quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Um Filme, uma canção: Amor Sem Fim (1981), Endless Love com Lionel Richie e Diana Ross


Um filme, uma canção por Madame Lumière
a combinação inesquecível para uma nostálgica emoção
com resenha integral do filme


Adaptado do romance 'Endless Love' de Scott Spencer, Amor Sem Fim tem foco argumentativo no primeiro amor adolescente, impregnando de muita paixão e obsessão e um desenrolar de fatos trágicos na vida de dois jovens: Jade (Brooke Shields) e David (Martin Hewitt). Em um determinado momento do namoro, eles são proibidos de se encontrarem. O pai de Jade, Hugh (Don Murray) se opõe ao relacionamento dado que os rotineiros encontros noturnos do casal estavam impedindo Jade de se dedicar aos estudos, e de dormir durante a noite. David não se conforma com a separação; impulsivamente toma uma decisão irresponsável e insana que coloca em risco a vida da família de Jade. Os desdobramentos são terríveis para os amantes, pondo em evidência a seguinte indagação: Este amor é 'sem fim' e resiste ao tempo, à distância, às mágoas e todos os tristes acontecimentos na vida de David e Jade?





Ainda que, como formadora de opinião de Cinema, considero este filme bem deficiente; como uma mulher de nostálgicos momentos cinematográficos, não posso excluir o valor que Amor sem Fim teve em minha ingênua e romântica juventude. Ele era o drama de um amor adolescente e eu era uma, compadecia a dor alheia de corações apaixonados. Para quem ama e acredita no Amor e sabe que há sofrimento em amar, Amor sem Fim é convidativo e sofrido. Por outro lado, o longa-metragem tinha de tudo para dar certo como Cinema e como uma sublime e realista história do primeiro amor se a orquestração do cineasta Franco Zefirelli e o roteiro de Judith Rascoe tivessem sido bem elaborados e enfocado a sensibilidade do otimista aflorar do amor e não do drama trágico, forçado. Zefirelli se enveredara em filmar mal pontuais e dramáticos desdobramentos que soam também cômicos. Perceba cenas como o atropelamento do pai de Jade, a briga entre David e Keith, irmão de Jade (James Spader), e o reencontro de David e Jade em um hotel de Nova York. Todos estes momentos são muito 'fake' e, na forma como são registrados, dão vazão ao riso ou ao ridículo de tanto estardalhaço trágico. Zefirelli deixa de lado o explorar genuíno dos sentimentos dos jovens amantes. Brooke Shields era a bela e desejada teen da época (desde Lagoa Azul, 1980), cuja beleza não salvou a tragédia de sua insossa atuação, e Martin Hewitt performa um pouco melhor que ela e tem um papel mais interessante, como o 'bonitinho, problemático obssessivo'.



Brooke e Martin eram bonitos, ficaram nus em cena, e formaram um casal com uma química bem sensual para suas idades ( no filme, ela tem 15 e ele 17 anos). O início do relacionamento apela para cenas em que Jade perde a virgindade, e parte para a 'prática' fazendo amor com David na madrugada. Basicamente a relação deles é filmada assim: o começo de uma obsessão mais carnal. Aí está um dos problemas de Amor sem Fim. Não há um desenvolvimento afetivo romântico no registro, e logo mais, os encontros são proibidos em definitivo e a película enfoca em dramatizar ao extremo o enredo como uma barata tragédia Shakespeariana em plena década de 80. As famílias de Jade e David não se odeiam como os Capuleto e Montecchio, porém Zefirelli traz um pouco de sua experiência 'de tragédias' como Romeu e Julieta (1968) e erra a mão no 'como enfocar tudo isso'. Registra a gratuita resistência familiar ao relacionamento, e desvirtua bastante o sentimento amoroso, dirigindo muito mais uma paixão obssessiva adolescente sem a linguagem envolvente do romantismo, e com bastante sofrimento desnecessário.




