domingo, 3 de abril de 2011

Deite Comigo (Lie with me) - 2005


Existem pessoas que já se acostumaram tanto com o sexo casual que, ou se esqueceram ou não sabem o que é o amor. Leila (Lauren Lee Smith) é uma delas. Totalmente descompromissada e avessa a qualquer comprometimento nas relações, ela é uma jovem garota, adicta por sexo, que procura o prazer de diversas formas: da masturbação assistindo vídeos pornôs à casualidade de encontros com homens desconhecidos, Leila gosta de transar e desconhece os rituais mais misteriosos da sedução que guardam em si uma irresistível tensão pelo coito. Ela só quer sentir o pênis de um homem dentro dela, nada mais. Com isso, ela se vulgariza e, no desenrolar do filme (felizmente), ela se humaniza com relação ao sexo e ao amor ao encontrar com David (Eric Balouf). Deite Comigo é muito mais que um controverso filme no qual o sexo é a matéria prima principal, ele é uma história de amor, o que implica que a ninfomaníaca Leila se revela apaixonada e abre o coração para um único homem.





Deite Comigo é um filme mais trash na categoria dele e, sem delongar, ele é um drama erótico com cenas explícitas para reforçar o quanto o sexo é a base do filme e o quanto é convidativo ser voyeur de cenas quentes, porém está longe de ser um pornô e é mais comportado em termos de imagens fílmicas que Garganta Profunda e Império dos Sentidos que são filmes ultraeróticos com close-ups escancarados nas partes genitais e nas cenas de sexo oral. Por outro lado, em comparação a esses, Deite Comigo perde no status de Cinema porque é um filme cujo roteiro e direção são pobres, e o texto é mais escrachado no linguajar do sexo selvagem, além disso perde bastante ao não atuar no desenvolvimento dos personagens de forma mais inteligente, sensual e dramática. Até metade do filme, há que ter coragem para ver onde a cabeça imatura e fanática por sexo de Leila a levará, além do mais, a previsibilidade das cenas eróticas só afirmam que, quando o assunto é sexo como uma transa casual, o Cinema pouco inova , logo resta curtir a beleza física de Eric e Lauren e a química sexual entre eles. Para a grande surpresa, mais adiante, o sexo é deixado em segundo plano, ingressando a narrativa no drama de Leila em aceitar que está apaixonada e não é feliz sem David. Ambos têm lacunas familiares e estão sofrendo. Ela, pela separação dos pais. Ele, pela morte do pai. Situações pessoais que os fragilizam em meio à tórrida paixão e que poderiam ter sido desenvolvidas.





Dirigido por Clément Virgo e baseado no romance erótico de Tamara Berger, Deite Comigo tem narrativa em off de Leila em boa parte da película, que conta os seus pensamentos a respeito do sexo. Dada essa característica, ele lembra o espanhol Diário Proibido de Christina Molina, Os diálogos são poucos o que leva ao empobrecimento do filme quando o que sobra é mostrar seios, vagina, pênis e bunda. No geral, o problema do filme não é o sexo explícito em si, mas como ele poderia ser mais elegante, mais sensual, menos direto, menos óbvio. O desejo poderia ser mais tenso e, portanto, mais intensamente eficaz. Por outro lado, o filme ganha uma força maior a medida que se aproxima do seu desfecho e, por conta disso, deixa de ser um filme muito oco, um mero entretenimento sexual. Ele se romantiza, Leila se torna menos feroz sexualmente e tem que lidar com o despertar de sentimentos amorosos. Até recursos como a suave trilha sonora e o elenco codjuvante são utilizados para mostrar que Leila está em um momento de amadurecimento. A beleza sensual de Lauren Lee Smith passa para uma faceta mais fragilizada, mais delicada e angelical e, enquanto Eric Balouf é mais um corpo moreno, sarado e bonito sem uma expressividade mais qualitativa como ator, é Lauren a expressão da mulher promíscua que adora o prazer do sexo casual e que, sem saber por completo, só deseja ser amada por um homem só.



Avaliação MaDame Lumière





Título Original: Lie with me

Origem: Canada

Gênero(s): Drama Duração: 93 min Diretor(a): Clèment Virgo

Roteirista(s): Clèment Virgo

Elenco: Lauren Lee Smith, Eric Balouf, etc.

3 comentários:

  1. Vixxe, lembrei de "Último tango em paris". Só que pelo visto este não chega nem aos pés do já clássico de Bertolucci, hehehe É o típico filme que não fico tão curioso, mas se eu ver numa prateleira na locadora eu pego!

    abs :D

    ResponderExcluir
  2. Já eu fiquei extremamente curioso, rs

    É do tipo de abordagem que, ainda que não seja tão bem concebida, tem tudo a ver com o universo do Apimentário, e é do tipo de filme que, querendo ou não, me instiga...provoca o interesse, quero ver! vou baixar agora!


    beijos, rs

    ResponderExcluir
  3. Fiquei curioso apenas pelas cenas de nudez darling do que pelo filme. Pelo menos os closes no Eric Balouf são sinceros em um sexo hetero. Rs!

    beijos
    ótima crítica.

    ResponderExcluir

Prezado(a) leitor(a)

Obrigada pelo seu interesse em comentar no MaDame Lumiére. Sua participação é muito importante para trocarmos percepções e informações sobre a fascinante Sétima Arte.
Madame Lumière é um blog democrático e sério, logo você é livre para elogiar ou criticar o filme assim como qualquer comentário dentro do assunto cinema. No entanto, serão rejeitadas mensagens que insultem, difamem ou desrespeitem a autora do blog assim como qualquer ataque pessoal ofensivo a leitores do blog e suas opiniões. Também não serão aceitos comentários com propósitos propagandistas, obscenos, persecutórios, racistas, etc.
Caso não concorde com a opinião cinéfila de alguém, saiba como respondê-la educadamente. Opiniões distintas são bem vindas e enriquecem a discussão.

Saudações cinéfilas,

MaDame Lumière