segunda-feira, 25 de abril de 2011

Luzes da Cidade (City Lights) - 1931






Luzes da Cidade, escrito, dirigido e atuado pelo icônico Charles Chaplin é um clássico perfeito para se apaixonar pelo trabalho do cineasta e pelo seu adorável personagem, o adorável vagabundo, andarilho carismático, pobre na sua condição material, mas um refinado cavalheiro em seu coração, de imensurável valor comportamental. O filme tem vários elementos na narrativa e estética que trazem a excepcional assinatura cinematográfica de Charles Chaplin, além de ser um clássico inesquecível como comédia romântica, eternalizada na memória do Cinema como a história na qual o vagabundo se apaixonada pela bela, humilde e cega florista (Virginia Cherrill) e envolve-se em variadas aventuras para ajudá-la em diferentes momentos: durante uma enfermidade, uma dificuldade no pagamento do aluguel e na recuperação da visão. Luzes da Cidade é um clássico absoluto que faz rir e chorar porque se fundamenta no estilo único de Charles Chaplin: o de um gentleman com nobreza de coração, expressa através de suas mensagens e atitudes dentro, através e além da Tela Grande. Ele é a mente criativa e perfeccionista cujo talento diferenciado o fez transitar de uma infância miserável para o status de um dos principais cineastas e executivos do Cinema, calcando a posição de sócio da United Artists. Ele é m ator com singular senso de humor e vigor físico para o Slapstick - a comédia pastelão, sendo um artista completo, da elaboração e direção de seus próprios filmes aos trejeitos únicos e expressivo poder sobre a câmera para performar a comédia física muda. Definitivamente, Chaplin é inimitável e isso o torna um mito, uma força da natureza dentro da Sétima Arte.










Luzes da Cidade foi criado em 1931, quatro anos após o advento do Cinema Falado. Chaplin optou por se manter fiel à comédia pastelão que o consagrou e da qual ele se inspirava em seu ídolo, o comediante Francês Max Linder. Ainda que os personagens não falem uma só palavra no longa, ele tem características sonoras com utilização de música e sons incluídos em tomadas de tombos, perseguições e toda a bagunça feita pelo Vagabundo. Em sua maioria, o filme não se apóia somente na paixão do pobretão pela Florista e isso é um mérito de como Chaplin escrevia bem uma narrativa pastelã, mesclando o romance com a comédia de ação, acelerada e acrobática, na qual tudo se encaixa em cada sequência para levar a audiência à emoção do desfecho. Na história, o Vagabundo conhece a jovem cega e compra uma flor dela com o último centavo que lhe restava no bolso. Essa ação já sinaliza que não é só o encantamento que o move a essa atitude, mas o quão ele é um verdadeiro cavalheiro. O fato dela não enxergá-lo fisicamente faz parte do charme, da poesia e da intenção da fita porque, se ela o visse todo sujo e maltrapilho, talvez não o aceitaria como ele é, fixando-se somente em uma imagem externa de beleza e status social que a impediria de vê-lo além da casca. Mesmo assim, ela pensa que ele é um milionário e, por ser uma mulher solteira e solitária, sonha em encontrar um amor. Por uma coincidência, ele conhece um rico homem (Harry Myers) que, quando está bêbado, adora o Vagabundo e quando está sóbrio ignora-o. A inclusão do personagem de classe abastada não é gratuita e é muito interessante na história; além de colaborar para divertidas cenas, o rico homem é um suicida que tem sua vida salva pelo Vagabundo, que demonstra sua amizade e lealdade para o milionário. Dessa forma, Chaplin une um homem da alta sociedade, infeliz e mal humorado, que precisa estar bêbado para aceitar a amizade das pessoas e um sincero homem pobre, sem teto, que não desiste da amizade mesmo quando é ignorado e esquecido pelo ricaço.













Virginia Cherrill, no papel da cega Florista, tem uma intepretação coadjuvante exemplar. Delicadeza e fragilidade não a tornam uma mulher fraca, pelo contrário, bonita e simpática, ela vive com sua avó, não tem namorado, não tem a visão, mas tem um belo e nobre ofício: vende flores, e sustenta a casa. Ela esbanja um terno sorriso como se desabrochasse como uma flor iluminada a cada tomada, isso lhe dá uma força incrível como personagem. Chaplin é o carisma em pessoa, basta observar o emblemático sorriso no desfecho do filme, exatamente o da foto acima. Ele se consagra mais uma vez como um comediante acrobática e de excepcional multidisciplinaridade e autoria no Cinema. Ele entra e saí de várias confusões com naturalidade e otimismo, ele é o Vagabundo e a sintonia com esse antológico personagem de Chaplin é imediata, é como se o Cineasta estivesse vivo e diante dos olhos da plateia, reforçando o quanto Charles Chaplin é eterno, insubstituível. Da fuga da polícia e de ladrões a lutador de boxe por um dia, não há tempo ruim para o Vagabundo. O seu estilo cômico e carismático diverte e encanta, e no seu maior valor interpretativo, a atuação de Chaplin é uma aula sobre a grandeza de um personagem, de como ele cria vida própria no Cinema, permanece no tempo atemporal. Assim também, a cena do desfecho de Luzes da Cidade está entre os melhores finais da história da Sétima Arte porque tem o benefício de fazer com que o público se emocione com a magnitude cinematográfica do encontro da florista com o Vagabundo, a pergunta que ele fez e como ela o toca e olha. É um final que faz o público pensar: O que aconteceu após essa cena? Estão juntos ou separados? Casaram-se e tiveram filhos? Ou nunca mais se encontraram?. Um final que não precisa ser complementado por uma outra cena ou por um diálogo, apenas pela imaginação da plateia. Um belo e simples desfecho que não deveria se chamar de final porque ele tem essa magia de se perpetuar na mente e no coração do público, o de se eternalizar no Cinema.



Avaliação MaDame Lumiere





Título original: City Lights
Origem: EUA
Gênero: Comédia, Comédia Romântica
Duração: 87 min
Diretor(a): Charles Chaplin
Roteirista(s): Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Virginia Cherrill, Florence Lee

4 comentários:

  1. Um filme perfeito darling, daqueles que marcam.
    O sorriso final de Chaplin é a prova de sua pantomina.

    Grande clássico!
    Bjs.
    RODRIGO

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  2. Não chego a dizer que é o melhor de charles chaplin, até porque, adoro "Tempos Modernos", mas é um fime tão especial e particular... Vale cada estrela que ganhou e todo elogio seria pouco! O que é a cena final? Demais!! Cinema puro!

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  3. Filme pra vida. Dos mais engraçados e emocionantes que se tem nota. Charlie Chaplin acerta até quando erra. Gênio inestimável e insubstituível.

    Excelente texto, MaDame. Como sempre.
    Bom te ver novamente na ativa - em filmes, não em séries hehehe


    bjs!

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  4. Um clássico absoluto do cinema, Madame! Charles Chaplin é Charles Chaplin! :)

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