sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Fim da Escuridão (Edge of Darkness) - 2010



Sabe quando a gente termina de assistir um filme e dá uma sensação de vazio que chega a ser comparada a um estado de espírito nas trevas, um vácuo mental na escuridão, claramente a consequência fatal proveniente de uma insatisfação com o filme exibido? Eu me senti relativamente assim ao assistir O Fim da Escuridão, thriller policial que marca o retorno do veterano ator Mel Gibson ao Cinema em roteiro de William Monahan (dos excepcionais Rede de Intrigas e os Infiltrados) e direção de Martin Campbell (de 007 Cassino Royale e 007 Contra Goldeneye). Com um trio poderoso como este, não nego que meu nível de exigência subiu bastante (não antes e durante o filme) mas após eu assistí-lo, analisá-lo e concluir que o roteiro poderia ter sido melhor elaborado para fazer jus à excelência profissional e ao carisma de Mel Gibson. Felizmente, o ator dá luz a O Fim da Escuridão e, consequentemente, dá luz ao espectador mais observador que provavelmente não se apetecerá com este roteiro arrastado, resultado de um provável mau momento nada criativo de William Monahan.




Ambientado em Boston, O Fim da Escuridão relata uma investigação conduzida pelo policial da divisão de Homicídios Thomas Craven (Mel Gibson) após ele ter presenciado o assassinato de sua única filha Emma Craven (
Bojana Novakovic), mestre em Ciências pelo M.I.T e assistente de pesquisa em uma grande corporação que faz Pesquisa e Desenvolvimento para o Estado de Massachusetts. Na ocasião da morte de Emma, por sinal estupidamente chocante, tudo indica que o assassino quis matar "o (a) Craven", que poderia ser tanto a filha quanto o pai, no entanto a polícia de Boston acaba defendendo a versão de que o criminoso queria matar o detetive Craven, e a partir daí, Thomas decide investigar o assassinato de sua filha por sua conta e risco. Sendo um pai distante da filha e sem qualquer informação sobre o trabalho e a vida pessoal de Emma, ele se envolve em uma busca pela verdade a partir do momento que descobre que sua filha tinha uma vida secreta que a levou à morte e que está relacionada à empresa onde ela trabalhava. Thomas toma conhecimento que a corporação, sob o comando do corrupto Bennett (Danny Huston) têm negócios ilícitos com políticos e com a produção de armas nulceares e, implacavelmente, Thomas irá até o fim desta investigação nem que isso lhe custe a própria vida.Ele é o pai policial cumprindo uma íntima, dolorosa e mortal missão para honrar a alma da jovem filha.





Particulamente, achei o roteiro de O Fim da Escuridão mal construído e confuso, não parece fluir para dar à produção a harmonia necessária entre o suspense e a ação e muito menos relevante o suficiente para marcar o retorno de Mel Gibson e de sua talentosa atuação. Definitivamente, faltou entusiasmar e apreender a tensa atenção do espectador, no entanto, como mencionado acima, Mel Gibson é nosso eterno Sir Máquina Mortífera e Mad Max e, por isso ele merece ser visto pois entretém através de sua ilustre presença; ainda que ele esteja mais maduro e abatido pelas rugas do tempo, ele tem muito carisma e charme e toma conta da tela toda fazendo bem o papel de um homem que perde a filha e se divide entre a emoção das alucinantes lembranças da filha e a racionalidade e impetuosidade para investigar o crime. Thomas Craven se apresenta como um homem melancólico porém focado no que está fazendo para entender a conspiração de empresários e políticos e o envolvimento de sua filha neste contexto criminoso. Ele é audacioso com acessos de fúria mortal e momentos mais humanos e de bom humor, logo Mel Gibson dá o tom certo para o personagem e fez muito bem para os meus olhos saudosos de vê-lo em um novo filme. Outro ótimo trabalho que salva O Fim da Escuridão é o de Ray Winstone no papel de Daris Jedburgh, um "consultor de segurança", comparsa dos políticos corruptos que fica no encalço de Tom Craven, no entanto Jedburgh se apresenta como um estranho homem, irresistivelmente peculiar, ambiguamente dividido no seu papel, e que logo mais encontra uma forma de redenção. Quanto à dinâmica de um filme policial, as cenas de ação são menos variadas, pouco frequentes e mais bruscas dado que repentinamente surgem enquadradas para causar uma vibração até mesmo sonora na platéia, e a simples elegância policial de Mel Gibson é imperdível como um homem solitário que sofre a própria dor da perda mas está disposto a ir até o fim da escuridão para encontrar a luz da justiça e da verdade, mesmo que ela apareça manchada de sangue, mesmo que ela seja o reflexo de sua vingança.


