sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Lobisomem (The Wolfman) - 2010



Os lobisomens estão de volta, para competir ou não com a moda febril dos vampiros, eles estão aí para aterrorizar as telas de cinema, e para o delírio dos míticos românticos, eles se apaixonam também. Jakob (Taylor Lautner), o lobisomem da Saga Crepúsculo conquistou fãs em todo o mundo e entrou no triângulo amoroso entre ele, a humana Bella Swan (Kristen Stewart) e o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson). Dessa vez, o diretor Joe Johnston (de Jurassic Park III e IV) coloca o seu talento como diretor e experiência em efeitos visuais na nova sensação do momento, Wolfman, o Lobisomen encarnado na pele do misterioso e viril Lawrence Talbot (Benício del Toro, excelente) que, para tornar o drama mais interessante, se apaixona pela sua ex-cunhada a bela Gwen Conliffe (Emily Blunt, elegantemente dócil). Do contrário do apelo romântico e adolescente do lobisomen protagonista de Lua Nova, Wolfman só usa essa paixão como um complemento do drama sem, infelizmente, explorá-lo a fundo.







Ambientado na Inglaterra Vitoriana, esse remake do clássico de 1941, aborda a história de Lawrence Talbot, um ator de teatro que mora na América e retorna à sua terra natal após receber uma carta de Gwen informando-lhe que o seu irmão Ben Talbot foi assassinato brutalmente por uma misteriosa criatura. Ao chegar à casa, reencontra o seu pai Sir John Talbot (Anthony Hopkins, sempre ótimo) com o qual teve problemas antes de sair de casa e também conhece pessoalmente a gentil e bela Gwen, pela qual sente uma ainda discreta atração. O assassinato de Ben causa uma repercussão na cidade amendontrada que especula que essa criatura seja um homem amaldiçoado ou uma besta das trevas. Mediante esse cenário, Lawrence busca investigar quem matou o irmão, no entanto durante um letal ataque a um acampamento cigano, acaba sendo ferido pela fera, a partir de então, vê as transformações ocorrendo em seus sentidos e corpo. Toda lua cheia ele vira Lobisomen, tornando-se a presa principal da cidade que tem como detetive, Aberline interpretado pelo brilhante Hugo Weaving (de Matrix).







O roteiro em si não faz nada diferente de propor o horror e o poder mortal da fera, logo na sombria e misteriosa Inglaterra dos casarões, tabernas e florestas escuras, o lobisomem faz a festa arracando as carnes humanas sem qualquer requinte. É um ser brutal e infeliz por natureza que não pode mudar o seu destino e nem controlar a sua sede por uma coletiva carnificina, por isso a história de Lawrence Talbot traz uma dramaticidade muito mais triste porque ele não pode ter uma história de vida futura e nem desenvolver a sua relação afetiva com Gwen, além disso ele passará por provações que atingem sua sanidade e sua relação com o pai. Nisso reside a limitação da película, a limitação dada pela própria maldição de Lawrence. Benício del Toro o interpreta muito bem e, de imediato, tem uma empatia com esse papel porque é naturalmente misterioso e rústico e de uma masculinidade que expressa força de caráter. Vê-lo se transmutando em Lobisomem é bem mais verossímil do que se fosse com outros atores, por isso é tão loucamente sedutor ver essa aberração cinematográfica. Já Anthony Hopkins interpreta a ele mesmo, com excelência. Um Senhor de fala marcante, madura e, em alguns momentos do filme, insana e sem nenhum tipo de arrependimento, consequentemente, ele e Benício del Toro fazem de O Lobisomem um filme bem mais apreciável e, somente é lamentável que esses diálogos não sejam mais ímpares e alavancados pelo formidável talento desses atores negligenciados por conta de um texto deficiente. Emily Blunt está educadíssima, de terna doçura e beleza em cada cena, então seu papel é muito mais útil na representação da mulher porque ela desempenha um papel não preconceituoso com relação a Lawrence, ela o apoia em um momento de fuga e solidão, ela o ama de alguma forma e, melhor, em um dado momento, ela é uma corajosa mulher que faz uma difícil escolha.








O Lobisomem tem polarizado muitas opiniões e tal situação é compreensível. Para os fanáticos por Lobisomens este filme poderá causar muito afeto ou desafeto porque, ao mesmo tempo, que os mais tolerantes podem se satisfazer com alguns sustos, ruivos e tripas humanas, outros poderão sentir falta de um horror mais aterrorizante, mais realista em um roteiro mais inteligente e complexo. Na minha opinião, a
pesar de não aterrorizar ao extremo, não pelas mortes sanguinárias em si mas pela atmosfera do filme ainda precária em termos de terror e suspense, O Lobisomem ainda merece ser visto pelo elenco e pelo cenário, em termos técnicos, e pela situação sem saída desta figura lendária. É evidente que não há um enredo ultra elaborado que desenvolva profundamente as personagens a nível mais psíquico e também o relacionamento entre eles porque uma parte do filme é exatamente compreender a maldição dos Talbot em sua superficialidade, logo o mote da maldição é mais reflexivo fora da película e exige uma lição de casa por parte do espectador sobre o conflito de um homem lobo, sobre seu infeliz fardo. Basta lembrar de amaldiçoados como Dr. Jekyll e Mr. Hyde (O médico e o monstro) que também podem ser encarados como um mito de lobisomem, e pensar na problemática de quem é o homem por trás da fera, quem domina mais quem, quem determina quem é quem... o homem ou o monstro? Aguarde a próxima lua cheia para descobrir...


