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A 26ª edição do ANIMA MUNDI apresenta 576 produções de mais de 40 países , entre eles "Animal Behaviour", o curta venced...

Anima Mundi 2018






A 26ª edição do ANIMA MUNDI apresenta 576 produções de mais de 40 países , entre eles "Animal Behaviour", o curta vencedor para a disputa do Oscar® 2019




Após temporada no Rio de Janeiro, chega em São Paulo o Anima Mundi, um dos mais potentes festivais de animação do mundo, que será realizado de 01 a 05 de Agosto em diversos espaços da cidade: Memorial da América Latina, Caixa Belas Artes,  Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB/SP, Centro Cultural São Paulo - CCSP e no CINUSP. O evento tem a curadoria dos animadores Aída Queiroz, Cesar Coelho, Léa Zagury e Marcos Magalhães, diretores e fundadores do festival.



Em sua 26º edição, mais uma vez, o festival atinge um excepcional papel de formação e influência para o público e está conectado com a realidade do mundo, com uma animação cada vez mais criativa, lúdica, engajada e aderente a temas sociais , para reflexão crítica e diversão. Desse modo, o festival permanece como uma importante plataforma de animação, apaixonante.



Este ano, a programação continua ampla e para diversos gostos, com um incrível trabalho de variedade artística na produção das animações que vão desde o stop motion, a colagem, a massa, o híbrido de ficção com documentário, entre outras técnicas. Essa diversidade contribui para a formação do olhar do público além da experimentação de novas possibilidades de animação, de tal forma que cada espectador tem à mão uma oportunidade única para vivências  memoráveis. 





Curta Happiness aborda a busca implacável pela realização e felicidade




De curtas infantis inspirados na ludicidade da criança, como o Coucouleurs (As cores do Cuco, Suiça), a produções mais adultas que abordam temas relacionados aos desafios e conflitos da modernidade  e aos sentimentos melancólicos do homem como Freedom From Fear (Livre do Medo, Estados Unidos, tema: armas),  Happiness (Felicidade, Reino Unido,  tema: busca de realização) e Weekends (Fins de semana, Estados Unidos, tema: família, filhos e pais ), o Anima Mundi  oferece uma jornada muito especial ao que há de mais atual e sensível no mundo da animação, inclusive com um leque expansivo de diferentes gêneros como drama, comédia, suspense, terror, documentários etc.



Nesta edição, o festival teve recorde de inscritos, totalizando 1805 inscrições, o que significa um incremento de 45% em comparação ao ano anterior. Na seleção das mostras oficiais, participam 405 filmes de 40 países. Dentre estes, 108 produções Brasileiras fazem parte do festival, com uma representatividade de 13 estados, o que é uma conquista enorme para a Animação do país e fortalece este segmento audiovisual e de negócios.




Foto do curta "Animal Behavior"  



Vale destacar que o vencedor do Grande Prêmio Anima Mundi, anunciado recentemente no Rio de Janeiro, é o hilário curta "Animal Behaviour"  (Comportamento Animal, Canadá).  Dirigido por Alisson Snowden e David Fine, o curta enfoca uma sessão de terapia em grupo entre diversos animais que trazem à conversa desabafos, emoções, comportamentos  da natureza humana com um humor afiado, sincero.

Outros destaques do festival:


Para crianças

The Snow Queen 3: Fire and Ice , de Aleksey Tsitsilin (Rússia)
El Angel em el reloj, de Miguel Ángel Uriegas (México)
Ploey: You never fly alone, de Árni Ásgeirsson (Islândia e Bélgica)
Tito e os pássaros, de Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg (Brasil, estreia nacional)


Para adultos

As aventuras de Fujiwara Manchester, de Alê Camargo  (Brasil)
Wall, de Cam Christiansen (Canadá)
The Breadwinner (Vencedor do festival de Annecy, Irlanda, Canadá e Luxemburgo)
Ilha dos cachorros , de Wes Anderson 




As aventuras de Fujiwara Manchester, de Alê Camargo  (Brasil)

Além de uma rica programação, que conta com mostras especiais, retrospectiva, sessões com convidados,  o Anima Mundi tem ampla variedade de atividades que aproximam o público ao universo prático da animação, entre as quais se destacam o Estúdio Aberto com oficinas interativas e gratuitas para realização de animações usando técnicas distintas como Zootrópio, Pixilation, Desenho Animado e Masssinha, além do novo Espaço de Realidade Virtual e 360ª com apresentação de curtas interativos de importantes estúdios da área.



