terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Casamento de Muriel (Muriel's Wedding)-1994


Toni Colette, recentemente premiada no Globo de Ouro 2010 na categoria melhor atriz comédia por sua atuação no Showtime United States of Tara eternamente será lembrada como Muriel Heslop de O Casamento de Muriel, a jovem garota moradora da pequena cidade australiana de Porpoise Spit , que adora ouvir Abba em seus solitários momentos e tem um contagiante e memorável sorriso, digno de ser um sorriso de noiva. Muriel é premiada com uma família bem problemática, é constantemente humilhada pelo pai Bill Heslop (Bill Hunter), um vereador candidato a galgar novos níveis da vida públida, e rejeitada pelo grupo de " fúteis amigas" que sentem vergonha dela e a excluem do seu círculo social com uma cruel facilidade. Desempregada, fora do padrão de beleza e sem nunca ter namorado, Muriel só tem um único sonho: casar-se. Ela é tão alucinada por casamento a ponto de roubar, mentir, fantasiar e abrir mão da real felicidade, tudo para ver seu sonho matrimonial concretizado. Muriel, a garota má? Absolutamente não. Muriel só é uma adorável e ingênua sonhadora que sonha o sonho de várias mulheres solteiras, e que só aprende, com o tempo, a não mentir a si mesma.



A comédia dramática O Casamento de Muriel marcou a estréia de P.J Hogan (de O Casamento do Meu Melhor Amigo e Os Delírios de Consumo de Becky Bloom) como roteirista e diretor no cinema e, definitivamente, é uma das comédias hit dos anos 90. É dignamente um filme bem casado "até a morte nos separe" com a trilha sonora que tem músicas clássicas do Abba como as inesquecíveis Dancing Queen (minha música), I do, I do, I do, I do, Waterloo e Fernando e canções saudosas como We've only Just Begun do The Carpenters, Sugar Baby Love do The Rubettes e I just don't know what do to with myself da Dusty (que, por coincidência ou não, está na trilha sonora de O Casamento do meu melhor amigo),
todas formam um encantador deleite no longa-metragem que é incrivelmente hilário com o mix drama cômico de quem sonha em se casar e não é facilmente afortunada. Muriel decide fazer até o inimaginável para realizar o seu sonho matrimonial e, nesta jornada, encontra uma antiga amiga do ginásio que vive la vida loca, Rhonda Epinstalk (Rachel Griffiths) que passa a ser a amiga leal que Muriel merecia. Elas se mudam para Sidney e lá se confrontam com marcantes desdobramentos em suas vidas que colaboram com a maturidade de Muriel para valorizar a essência da vida muito além de um sonho de casamento. Embora tarde para ela amadurecer, o filme é belíssimo em expressar que "um dia, a ficha cai' e que não adianta forçar uma felicidade quando não se está maduro(a) para recebê-la. A vida real não é um sonho, exige alguns pesadelos.




O Casamento de Muriel é, antes de mais nada, uma comédia que não traz o romance do casamento como outros filmes que usam o matrimônio como começo de uma relação ou meta de um sonho amoroso e adornam o filme com cenas românticas. O Casamento de Muriel traz o drama de se desejar um casamento e não ter ninguém à vista, nem sequer ser amada. Ele traz o drama de ser excluída afetivamente e desejar provar o contrário perseguindo um sonho sem limites sem, seriamente, pensar o que é afinal um casamento, o que é afinal o amor, o que é afinal você mesmo mentindo para si mesmo. Por mais que Toni Colette, inesquecivelmente interprete uma jovem otimista e persistente que vive no mundo da lua experimentando vestidos de noiva e tirando fotos dos mesmos para montar um álbum "Meu Casamento" fictício, este filme não é romântico, é comicamente doloroso, e neste aspecto está sua doçura, sua sincera relação com o espectador, por isso sou casada com esta comédia, uma de minhas preferidas dos anos 90. Sua espontânea expressividade é muito verdadeira porque, quem é, principalmente mulher, saberá o que estou dizendo: toda mulher deseja casar (inclusive as menos prováveis desejam ter alguém, ainda que não assinem um contrato). Muitas vezes a mulher não sabe como conseguí-lo porque não entende sequer o porquê de não ter encontrado ainda o homem certo. Não entende porque o amor não chega e o casamento junto com ele. Muriel também se sente assim, por isso chega a trocar de nome, uma nova persona "Mariel", faz isso porque ela simplesmente não consegue entender "por que ela não pode ser ela?" "Porque ela não pode ser a escolhida"?. Mariel dá a ela alguma esperança de esquecer a mulher do passado, não desejada.








