terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Sex and the City - O Filme ( 2008 )

Contarei-lhes um segredinho que talvez não surpreenda o cinéfilo que ame a Série Sex and the City, baseada na obra homônima de Candice Bushnell: Definitivamente no (su)rreal mundo das transferências e das afetivas problemáticas, durante 6 temporadas e, com direito a ter todas as boxes da série, eu adotei 4 amigas imaginativamente reais entre 30 e 45 anos, cosmopolitas, estilosas e companheiras de guerra no vai e vem da busca do sexo bom e do verdadeiro amor. Eu sou absolutamente uma seguidora fiel de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), Samantha Jones (Kim Catrall), Miranda Robbes(Cynthia Nixon) e Charlotte York(Kristin Davis) e nunca me doei tanto em uma relação de lealdade total a estas protagonistas e suas aventuras. Não seria diferente ao assistir e (re)assistir a primeira produção para o cinema da Série das garotas de Nova York que, para a alegria dos fãs confessos, lançará sua segunda edição em Maio de 2010.


Mesmo que eu tenha vários pontos em comum com todas elas, assumo que minha vida é bem diferente da agitada vida de relacionamentos e eventos que elas têm ainda que eu seja uma mulher bem urbana, passional e ativa, no entanto, elas são ícones de uma geração de mulheres que vive e revive o bom e o mal de ser mulher. Elas trabalham, se apaixonam, se divertem e, principalmente, se decepcionam e sofrem na tentativa de encontrar o amor e, têm a grande benção da amizade fiel em uma cidade grande de encontros e desencontros e, em especial, entre mulheres que não tentam ferrar umas às outras seguindo aquela insuportável e negra inveja feminina . Por isso, independente dos apelos românticos, sexistas e fashionistas da Série, Sex and the City é a ode à neurótica vida de muitas mulheres modernas que encontram o seu leal clube da Luluzinha.



Antes mesmo do lançamento de Sex and the City - O Filme, eu já sabia que a adaptação
para o cinema não seria tão bom quanto a série, afinal, não seriam 145 minutos de fita que dariam conta da saga destas mulheres (e na verdade, esta não seria nem a intenção e sim aproveitar o sucesso da franquia para arrecadar lucros nas bilheterias). Elas já tinham passado quase tudo o que mais interessava: encontrar o amor em Nova York e toda a sorte de lágrimas e risadas que isso trás, logo o filme se apresentou como um pequeno microcosmo já mais maduro e femininamente neurótico, no qual Samantha já estaria com Smith, Charlotte com Harry, Miranda com Steve e Carrie com o seu Mr. Big. Cabia ao roteiro explorar o figurino e alguns questionamentos que poderiam vir destas relações já mais hipoteticamente consolidadas. Não deu outra, Carrie passa apuros e um desastroso mico com o confuso Big desistindo do casamento, Miranda se vê longe de Steve após ser traída na relação fazendo jus de que o sexo inexistente no casamento e mulheres muito ocupadas com seus múltiplos papéis se esquecendo dos maridos dão espaço para infidelidade, Samantha, a "ninfo" caçadora sexual do passado se vê vivendo somente para assessorar Smith, anulando a si mesma e Charlotte, bem, esta não tem grandes problemas e me parece a mais afortunada de todas, recebendo até mesmo o milagre maternal da tardia gravidez.



Eu não morri de amores pelo filme no conjunto geral da obra porque o mais relevante para mim é minha história de amor com a Série de TV, mas sou suspeita para aferir qualquer crítica muito depreciativa (mesmo porque este não é meu estilo de resenhar) porque os dramas que elas vivem no filme têm tudo a ver com o universo feminino: Se frustar com um amor de longa data e a expectativa de casamento, se decepcionar com uma traição no auge do esfriamento do casamento, se anular para dar apoio à carreira e às demandas do marido e ser mãe quando todas as esperanças, até mesmo as médicas, se findam. É esta sensibilidade para assuntos de relacionamentos afetivos que faz de Sex and the City um marco na era de mulheres de mentes abertas, modernas, bem - sucedidas e solitárias, causando ainda um processo de identificação muito íntimo com boa parte das mulheres contemporâneas .



