quarta-feira, 20 de abril de 2011

Especial Cinema: Filme Amor? e sua música - Entrevista: Lenine



"Eu sempre tive uma relação muito especial com a música em suas mais variadas manifestações, principalmente a música em sintonia com o Cinema, nesse apoteótico diálogo entre duas Artes que se encontram, se abraçam e se amam...mas se há uma música que se conecta muito comigo é a canção Beatriz, composição de Edu Lobo e Chico Buarque. Ela já era uma das minhas canções, mesmo sem se chamar meu nome. Ao escutá-la em uma comovente versão instrumental durante o filme Amor?, meu coração apertou forte e eu pensei: Até na canção, o novo filme do João Jardim conversa comigo...isso não seria diferente, a música de Amor? está em bons corações, os de poetas. A trilha sonora composta por Lenine e seu filho Bruno Giorgi é sublime... e só evidencia o quanto Lenine é um músico singular e um dos melhores do país. A escolha divinamente bem acertada de Beatriz aflora mais e mais minha comoção por Amor? porque, na minha sentimental interpretação, eu fiquei pensando nesse mistério das Beatrizes, que "choram em um quarto de hotel". Será que as Beatrizes não poderiam ser as mulheres que sofrem violência nas relações amorosas, tristes ou fragéis como louças, que escondem a sua tristeza, paixão e ciùmes como uma atriz?"


(Madame Lumière, em sensíveis e musicais pensamentos ao som de Beatriz)



Por quê o caminho escolhido para a trilha sonora de recriar clássicos da musica brasileira como Carinhoso e Beatriz ?

A impressão que eu tenho é que foi o filme que pediu. Quando o João mostrou um primeiro tratamento do filme, a gente conversou e eu achei que a música não deveria solar. A segunda coisa que eu pensei foi que deveria ser um ‘onde está Wally’: transformar as canções de uma maneira bem simples, sem muitos elementos sonoros, de
forma que a melodia, que está tão impregnada no inconsciente das pessoas, pudesse ser reconhecida a partir da quinta nota.

Como o filme é duro, no sentido de apresentar sempre os depoimentos, e de conteúdo pesado, sofrido, eu sempre achei, desde a primeira impressão, que a música deveria fazer esse contraponto de leveza, de doçura. E quis trabalhar sempre com o mínimo.

Eu sou muito movido, não pela primeira impressão porque essa em geral a gente descarta. Aí tem uma segunda, e descarta de novo. Tem a terceira, e descarta. Aí tem uma quarta e é aquela que vale. Às vezes, essa quarta é a primeira que você teve. E quando isso se confirma é muito bacana porque você teve aquele insight naquele
primeiro momento. E isso aconteceu realmente. Na primeira vez que eu encontrei com o João, eu falei que a gente deveria pinçar algumas canções que fossem bem pontuais e pudessem não gritar, mas ter uma delicadeza que funcionasse como um respiro sonoro. E que fossem identificáveis, canções que estivessem no inconsciente. E esse foi o grande estímulo.


Peguei grandes solistas para interpretar as canções. E aí mexi um pouquinho nelas, pra transformá-las, não entregar de primeira. Teve só um problema: escolher dentro do cancioneiro brasileiro canções pontuais como essas que pudessem transmitir o que a gente queria: uma delicadeza, uma leveza.

Algum critério para escolha das músicas ?

Procurar a beleza, mas dizer isso, não é dizer muito. Ou é dizer tudo.



Para assistir ao vídeo de Lenine falando sobre a trilha sonora, clique aqui.

Um comentário:

  1. Nossa Madame, incrível esses "especiais" do filme "Amor?", preciso dizer que amei e fiquei super curioso em conferir? Com certeza, não!!! Demais. Parabéns o/

    Beijos.

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