sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Duquesa (The Duchess) - 2008


Duquesa de Devonshire, amada por todos menos pelo marido. Isso resume bem uma parte significativa do filme A Duquesa, drama histórico adaptado do romance Georgiana, Duchess of Devonshire de Amanda Foreman que relata a vida de Georgiana Spencer (Keira Knightley) que, muito jovem, casa-se com William Cavendish, o duque de Devonshire (Ralph Fiennes), um homem muito rico e influente na aristocracia inglesa e com a personalidade fria o suficiente para levar adiante a premissa básica do acordo matrimonial sem um pingo de amor à esposa: Georgiana tem que dar-lhe um filho homem como herdeiro. A ingenuidade e romantismo de Georgiana, a jovem virgem que não conhece o amor,é facilmente um plus para que sua mãe Lady Spencer (Charlotte Rampling) a influencie de que casar com o Duque é o melhor que pode acontecer à sua vida. Georgiana tarda a dar-lhe um filho homem, gerando filhas mulheres e abortos e sendo vítima de traição e maus tratos do marido. Enquanto sua vida pessoal é de aparência, sua vida social é muito mais significativa porque ela dita regras na moda inglesa com seus lindos modelos e é admirada por seu carisma e sedutora influência, além disso vem a se apaixonar por Charles Grey (Dominic Cooper), jovem envolvido com a política que deseja se tornar primeiro-ministro e que verdadeiramente a ama, no entanto, mais uma vez A Duquesa é um drama de uma mulher que é prisioneira de seu próprio casamento e vive a impossibilidade do amor em meio à crueldade de um marido de fachada.




O longa metragem, dirigido por Saul Dibb, tem um roteiro não muito diferente dos grandes dramas das cortes aristocráticas que envolvem triângulos amorosos e casamentos arranjados e sem amor (como a Outra, por exemplo). Georgiana, além de Duquesa, é a autêntica parideira, uma mulher que se torna propriedade do marido e vive as agruras de ter que gerar um filho homem. É constantemente humilhada pelo silêncio do Duque de Devonshire que, em uma ótima atuação de Ralph Fiennes, torna-se ainda mais desprezível considerando que o ator, com seu perfil estranhamente sério e introspectivo, dá o tom certo ao personagem. que parece não ter sentimento algum além de satisfazer suas necessidades sexuais e de procriação. Keira Knightley empresta sua adorável beleza e elegância à duquesa de Devonshire que se torna mais atrativa com o belo figurino de época (de Michael O'Connor, que ganhou o Oscar e o Bafta de melhor figurino) e a fotogênia da atriz. Tecnicamente, A Duquesa tem
uma fenomenal fotografia (de Gyula Pados), maravilhosamente luminosa nas imagens externas como jardins da casa, passeios ao ar livre, etc e mais penumbrosa nas imagens internas como os eventos aristocráticos e as de alcova, desta forma, a estética fotográfica do período é um dos deleites da produção.







O filme é agradável para aqueles que apreciam dramas históricos que se passam em ambientes aristocráticos europeus, no entanto não espere mais do que uma nobre mulher que não tem o direito de amar e ser livre, drama que considero contemplativamente crítico porque por debaixo dos nobres tecidos da realeza há muita sujeira e muita infelicidade em meio a homens autoritários, esposas frustradas e cortesãs usadas. A publicidade de A Duquesa indica que a Duquesa de Devonshire foi uma admirável mulher na corte inglesa, no entanto, o filme ainda valoriza os pontos de sua vida conjugal deteriorada por um casamento sem amor e reafirma o triste destino da Duquesa - ser amada por todos menos pelo marido. Ela é uma mulher submissa porque a sua condição matrimonial e social não lhe apresentava nenhuma outra opção, o preço de sua liberdade não pode ser pago porque ela tem filhos e é chantageada pelo duque. Sem dúvidas, ter um homem poderoso e hostil que a comanda e não aceita separação é a grande fatalidade de sua vida. Neste ponto, ainda que saiba que dificilmente uma mulher saí imune a estes casamentos nobres acordados, eu esperava que ela fosse uma mulher mais engajada, pelo menos, mais polêmica; penso que o filme deixou esta lacuna deficiente e quem acaba por brilhar na atuação é o Duque de Devonshire. Ela ainda se preserva como uma mulher tolerante e temente a ele, fato que ficou mais evidente quando ela foi traída por uma amiga protegida que se instalou em sua casa, a Lady Bess Foster (
Hayley Atwell ) que se tornaria, por debaixo dos lençois e dos olhos da sociedade, a segunda mulher do Duque. Por conta desta história de vida com humilhações que se tornam convenientes, A Duquesa é mais uma vez o drama de um dama que vive na realeza mas sofre como uma plebéia.

