quinta-feira, 20 de maio de 2010

Dupla Implacável (From Paris with Love) - 2010



Luc Besson, produtor e roteirista Francês é um dos europeus mais americanos que existem. Ele gosta de muita adrenalina com direito à bastante pancadaria e tiroteiro e também aprecia um figurino com ternos bacanas e carros caros e velozes, logo isso tudo é um prato cheio para ele ser um dos grandes nomes como argumentista em filmes de ação. Seus filmes costumam ter um diferencial de elegância, ou seja, ele mantém o bom gosto visual do Cinema Europeu e costumam misturar a ação com sofisticação que dá até gosto ver tiros, porradas e explosões que, em poucos minutos, tem um poder letal de destruição. Sua parceria com o direitor Pierre Morel costuma ser muito boa, basta lembrar de Busca Implacável com Liam Neeson, raivoso o suficiente para livrar sua filha das mãos sujas de traficantes de mulheres.





Dessa vez, a dupla quis repetir o sucesso usando outra dupla de atores: John Travolta e Jonathan Rhys Meyers que interpretam, respectivamente, Charlie Wax e James Reece, dois agentes secretos que têm uma missão em plena bela Paris: combater terroristas que ameaçam realizar um atentado em uma reunião de líderes globais na embaixada Americana.Wax é um americano prático e experiente com relação ao seu ofício e tem métodos excêntricos de realizar as tarefas de agente; tem foco na missão, mata com facilidade, analisa todos os cenários e é um piadista com um estilo barra pesada, bem "porra louca" até na forma de se vestir e se comunicar. Reece é o oposto e está em início de carreira trabalhando como agente infiltrado na embaixada americana pois preza muito pela sua carreira e promoção. Elegante, poliglota, sensível, Reece mais parece um candidato à diplomata ou filhinho de papai do que um agente secreto para trabalhar ao lado de Wax. Eles acabam sendo parceiros nessa missão e têm que trabalhar juntos lidando com as diferenças entre eles. O que deveria ser uma dupla bem implacável, com uma sinérgica atuação na ação, torna-se uma dupla sem coesão, presa a um roteiro fraco cujas ações não tornam a película tão boa quanto Busca Implacável e outros trabalhos de criação de Besson como por exemplo a série Carga Explosiva.






John Travolta se esforça em entregar um agente bem humorado com métodos um tanto controversos de atuação como se estivesse unindo trabalho e diversão em Paris e, sem dúvidas, mesmo com o humor arrastado da dupla, o ator tem o melhor papel e a melhor atuação em compensação ao seu perdido parceiro Jonathan Rhys Meyers. Travolta e seu espírito impiedoso de fazer o serviço secreto, atira para matar, explode carros e locais, desconfia de tudo e todos e ainda tem que lidar com um agente inexperiente que mal pode sujar a própria cara e o terno. Meyers transmite que está perdido no papel ingrato que lhe deram, logo nem assumiu o fato de ser um protagonista (afinal o filme se chama "dupla" implacável na repetitiva tradução tupiniquim). Ele também não faz bonito nem como coadjuvante, basta verificar o mico que ele paga em uma longa sequência ao carregar um vaso cheio de cocaína para Wax, e ainda, tem que aceitar as ordens do agente mais experiente e muito mais esperto. Meyers só é usado e tem uma certa importância na trama porque, mais adiante, é necessário relacioná-lo com os desdobramentos para o desfecho, logo esse papel pouco agregou à sua carreira para torná-lo um talento diferenciado. Além disso, as locações parisienses também deixam a desejar e poderiam ser melhor exploradas assim como o fizeram com a bela fotografia dos créditos iniciais ao som de uma música Francesa e da perseguição de carros na Autobahn Parisiense. Alguns elementos próprios da Europa que aparecem no filme como, por exemplo, a presença de vários imigrantes estrangeiros fora da lei também poderiam ter maior destaque para dinamizar a problemática social; eles acabam sendo meros coadjuvantes com nenhum grande vilão na ação; logo, de maneira geral, Dupla Implacável só vale a pena para contemplar algumas cenas de ação que detonam homens e lugares em poucos minutos e ver Travolta bancando o palhaço para entreter o espectador e salvar o filme. O Miami Vice de Besson não deu certo nem na dupla e nem no implacável.




Avaliação MaDame Lumière






Título Original: From Paris with Love
Origem: França
Gênero(s): Ação, Crime, Policial
Duração: 92 min
Diretor(a): Pierre Morel
Roteirista(s): Luc Besson e Adi Hasak
Elenco: John Travolta, Jonathan Rhys Meyers, Kasia Smutniak, Richard Durden, Yin Bing, Amber Rose Revah, Eric Gordon, François Bredon, Chems Dahmani, Sami Darr, Julien Hagnery, Mostéfa Stiti, Rebecca Dayan, Michaël Vander-Meiren, Didier Constant

4 comentários:

  1. Esse "miami vice" de Besson sempre me pareceu ser isso mesmo. Um miame Vice de Besson. Perfeita analogia.
    Bjs

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Olá Reinaldo,
    É por aí mesmo; sempre é positivo termos a visão de como alguns padrões se repetem. Nesse filme pensei em Miami Vice e Máquina Mortífera, mas ele está distante de chegar aos pés desses filmes. bjs

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  4. Oi Cris,

    Entendo sua escolha e, de alguma forma, nossos blogs têm focos distintos por isso eu consigo falar de filmes mais diversos por aqui. É uma questão de escolha, Cris, não subestimo nenhum filme e como blogueiros temos que estar preparados para falar o que temos vontade de falar, inclusive de filmes abaixo da média, desta forma, colaborado para a cultura do cinema que também traz filmes aquém do esperado.

    Particulamente, tenho que reforçar mediante seu comentário brincalhão "esses dois sim valem a pena e análises aqui! rs" e sobre a perda de tempo, honestamente? Eu não acho uma perda de tempo porque acho que assim como é bom resenhar filmaços, desafioso é resenhar filmes que pouco acrescentam mas tem um assunto ou outro que pode ser aproveitado e acabam abrindo um pouco o portfólio do blog também mostrando filmes que por serem assim devem ser vistos com ressalva e até não serem tão subestimados.

    Na verdade, resenhar filmes bons demais é fácil.

    Com relação aos filmes que falou eu gosto de A Senha. Com relação as suas sugestões, anoto todas e escrevo também por inspiração, então não forço muito a barra, um dia os filmes chegam.

    Bjs

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