Para conferir  a programação completa do festival, acesse o site oficial: WWW.ANIMAMUNDI.COM.BR.  



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Obrigada pelo seu interesse em comentar no MaDame Lumiére. Sua participação é muito importante para trocarmos percepções e opiniões sobre a fascinante Sétima Arte.

Madame Lumière é um blog engajado e democrático, logo você é livre para elogiar ou criticar o filme assim como qualquer comentário dentro do assunto cinema e audiovisual.

No entanto, não serão aprovadas mensagens que insultem, difamem ou desrespeitem a autora do blog assim como qualquer ataque pessoal ofensivo a leitores do blog e suas opiniões. Também não serão aceitos comentários com propósitos propagandistas, obscenos, persecutórios, racistas, etc.

Caso não concorde com a opinião cinéfila de alguém, saiba como respondê-la educadamente, de forma a todos aprenderem juntos com esta magnífica arte. Opiniões distintas são bem vindas e enriquecem a discussão.

Saudações cinéfilas,

Cristiane Costa, MaDame Lumière

Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação A vingança é um prato cheio n...

Jogada Divina (The Divine Move, 2014)







Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



A vingança é um prato cheio nos filmes Sul-Coreanos, basta lembrar do incrível OldBoy (2003) de Park Chan-Wook, parte integrante da Trilogia da Vingança que inspirou outros diretores e fez escola na cinematografia do país, combinando o drama, ação e  mistério. Ao conhecer mais um  filme que une a temática da vingança com a tradição cinematográfica asiática em manuseio de armas brancas e coreografias de furiosas lutas , é preciso reconhecer que os Sul Coreanos são muito bons em filmes com muita ação sangrenta e ágil combate corporal, e para melhorar o cardápio, um toque de humor bem zombeteiro para dar fôlego ao espectador em ver tanta fúria, morte e sangue.







Jogada Divina (The Divine Move/ Sin-ui Hansu, 2014) de Beom-gu Cho tem um título cafona mas engana. É um filme de ação que nos apresenta o universo  clandestino dos jogos de azar que financiam e desenvolvem uma perigosa rede de corrupção Sul-Coreana comandada por um cruel vilão, Sal-soo (Beom-su Lee). Em foco,  a história mostra um jogo milenar e estratégico na Ásia, o Go, também conhecido como  Baduk na Coréia. Com a ação dos bandidos mafiosos, o Go se tornou uma inescrupulosa forma de atrair, enganar e assassinar jogadores. 



O conflito começa quando o irmão de Tae-seok (Jung Woo-sung) entra em uma partida de Go monitorada por Sal-soo e é assassinado com bastante brutalidade e sadismo. Tae-seok é acusado de ser o homicida e é condenado a muitos anos de prisão. Destemido, habilidoso em Go e disposto a vingar a morte do irmão, Tae-seok passa por um preparo combativo na prisão, em lutas e jogo, e depois vai atrás de um por um para a vingança. Na saída, recruta um pequeno grupo formado pelos atores Ahn Sung-Ki, Kim In-Know e Ahn Kil-Kang, cada um com uma característica relevante para levar a cabo o plano vingativo. 






Não é possível compreender as estratégicas do Go na historia e nem é a intenção dos roteiristas, mas é o jogo que está no meio dos conflitos. Analisar a obra não apenas como um filme de ação mas como um drama pessoal torna a experiência mais significativa e valorosa. O diretor traz à cena o jogo como um fator de desestabilização das subjetividades quando mal usado por gente brutal.







Como consequência,  no centro da narrativa, há dramas que se entrecruzam como a  perda de entes queridos, da família, a corrupção de menores, o aprisionamento de personagens, as traições e assassinatos a sangue frio. É um esvaziamento do bem que um jogo milenar poderia trazer à sociedade, entretanto, por conta da ambição, crueldade e sede de poder do homem, o Go é inserido em um ambiente altamente destrutivo.