Avaliação Madame Lumière

Título original: The Duchess
Origem: Inglaterra, França, Itália
Gênero: Drama
Duração: 110 min
Diretor(a): Saul Dibb
Roteirista(s): Jeffrey Hatcher, Anders Thomas Jensen, Saul Dibb
Elenco: Keira Knightley, Ralph Fiennes, Charlotte Rampling, Dominic Cooper, Hayley Atwell, Simon McBurney, Aidan McArdle, John Shrapnel, Alistair Petrie, Patrick Godfrey, Michael Medwin, Justin Edwards, Richard McCabe, Calvin Dean, Hannah Stokely

7 comentários:

  1. Madame,

    'A Duquesa' é um filme que ainda tenho que conferir. Interessante a premissa. E acho a keira fofa, rs!

    Sobre as outras postagens; Este filme do Herzog com o Cage, há opiniões divididas. Espero em DVD. Aliás acho a carreira do Herzog com ótimos pacotes cinematográficos, como documentarios e o longa ' O Sobrevivente' que é muito bom. Espero que esse diretor seja mais conhecido de nome. e o Cage as vezes acerta e outras erra em filmes como ' O Sacrifício', rs!

    Sobre o texto de livros com capas de filmes,pra mim é indiferente. Comprei o livro com o roteiro em português 'Last Draft' de Bastardos Inglórios, já li e reli..e não tem como não ser com a capa do filme, kkkk E claro, entendo que muita gente tem seus motivos de comprar uma edição recente de 'Ensaio Sobre a cegueira' ou 'Amor Sem Escalas' e ficar frustrado em ver ana capa o cartaz da obra audiovisual..mas pra mim não é problema. E espero que este AMOR SEM ESCALAS seja bom, por ter ganho de melhor roteiro no Globo De Ouro (achei que o Tarantino iria levar..poxa!)

    Obrigado pelas dicas novamente..por me lembrar de A DUQUESA...

    Bjs e Abs!

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  2. Oi Rodrigo,
    Que bom te rever aqui! A Duquesa é agradável, mesmo que não traga nada diferente aos dramas conjugais das cortes. Vale ver a doçura de Keira ( e ela tem um rosto bem delicado que dá gosto de ver) e Ralph Fiennes, além da evocativa fotografia, principalmente a externa. Há tempo gostaria de ver a Duquesa e consegui. Adoro estes filmes de realeza.

    Com relação a Herzog, eu tinha uma alta expectativa da faceta cult dele, por isso me frustei, mas como disse, não tiro o mérito da fita com relação ao drama pessoal de Terence.

    Amor sem Escalas é muito bom, o assisti ontem e pretendo divulgar uma reflexão a respeito em breve. Sem dúvidas, um roteiro muito bem amarrado e uma história que tem um certo exclusivismo.

    Beijos e abraços!

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  3. Olá madame, tudo bem?

    Gosto muito de A duquesa. a parte a excelÊncia técnica, bem sublinhada em seu texto, gosto muito da forma que ilumina o conflito premente entre a feminilidade e o rigor e as tradições de uma época. Mais do que um filme que se pretende feminista ou mostrar uma mulher a frente de seu tempo, A duquesa, na minha avaliação, procura jogar luz sobre a rotina de mulheres, que ainda hoje, padecem da maldição que acomete a protagonista. Um filme belissimo.

    Sobre Amor sem escalas. Que vc e o Rodrigo teceram comentário aí em cima. Estou encantado. É um filmaço com todas as letras. Jason reitman está melhor a cada filme.
    Bjs

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  4. Oi Reinaldo, tudo bem! Espero queo você esteja ótimo.

    Fiquei imensamente feliz que você também gosta de A Duquesa. Eu adorei o filme, sempre aprecio muito esta encantadora categoria de filmes de época, com duques, reis e toda a sorte de nobreza.

    Gostei das suas palavras. Na verdade, A Duquesa ilumina bem este conflito e de uma forma muito delicada, muito elegante. Como você mesmo disse é uma tragédia que se prolonga até os nossos dias, existem várias duquesas contemporâneas por aí,padecendo em seus casamentos frívolos.

    Beijo

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  5. Reinaldo, a propósito, também estou encantada com Amor sem escalas a tal ponto de querê-lo assistí-lo novamente. Um excelente trabalho, digno de ser chamado "cinema".

    Beijo

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  6. Eu confesso que não vi este filme por que considero, acredite, a Keira meio canastrona, com exceção de alguns bons papéis que ela desenvolveu - vide Orgulho e Preconceito ou Desejo e reparaçao.

    Mas, sei que não compartilho desta opinião com ninguém mais.


    Vou ver este filme, sua resenha foi gostosa de ler! Parabéns! aparece! beijo

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  7. Canastrona? hahaha, essa foi boa(viu como rimou!)

    Eu acho ela meio esquisita e não descobri ainda o porquê, mas uma coisa que admiro nela é a beleza um tanto peculiar de seu rosto. Não é uma beleza padrão, mas a fotogênia dela nos filmes que falou fica muito boa.

    Bjs!!!!

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