domingo, 10 de abril de 2011

A Empregada (Hanyo / The Housemaid) - 2010



A talentosa atriz Sul-Coreana Do-yen-Jeo, premiada como melhor atriz no Festival de Cannes 2007 pela performance em Milyang (Secret Sunshine) está de volta à Tela Grande no remake do clássico Hayno (1960, de Ki-young-Kim). Sob a direção de Sang-soo Im, Do-Yen-Jeo é Eun-yi, uma empregada doméstica que é contratada pela governanta Byung-sik (Yeo-jeong Yun) para trabalhar na casa de uma milionária família burguesa. A jovem empregada e seu patrão Hoon (Jung-Jae Lee) se envolvem sexualmente em um jogo de sedução que coloca em risco a vida dela e as falsas aparências do casamento de Hoon e sua esposa Haera (Seo Woo), grávida de gêmeos e mãe da pequena Nami (Seo-Hyeon Ahn, ótima atriz). O adultério dura pouco, porém o suficiente para trazer sequelas irreparáveis para a educada, dócil e ingênua Eun-yi que acaba representando uma ameaça para a família e se torna vítima de uma conspiração tramada por Haera e sua perigosa mãe (Park Ji-Young), que estão dispostas a qualquer atrocidade para eliminar a empregada do caminho. O remake foi bem recebido que chegou a entrar na competição oficial do Festival de Cannes 2010.





Sob a perspectiva do Erotismo, a narrativa é desenvolvida a partir de um argumento fetichista que é a relação sexual entre patrão e empregada, uma fantasia que habita o imaginário coletivo, no entanto, em momento algum, o filme desrespeita as empregadas domésticas e as trata como levianas que transam com os maridos alheios; pelo contrário, na interpretação da talentosa atriz, a empregada é uma vítima mesmo que nao seja inocente e tenha se rendido aos prazeres carnais. Além disso, a produção, como Cinema Asiático, tem realista direção, competente elenco e o desenvolvimento da narrativa e dos personagens são cuidadosos em não vulgarizar a passionalidade dos asiáticos e o adultério em questão, juntos eles cooperam para que o filme tenha um olhar interessante, mesclando drama, erotismo, suspense, terror e tragédia. No geral, muito da qualidade da fita está na excelente performance de Don-yen-Jeo e como seu fragil personagem foi concebido para tornar coerente o seu drama posterior. Ela é uma empregada dedicada, discreta e dócil, principalmente com Nami, a inteligente e educada filha do casal. Existem cenas que são incluídas para reforçar o quanto sua relação amorosa com a criança e a patroa grávida de gêmeos evidencia que ela não é uma vadia. Quando ela conhece Hoon, sugere claramente que o patrão lhe atraí, afinal, um homem rico, bem vestido, apreciador de bons vinhos e de música clássica e que toca um piano como ninguém.Sendo uma mulher submissa alem do oficio, que se comporta como se tivesse o gene do servir e do pedir desculpas, facilmente ela obedecerá o seu chefe, mesmo que seja para agraciá-lo repentinamente com sexo oral na calada da noite. Aliás, é certo dizer que ela cede ao jogo de sedução e o deseja, mas também é procurada para ingressar nesse jogo, considerando que Hoon tem uma esposa grávida que, pela sua atual condição, não consegue satisfazer plenamente o tesão do marido.




A infidelidade é somente mais uma faceta do filme, o qual traz outros elementos sociais bem marcados na Coréia do Sul como a disparidade entre ricos e pobres e o suicídio como solução para os males individuais. Atualmente A Coréia do Sul registra um dos maiores índices de suicídio do mundo e teve como um dos suicídios mais famosos, o do ex-presidente Roh-Moo-Hyun em 2008. Infelizmente, o thriller poderia ter desenvolvido mais os personagens dado o rico material psicológico e erótico para a trama, mas o roteiro se empenhou mais em infernizar a vida da pobre empregada e colocar sobre as suas costas todo o drama de uma sociedade desigual e suicida. Com isso, assistir ao filme é um exercício um pouco assustador a partir de um determinado ponto da fita, com direito a um suspense Hitchcockiano e um desfecho tão cômico-trágico que dá vontade de rir e de chorar. A forma como Eun-yi é tratada pela família rica após a descoberta do adultério e de sua gravidez e um mero capricho de prejudica-la a exaustao, afinal, poderiam ser mais praticos e demiti-la. Maquiavelicamente, ela é ameaçada de morte, aprisionada dentro da casa da família burguesa, ignorada por Hoon, enganada pela traiçoeira governanta. Eun-yi está sozinha e sua frágil condição a envolverá em uma trama de vingança e morte. Com tal desenvolvimento dramatico porem ainda raso, o argumento se fragiliza e evolue para um dramalhão asiático no qual a pseudoharmonia do casamento e da familia permanecem e a condenacao e para os poucos que queimam e sao enforcados como pecadores autofragelados.



Avaliacao





Título original: Hanyo Origem: Coreia do Sul Gênero(s): drama, suspense Duração: 106 min Diretor: Sang-soo Im Roteirista: Sang-soo Im Elenco: Don-yen-jeo, Yeo-Jeong-Yun, Jung-Jae-Lee, Seo-Hyeon Ahn, etc.

3 comentários:

  1. O texto me deixou curiosa para conferir o filme, que eu não conhecia!

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  2. Madame, eu vi um blogueiro comentando sobre esse filme - segundo ele, é um bom trabalho e a atriz principal muito boa. Seu texto, como sempre, despertou meu interesse. Vou conferir, já coloquei pra baixar, viu? adoro seus filmes eróticos e sensuais, traga mais, rs!

    mas, ei, manda uma lista com dicas, viu? tem uns aqui que nunca havia tido conhecimento.

    bjs!

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  3. Desde a repercussão em Cannes que eu quero ver este filme. A cinematografia sul coreana é das mais vistosas no momento (prova disso é a profusão de títulos nos últimos festivais de cinema). Mesmo que The housemaid não se sustente em sua ambivalência, me parece um filme muito interessante.
    Bjs

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