quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

The Young Victoria ( The Young Victoria ) - 2009


"Only you know how to hear me through the silence"
"Só você sabe como me ouvir através do silêncio"


The Young Victoria é mais um drama biográfico dos nobres palácios que está em MaDame Lumière, apresentando uma bela história de amor na história imperial inglesa entre a Rainha Victoria (Emily Blunt, ótima) e o Príncipe Albert (Rupert Friend) em meio à trajetória da jovem Rainha por sua emancipação como mulher e como autoridade real, considerando que havia muita gente interessada pela regência e não pelo reinado de Victoria. O longa-metragem, dirigido pelo canadense Jean-Marc Vallée e com roteiro de Julian Fellowes (co-roteirista de Assassinato em Gosford Park, de Robert Altman) é como os belos dramas de rainhas e reis, certamente, um filme contemplativo no maravilhoso figurino, na evocativa fotografia e nas manobras sócio-políticas que se misturam ao intimismo pessoal e romântico conjugal das cortes imperiais; no entanto The Young Victoria tem um deleite a mais por unir dois jovens amantes que se apaixonaram e construíram uma suprema história de amor independente dos interesses de terceiros e de suas posições sociais. Dois amantes que, juntos, impactaram na forma como a Inglaterra foi governada, permaneceram governando o país por 20 anos e priorizando áreas que atenderam a necessidade do povo inglês como a educação e bem estar social , que deram vida à uma descendência grandiosa em quase 10 países da Europa e cuja história chegou às telas do cinema para inspirar novas histórias de amizade, amor e respeito entre casais apaixonados.





Neste drama, ambientado no século XIX em Londres, Victoria é disputada pela ambição de dois tios, de um lado o Rei dos Belgas e do outro o Rei da Inglaterra que estão atentos a quem exercerá a soberania britânica no lugar de Victoria, além disso
ela é uma mulher rica, solitária, poupada de qualquer aproximação social até tornar-se rainha contra a vontade de sua mãe Duquesa de Kent (Miranda Richardson) manipulada por Sir John Conroy (Mark Strong, sempre ótimo como Bad Sir) que deseja arduamente exercer uma autoridade sobre Victoria, sedento de poder. Já se mostrando uma jovem com personalidade, ela se recusa a assinar a Ordem da Regência e não cede o poder à sua mãe, o que deixa Sir John furioso e o relacionamento com sua mãe de mal a pior, principalmente quando seu tio falece e ela herda o trono. Paralelamente, Princípe Albert, homem pobre em comparação à jovem herdeira do reino da Inglaterra, é capacitado para conquistar Victoria a mando dos propósitos políticos de seu tio Leopold of Belgium (Thomas Kretschmann). Ele aprende como ela é e o que ela gosta com o intuito de que ela se apaixone por ele, mas acaba caindo na própria armadilha. As questões políticas a respeito do reinado da Rainha Victoria, ainda imatura (mas não tanto quanto os opositores imaginavam) se misturam ao começo da amizade entre ela e Princípe Albert. Nitidamente, há uma atração irresistível por parte dele, que fica fascinado por Victoria e mantem a sua admiração mais romântica em secreto enquanto troca cartas com ela. Em contrapartida, Victoria vê em Albert um grande amigo, uma pessoa que pode entendê-la enquanto os lobos da corte e do povo a amam ou a odeiam e duvidam se ela tem a capacidade de levar o seu reinado adiante. Ao se tornar rainha, ela passa a ter como conselheiro o Lord Melbourne (Paul Bettany) que a manipula a ponto dela defendê-lo enquanto os políticos se viram contra ele e o povo também (o que reperticurá uma rápida crise governamental ) , no entanto, isso não invalida a força e a nobreza desta grande mulher que teve o reinado mais extenso de toda a Inglaterra e aprendeu a governar o seu país, a encontrar apoio no seu homem e a amá-lo.





The Young Victoria é um filme para os apaixonados pelo amor como eu, para aqueles que acreditam que o amor nasce de uma amizade e de uma relação de confiança que se sustenta através da troca de intimidade quando o outro precisa de nós, quando precisamos de alguém para nos ouvir, para nos amar, para estar conosco para sempre ou, como diz o poeta, para estar próximo ao nosso coração infinitamente enquanto dure. A frase "Só você sabe me ouvir através do silêncio" se adequa bem à Rainha Victoria e sua relação com o Princípe Albert e se adequa bem ao que acredito como o verdadeiro amor, porque há uma cumplicidade neste relacionamento que se desenvolve até culminar no desejo carnal, que só acontece após um bom tempo de filme, no entanto este não imediatismo no desejo sexual, esta tensão de desejar que os amantes se unam de forma delicadamente romântica é o que torna The Young Victoria um belo filme para momentos de dócil carência na qual é necessário renovar a esperança no amor. Tanto Victoria quanto Albert aprendem a amar porque, de um lado, ele tem que aprender a continuar a apoiando em seu reinado sem se sentir um inútil que vive no palácio da Rainha e, por outro lado, ela tem que aprender a acreditar nele e não achar que qualquer sugestão de Albert seja uma forma de controle de um marido sob seu reinado, logo embora o filme só teça esta problemática mais ao final, ainda assim, é inspirador ver que eles tiveram uma trajetória que os exaltou como casal apaixonado em um cenário consumido pela fragilidade das relações. Victoria na interpretação de Emily Blunt (que foi indicada ao GGA por esta atuação) ficou bárbara porque Emily dá o tom entre a ingenuidade, a força e a humildade de uma menina mulher que está tentando encontrar o seu lugar na sociedade, embora ainda não o saiba como fazer, ela tem boas intenções assim como as de seu amado. E, Albert na interpretação de Rupert Friend faz bem o papel do bom moço, leal, educado e idealista, que soube visualizar o valor de Victoria além de sua coroa. The Young Victoria é uma cativante love story sem apelos de alcova e mesclada à dinâmica política imperial sem fugir do padrão das produções vitorianas e, por ser um filme sem grandes pretensões, ele se torna especial pois "quando olharmos a película na tela, saberemos entendê-la em nosso silêncio. O amor ao cinema também dita as regras assim como o amor em The Young Victoria."