Com um ritmo fluído,  direção bem executada, um elenco entrosado e uma montagem que intercala cenas  sangrentas com outras mais leves, bem humoradas e amistosas, Jogada Divina é um filmaço. O diretor utiliza várias possibilidades de exploração dos espaços nos conflitos, de formas cruéis de combate e morte e de posicionamentos de câmera para melhor visualização das cenas de lutas. Determinadas cenas são tão brutais com blood split e suspense antes do golpe mortal, mas na forma que são filmadas, tem um ingrediente cômico, algo que os sul coreanos são hábeis. 



O grande destaque é Jung Woo-sung. Ele é um protagonista com elegância natural, comportamento acessível e eficiente. Seu personagem consegue ser, ao mesmo tempo, frio e humano.  Sabe trazer alguns aliados para si e cooperar mas também focado na vingança como um mentor audacioso.  










A parceria do personagem com o cômico Kkong -soo (Kim In-Know) e o experiente velho cego  Joo- nim (Ahn Sung-Ki) dão às cenas mais leveza, camaradagem e humanidade. Na verdade, muito além do protagonista ter uma equipe para ajuda-lo na vingança, esta colaboração é necessária pois alarga o filme com questões que são intrínsecas ao cinema Sul-Coreano, como as cenas de humor non sense em situações que são tensas, sanguinárias, além do elemento emocional que é inserido nos dramas individuais. 



Com uma equipe deste nível e a participação especial de Ahn Seo-Hyun (de Okja) com uma pequena jogadora de Go , o filme é uma jogada imperdível.















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Cristiane Costa, MaDame Lumière

Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Em uma das páginas iniciais do...

Todo dia (Every Day, 2018)






Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação





Em uma das páginas iniciais do best-seller de David Levithan, Todo Dia (Every Day, 2018), lançado essa semana nos Cinemas Brasileiros, o narrador, nomeado no filme como "A", descreve como se sente ao habitar o corpo de diferentes pessoas a cada 24 horas:

"Sou um andarilho e, por mais solitário que isso possa ser, também é uma tremenda libertação. Nunca vou me definir sob os mesmos critérios das outras pessoas. Nunca vou sentir a pressão dos amigos ou o fardo das expectativas dos pais. Posso considerar todo mundo parte de um todo, e me concentrar no todo, não nas partes. Aprendi a observar, muito melhor do que a maioria das pessoas faz. O passado não me ofusca, nem o futuro me motiva. Concentro-me no presente, porque é nele que estou destinado a viver."







Esse fragmento do livro ajuda a compreender o porquê se trata de uma historia  adolescente que tem muito mais a acrescentar para a reflexão dos que estão fora desse público muito jovem e é tomado por uma singularidade que outras adaptações recentes não apresentaram no Cinema. Protagonizado por Angourie Rice  no papel de Rhiannon, uma garota de 16 anos, Todo Dia  narra o encontro entre ela e A e a historia de amor e amizade que constroem juntos. Seria um namoro  como qualquer outro, porém A é uma alma que, a cada 24 horas, desperta no corpo de outro(a) adolescente de mesma idade, podendo assumir a vida de qualquer pessoa, independente de gênero, raça, biótipo etc. 


No começo da história, Rhiannon é uma daquelas adolescentes loiras e belas que tem um namorado bastante imaturo, possessivo e imbecil no Ensino Médio, Justin (Justice Smith). Ele não a enxerga na melhor acepção da palavra, ou seja, namora a garota bonita da escola mas não há um sentimento mútuo, caloroso por parte dele. Este comportamento dele arruina qualquer tentativa de amadurecimento do relacionamento. Certo dia, A entra na vida dela e a transformação do cotidiano é excitante a cada nova pessoa. Assim, a história é enriquecida por uma jornada de como amar uma pessoa diferente todo dia tendo ela a mesma "alma".






O curioso da modernidade da história é que, por mais que seja uma ideia aparentemente bizarra, ela tem três principais virtudes: engraçada, libertária e humana. É um excelente roteiro sobre como valorizar o presente, o amor e a diversidade que foi bem executado nas mãos do diretor Michael Sucsy que passou pela experiência de outra história de amor em "Para sempre" (The vow, 2012). É interessante como a forma de execução fluída, simples e despretensiosa estimula o envolvimento com a história, com uma edição que acondiciona  os diferentes momentos dos personagens, uma divertida troca de parceiros que, ainda assim, desenvolve a conexão entre A e Rihiannon. Bem louco mesmo!



