terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Palavra do Diretor: 10 Citações sobre 'A Saga Crepúsculo: Eclipse' por David Slade



A dinâmica de filmagens nos bastidores da Saga Crepúsculo,assim como pressão e cobrança diante do sucesso da franquia confirmam que todo o diretor da saga 'come o pão que o vampiro amassou' mesmo que isso lhes renda notoriedade pública e reconhecimento financeiro. Seguindo a decisão da produção e diretoria executivas da Saga, cada filme tem um diretor diferente porque seria inviável contar com eles em películas subseqüentes considerando um cronograma tão agressivo entre pré-produção, produção e pós-produção. Dada a árdua tarefa de dirigir uma longa história como Twilight que, mesmo em sua limitação narrativa, tem que brilhar aos olhos da audiência de aficcionados, superar ou, no mínimo, manter o retorno monetário dos filmes anteriores, e encher o cofre da Summit, estes diretores merecem um certo crédito do público, principalmente David Slade, responsável pela direção de Eclipse, que foi o melhor filmado até agora, independente de detalhes do livro que ficaram de fora da adaptação para a tela grande.




Existem cinéfilos que ficaram surpresos ao vê-lo dirigindo este terceiro longa-metragem, a ponto de provocar a seguinte indagação Será que Slade vendeu a alma aos Volturi? Tal surpresa é porque Slade tem um lado 'cult, cool e dark' de ser cineasta que, a princípio, pode combinar com vampiros mas não com vampiros que brilham à luz do sol e são vegetarianos, são bons moços como Edward Cullen e estão inseridos em uma história de amor de Stephenie Meyer. Slade é mais obscuro! Seria mais coerente vê-lo dirigindo uma carnificina de lobisomens e vampiros em Anjos da Noite, por exemplo; porém o lado bom de vê-lo em Eclipse é que foi uma escolha bem acertada para o mundo mais violento, escuro e movido à ação que a fita deveria ter. O resultado foi positivo ao observar que ele conseguiu ter 'tato de cineasta em um blockbuster' e, harmonizar a faceta mais obscura de um exército de vampiros famintos, os recém-criados com a faceta romântica do triângulo amoroso, dando coesão de ambos os registros à atmosfera mítica do filme.

David Slade fez um ótimo trabalho com Menina Má.com e em 30 Dias de Noite, este último com vampiros bem cruéis, o que foi um ótimo background para ele conseguir a vaga de cineasta em Eclipse. Mas, o que pensa David Slade sobre Eclipse? Por razões óbvias de uma ética 'cinematográfica' e sobrevivência no trabalho, mesmo que ele tivesse odiado a saga e só a usou como um trampolim no currículo, ele não falaria mal dela. Por outro lado, o bom senso do inteligente diretor funcionou muito bem ao falar sobre Eclipse no Movie Companion book. De uma forma bem gentil, ele torna mais compreensível, em alguns elementos mencionados, o porquê Eclipse é o que é, logo é muito bom ouvir a palavra do Diretor, a qual dá à Eclipse uma condição de maior credibilidade fílmica. Confira 10 citações bem sacadas por David Slade:


1 - "O primeiro filme tratou de estabelecer o mundo Crepúsculo e apresentar Bella a Edward, disse Slade. "Lua Nova lidou com as emoções conflitantes de Bella em relação a Jacob. Eclipse trata de quanto esse mundo agora se torna complicado. Portanto, os personagens precisam ser mais maduros, a história é mais madura. As decisões dos personagens em cada cena levam consequências de vida ou de morte."

2 - "Foi um turbilhão, apenas duas semanas do primeiro telefonema ao começo do trabalho no roteiro. Todo o projeto era difícil e urgente, com datas de início e de conclusão determinada e uma data rígida e inalterável para a estreia. Seria um salto no abismo. O livro parecia vasto demais para caber em um filme. A história de Jasper e as origens da habilidade de transformação da tribo dos quileutes pareciam merecer um filme próprio. Mas o roteiro de Melissa me convenceu de que podia dar certo centrar na história de Bella e Edward e em todas as consequências da escolha dela de sair da vida humana para outra, imortal. Eclipse está enraizado no amadurecimento emocional que leva à escolha concreta de Bella."

3 - "Havia desafios em traduzir a imensa quantidade de informação sobrenatural em um drama emocionalmente poderoso...porém, ao ler o livro e o roteiro senti que essas coisas precisavam ser desenvolvidas de maneira crível. Isso significa não apmpliar muito os limites da física, manter as performances tão sutis quanto se faria em qualquer produção dramática. Quando me reuni com os atores, disse a eles que adotaríamos uma abordagem mais madura, porque os personagens estavam amadurecendo. Portanto, o mais sensato era que tudo seguisse nessa linha - que os efeitos especiais fossem tão invisíveis quanto possível, que qualquer trabalho de computador fosse feito com todo o cuidado para se integrar de forma contínua, sem emendas. A motivação para tudo aquilo era fornecida pela história; tudo girava em torno da complexidade desse mundo".

