quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A invasão de livros com capas de filmes: Dose dupla no marketing literário e cinematográfico



Esta semana fiz uma visita à Livraria Cultura, a princípio, para ver se eu conseguia o livro Julie & Julia de Julie Powell em sua capa original (pela editora Conrad). A obra foi adaptada no cinema com Meryl Streep à frente como a protagonista Julia Child, rendendo à atriz o Globo de Ouro como melhor atriz Comédia. Já sabia que não havia o livro no estoque e solicitei encomenda, mas como sou um ser obstinado por conhecer mais a Sétima Arte e que adoraria morar em uma livraria, aproveitei o momento para ver alguns livros, e não resisti a ir à ala de Cinema. Resultado: 3 livros e uma conta corrente mais pobre, no entanto estou muito feliz com minhas comprinhas cinefilamente letradas: Como a geração sexo-drogas-e-rock N'Roll salvou Hollywood, de Peter Biskind, um imperdível e muito elogiado livro do ex-editor da Premiere que entrou nos bastidores do cinema e fala sobre a revolução feita por cineastas como Scorsese, Altman, Coppola, Lucas, etc reescrevendo o cinema Hollywoodiano das décadas de 70-80, com entrevistas, depoimentos, fofocas e muita coisa desenterrada. 1001 Filmes para ver antes de morrer de Steven Jay Schneider (estava louca por este livro há um tempo), um sugestivo compilado geral de obras cinematográficas, principalmente os clássicos listados de 1902 até 2007, e finalmente o Guia Ilustrado Zahar de Cinema de Ronald Bergan , guia que eu não conhecia mas achei muito didático porque apresenta a história do cinema, gêneros de cinema, cinema mundial, um compilado de 200 diretores de cinema e também um de 100 melhores filmes. Prometo voltar aqui para resenhar sobre eles e, se você quer começar a montar uma pequena coleção de livros sobre Cinema, estes são boas pedidas, com leitura acessível e de referência.




Como eu estava distante das livrarias físicas (estava focada em compras online no Ebay de raros livros), durante minha excursão pelas estantes da Livraria Cultura, fiquei impressionada com a quantidade maior de livros recém lançados e/ou em destaque que são obras escritas adaptadas para o cinema e que receberam as capas de filmes e não dos originais e, acreditem, estão seguindo o rumo marketeiro de Harry Potter e a Saga Crepúsculo e também o exemplo das edições americanas de paperbook e pocket book que apresentam como capas os posters de filmes. Obviamente tal ação das editoras é uma estratégia de marketing e de vendas e, não os discrimino, pelo contrário, acho interessante embora prefira o original. Ao me ver cercada de tantas possibilidades que estão relacionadas com o meu vício cinéfilo, e enquanto tomava um cafézinho dava de cara com a propaganda em um dos televisores "Compre o Livro. Assista o filme", me vi como uma potencial consumidora deste apelo propagandístico. Em menos de 10 minutos dentro da livraria, me pus a folhear 4 livros: Conquistando o inimigo de John Carlin (Invictus estrelado por Morgan Freeman e Matt Damon), Amor sem Escalas de Walter Kirn (Up in the Air estrelado por George Clooney), Preciosa de Sapphire(Precious estrelado por Gabourey Sidibe e Mo'Nique) e Cheri de Colette (Cheri estrelado por Michelle Pfeiffer). Fiquei bastante interessada em Cheri que, segundo citação na capa feita por Oprah Winfrey, Colette tem uma escrita sedutora e, por razões óbvias, ler Amor sem Escalas para posteriormente checar no filme se o roteiro é tão fidedignamente excelente para ter merecido o Globo de Ouro 2010.



O mais divertido na minha jornada foi ter o desejo aflorado de comprar estes livros, inclusive os relacionados a longas-metragem que ainda não foram lançados no Brasil e/ou estão na iminência de lançamento. O pior é que nem ao menos estou interessada na leitura deles.
Você acredita nisso? Nem eu. Por isso, penso que alguns apreciadores de cinema sentiram ou podem vir a sentir o mesmo que eu, ou seja, sentir o efeito colateral desta invasão de livros com capas de filmes que mais parecem impactar-nos como amor à primeira vista como se fossem filmes ao invés de livros. Sem dúvidas, um gracioso comportamento que percebi em minha cinefilia, a propósito, bem tempestuoso porque eu não comprei nenhum destes livros, no entanto os filmes, estes eu desejo intensamente.