Falando mais sobre essas virtudes, primeiramente, a faceta divertida é observar a mudança contínua de parceiros realizada pela garota sem que ela transmita uma ideia de ser volúvel e vulgar. A relação é desenvolvida com sinceridade e liberdade,  na qual ela é uma personagem que vem a quebrar o preconceito que muitos de nós teríamos ao dar de cara com um homem ou uma mulher que não nos atraia fisicamente. Este(a) parceiro(a) desconhecido que chega a cada 24 horas é uma forma de aceitar as diferenças e ver além das aparência, de estar inteiro para amar uma pessoa, de reconhecer que ela é muito mais do que um corpo e rosto bonitos, de uma condição social X , de um status Y.







Ao mesmo tempo, este casal é tão único e unido em uma só relação de afeto, mas também está aberto ao todo, ao sentimento de não posse. É como uma relação monogâmica com as múltiplas possibilidades de pansexualidade. Assim, o libertário é ocupar um corpo e se apaixonar um pouco mais a cada dia, é se permitir o novo e o diferente, é viver intensamente este presente que nem sempre nos permitimos nos apaixonar sem freios, medos e preconceitos. Diferente de Justin, o namorado babaca, "A" não trata a garota como um objeto de posse. Esta ideia é importante para compreender o todo.



A humanidade da história é incorporada nos diálogos entre Rhiannon e A e em como ele(a) a valoriza pouco a pouco e vice e versa. Em um mundo no qual as pessoas têm estado solitárias e depressivas, em especial, os mais jovens atormentados por seus ciclos de mudança, Todo dia traz este laço de companheirismo, afeto e esperança. Com delicadeza e diversão, o filme  entrega uma das coisas mais prazerosas do romance: É possível estar inteiro para o outro!, principalmente quando entra a figura de  Alexander (Owne Teague), um garoto que tem um jeito todo especial de ser, que tanto A quanto Rhiannon endossam como um cara incrível.








O longa também tem outras qualidades: trilha sonora e elenco.  Na trilha sonora, músicas como "This is the day" de The The, "What about us" de Pink, "Electric Love" de BØRNS e "May I have this Dance" de Meadowlark se destacam. Já o elenco é bem variado, reafirmando essa diversidade de tantos corpos, rostos e vidas que estão aí na existência. Entre as participações, está a nova juventude do Cinema e  TV  americanos: além de Justice  Smith, que recentemente participou de Jurassic World: O Reino Ameaçado, Ian Alexander (da série Netflix "The AO"), Jacob Batalon ( de Homem Aranha: de volta ao lar e Vingadores: Guerra infinita).


Todo dia é um filme agradável e eficiente como adaptação. Mesmo com uma história muito fora da caixa, não deve ser desacreditado pela audiência por abordar vários temas contemporâneos como gênero, relacionamentos, juventudes. Acima de tudo, é uma história que tem carisma,  fundamentada em uma questão maior e universal: a aceitação e o amor. É sobre amar e ser amado independente do jeito de ser. É sobre desejar o verdadeiro amor ao outro.  É sobre querer a felicidade de quem se ama. É sobre sentimento, o real.







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Cristiane Costa, MaDame Lumière

Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação O lançamento de Missão Impossível 3 ...

Missão: Impossível 3 (Mission: Impossible 3, 2006)




Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



O lançamento de Missão Impossível 3 (2006) representa a maturação da franquia após um desvio de identidade no filme antecessor. John Woo fez um dedicado trabalho de ação, entretanto, o filme perdeu em nuances dramáticas que, a partir deste terceiro filme, melhoraram substancialmente. Entre as novidades,  o influente produtor e diretor J. J Abrams, adaptado a investir seu tempo, estratégia e orçamento em grandes produções, assume a direção e coopera com o roteiro. Os roteiristas Alex Kurtzman e  Roberto Orci (de "A ilha")  oxigenizam a parceria e substituem Robert Towne. Para completar as mudanças significativas, Philip Seymour Hoffman ingressa como o vilão Owen Davian após realizar uma sólida atuação no drama Capote. 








J. J Abrams e Tom Cruise trabalham com elementos que são favoráveis ao desenvolvimento da franquia e de seu aperfeiçoamento dramático. Colocam o Ethan Hunt em maus lençóis mas também oferecem outras dimensões de natureza individual, aproximando o agente secreto do conflito vida pessoal x vida profissional. No começo, com uso de flashback e os benefícios da tensão, curiosidade e dúvida do espectador, o protagonista está em um cativeiro com uma nova personagem: sua esposa Julia (Michelle Monaghan). 