Avaliação Madame Lumière



Título original: The Young Victoria
Origem: Inglaterra, USA
Gênero: Drama, Biografia, Romance
Duração:
100
min
Diretor(a):
Jean
-Marc Vallée
Roteirista(s):
Julian Fellowes
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent, Thomas Kretschmann, Mark Strong, Jesper Christensen, Harriet Walter, Jeanette Hain, Julian Glover, Michael Maloney, Michiel Huisman, Genevieve O'Reilly, Rachael Stirling

8 comentários:

  1. Oie Madame,
    Li seus últimos comentário no Cine Rodrigo, legal descobrir que vc é morena, rs! Uma Catherine Zeta-Jones ou Joan Crawford? rs!

    Sobre o post dos monstros: tenta baixar o 'The Cat and the cannary' No 'U-Torrent'. Quem sabe acha? Eu ainda nao tentei baixá-lo. Assisti só uma vez numa aula em meu curso de cinema. É recíproco este filme!

    Sobre o post do Hitch: Hitchcock foi questionado uma vez, perguntaram pra ele porque nunca dirigiu um suspense/drama no período monárquico..sempre lhe escapou filmes sobre 'Napoleão' , 'Lincon' e 'Maria Antonieta'(imagine Grace Kelly no papel, rs).Então ele responde:" Porque nunca vejo eles indo ao banheiro."!!!

    E sobre The Young Victoria:'Jovem Victoria' tem uma ótima premissa e observação sua. Vou conferir, ainda mais com um ator que gosto,Thomas Kretschmann desde 'O Pianista'. Elenco requintado, tbm Miranda Richardson...
    ...e o diretor Jean-Marc Vallée tem outro filme ótimo que amo: 'C.R.A.Z.Y', um filme produzido no Canadá (falado em Francês). Sabe né?

    Gostei, seu blog esta monarquicamente fofo!

    Bjkas! E poste mais filmes deste período!

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  2. Oi Madame, tudo bem? Quer dizer que tu és morena? humm, rsrs brinadeirinha!

    Ótima critica madame. Ainda não vi esse filme, mas estou curiosíssimo para assistí-lo. O elenco é ótimo,o enredo atraente e a história de amor, como ficou patente em seu comentário, cativante.
    bjs

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  3. Oie Rodrigo, acho que tenho o temperamento de diva como Joan Crawford haha, embora seja bem diferente dela.

    Você faz curso de cinema? Hmmm, trés chic! Logo vi que você tinha um pé no Cinema de forma mais profunda para adorar tantos clássicos.

    Esta frase de Hitchcock foi ótimo. Falando em loiras, quero assistir Interlúdio com a bela Ingrid Bergman e o gato do Cary Grant. Quero ver a cena quando ele fala pra ela " O dia que eu não amar mais você, eu te aviso" haha...


    Não conheço C.R.A.Z.Y. Verei uma chance de assistí-lo.


    Vou postar mais filmes desta natureza. Ando monarquicamente romântica e sentindo-me parte da realeza rsrs. bjs!

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  4. Oi Reinaldo, estou ótima, tirando o stress do trânsito de São Paulo. Me tira do sério.

    Modestamente 100% Brasileira e de cabelos bem negros!!! Sou seu tipo? rsrs(brincadeirinha II).

    Este filme tem, obviamente, uma história de amor mais no fim do enredo porque antes disso é mais diálogo por cartas entre eles(o que frustra um pouco), mas eu entrei no clima do filme. Ando monarquicamente romântica rsrs!

    bjs!

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  5. E não há nada mais majestoso do que uma madame romântica. Bjs

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  6. Madame você é morena então... Confesso que te imaginava morena, bem alta, bem sucedida e bem linda!! rsrsrsrs

    Na verdade, sempre imagino quem eu não conhece bonito!! Nunca imagino ninguém feio... e quando vou conhecer, se não é como imaginei, me decepciono radicalmente!!!

    Mas era para mim comentar sobre o filme... Voltando!! Estou com ansiedade para ver este. Primeiro porque é filme de época!! Segundo porque é sobre a monarquia!! E terceiro porque tem Jim Broadbent que eu amo!!

    Beijos Madame!!

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  7. Mas uma bela crítica que destaca o que eu espero dessa filme. Uma reconstrução de época ótima, um trabalho de arte primoroso e Emily maravilhosa. Como eu gosto muito de dramas de épocas (mesmo que as novelas água com açúcar me incomodem um pouco) acho que vou gostar.

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  8. Olá Eri, haha. Você é hilário. Continue me imaginando assim pois eu me sinto assim haha. O filme vale a pena ser visto pela atuação de Emily Blunt e pelo espírito monarquicamente de época, só acho que a "prática da história de amor", carne a carne ficou em segundo plano, vale mais pelo processo que Rainha Victoria passa. bjs!

    Oi Luis: Obrigada pelo seu comentário. Tem o lado água com açucar mesmo, mas o que é o romantismo se não uma água com açucar que adoça nossas vidas? bjs!

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