Com narrativa, direção e elenco fracos, Amor sem Fim ainda teve sua significativa participação no clima de romance dos anos 80, impulsionado por uma bonita canção-tema marcou a vida dos românticos. Para uma película bem abaixo da média, ela foi afortunada pela trilha sonora e salva pela bela composição musical 'Endless Love' de Lionel Richie, indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro em 1982, entre outras premiações. O sucesso de Endless Love foi tão estrondoso que ela se tornou hit oficial de inúmeros casamentos, foi regravada na voz de Mariah Carey e Luther Vandross, e mais recentemente em um dos mais populares seriados da TV Norte Americana, Glee . É um claro exemplo de canção que tem um peso primordial para o sucesso de uma película, convive com ela em uma relação simbiótica; a música carrega Amor sem Fim nas costas, tanto em sua forma cantada em 2 momentos chave como na versão instrumental; na sua primeira aparição, ela estabelece uma inesquecível comunicação entre os jovens apaixonados. Sua letra pode ter clichês românticos de frases bem prontas como ' você é o único em minha vida', 'nossos corações batem como um', no entanto é uma bela canção tão autêntica e cercada por uma aura de compromisso que é inevitável não pensar nela, com amor. Endless Love é como se fosse um juramento de amor eterno entre duas almas enamoradas, tanto que a composição é interpretada em dueto, com a participação de Diana Ross. Nisso reside a beleza e a emoção de Endless Love, uma melodia encantadora para uma promessa de amor sem fim.







Avaliação Madame Lumière:



Título Original: Endless Love
Origem: EUA
Gênero(s): Romance
Duração: 116 min
Diretor(a): Franco Zeffirelli
Roteirista(s): Judith Rascoe, baseado no livro 'Endless Love' de Scott Spencer
Elenco: Brooke Shields, Martin Hewitt, Shirley Knight, Don Murray, Richard Kiley, Beatrice Straight, Jimmy Spader, Ian Ziering, Robert Moore , Penelope Milford, Jan Miner, Salem Ludwig, Leon B. Stevens, Vida Wright, Jeff Marcus

3 comentários:

  1. O nome "Amor Sem Fim" não me é estranho, porém eu nunca o vi. Agora, Madame, este filme tem cara de conter 1001 falhas ainda mais pelo fato da sua cotação: 1 estrela, rs
    Mas eu acho que encarava, sabe... A música, é mesmo muito bonita, já havia ouvido em outros tempos.

    Abs.

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  2. Oi querida Dietrich, vizinha amiga!

    Faz tempo que não assisto este clássico romântico do Zeffirelli ou qualquer outro filme dele porque eles são fracos no comflito (até a longa versão dele de Jesus de Nazaré), mas lembro que o Tom Cruise tem uma participação no filme onde foi sua estréia no cinema. Lembro de pegar a capa do VhS na locadora com esta informação, mas como disse isso foi a MIL anos atrás, rs! Tinha uns 10 anos creio!

    Brooke Shields sempre linda até hoje. Gosto dela mais em A Lagoa Azul do que neste e o
    Martin Hewitt sumiu do mapa mesmo!

    A música canção Endles of love é muito bonita e um clássico incontestável. Nosso lado romântico é aceso com esta canção... pode parecer piegas o seu vizinho dizer isso, rs!

    A música serviu como trilha sonora também de muitos casamentos, rs!

    Vai ter um show aqui em SP do Lionel Richie ouvi na alpha FM!

    Endless Kisses!

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  3. Ahh, adorei o espaço a "Amor sem Fim" aqui no blog, MaDame. Afinal, esses filmes podreiras não devem ser esquecidos jamais.

    Não é brincadeira e nem pretendo criar polêmica, mas "Amor sem Fim", sem dúvidas, é uma das coisa mais ridículas que já tive o (des)prazer de assistir. Casal tosco envolvidos de um grande amor genuíno? Não me convenceu, pra mim são teenagers desvairados que conheceram o sexo e estão loucos para a fornicação rs. Até incluí eles na minha Cinelista dos 10 Piores Casais do Cinema =)

    Pior do que eles é a Shirley Knight reforçando o amor que os jovens sentem um pelo o outro. E Zeffirelli, que achei que mandou muito bem em "Romeu e Julieta", quis causar polêmica por opção, essa é a única interpretação que vejo ao adicionar cenas eróticas dos adolescentes. Não tenho absolutamente nada contra essa opção, mas se for para sustentar o falso amor dos protagonistas, acho completamente repulsivo.

    Filme idiota e dos mais bestiais já lançados. Só ficou na história pela bela música mesmo.


    Beijos!

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