8 comentários:

  1. Tb tenho esses livros que vc adiquiriu madame. O guia ilustrado é o melhor, mais útil e mais completo para um bom cinéfilo. O do 1001 filmes é um tanto convencional e o Como a geração... é, na minha avaliação, um tantinho dispersivo. Mas os três são obrigatórios.
    Esse marketing das capas d elivros e filmes a que vc se refere é um estigma natural do concumismo. Para ser franco, acho legítimo, reeditar um livro pondo na capa o poster ou a foto do filme. Justo para quem vai ao livro depois de uma intensa experiência cinematográfica. É mais uma faceta do cinema. Levando cultura a lugares inimagináveis. rsrs
    Bjs

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  2. Oi Reinaldo, estou amando o guia ilustrado, mal vejo a hora de devorá-lo por inteiro rsrs. O gerãção é dispersivo? Hmmm, bom saber... tem cara de dispersão mesmo, um amontoado de fofoquinhas de bastidores, vamos ver como será minha experiência com ele. Depois te conto!

    Obrigada pela franqueza, é isso que eu aprecio muito em você. Pensando sob esta ótica, você está certo! Para quem vai atrás do livro depois do cinema não deixa de ser uma prolongação dos prazeres cinéfilos.

    Beijo

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  3. Morar numa livraria seria fantástico, ahaha...

    Também prefiro os livros com as capas originais, mas não culpo esse tipo de marketing, já que nosso país quase não tem leitores... :(

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  4. Oi Madame!
    Eu adoro ler. Ler o livro e depois ver o filme, então, é o máximo pra mim. Mas se eu fosse acompanhar o mercado, lendo todos os livros que são/foram adaptados para o cinema, eu ia à falência! rsrs
    As vezes tenho que me contentar em apenas ver o filme mesmo.
    Por último, não gosto quando trocam as capas dos livros pelos posters dos filmes. Poxa, são obras diferentes, cada um com sua arte, não acho que devam tentar uniformizar, nem que seja só a capa.
    bjoss

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  5. Oi Bruno, haha... Boa! Acho que o índice de leitores tem tudo para aumentar pois o mercado editorial melhorou muito, mas a cabeça das pessoas não. Gostam de entretenimento fácil, definitivamente facilmente digerível. abs!

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  6. Oi Patty, obrigada pelo seu ótimo comentário. Eu também gostaria de ler todos os livros antes de assistir aos filmes, mas é muita grana mesmo. Eu também acabo tendo uma lista de desejos de livros que nem dá pra priorizar os relacionados a filmes.

    Eu sou como você. Deixei de comprar Julie e Julia mais barato e disponível para esperar vir a capa original e alguns reais mais caro. De fato, eu sou tradicional neste lance de edição. Como estudei literatura, eu gosto de originais, gosto da sensação de comprar o livro pela obra literária e não por qualquer outra influência, mesmo que seja cinéfila.

    Beijo!!!!!

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  7. Acho de extrema besteira e torna o produto mais Industria do consumo, sabe...fora que odeio ter livros com capas de filmes, assumo achar 'brega' em estética, pois prefiro as capas originais mesmo..e acho que livro, como obra, é algo super independente dos filmes - ainda que estes sejam adaptados da literatura.

    O meu mesmo de Ensaio sobre a cegueira tem a capa original, odiei a versao que saiu com a capa do filme...quanta baboseira! rs

    ah, adoro o material proposto por Steven Jay Schneider, 1001 filmes... é fantástico! e me ajuda bastante nas dicas, beijo

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  8. Rsrs... soltou o verbo, hein querido Cris. Gostei! Concordo com a questão estética, bem lembrada por você. Penso que muito além do conteúdo da linguagem literária em si, a imagem visual é importante, é como conversar com o leitor antes mesmo dele abrir a capa do livro, por isso acho que agregar capas de filmes a livros que foram adaptados para o Cinema não é efetivo para mim. Cada um no seu curral, não é mesmo!? rsrs...

    Beijo

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