bem seguro na atuação, possibilita uma melhor conexão do público com sua interpretação. Além do mais, foi uma grata surpresa ver o seu retorno ao Cinema. Ele não realizava longas desde  o excelente "Submarino", drama premiado que realizou com Thomas Vinterberg. Em "Culpa",  considerando que ele realiza uma atuação com pouca transição entre espaços e tempos, sem muita interação com coadjuvantes e com uma câmera continuamente em close up no seu rosto, certamente, seu retorno é um presente aos apreciadores de um bom drama.






O thriller criminal do começo ao fim é envolto em um iminente descontrole do policial. Ao mesmo tempo que ele deseja ajudar a vítima, ele  começa a fazer suposições impulsivas em uma relação mais próxima com a sequestrada, que já ultrapassa o código racional que há em situações como esta, assim , ele realiza julgamentos que, certamente, o público também realiza. Em muitos momentos, questões como : "o policial está exagerando na tratativa do caso"?, "essa vítima é realmente uma vítima"?, "quem é esta mulher e seus segredos"? são comuns. Tudo isso torna a experiência mais envolvente, na qual o público também sente a pressão em tempo real.


A escolha de realizar um suspense no qual um policial estabelece uma conexão mais emotiva com o crime como se fosse um membro da família ou um amigo próximo da vítima também ajuda a criar uma conexão com o policial. Muito mais do que o ofício, tentar resolver algo por telefone chega a ser doloroso para quem observa toda essa angústia. Esta é uma dor necessária à história. Sem essa tensão à distância, o filme não teria qualquer diferencial.


Como o bom Cinema Dinamarquês, nem tudo é o que parece. Há bastante pressão no protagonista, confinado à uma sala, em um trabalho econômico de câmeras que ajuda a criar um clima de forte tensão e mistério. Cabe ao espectador acompanhar esse conflito com várias incógnitas pelo caminho. Nesse aspecto, Jacob Cedergren foi um elo eficiente. O filme é dele, bem apoiado por uma direção jovem, competente e focada na proposta.





Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Em grande parte, um autêntico estilo d...



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Em grande parte, um autêntico estilo de vida cinéfilo exige que, em alguns momentos, a gente desconstrua a visão sobre um (a)  diretor (a) e reconheça que ele(a) pode oscilar entre uma produção e outra não por falta de  talento mas exatamente porque seu estilo pode combinar melhor com um tipo de gênero e/ou filme.

O diretor alemão Dennis Gansel é um caso interessante que realizou um filme bastante cult na filmografia da Alemanha chamado "A onda" (Die Welle). O longa é reconhecido como um drama independente que trabalha com a questão da gênese de um pensamento totalitário como o Nazismo e está entre um dos melhores clássicos contemporâneos alemães datado em 2008.






Em 2016, Gansel lançou a continuação da franquia "Mechanic" que tem Jason Statham como protagonista intepretando Bishop, um matador especializado em serviços por encomenda. Basicamente é um filme de ação que trabalha com toda a intensidade e capacidade de Statham para o gênero, porém tem um roteiro bastante frágil, para não dizer medíocre. Na história, Bishop está morando no Rio de Janeiro e usando outro nome a fim de ter um pouco de paz e não voltar ao seu passado assassino. Ele acaba sendo localizado por um chefe criminoso que deseja que ele volte à ativa e assassine 3 figurões também criminosos, entre eles Max (Tommy Lee Jones).


Entre os aspectos falhos do roteiro está fazer com que rapidamente Bishop se apaixone por Gina (Jessica Alba) em uma situação bastante sem verossimilhança, realmente forçada. Ele é obrigado a realizar os homicídios para que ela não morra. Assim, para apreciar o filme, o espectador tem que pular essa parte tola e tentar ao máximo focar na parte de ação que, sob a batuta de Gansel, é bem construída de tal forma a aproveitar ao máximo o talento físico de Statham e minimizar a falta de roteiro com um vilão nada convicente que não dá medo em ninguém.



Assassino a preço fixo 2 tem ótimas cenas de ação e nesse sentido a parceria com Gansel salva o entretenimento.  Statham já está um pouco mais maduro, com linhas de expressão bem marcadas, entretanto sua agilidade para esse tipo de gênero é fascinante. Ele tem uma energia excepcional, um fôlego e elegância inigualáveis.  Gansel não é especialista em ação, mas surpreende, principalmente por ser o aclamado diretor de A onda. Diante desse esforço do diretor e um nítido e contínuo perfeccionismo de Statham em dar o melhor, o filme vale a pena ser visto. 