Avaliação Madame Lumière



Título original: Edge of Darkness
Origem: EUA, Inglaterra
Gênero: Drama, Suspense, Policial
Duração: 117 min
Diretor(a): Martin Campbell
Roteirista(s): William Monahan , Andrew Bovell, Troy Kennedy Martin
Elenco: Mel Gibson , Ray Winstone, Danny Huston, Bojana Novakovic, Shawn Roberts, David Aaron Baker, Jay O. Sanders, Denis O'Hare, Damian Young, Caterina Scorsone, Frank Grillo, Wayne Duvall, Gbenga Akinnagbe, Gabrielle Popa, Paul Sparks

9 comentários:

  1. Madame, vim comentar, nada com o filme, uma coisa engraçada!!!

    Tava passeando lá pelo blog Trilhas Sonoras Disney e vejo um comentário de quem??

    De você!!!

    Me estorei rindo!!!

    nannanana

    Um beijo!

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  2. Então, apesar de vc não ter gostado do filme madame, vc destacou os dois melhores elementos do filme e que valem a conferida: Gibson e Winstone. O roteiro, é verdade, tem muitos furos, mas não chamaria de decepcionante. É o tal das expectativas né?
    Bjs

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  3. haha, Eri, está foi ótima. Que bom que você não me pegou aprontando algo podre haha. beijo meu queridão! Adoro seu enérgico bom humor.

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  4. Oi Reinaldo, eu fui bem sincera mesmo, mas soube relativizar a minha opinião colocando os pontos fortes do filme. Eu realmente saí do cinema com uma sensação de que Mel Gibson merecia um filme com um roteiro mais bem elaborado. Não nego que William fez um excelente trabalho em Rede de Intrigas e Os infiltrados(este último revisarei em breve), logo embora eu não costume nutrir grandes expectativas, o trabalho de William já fala por si só e é impossível não esperar algo melhor por parte dele. Enfim, Gibson e Winstone estão ótimos e Winstone me surpreendeu. Seria perfeito aprofundar seu personagem em outros face to face com Mel Gibson. Seria supremo, no entanto já estou satisfeita com os dois atores. Eles fizeram o filme!

    bjs claquetianos e madamísticos!

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  5. "Aprontando algo podre" Madame????

    nanannanan

    Olha que a censura vai te pegar!!

    rsrsrsrsr

    Beijos!

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  6. hahaha... brincadeirinha, Eri. Sou uma Dame rsrs...


    beijos!

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  7. oie Madame,
    eu de novo, rs!

    Olha o Mel Gibson poderia aceitar outro filme para seu retorno. Mas, olhando a carreira dele como ator, é esse tipo de papel que lhe cabe..sempre coube à ele! Mas essa época já acabou e agora ele tem que ficar só na cadeira de diretor.

    Enfim, nao tive saco pra ficar vendo ele exagerando na violência..pauladas e cenas de lutas ininterruptas... à la 'lethal Weapon'

    O diretor Campbell serve apenas para a franquia James Bond. Um diretor como John Glen ou Terence Young. Timing nas proezas de ação.

    Gosto apenas do ator Ray Winstone neste filme.

    Mas na história nao tem nada de novo. No mesmno dia assisti 'Zumbilândia' uma segunda vez para compensar, rs!

    Ótima resenha. Bjokas!

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  8. Oba, adoro te ver aqui Rodrigo. Gosto muito da sua presença pois desta forma vejo sua opinião sobre filmes mais recentes.

    Que bom que você também não morreu de amores pelo filme, fala sério, prefiro ver o Mel Gibson como diretor, ele merece muito mais uma função desta do que aceitar este roteiro, no entanto também entendo que ele sempre foi predestinado a este tipo de papel de ação, mas acho que a época dele já passou. Achei engraçada aquela hora que ele briga com o namorado da filha morta, parece que ele estava cansadão e não aguentou umas porradas na barriga. rsrsrs!

    Sabe que eu me esqueci do Campbell, né? Não consegui fazer nenhuma relação entre o trabalho dele neste filme e na franquia 007. Também com um roteiro deste o que ele podia fazer? rsrs!

    Haha, se nós trocarmos a Zumbilândia por O Fim da Escuridão, Mel Gibson tomará umas biritas de tanta deprê, não acha? haha.


    Bjokas!

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  9. Oi, sou apaixonado por este blog! rs

    Ah, posso ser sincero?

    Mel Gibson, pra mim, só funciona MESMO como diretor!

    Eu até vejo os filmes que ele atua, mas nunca fui adepto dele não..sei lá, acho ele um tanto estranho atuando, meio canastrão e clichento, entende? meio artificial, mas é esforçado, tadinho...compensa? talvez, há bons filmes em sua filmografia...e, sim: bons personagens imortalizados por ele, obviamente!!

    Ainda não vi este filme!

    Vou baixar, mas sua resenha foi eficiente, até por acentuar pontos bons da obra!

    beijos

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