terça-feira, 19 de abril de 2011

Especial Cinema: Filme Amor? Conversa com Heloisa Passos, Diretora de Fotografia




Ator Angelo Antonio em fotografia de Heloisa Passos




"Após assistir Amor?, além de todos os processos de identificação que tive com aqueles sentimentos diversos e intensamente verdadeiros expostos pelos depoimentos, uma das maiores intimidades que tive com o filme foi a fotografia de Heloisa Passos. É um trabalho belíssimo em sintonia com a proposta do argumento e da revigorante linguagem cinematográfica desse híbrido filme. Uma fotografia palpável e visceral e, ao memso tempo, de um lirismo cotidiano, a qual combina com a poesia da câmera de João Jardim e com a veracidade daquelas marcantes e passionais histórias. A fotografia de Amor? tem um poder que lhe é tão próprio, o de atuar como um espelho, um reflexo íntimo das minhas emoções durante a projeção. Ela reflete as emoções que aquelas histórias encontraram em mim."


(MaDame Lumière, confissões após a experiência com a fotografia de Amor?)



Amor? é um filme que foge de qualquer padrão. É e não é uma ficção. Do ponto de vista da direção de fotografia, em que medida esta diferença influenciou a sua narrativa fotográfica?

Heloísa Passos - Eu e João começamos fazendo testes para descobrir que câmera usaríamos no filme. Buscávamos algo capaz de imprimir com fidelidade a pele – afinal é um filme onde o movimento está na respiração de cada palavra. Depois de testarmos as câmeras digitais do mercado, não conseguimos pensar em outra coisa a não ser o suporte do negativo 16mm.



A minha narrativa fotográfica neste filme entra quando consigo junto com o diretor/ produtor propor entrelaçamento da porosidade da pele com o grão do negativo. Decidi, então, pelo negativo asa 500, e batalhei muito para um jogo de lentes com ótica, que alia uma belíssima definição a uma impressão suave.




Atriz Julia Lemmertz em fotografia de Heloisa Passos




Como foi a experiência de trabalhar com atores e ter os movimentos de câmera “tolhidos” pela estética econômica do documentário? Dentro desse contexto, que critérios você adotou para “tirar leite de pedra” e chegar aonde queria?

Heloisa Passos - Amor? é um filme palavra/sentimento, onde o movimento está na respiração de cada ator. O quadro estático e a proximidade dos atores com a câmera frontal me levou a entender, de imediato, que eu estava trabalhando com intérpretes de uma presença intensa e única. Não posso deixar de registrar aqui que foi um privilégio trabalhar com os atores com que trabalhei.

Nos depoimentos, trabalhamos com duas câmeras super 16mm – a frontal que citei acima e uma segunda câmera que fazia o perfil dos atores sem preocupação com o eixo, em tomadas que chamávamos de ‘esfinge’. A câmera frontal rodava o tempo todo e a do perfil rodava partes fundamentais para a montagem do filme. A Kika operou de forma magistral esta segunda câmera, que trabalhava com uma zoom onde os quadros variavam de fechados para super fechados. E é claro que o João tinha o comando de rodar e cortar esta câmera. A câmera frontal, que eu operava fazendo movimentos quase imperceptíveis, funcionou como o que eu chamo de “câmera de composição”. Escolher uma lente grande angular e estar a 90cm da Julia Lemmertz foi uma experiência inesquecível. Ou melhor, uma experiência cinematográfica para sempre. Quando fui marcar a luz do filme, pude entender a coragem dos atores e a nossa própria coragem de respirar tão visceralmente o filme com eles.




Fonte: Entrevista via PressBook - Amor O Filme?
Créditos Fotos: Heloísa Passos



Acompanhe o especial Amor? com informações sobre esse excelente trabalho de João Jardim.


Em breve, resenha do filme por MaDame Lumière

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