domingo, 19 de outubro de 2014

Mostra 2014 : Força Maior ( Force Majeure/ Turist) - 2014










Um dos destaques da Mostra e melhor filme do Un Certain Regard do Festival de Cannes,  Força Maior (Turist) dirigido por Ruben Ostlund é uma comédia dramática que coloca o marido moderno "contra a parede" e tem o requinte do Cinema Nórdico ao misturar cenas frias e silenciosas de uma estação de esqui com desabafos entre um casal durante uma crise de casamento. Thomas (Johannes Kuhnke) e Ebba (Lisa Loven Kongsli) estão passando férias com os dois filhos nos Alpes Franceses. Ele é um daqueles maridos jovens e ocupados e essas pequenas férias são uma oportunidade de estar próximo à família e celebrar o momento com diversão, mas após uma avalanche durante um almoço familiar, uma cômica e surpreendente situação se torna o estopim para danos no relacionamento. 


No plano de abertura, muito bem pensado, o tom já é engraçado e indica que algo ocorrerá à aparente harmonia dessa família. A partir daí, a dramédia alterna cenas contemplativas de longos silêncios com as familiares e maior participação dos atores. É interessante notar que os silêncios não chegam a incomodar pois, como na maioria das relações mal resolvidas,  os silêncios dizem muito mais e, aqui, têm uma função narrativa ; portanto essa é outra escolha bem acertada do diretor, que também intercala momentos hilários de choradeira e desabafos em momentos constrangedores, principalmente os que marcam  a diferença entre homens e mulheres ao enfrentar - se com seus pontos de vista diferentes. Apesar da crise, o filme não é clichê pois tem uma atmosfera muito distinta da apresentada em filmes muito comerciais e o humor não é escrachado ou muito óbvio, funcionando mais como um humor negro que deixa uma gargalhada contida no expectador, entre a seriedade do problema e a vontade de rir do casal.


O roteiro ainda deixou muito a desejar e poderia ter dado mais complexidade à dramédia. Faltou desenvolver a ideia através dos personagens principais pois, a todo o momento, o expectador mais atento perceberá que faltou aprofundar o conflito para uma melhor finalização. Para expandir um pouco mais a história e possibilitar mais elementos acerca da problemática do casal , o roteirista optou por inserir personagens coadjuvantes que testemunham a crise e todo o constrangimento. Fatalmente isso era muito necessário para rodar esse roteiro já que os diálogos entre o casal não foram tão desenvolvidos, além disso um casal em crise normalmente não conversa muito ou não quer conversar. O elenco masculino garante boas risadas e é destaque: Johannes Kuhnke como o marido sem noção e, principalmente, o  hilário coadjuvante Vicent Wettergren, um dos pontos altos em toda a projeção, ele é o salvador das cenas cômicas.


Não se pode negar que o filme parece despretensioso mas não é. Ele coloca o homem no centro da história e isso é bom porque poucos filmes o fazem. Thomas é como o réu da esposa durante os minutos de projeção e tudo fica engraçado mesmo que o assunto seja sério. Ao inserir uma ideia simples, um motivo aparentemente egoísta e banal como estopim para uma crise conjugal, o diretor e também roteirista traz à tona que  em nossa própria humanidade, tão falha, as diferenças ocorrem nos mais comuns casamentos  e muitas vezes somos incapazes de dialogar a respeito. As melhores cenas são as que reproduzem tentativas vãs de Thomas tentar explicar o inexplicável à Ebba e, também, as que indicam que muitas vezes o homem não vê erros em suas atitudes porque nem sempre os cometem por premeditada maldade. Os homens são o que são, com erros e acertos, com uns dias de herói e outros não. 





Ficha técnica do filme: ImdB Força Maior







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