Ainda que o filme tenha pecado desastrosamente no exagerado figurino assinado por Patrícia Field, com exceção do lindo ensaio de Vogue, com Carrie Bradshaw trajando vários vestidos de noiva, inclusive o fabuloso modelo do sonho nupcial de Viviene Westwood, que o roteiro tenha exagerado em expor tragicomicamente Carrie Bradshaw sendo abandonada antes de entrar no altar e perdido boa parte da magia de Nova York - a selva de solitários em busca do amor e do prazer, Sex and the City - O Filme tem aquele adorável desfecho de que ainda há a esperança no amor na escura solidão da cidade iluminada. E que venha Sex and the City 2 e também o novo perfume da vi$ionária SJP, NYC inspirado em Carrie Bradshaw e sua trajetória Nova Yorkina em Sex and the City.

Avaliação Madame Lumière:


Título original: Sex and The City
Origem: EUA
Gênero: Romance, Comédia
Duração: 145 min
Diretor(a): Michael Patrick King
Roteirista(s): Michael Patrick King, Candace Bushnell
Elenco: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Chris Noth, Candice Bergen, Jennifer Hudson , David Eigenberg, Evan Handler, Jason Lewis, Mario Cantone, Lynn Cohen, Willie Garson, Joanna Gleason, Joseph Pupo

3 comentários:

  1. Bela critica madame. Foi fiel ao seu gosto,reconheceu as limitações e pecados da produção e não enveredeu pela simples proliferação de adjetivos ofensivos ao filme, preferiu contextualiza-lo em suas defeciÊncias em relação à série e a seus anseios como espectador. Das mais sinceras, e equilibradas, resenhas que já li sobre o filme.

    PS: Para constar, não gostei do filme. Achei-o um contrasenso em relação a série. enquanto na série via-se um ideário feminista ganhar forma, o filme é cheio de concessões a um ideário machista.
    Bjs

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  2. Merci! Pois é, Reinaldo, sou muito fiel ao meu ecletismo e, embora eu tenha um gosto crítico e apurado que é muito averso a trivialidades/banalidades também, eu gosto de entretenimento que não seja imensamente vazio e de ver o valor nas coisas que talvez outros cinéfilos não apreciem, afinal é muito fácil dar uma de cult(ou pseudo) e afogar o filme em um mar negro de críticas depreciativas, enfim, este não é meu estilo de apreciar as Artes em geral.

    Eu adoro Sex and the city e sofro dos mesmos males destas mulheres, o que não é vergonha para ninguém afinal elas também mostram a fragilidade do amor e da solidão e o prazer, a tempestuosidade e o esvaziamento do sexo( a depender da relação), concordo muito com você que o filme cai no machismo, mas não vejo isso como tão negativo, saindo um pouco fora do filme e mostrando a realidade. Eu acredito que, por amor e felicidade, há concessões a serem feitas e, no fundo, a mulher cede muito mais que o homem. Não quero polemizar esta questão, mas ainda somos mulheres submissas ainda que mais evoluídas. No final de tudo, toda mulher quer lavar, passar e dobrar a roupa do marido, principalmente as mais inteligentes que ainda mantêm o seu romantismo.

    Beijo da Madame!

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  3. Olá Madame, sua critica realmente é muito boa.
    Porém eu sou seguidor da série, e realmente gostei do filme, mas o vejo mais como um episodio um pouco mais longo. Ainda assim é Sex and the City. E o que nos faz seguir elas "around the city" é o fato de que elas cometem os erros que nós cometemos, elas possuem amizades como nós temos, e ainda assim se apaixonam ou o mais perto disso que se possar chegar. E continuam fabulosas!
    E vamos esperar em maio para ver, o que vem por aí...

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