Pela primeira vez, Ethan Hunt tem uma vida comum a se apegar. Como ele conseguirá conviver com uma vida de casado? Como ocultará de quem ama o seu perigoso estilo de vida ? Quais os sentimentos que ele enfrentará?  Todos essas perguntas mobilizam uma conexão maior com o protagonista ao aproximar o público de sua humanidade. Para um agente que realiza tantas missões impossíveis, tornar Ethan Hunt um cidadão comum que se preocupa com a segurança da esposa e que tenta conciliar os diferentes papéis que exerce é, no mínimo, intrigante. 



Se no primeiro filme, Ethan Hunt era um garotão bem humorado e em começo de carreira, no segundo, um homem movido a paixões e explosões instantâneas. Agora, ele é um homem com sentimentos mais nobres que também vivencia o conflito de ser um agente secreto, fato que contribui essencialmente para corroborar a linha dramática que o personagem assumirá nos outros filmes. Ethan Hunt terá cada vez mais conflitos e estará mais vulnerável, mas também demonstrará um carisma tremendo para conquistar e manter amigos leais como  Benji (Simon Pegg) e Luther (Ving Rhames) . Genuinamente, ele é um homem bom e se preocupa com as pessoas, não é apenas um brilhante e potente agente da espionagem IMF.







Na história, o vilão Owen Davian tem um comportamento sádico, assim sua linha de vingança contra Ethan Hunt é fazê-lo sofrer matando, ameaçando e colocando em risco as pessoas de que Hunt gosta .  Neste contexto, a dinâmica do roteiro nasce a partir da morte da agente IMF  Lindsey Farris (Keri Russell), uma das profissionais recrutadas por Hunt. De forma muito acertada, antes mesmo de Julia aparecer como um romance sério, a narrativa trabalha as emoções do protagonista. Lindsey descobriu um segredo e não pôde ser salva. Tom Cruise atua de maneira mais sólida e consciente da dimensão emocional de seu personagem, com emoções de perda e culpa,  evidências que fazem o longa crescer em comparação às lacunas do filme anterior.






A história não atinge um ápice de qualidade excepcional, mas as melhorias são nítidas. Novas e exóticas locações, agentes duplos, ameaça de arma química e enfrentamentos pessoais  dão conta da narrativa. Por outro lado,  a oportunidade de tornar o vilão Owen Davian  estratégico e cerebral não é bem trabalhada. Levando em conta que  Philip Seymour Hoffman foi um dos atores modernos mais críveis e brilhantes que Hollywood já teve, seu personagem tem ataques exaltados de ego e fúria, quando, teria sido mais inteligente usar melhor a capacidade de cinismo e crueldade que o ator daria a este vilão. 



Prova de que o vilão poderia ter sido melhor dimensionado no conflito é a resolução do desfecho. Uma ação rápida, fácil e forçada, diferente da tensão do flashback do começo do filme na qual Owen Davian parecia que ia dar muito mais trabalho.








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Destaque no Cesar Awards com o prêmio de revelação dado à atriz e cantora Camélia Jordana , nova estrela do Cinema Francês, o long...

O Orgulho (Le Brio, 2017)







Destaque no Cesar Awards com o prêmio de revelação dado à atriz e cantora Camélia Jordana, nova estrela do Cinema Francês, o longa-metragem de Yvan Attal "O Orgulho" (Le Brio, 2017) entrou em cartaz nos Cinemas Brasileiros  este mês. Aborda temas bem contemporâneos na França: um novo perfil das juventudes francesas, a originária de imigrantes, pobre e  moradora das periferias, além do preconceito e a construção da linguagem na retórica. Temas que estão em linha a este controverso contexto.



Com a participação de Daniel Auteuil, o filme reúne uma emergente atriz francesa de ascendência Algeriana com um experiente ator francês nascido na década de 50 e de extensa filmografia. No plano da historia, uma mistura de atrito entre a geração Y e a baby boomer, o novo e o conservador, o pobre e o rico, o jovem e o velho,  o francês de família estrangeira e o francês classe média purista e privilegiado. Por outro lado, a historia possibilita ganho e troca de experiências entre um ator já estabelecido no Cinema Francês e uma nova estrela.







