domingo, 26 de outubro de 2014

Mostra 2014 : As noites brancas do carteiro ( BELYE NOCHI POCHTALONA / The Postman's white nights) - 2014








Ganhador do prêmio de direção do Festival de Veneza para Andreï Konchalovsky, As noites brancas do carteiro é filmado com uma mistura de ficção com documentário e tem um carater muito peculiar e naturalista na sua produção. Relata o dia a dia do carteiro de um vilarejo no Norte da Rússia e da interação com a comunidade. O carteiro é solteiro e vive sozinho, praticamente é um ser solitário no mundo mas que, por outro lado, é a conexão do mundo com a comunidade, estabelecendo uma cordial relação com os habitantes locais.



O longa é realizado com habitantes locais e não tem um roteiro estruturado, o que lhe dá uma característica mais documental  do que ficcional. É um belo trabalho cinematográfico ao mostrar a vida de uma maneira não planejada, apenas como ela deveria ser: leve. Aqui interessa muito mais como o diretor quis enquadrar o cotidiano dos simples moradores: a mãe solteira e sua criança, o manguaça, os vizinhos, os trabalhadores do comércio. Com o carteiro, temos acesso a eles e suas rotinas. O protagonista também faz a diferença porque é um homem comum. Ele foi uma boa escolha do elenco porque é um homem simples, que parece guardar em si o ato de ajudar os outros e ser confiável. Ele chega a ser engraçado e triste e poderia ser qualquer ser humano que tem que lidar com o tédio diário, portanto o protagonista sustenta bem o filme e, sem ele, a proposta não teria o mesmo efeito. Em um dos planos mais recorrentes, ele acorda e olha para os seus chinelos. Percebe-se que esse é um ato que fazemos muitas vezes como se perguntássemos: mais um dia, o que farei  hoje?


Os planos têm a beleza da natureza bucólica, intocada e silenciosa. A qualidade da direção tem um ótimo trabalho de fotografia da natureza, principalmente quando o carteiro faz cenas em contato com o rio, nas quais é possível ver a fascinante graduação das cores e de seu efeito no audiovisual. Essa natureza testemunha esse cotidiano de solidão e ofício do carteiro mas também é a sua companheira. Tanto que, em uma das tentativas de sair do vilarejo, o carteiro retorna sem grandes motivos e sua amiga de infância Irina não se identifica mais com o local. Como uma das interpretações possíveis, o filme retrata o hábito de permanecer em uma tranquila vida em um mundo que é cada vez mais caótico e ambicioso. Estar em contato com a singela natureza do hábito, da vida em sua essência mais bruta regada a conversas descontraídas com habitantes do local  e sem os efeitos nocivos do mundo cosmopolita é um dos presentes dessa bela obra do Cinema Russo.






Ficha técnica filme ImDB As noites brancas do carteiro

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