4 - "Eu disse aos atores: "Vocês sabem quem são e o que fizeram - mas estão evoluindo". Todas as dúvidas que um ator tem, todos os desafios da história, tudo isso pode mudar um personagem. Edward muda de Crepúsculo para Eclipse, passando por Lua Nova - ele é diferente inclusive no início e no final de Eclipse. Há um processo de compreensão do texto e do ponto de vista e de todas as pequeninas facetas da história, e isso tudo antes de se chegar à frente das câmeras. Se eu dou uma orientação, é um caso de por que e depois porquê. Todas essas coisas se somam e resultam no desempenho que você vê na tela."

5 - "Minha abordagem era entrar nesse mundo e dizer: "Eu acredito nisso! Pode acontecer!" Os lobos eram as estrelas heroicas no segundo filme, mas nesse eles seriam parte da paisagem, tão reais quanto as árvores, as casas, tudo. Por isso meu objetivo inicial para os lobos era o fotorrealismo... Em Eclipse era uma questão de ponto de vista, não de aprimoramento [técnico]. É claro , se você está olhando para um lobo de 3,5 metros vai ficar fascinado. Mas nesse filme não era tão importante mostrar quanto os lobos são fascinantes. Agora eles tinham de fazer parte desse mundo, integrar-se a ele, porque há muitas coisas que vão causar fascínio, medo e outras emoções."





6 - "Victoria é movida por um dos grandes impulsos na tradição teatral: vingança... Eu gostaria de pensar que ela tem prioridades. Talvez ame Riley de alguma maneira, mas, na verdade,é a vingança que a motiva, e num determinado ponto ela vai abandonar tudo para ir atrás disso".

7 - "Os recém-criados não são zumbis, não são monstros. São, essencialmente, pessoas que não têm controle quando sentem cheiro de sangue. O público não quer simplificação, por isso mantivemos tudo tão sutil e natural quanto possível."

8 - "Eu nunca escolho entre estilo e realismo - para mim tudo é realismo. Acho que filmar em preto e branco, por exemplo, quando você volta ao passado é conduzir o público, e ele é mais sofisticado que isso... Nas histórias de Jasper e Rosalie mostramos vampiros quando eles ainda estavam em sua forma humana - ninguém jamais viu isso antes! Quando você considera quanto esses filmes são bem recebidos, quantas pessoas os verão, é uma imensa responsabilidade. Por isso quis mostrar como Jasper era, como era sua pele, e não podia mostrar nada disso em preto e branco."

9 - "A cor é um importante gatilho emocional e Javier (Aguirresarobe, diretor de fotografia) e eu conversamos muito durante a pré-produção sobre as cores de cada cena e qual deveria ser a cor final. A cor é um importante componente emocional. Você pode não notá-la, mas vai sentí-la. Não se trata de alguma coisa ter de ser quente ou fria, malva ou vermelha. Tudo depende do que é necessário para cada cena."

10 - "Você está tão envolvido com aquilo, sabe?" Todo dia as pessoas olham para você, o diretor, e esperam por sua orientação...todos têm uma necessidade, e você precisa saber a resposta. Mas para mim,ser diretor é uma posição muito gratificante, apesar das frustrações e dificuldades."




Fonte citações: Guia oficial ilustrado do filme Eclipse, Mark Cotta Vaz. Entrevista via Youtube.com

6 comentários:

  1. Muito boa a entrevista, gostei de ver o ponto de vista do diretor.

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  2. Boas citações, mas, mesmo assim, não o perdoo pela adaptação meia boca que fez do melhor livro da série escrita pela Stephenie Meyer.

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  3. Muito boas as observações de Slade. Até pensei em comprar este livro madame, mas relevei. Coube a você filtrar o que havia de mais importante ali e brindar seus leitores aqui.
    Bjs

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  4. Muito bacana esse post, colocou o ponto de vista do diretor em torno da Saga. Gosto de Slade, pelo filme MeninaMá.Com que é muito bacana. Mas, Eclipse, bem... achei fraco!

    Abs.

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  5. Concordo com vc, Kamila.
    Ver um Edward evoluído, tudo bem. Mas, um "corno manso, descontrolado e ciumento"??? Não tem perdão. Eles exageraram DEMAIS na importância do triângulo amoroso.
    O pior pra mim foi ver a indiferença crescente da Bella por aquele que - no livro - é o CENTRO ABSOLUTO de seu universo!!!
    Eu terminei o filme - e continuo até hoje - sem enterder pq a Bella não ficou com o Jake. Ela parecia se importar demais e só com ele, enquanto não dava a minima se estava magoando o namorado (de novo, o oposto do livro!!!).
    De novo, não tem perdão!!
    O filme tem seus méritos, mas tanta distorção - e, não, mera evolução - da personalidade dos personagens principais, colocaram o David Slade e a Melissa na minha lista negra e me deixa EXTREMAMENTE apreensiva com o que virá em Amanhecer...

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  6. tambem concordo com comentario a cima, odiei mesmo o filme, que isso tiraram toda a pureza do amor de bella para com edward, mstrou que ele a ama muito mais do que ela a ele, parecia que ela ama apenas jacob, mas escolheru edward por causa do poder como deixou claro no final, pessimo. desanimei

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