segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Mostra 2014 : Sangue Azul (2014)






Sangue Azul é uma história de amor proibido, dirigido por Lírio Ferreira e filmado todo na Ilha de Fernando de Noronha. Narrado por capítulos e um epílogo e com uma forte atmosfera de lirismo e sonho, o longa é um sedutor trabalho de direção que mistura o primor técnico da fotografia de Mauro Pinheiro Jr,  a viril juventude de um nativo que retorna à sua origem (Daniel Oliveira, em boa forma física e atuação), o universo do circo e sua marcante regionalidade próxima ao povo e as belezas naturais do Nordeste.  O filme ganhou o festival do Rio como melhor filme, melhor diretor e melhor ator coadjuvante para Rômulo Braga e ganhou a melhor fotografia no Festival de Paulínia. 


A história conta sobre Pedro, agora conhecido como Zolah, o homem- bala (Daniel Oliveira) que trabalha no Circo Netuno e retorna à ilha após sua mãe (Sandra Coverloni) tê-lo entregue  quando criança aos cuidados do ilusionista Caleb (Paulo Cesar Pereio). O motivo do afastamento  foi o medo  do incesto entre Zolah e sua irmã Raquel (Caroline Abras) na infância. Com o retorno  de Zolah, o passado é vivenciado e gera efeitos dramáticos no presente. Raquel tem um companheiro, Cangulo (Rômulo Braga) e Pedro tem uma relação com Teorema (a bela Laura Ramos) além de outras escapas sexuais. 


Esse é um filme que se destaca por ter uma energia de fábula, de história contada como se fosse uma lenda pecaminosa, uma história de amor e desejo proibido. Tudo isso fica mais intenso à medida que o lugar, tão próximo à natureza selvagem e ao mar sereno e também furioso desperta essa possibilidade de viver o prazer sem muitos entraves morais, inclusive o do amor e do sexo livre.  Zolah é um jovem atrativo, de força física e corpo bonito e é capaz de facilmente despertar o desejo nas mulheres. Daniel Oliveira encarna o jovem que faria até mesmo a irmã fornicar com ele. Ele vive intensamente o prazer carnal mas, por uma grande ironia da situação, ele não pode consumir o ato sexual com a irmã.  Todo o roteiro é construído para deixar em suspenso que Zolah tem um desejo guardado e os fantasmas do passado voltam a assombrá-lo.


É um belo filme em sua essência audiovisual e como ele foi dirigido, principalmente quando Zolah se aproxima do mundo aquático de Raquel, que é mergulhadora e vive mais no mar que na terra. Essa aproximação é um dos momentos mais líricos do longa. Ter escolhido o paraíso Fernando de Noronha fez a diferença mas evocar essa liberdade do circo, do povo da região, do amor e do sonho é muito mais atraente porque o público não precisa ser moralista, por exemplo. Potencialmente o público é envolvido e pode se sensibilizar com o drama de Zolah e Raquel. O trabalho de direção é muito fundamental e bem combinado com a fotografia para sustentar a qualidade desse filme. O diretor tem um olhar bastante cinematográfico ao extrair muito mais dos enquadramentos de câmera e composição dos planos e, por isso, o roteiro dá um norte mas não é o fator essencial do filme. Além da direção, o que vale muito mais na história é o gosto pelo proibido, o sofrimento aparente, as reticências e silêncios, o amor que está acima de laços sanguíneos e suas regras. O diferencial da experiência é observar como quem ama também sofre ao não poder tocar a pele e consumir o seu amor e desejo.











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