No início da historia, o primeiro choque: o professor Pierre Mazard  (Auteuil) mostra seu comportamento arrogante, racista e controverso ao expor e agredir verbalmente a aluna de origem árabe , Neila Salah (Jordana), em um amplo auditório cheio de alunos. Ela não baixa a guarda e nem ele, dessa forma, a historia segue para uma outra alternativa construtiva na qual eles aprendem a conviver um com outro. Para não ser demitido, Mazard recebe a responsabilidade de ser o mentor de Neila. Ela é aspirante à advogada. Ele vai prepara-la para um concurso de eloquência.


Desde esse primeiro momento, estamos diante de um filme ame ou odeie. Também tem a terceira posição: o público vir a nem amá-lo  e nem odiá-lo, apenas naturalizar as escolhas do diretor e entrar no clima do humor cômico  dramático.  A recepção do longa depende muito de como cada espectador recebe essas decisões tomadas pelo cineasta, afinal, Attal não teve muito tato no primeiro conflito entre os personagens e a execução irregular dá muito espaço para críticas negativas.



O diretor optou por uma escolha extremista ao colocar Pierre Mazard como um homem intelectual sem papas na língua e vazio em espírito solidário, sem qualquer respeito e educação com um aluno. Decisão bem radical que acaba criando uma cena  mais expositiva do que sugestiva, mais explícita do que implícita. E, no Cinema, o poder da sugestão é muito mais eficiente do que o choque pelo choque. Na maioria das vezes, o preconceito social e racial ocorre de forma muito mais cínica e violenta. Attal opta por várias situações nas quais ele expõe quem fala fora da língua padrão ao ridículo, como por exemplo, o namorado de Neila que, em distintas situações, é corrigido pela namorada.



Bem rapidamente,  a narrativa se posiciona de forma a desenvolver essa relação  amistosa entre Pierre e Neyla, a do homem branco privilegiado que ajuda a filha de imigrantes da periferia de Créteil. Essa escolha tem uma fronteira tênue que transita entre acreditar na confiança que ambos estabelecem ou simplesmente achar que a relação é uma grande enganação. Tudo isso faz parte da construção dessa linguagem, da retórica que constrói a própria narrativa.  No roteiro, optaram por dar uma chance para um homem racista, como se ele pudesse mudar da água para o vinho em pouco tempo. Tal decisão, aos olhos dos  espectadores mais realistas, certamente gera incômodo.  







O Orgulho é cheio de boas intenções, mas "o inferno está cheio de boas intenções". Assim, o filme perde em qualidade e credibilidade ao não se posicionar de maneira realista e não conformista. Pelo desenvolvimento, ele se assemelha a um faz de conta francês no qual o rico ajuda o pobre e ambos ganham. Até aí não havia tanto problema e era possível acreditar na boa intencionalidade dos momentos inspiradores como o desenvolvimento do potencial de Neila e a possibilidade de construir uma relação amistosa. 



Mas, é exatamente o último ato que  toma uma direção frustrante, pois reproduz a velha fórmula de como as coisas são e é natural as pessoas usarem umas as outras.  Com essas escolhas, o longa mostra como a persuasão vale mais do que a justiça e a honestidade.   Daniel Auteuil performa um personagem desagradável  com maestria, Camélia Jordana tem carisma e  é envolvente na atuação. Seus personagens  seduzem com a construção dessa linguagem.  Nesse ponto, o filme é funcional e merece algum crédito. Sua eloquência permanece como um discurso construído para mostrar como a França ainda é conservadora.






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Por  Cristiane Costa ,  Editora e blogueira crítica de Cinema, e specialista em Comunicação Missão Impossível 2 foi lan...

Missão: Impossível 2 (Mission: Impossible 2, 2000)






Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



Missão Impossível 2 foi lançado em 2000,  quatro anos após o debut da franquia. Sua execução evidencia uma clara mudança de prioridade narrativa: mais ação e menos suspense. Se o primeiro filme dirigido por Brian de Palma entrega uma experiência alicerçada no suspense e ação que encontram eco no estilo do diretor e em linha com a década de 90, em MI-2  John Woo realiza exatamente o que sabe fazer: a espetacularização da ação. 






