segunda-feira, 24 de maio de 2010

MaDame Teen : Peggy Sue - Seu Passado a Espera (Peggy Sue got married) - 1986

MaDame Teen:
Coletânea de filmes dos anos 80
que marcaram minha (pré)adolescência




Durante as últimas semanas tenho sentido um saudosismo fora do comum, não o proposital que se empenha em vir à tona, mas aquele que surge a partir de pequenos detalhes: uma fotografia que reaparece quando menos se espera, um ídolo que remonta ao romântico imaginário adolescente, etc. Tais lembranças surgem como se quisessem encontrar-se com meus pensamentos, formando um elo nostálgico cada vez mais crescente. Embora não seja bom viver como um museu, ou seja, viver de passado; há memórias que são positivas e só mostram que, se eu pudesse, eu voltaria a um passado e, certamente, nada mudaria nele; mesmo com todos os amores e dissabores de uma intensa jornada humana, o passado tem alguma delícia que sempre me espera.





Com direção do renomado Francis Ford Coppola, Peggy Sue, seu passado a espera é um destes filmes "máquinas do tempo" que dão ao protagonista o privilégio de vivenciar momentos incríveis de uma época que não volta mais. Se por um lado há a magia desse retrocesso temporal, por outro lado, voltar ao passado coloca em pauta mudanças que poderiam ser feitas nele para que o presente fosse menos doloroso; nesse contexto, voltar a este tempo é uma oportunidade de corrigir as falhas que se manifestaram na atual realidade ou reafirmar que em nada esse presente deveria ser mudado. Peggy Sue (Kathleen Turner) é uma mulher de 43 anos, mãe de Beth (Helen Hunt) e está atravessando uma crise matrimonial que já beira o divórcio com Charlie (Nicolas Cage). Em plena década de 80, ela desmaia em uma festa de confraternização e retorna à década de 60, exatamente na época adolescente quando namorava Charlie e andava com as amigas Carol (Catherine Hicks) e Maddy (Joan Allen). No elenco de colegas da escola também se destacam o nerd Richard (Barry Miller), amigo de Peggy Sue, Walter Getz (Jim Carrey) e Leon (Harry Basil), amigos de Charlie, Michael (Kevin J. O'Connor), o intrigante affair de Peggy Sue e a rápida aparição da filha de Coppola, a diretora Sofia Coppola que faz o papel de Nancy Kelcher, irmã de Peggy Sue.





Embora o longa-metragem não tenha tanta popularidade, e muito da crítica negativa que recae sobre ele é devido ao final aquém da qualidade do resto do roteiro, e de ser um filme muito desvalorizado de Coppola pois ele já havia feito a obra prima O poderoso Chefão I, Peggy Sue tem seu charme. Primeiramente, há um elenco bem atrativo porque é possível ver como Joan Allen, Helen Hunt, Nicolas Cage e Jim Carrey eram quando muito jovens. Só o fato de contemplar o visual deles já é um grande entretenimento, principalmente a cabelereira e os óculos de Joan Allen e a cara hilária de Nicolas Cage, logo não há a necessidade de exigir demais dos personagens, e muito menos, a pretensão de exigir um filme do diretor no mesmo nível que The Godfther. Outra virtude do longa é poder viajar até os anos 60 e ver o reflexo da época na trilha sonora, no figurino e na fotografia, inclusive estas duas últimas categorias foram indicadas ao Oscar. A música de Buddy Holly e aquele clima adolescente de curtir as festinhas e as idas à lanchonete e namorar à luz do luar é tão poderoso que eu me transfiro na personagem de Peggy Sue como se eu quisesse ouvir Charlie cantando para mim "I wonder why" do Dion and the Belmonts enquanto o calor subisse pelo meu corpo, eu gritasse pelo seu nome e assanhasse todas as minhas madeixas. Finalmente, a característica de ser um filme "máquina do tempo" permite uma reflexão pessoal de que nem sempre os problemas do presente podem ser corrigidos com um ajuste do passado, afinal quando nos apaixonamos e constituimos uma família, por exemplo, há sempre o risco de ter as crises que fazem parte da própria natureza da instituição familiar ( e da humana); o fato de Peggy Sue vivenciar um divórcio nos anos 80 e ter a possibilidade de repensar se quer ou não casar com Charlie é uma reação natural que talvez muitos de nós teríamos, no entanto, o que mais importa é pensar nas coisas boas das nossas escolhas, independente dos fracassos e, com isso, não remoer o "se eu voltasse ao passado, mudaria isso".

Tenho certeza de que um desmaio como o de Peggy Sue costuma fazer muito mais o bem do que o mal, por isso eu surrealisticamente desmaio quando assisto Peggy Sue. O filme me faz um bem danado, é sempre bom ter a nostalgia me esperando.


Avaliação MaDame Lumière





Título original: Peggy Sue got married
Origem: EUA
Gênero: Romance
Duração:104 min
Diretor(a): Francis Ford Coppola
Roteirista(s): Jerry Leichtling, Arlene Sarner
Elenco: Kathleen Turner, Nicolas Cage, Barry Miller, Catherine Hicks, Joan Allen, Kevin J. O'Connor, Jim Carrey, Lisa Jane Persky, Lucinda Jenney, Wil Shriner, Barbara Harris, Don Murray, Sofia Coppola, Maureen O'Sullivan, Leon Ames

4 comentários:

  1. Até que eu gosto desse filme. Acho bacana, divertido. Talvez, tenha sido o melhor papel da Kathleen Turner.

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  2. Oi Kamila,
    Concordo contigo. Acho que foi também o papel mais carismático, impossível não gostar de Peggy Sue, nem que seja um pouquinho. bjs

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  3. Verdade madame. Um desmaio como o de Peggy Sue costuma fazer mais bem do que mal. Esse é um filme mais leve do Coppola, sua repercussão negativa vem do fato de poucos terem disposição de ver um "Coppola leve". É um bom filme. Não merece ser comparado a O poderoso chefão. Não há pq forçar essa comparação.
    Bjs

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  4. Oi Reinaldo,
    Também acho que as pessoas não deveriam forçar tal comparação porque são pesos distintos na cinematografia de Coppola. Acho Peggy Sue adorável, um filme leve, agradável de ver em sua proposta. Uma pena que as pessoas não o valorizem.
    Bjs

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