Entre os bons momentos estão observar as cenas que são bem construídas como, por exemplo, as sequências que Bishop deseja matar o segundo criminoso da lista que faz lembrar as cenas de Tom Cruise escalando prédios em Missão Impossível. Minuciosamente, Bishop realiza um passo a passo para apagar os caras do mal, o que mostra que ele também é estratégico, inclusive há uma ótima decupagem nessa sequência que usa uma piscina na cobertura. A sequência de lutas e tiroteios no barco do vilão também se alongam mais de forma a preencher bem o esvaziamento narrativo da obra.



Essa é a magia do cinema quando comparamos as obras do diretor e percebemos que, sendo um bom cineasta, ele consegue transitar entre gêneros e realizar filmes de baixo orçamento com aspectos de qualidade e/ou que elevam um ou duas características de um filme. É o que acontece aqui! O filme é mediano no conjunto da obra, mas o trabalho de um diretor muito mais de drama em colocar as mãos em um filme de ação deve ser reconhecido.






Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Uma característica que chama a ...




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Uma característica que chama a atenção em Halle Berry, ganhadora do Oscar em uma excepcional e inesquecível atuação em "A última ceia" (The Monster's ball, 2001), é sua versatilidade como atriz em filmes drama, de ação e suspense. Transitando entre produções irregulares e outras de previsível boa recepção, ela  também tem uma virtude bem atrativa e divertida: a sua atuação drama queen (rainha do drama).







No seu mais recente longa, "O sequestro" (Kidnap, 2017), dirigido por Luis Prieto, ela personifica uma mãe que, após ver  o filho ser sequestrado em um parque, começa a perseguir os criminosos implacavelmente. No papel de Karla Dyson, ela entra com tudo em um "filme perseguição", uma combinação de road movie com suspense de ação e crime. Muito mais do que uma mãe leoa e  imbatível que apresenta tanto a sua vulnerabilidade como sua coragem, Halle Berry realiza uma performance muito boa em 95 minutos igualmente bem executados.






Este é o tipo de filme que, por trás de sua casca de produção mediana, tem bons momentos e  questões reflexivas a apresentar. Primeiramente, Halle Berry se consolida como uma atriz com excelente perfil para suspense e/ou ação combinadas com uma abordagem mais dramática e heroica. Não à toa que ela estará no próximo John Wick 3, atualmente em pós-produção. No desenvolvimento da história, ela consegue extrair fôlego em diversas cenas que poderiam permanecer apenas  como ridículas e/ou previsíveis demais, entretanto, sua capacidade física, psicológica e interpretativa, até mesmo exagerada no overreacting combina perfeitamente com o desespero de uma mãe que não sabe onde estão levando o filho.



Com boa coesão entre o suspense e a ação, o roteiro de  "O sequestro" é daqueles que exige uma atriz capaz de segurar a responsabilidade como protagonista que responde pela maioria das ações, que deve convencer até mesmo em momentos extremamente perigosos e exagerados e que demonstra suas fraquezas e fortalezas. A parceria entre Luis Prieto e Halle Berry deu muito certo neste sentido. O diretor teve habilidade para dar um ritmo intenso e aproveitar todos os recursos em cena, crescendo no suspense e valorizando o que Halle Berry faz muito bem como heroína e mãe. Desde  os créditos iniciais com fotos da infância de uma criança até uma mãe que enfrenta os sequestradores em uma sequência que lembra os filmes de horror, todas as cenas são bem articuladas ao tempo de duração total com uma edição satisfatória para essa proposta.






O longa se destaca como um ótimo entretenimento para essa temática, pelo menos, tem várias qualidades que farão o público segurar a mão dessa mãe. No meio do desespero de Karla, leva o público à reflexão: o que você faria se sequestrassem o(a)  seu (sua) filho (a) ? Iria até o inferno? Pediria ajuda  esperaria as ações? Estaria disposta(o) a matar, se necessário? Confiaria na polícia? Por mais que a personagem mãe tenha agido de forma inconsequente e absurdamente corajosa em diversas cenas, neste ponto, a decupagem do roteiro foi eficiente pois expõe algumas preocupações e situações recorrentes quando o agir sozinha (o)  e o instinto pela vida são a única força que resta a uma pessoa.


Finalmente, o filme  cumpre seu papel social: a denúncia ao sequestro e tráfico de crianças. Ainda que se apegue a uma ficção em cenas que poderiam levar uma criança sequestrada à morte, como por exemplo, uma mãe que não deixa de perseguir os bandidos que, a qualquer momento, poderiam se cansar disso tudo e ter matado Frankie (Sage Correa) e ela, o maior mérito do longa é sua denúncia. 



Assim, cada vez mais, a população tem que ficar atenta e cuidar das crianças. A maioria das crianças desaparecidas somem em momentos cotidianos que nem sempre as pessoas acham que representam um risco. Esses momentos não devem ser subestimados.