Sua experiência como diretor em uma geografia asiática que tem tradição na coreografia de lutas, sequências de ação e violência interessaram ao projeto de continuidade da franquia que se encontrava em um divisor de águas. Dar sequência a um blockbuster de atenção às massas significava arriscar no espetáculo considerando que o primeiro mantinha uma estilização maior do thriller de espionagem. Nesse sentido, Tom Cruise muda sua imagem e investe em um filme explosivo. Aparece mais cabeludo, bronzeado e sarado. Logo de cara, ele introduz o filme escalando como um guerreiro imortal que acabou de voltar de uma viagem de férias de aventura.



O segundo filme é o mais frágil de todos embora preserve uma boa dose de agilidade e adrenalina na ação. Apesar de ser um entretenimento meramente visual, ele faz parte de um importante processo de aprendizagem da franquia que, felizmente, mudou a rota da linha dramática a partir do terceiro filme. Além do mais, John Woo estava ampliando a internacionalização de sua carreira nos Estados Unidos. Após realizar filmes com Nicolas Cage e John Travolta (A outra face, A Última Ameaça) e Jean Claude Van Dame (O Alvo), era consideravelmente expressivo trabalhar com um astro Tom Cruise em uma exponencial marca fílmica como MI, com alto orçamento e maior plateia.






Aqui, o fio narrativo de Missão Impossível é desconfigurado por uma temporada. Se antes Ethan Hunt preservava o trabalho em equipe alinhado a IMF e com participação de outros agentes secretos para o desenvolvimento de uma missão, em MI-2, ele é transformado em uma arma única, age mais sozinho e isolado. Fatalmente, essa característica do roteiro fragiliza a relação de Ethan Hunt com os demais personagens e com os conflitos. 



Mesmo escrito pelo experiente Robert Towne (de Chinatown), o roteiro é raso em vários sentidos, com escolhas que enfraqueceram a narrativa: a missão é bem simples, mais do mesmo; um vilão inexpressivo e caricatural, Sean Ambrose,  (Dougray Scott), uma amante para a qual é dado  um papel subserviente para atender os interesses dos homens da história (Thandie Newton). Para fragilizar ainda mais a figura da mulher, em determinadas falas dos personagens de Scott e Anthony Hopkins, há um tom  machista, como se ela servisse apenas para seduzir o apaixonado Ethan Hunt e o medíocre vilão. Usada como uma isca.







Ethan Hunt recruta a bela ladra Nyah (Newton), se envolve sexualmente com ela e a partir de então, a rivalidade entre ele e o vilão é agravada. O que deveria ser um assunto meramente do serviço secreto e para proteger a humanidade se desenvolve para um assunto pessoal entre homens.  Várias cenas são elaboradas para romantizar a situação: o encontro ao som da música flamenca, a sequência de perseguição com os carros e a libido entre Nyah e Hunt,  a imediata paixão entre eles,  o ciúmes dos homens. Ironicamente, mesmo que Nyah seja o ponto em comum entre Hunt e Ambrose, ela não é uma personagem feminina valorizada pelo roteiro.



As motivações de Ethan Hunt acabam sendo romantizadas e não combinam tanto com o IMF. Elementos do suspense, do imprevisível, da sugestão são deixados de lado.  Thandie Newton é subutilizada, o que mostra um conservadorismo na sua permanência, sem muito poder de ação. Para o bem dos fãs, a mulher na franquia ganhou um contorno mais ativo,  inteligente e relevante nos filmes vindouros.









Diante de tanta problemática, Missão: Impossível 2 deve ser encarado como uma experiência de espetáculo. Apenas pura diversão, com o benefício de ter excelente trilha sonora do genial Hans Zimmer! O longa reafirma que John Woo sabe fazer ação, inclusive as mais impensadas e improváveis. Ele exagera pra valer como se Ethan Hunt fosse indestrutível. De fato, há um ligeiro humor nessa ação exacerbada e historia fica em segundo plano. Tom Cruise se fortalece como um excepcional ator de ação.  Eles cumprem bem esse papel, assim, os admiradores de Cinema de ação se divertem sem esperar muito da linha dramática.



Sob a perspectiva de um agente secreto que age como um exército de um homem só, restou apenas a John Woo e equipe trabalhar com os aspectos técnicos da decupagem  das sequências de ações. O lado bom é que, a tempo, foi possível melhor os filmes posteriores do MI e consolidar o sucesso da franquia.







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Saudações cinéfilas,

Cristiane Costa, MaDame Lumière