Avaliação MaDame Lumière


Título original: The Wolfman
Origem: Inglaterra, EUA
Gênero:
Horror, Terror, Suspense
Duração:
102
min
Diretor(a):
Joe Johnston
Roteirista(s): Andrew Kevin Walker, David Self, Curt Siodmak
Elenco: Emily Blunt, Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Hugo Weaving, Geraldine Chaplin, Elizabeth Croft, Art Malik, David Schofield, Branko Tomovic, David Sterne, Sam Hazeldine, Olga Fedori, Emily Parr, Michael Cronin, Richard James

14 comentários:

  1. É como em um julgamento do STF, gravitamos em volta das mesmas questões, mas co interpretações diferentes. Penso absolutamente igual a vc, mas minha "sentença" é menos simpática ao reú por assim dizer...

    Bjs

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  2. Rsrs, essa foi boa, Reinaldo! Rsrs

    Você deveria ser promotor e eu diplomata.

    Vc é passional com suas opiniões cinéfilas, Reinaldo, muito mais do que você imagina. Rsrs! É interessante percebê-lo.

    bjs!

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  3. Eu nem gostei tanto do Hopkins, visse? Achei super falho sua participação, fora a Blunt desperdiçada totalmente. Fora isso, acho que o filme empolga em poucos momentos e que o grande mérito é na hora da transformação.

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  4. Pois é, Luis, dada a limitação dos personagens, até achei que eles salvaram o filme. O que mais eles poderiam fazer com aqueles diálogos? Eu gostei dos dois. Blunt está foférrima, pobrecita, nem pode amar Lawrence. Adoraria ver um love story regrado a um homem lobo!

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  5. Não chegou na minha cidade ainda, mas minha expectativa foi pro escambau!! Nenhuma crítica boa a mais morna foi a sua!!

    Acho que vou esperar chegar em DVD, já que não vale o ingresso!!

    Beijos

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  6. Eri,

    Lamento que sua empolgação foi pro escambau!

    O filme não brilha, mas não o acho péssimo. Não consigo entender porque o pessoal está batendo tanto no Lobisomem. Deve ser uma questão de expectativas também.

    Tadinho do Wolfman! Rsrs!

    Bjs!

    PS: Quando assistí-lo, conte-me o que achou. Estou querendo encontrar um companheiro morno haha!

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  7. Madame,

    vc ja sentiu que adoro filmes de terror.
    Olha este remake é uma tentativa de lucro, mas adorei a direção de arte e ambiência austera!

    Pelo menos isso..já que de criativo o filme não tem nada..só um bando de efeitos especiais.

    Não que isso seja ruim, até tem vísceras à moda antiga e o bicho anda em pé como o Lon Chaney Jr, rs!

    Del Toro e Hopkins Soberbos...o filme me divertiu. Mas inesquecível mesmo é o original de 1941.

    Bjokas!

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  8. Olá Rodrigo.

    Finalmente uma opinião não tão negativa sobre o filme. Aleluia haha!

    Concordo com tudo o que disse, principalmente a questão do ambiente. Essa me foi tão digna de contemplação que não me importei muito com o resto, somente em estar naquela Inglaterra Vitoriana por 2 horas.

    Assistirei Lon Chaney hehe. Devido a defasagem do filme, preciso buscar um Lobo homem hehe.

    Bjokas!

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  9. Acho que a paixão é pontual e necessária para que a razão ganhe forma e corpo. É um processo de auto conhecimento e de descobrimento do outro. Isso posto, reconheço que sou sim passional. É bom sê-lo, principalmente como cinéfilo, que por força de definição é isso; um apaixonado por cinema. Impreterivelmente. Digo isso, para justificar que quando faço uma critica, procuro me distanciar do cinéfilo, do espectador (sem desconsidera-lo, obviamente), para que o senso critico possa equilibrar minha percepção. Agora, quando eu comento sobre a obra(em outros blogs por exemplo), sem vestir a carapuça do critico, me permito ser mais passional.
    Além do mais, é difícil vc adjetivar algo sem recorrer a passionalidade. Seria até mesmo contraditório. Aproveito o ensejo, para mais uma vez elogiá-la em relação a isso. Penso que vc madame, atinge esse equilíbrio que tanto admiro e que julgo tb possuir. Acrescento ainda que não é uma qualidade tão frequente nessa blogsfera que compomos.
    No caso específico de O lobisomen, como disse, como espectador e cinéfilo, apesar de não ter curtiiiiido o filme, tive um bom momento (provavelmente até compre o DVD, cinéfilo que sou), mas me senti obrigado a reconhecer as limitações do filme. Que na minha ótica são muitas e comprometedoras. Em pespectiva, fiz o mesmo com Avatar e sua febre de Oscar. Um ótimo filme do ponto de vista do entretenimento. É envolvente, arrebatador, agradável. Mas não tem muitos predicados que o qualifiquem para o Oscar. E essa constatação não é do cinéfilo, é do critico. Essa separação pode nem sempre estar clara, mas é um esforço que eu me obrigo a fazer. Até mesmo devido as minhas apirações profissionais.
    Ufa, escrevi demais né?!
    Bjs

