sábado, 29 de agosto de 2015

Babadook (The Babadook - 2014), de Jennifer Kent

Semana do Terror e Horror MaDame Lumière
 25 a 31 de Agosto
Um riso nervoso nunca é demais!


"Está chegando a hora de dormir 
e o Babadook chegou para o seu terror! 
Mas como lidar com a dor e sem amor?"  
(MaDame Lumière)


Por Cristiane Costa



As últimas produções cinematográficos de terror/ horror têm reservado boas surpresas para oxigenar o gênero, com a chegada de uma nova safra de cineastas estreantes em longas - metragem, alguns procedentes fora do eixo Hollywoodiano, com refrescantes cinematografias  ou um olhar diferenciado no roteiro e direção, entre os quais, destacam-se os filmes "Goodnight mommy" (Ich seh ich seh, 2014, Áustria) de Severin Fiala e Veronika Franz,  "Housebound"(2014, Nova Zelândia) de Gerard  Johnstone, "O Segredo da Cabana" (The Cabin in the woods, 2012, USA) de Drew Goddard, "Afflicted" (2014, USA / Canadá) de Derek Lee e Clif Prowse, "Musarañas"(2014, Espanha) de Juanfer Andrés e Esteban Roel  e The Babadook (2014, Austrália/Canadá) de Jennifer Kent.





Babadook é um daqueles filmes contemporâneos que misturam drama,  horror e suspense, com forte abordagem para o drama psicológico e intimista no qual a metáfora ocupa um espaço significativo para compreender a construção da narrativa e o tormento dos personagens. Amelie (Essie Davis) é uma mãe solteira que, após uma perda familiar, se afunda em uma depressão e perde claramente o vigor e o entusiasmo pela vida entrando em uma espiral autodestrutiva de melancolia, apatia e sofrimento. Mesmo com a responsabilidade de criar e educar o filho  Samuel (Noah Wiseman), um garoto  perturbado e com evidentes transtornos psiquiátricos, Amelie está nas sombras e não tem estrutura emocional para analisar nem suas atitudes desequilibradas nem as do filho. Começa a ler um livro sobre um monstro "Babadook" para Samuel. O garoto fica obcecado que o fantasma está escondido em casa e, aos poucos, Amelie se dá conta que  um mal muito pior que o Babadook os persegue.







O longa é bizarro do começo ao fim, como consequência, ele gera um incômodo que está além  de ficar tenso com as cenas. O incômodo principal é com o sofrimento e a impotência de uma mãe, em especial, uma mulher que desistiu de si mesma e para a qual a vida é um quadro em preto e branco. Sob a perspectiva da estrutura narrativa e de como ela prepara o público para o grande clímax, a história apresenta Amelie como uma mulher apática, o que já indica que ela tem um problema emocional que, embora não seja compreendido plenamente no início, mostra o quanto ela não está mais interessada em realizar uma rotina básica de mãe e, principalmente, que não está atenta ao seu filho. 



Samuel entra em um processo obsessivo de que tem que matar o monstro como se fosse um super heroi ou o pai da família,  o que representa uma abordagem inteligente do roteiro, afinal, se a mãe está definhando e abandonando os cuidados do lar e a atenção ao filho, simbolicamente, a criança pode ter reações fantasiosas e desesperadas. Sendo assim, será mesmo o personagem ficcional de uma história sobre monstros o grande perigo da casa, ou são outras energias do mal e o quanto o ser humano abre as portas para uma série de sofrimentos a si próprio, ora por não se dar conta desse mal, ora por não saber como lidar com as provações dolorosas que a vida lhe reserva. 



                               


Babadook se resume a um bom filme que realiza uma fusão metafórica da dor e da perda com o gênero horror. Ainda que no último ato,  a história acelera muito e de forma confusa em comparação ao lento ritmo dos primeiros atos, e o personagem do garoto é desenvolvido superficialmente de forma a torná-lo chato e insuportável, a direção é eficiente ao enfocar o ambiente familiar obscuro, abandonado, deprimente e realizar uma boa direção de atores na interação com Essie Davis. A atriz tem total responsabilidade de encarnar a mulher depressiva que não consegue lidar com a perda, não está com o emocional firme para deixar o passado ir embora e seguir adiante mais fortalecida para criar seu filho. Sua personagem é bastante entendiante, entretanto ela performa bem o papel e merecia um roteiro com cenas menos  bizarras e no qual pudesse trabalhar com outros atores.



                                   




Ao adicionar a figura do monstro que, ou os enlouquecerá ou os matará, o roteiro utiliza uma simbologia forte que faz a ponte com a criança através de uma história para dormir e  aproxima Samuel do próprio mal que ele tem que enfrentar, afinal, qual é a mãe que, em plena e boa condição psicológica, contaria a história de um Babadook assustador para o filho pequeno? Apenas as atormentadas. Com essa evidência e tantas outras  que o roteiro espalha pelas cenas, Amelie está envolvida por uma força maligna que é muito mais dela do que do ambiente externo. Finalmente, Babadook dá um medo básico mesmo parecendo um personagem com humor negro,  mas o  longa é muito mais do que o  aspecto físico macabro e a postura persecutória do monstro,  sua grande força narrativa está no sofrimento que emerge da dolorosa experiência de perder uma pessoa amada. Cabe a cada um enfrentar o seu próprio monstro.





Ficha técnica do filme ImDB The Babadook

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