No caso de Muriel, o histórico de vida dela é pessimista porque, antes de tomar uma decisão que muda sua vida para sempre, ela havia caído no ostracismo de sua própria condição de mulher solitária. Criticada pelo pai,
um homem sem muitos escrúpulos, e rejeitada por um círculo social (venenoso) que ainda assim poderia expô-la a conhecer potenciais pretendentes, ela foge desta realidade, foge de sua família e de sua pequena cidade. Embora não o faça da melhor forma, ela aprende a andar com as próprias pernas movida pelo sonho do casamento. No entanto, esta jornada vai longe demais ao casar-se, sem amor, com David Van Arckle (Daniel Lapaine) e deixar de dar atenção à mãe. Muriel é agora Mariel Van Arckle , mas não pode ignorar os vínculos do passado e os erros e acontecimentos do presente. Somente depois de sentir algumas perdas, ela percebe que pode continuar a levar sua liberdade e buscar sua realização pessoal sem cegar e nem mentir a si mesma. Belamente, Muriel descobre que tem que se casar com ela própria, em primeiro lugar, sem esquecer as bases valiosas da amizade e da família. Ela descobre que tem que ser Muriel. E, a partir daí, caso deseje, eis a receita para um potencial e posterior casamento a dois, certamente, com mais chances de ser bem sucedido.


Avaliação Madame Lumière


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Título original: Muriel's Wedding
Origem: Austrália, França
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 106 min
Diretor(a): P.J Hogan
Roteirista(s): P.J Hogan
Elenco: Sophie Lee, Rosalind Hammond, Toni Collette, Belinda Jarrett, Pippa Grandison, Bill Hunter, Jeanie Drynan, Daniel Wyllie, Gabby Millgate, Gennie Nevinson, Rachel Griffiths, Matt Day , Chris Haywood, Daniel Lapaine, Susan Prior

6 comentários:

  1. Madame, eu não estava consigo comentar no seu blog, mas agora acho que tá certo. Eu gosto desse filme, principalmente Toni Collete. ótima atriz.

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  2. Oi Bruno, não sei o que ocorreu. Ontem alterei a configuração dos comentários, autorizei pessoas sem openlink e sem blogs a comentarem, talvez esta pequena mudança tenha impactando os comentários por um rápido período, mas agora já está perfeito.

    Também adoro a Toni neste papel. bjs!

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  3. Filme único!

    Adorei seu texto, Madame!


    Boa lembrança esse filme!

    É tão gostoso observar Muriel e seu mundo maravilhoso sonoro de ABBA...

    Beijo!

    Sumiu, hein?

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  4. Mais um filme luminoso que vc ilumina aqui Madame. A trilha sonora é realemente um deleite e passa a energia certa para essa história. Só de curiosidade: dos filmes do PJ Hogan, o que eu mais gosto é O casamento do meu melhor amigo. Na verdade venero. Para mim uma das melhores comédias românticas(não exatamente romanticas) do cinema.
    Bjs

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  5. Oi Cris, eu amo este filme e, ouvindo a Bridal Dancing Queen, ele se torna mais saudoso, mais único.

    PS: Estou sumida estes dois dias, com pouco tempo de ler os blogs que acompanho pois estou em umas reuniões até amanhã, mas nunca te esqueço, saudades das apimentadas. bjs!

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  6. Oi Reinaldo, espero que esteja bem.

    Agreed!!!!! Eu adoro o casamento do meu melhor amigo também, mas meu romantismo "bridal" me faz ser super inclinada ao Casamento de Muriel. Qual a mulher que nunca se sentiu um pouco de Muriel?
    bjs!

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