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  10. Olá Reinaldo,

    Obrigada pelas palavras. Gosto de lê-lo. É a forma que eu tenho de conversar com você e entendê-lo.

    Concordo com o que você disse e aprecio a sua forma de ser crítico e de ser cinéfilo porque também me identifico com você. Não a toa que acho você um dos bloggers cinéfilos mais consistentes e sua veia jornalística e passional facilita isso. A Passionalidade é necessária, mas o bom senso também. Eu tenho ambos e, mesmo que ainda tenha muito a aprender, quando decido expor minha opinião e me dedicar a uma paixão através de um blog, eu o faço de forma sincera, não para bancar a expert, pelo contrário, quero que as pessoas possam viver o cinema como eu o vivo. Uma grande diversão, um pequeno grande luxo.

    É muito fácil julgar gratuitamente e depreciar uma obra de arte, mas não convém ao crítico ser tão superficial e, em especial, passional ao extremo. É preciso encontrar o equilíbrio porque as pessoas querem ler algo que elas acreditam, entende? São poucos os críticos que o conseguem e cinéfilos e outros fãs de outros assuntos tendem a abrir blogs para falar mal sem ao menos avaliar o quanto está sendo profundo em falar mal, até que ponto está sendo justo com o trabalho que tantas pessoas se dedicaram. Outros se prendem a questões técnicas e não se permitem sentir o filme que é algo muito vivo, muito além de técnica.

    Você está no caminho certo, Reinaldo, além de ser muito maduro e objetivo em termos de texto. Queria eu escrever tão bem como você. Rs!

    Obrigada pelo elogio. Vindo de você , é um honra. Sorte pra você em seus projetos! Gosto de pensar em você como um grande crítico de cinema em uma conceituada magazine.

    bjs!

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  11. Olá Madame, tudo bem?

    Fui assistir a este filme essa semana com um casal de amigos para escrever justamente para o blog. Tenho que dizer que "O Lobisomem" foi o primeiro filme que me senti a abandonar a sala de exibição - e olha que meu histórico no cinema inclui "As Branquelas" e "Van Helsing" rs. Nao digo que esses títulos são melhores e tal, mas tbm abandonei pq meus amigos fizeram pressão, sem falar que o filme não se salva em absolutamente NADA! Pra ser sincero, eu queria ter gostado do filme rs... poxa, Del Toro, Hopkins, Blunt, um elenco grandioso, mas completamente desperdiçado e em atuações que não condizem com o talento de cada.

    Enfim, posso ter perdido um grande final, mas ainda acho que o desfecho não salvaria "O Lobisomem", que é, pra mim, uma das maiores decepções da minha vida cinéfila =D


    bjs!

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  12. Olá Elton, tudo bem! Espero que você também.

    MAN, até você hahaha! Junte-se ao esquadrão bala de prata contra Wolfman haha.

    Será que só eu que não achei o filme tão ruim? Acho que estava de bom humor no dia ou talvez eu queria ser atacada por um lobo mau hahaha...mesmo sendo muito ruim hahaha...

    Ai eu adoro o Van Helsing, deve ser por causa daquele muso do Hugh Jackman.

    Pois é, querido Elton, te entendo e sei que o filme tem falhas, mas jamais pensei que a comunidade blogueira cinéfila odiaria tanto o Lobisomem. Eu concordo que o elenco foi desperdiçado mas é justamente eles que salvam o filme, mesmo subutilizados.

    Eu queria ser a Blunt por um dia hahaha! Beníciooooooooooooo!


    bJokas!

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  13. Madame, mais uma vez agradeço sua consideração. Sua humildade, boa vontade e generosidade me comovem. Obrigado pelo voto de confiança e pela deferência. Como nunca é demais repetir, tb adoro lê-la. Quero registrar que concordo com tudo o que vc colocou, de forma tão serena e acalentadora. Viu? Não tem como a gnt discordar! rsrs

    E que Deus te ouça quanto a trabalhar em uma revista de cinema. Bjs

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  14. Reinaldo, obrigada! Deus já me ouviu e te ouvirá. bjs!

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