domingo, 25 de julho de 2010

Cine Família: A Última Música (The Last Song) - 2010



Os dois últimos best-sellers do escritor Nicholas Sparks: Querido John e A última Música emplacam a lista de mais vendidos nas livrarias do Brasil. Antes não havia livros do escritor traduzidos para o português e, para comprá-lo em pocket book em inglês, havia que aguardar uma encomenda importada. Agora Nicholas Sparks é febre editorial e na ambição comercial do escritor (e dos estúdios de Cinema), ele lançou estes livros na tela grande, com pouca diferença de tempo. Os romances do escritor emocionam multidões pela facilidade e a sensibilidade melodramática do escritor em falar sobre o amor, a doença e a família. Em praticamente boa parte de seus livros, há uma história de amor com aproximações e distanciamentos dos apaixonados e, há uma variável trágica de perda, normalmente uma enfermidade que ocasiona a morte.


Diferente de Querido John, dirigido pelo ótimo Lasse Hallström,com um casal de atores mais experiente e bonito: Channing Tatum e Amanda Seyfried, e distribuído pela Sony Pictures, A Última Música é o primeiro longa-metragem de Julie Ane Robinson, tem a distribuição da Disney que teve relevante influência na concepção dele já que a estrela da série Hannah Montana, a cantora teen Miley Cyrus é a protagonista escolhida com 2 canções: I hope you find it e o conhecido hit When I look at you, logo este é um projeto Disney e Cyrus e muito de seu resultado cinematográfico regular advém desta parceria com a inexpressiva atuação da cantora, candidata à atriz Hollywoodiana. No roteiro romântico (e com abordagem familiar), Miley Cyrus e Liam Hemsworth são Ronnie Miller e Will Brakelee, dois jovens que se conhecem em uma cidade litorânea durante o Verão Americano, período que Ronnie e seu irmão Jonah (Bobby Coleman) deixam a casa da mãe Kim (Kelly Preston) e passam férias com o pai Steve Miller (Greg Kinnear). Ronnie é uma adolescente rebelde, sem amigos e que, após a separação dos pais, tem uma relação distanciada com Steve de forma a tratá-lo hostilmente. Seu pai toca piano e, ela também é uma pianista talentosa, candidata forte à renomada escola Juilliard mas desistiu da música. Ronnie vive o primeiro amor com Will, e estando mais amorosa, ela começa a se relacionar melhor com o pai. Após uma triste notícia familiar, ela terá que assumir seus erros, perdoar e valorizar o amor e a família.






Com uma inspirada fotografia e cenografia de cidades litorâneas, tão comuns nos Sparkianos Querido John e Noites de Tormentas, e uma trilha sonora acima da qualidade do filme com cool songs de Aaron Zigman, One Republic, Maroon 5, Alpha Rev, Raveonettes e Eskimo Joe, A Última Música só mantêm estas virtudes técnicas. O longa deixa bastante a desejar em comparação a filmografia adaptada de Sparks; os namorados(na vida real) Miley Cyrus e Liam Hemsworth são tão feitos um para o outro que não têm química e muito menos o mesmo poderio de atuação, o que faz com que a emoção não seja vibrante na tela nem sob a ótima do romance juvenil e muito menos do drama familiar. Acabam usando como muleta algumas cenas clichês de primeiro amor. Basta reparar bem nas fisionomias de ambos que se mantêm congeladas entre uma cena e outra sem nenhuma variação interpretativa em viver intensamente aquele drama, e as partes mais sentimentalistas são realizadas por Greg Kinnear e Bobby Coleman, este último, uma graça e simpatia de garoto mas mal utilizado pois coube a ele todo o melodrama com closes em seu rosto rebuscado de lágrimas, capaz de cortar o coração da audiência ao ver o seu sofrimento. É bem provável que se a direção de elenco tivesse colocado uma atriz jovem, mais experiente e carismática como Dakota Fanning ou Ellen Page no lugar de Miley Cyrus, elas seriam capazes de mimetizar o drama, mais vivamente, mais verossímil . Cyrus tem muito a aprender como atriz e, deve investir sua fortuna em aulas de interpretação já que só serviu para fazer cenas de brincadeirinhas entre recém apaixonados como escrever seus nomes em uma árvore,e brincar de jogar barro um no outro e aquelas briguinhas birrentas e pueris.






Por outro lado, para desfrutar da lição de moral do filme e prestigiar os esforços de Sparks como escritor, o expectador tem que esquecer dos pontos fracos da produção. Esqueça-os para chegar ao final da película! Aquela velha história de que só nos damos conta que amamos alguém quando estamos prestes a perdê-la ou a perdemos, é o que acontece aqui e que torna A Última Música um mensageiro de que perdas são irreparáveis, o tempo não volta atrás e segundas chances são importantes, por isso é preciso estar ao lado de quem se ama, principalmente dos pais. A receita Sparkiana é a mesma: bem sentimental, tocante. O longa-metragem rende lágrimas em alguns momentos, mas muito mais em função das cenas de pai e filho(a) como aconteceu com Channing Tatum e Richard Jenkins em Querido John, a diferença é que não há um Tatum e muito menos um Jenkins, além do roteiro ter problemas de foco narrativo, ou seja, não consegue nem desenvolver o romance, nem o drama familiar e nem o aspecto musical, vira uma miscelânea de emoções interpretadas de forma superficial ou perdidas. Por exemplo, embora o argumento diga que a música aproxima pai e filha, isso é uma mentira na divulgação. Não há um desenvolvimento narrativo expresso em imagens filmícas que diga: Ronnie propicia ao expectador momentos musicais que os aproximam; o que representa uma oportunidade jogada fora, a música sempre emociona e ela é um dos personagens mais grandiosos se usada bem como um catalisador dos sentimentos humanos. Nos últimos minutos de filme, há uma manobra para isso acontecer, mas já é tarde demais e, fatalmente, a fita se envereda em dar um final musical, só que sem a grandiosidade emotiva à altura de uma linda canção.



Avaliação MaDame Lumière



Título Original: The Last Song
Origem: EUA
Gênero(s): Drama, Romance
Duração:
107 min
Diretor(a):
Julie Anne Robinson
Roteirista(s): Jeff Van Wie, baseado no livro 'The Last Song', de Nicholas Sparks
Elenco: Miley Cyrus, Greg Kinnear, Bobby Coleman, Liam Hemsworth, Kelly Preston

4 comentários:

  1. Não sou grande fã de Miley Cyrus, e vendo o seriado que ela faz, dá pra perceber sua 'maravilhooosa' atuação, rs
    Enfim, não tenho muita coragem de encarar este filme, pode ser fatal demais pra mim, hehehehe

    []'s

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  2. Eu gosto dos filmes baseados em livros do Nicholas Sparks, mas não gosto dos finais tristes dele. Poxa, será que ele não poderia colocar um final feliz para variar um pouco?? :) Quero muito ver, não só esse, como também "Querido John".

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  3. Acho Miley Cyrus fraquinha até como cantora e, para mim, sua melhor música é a que ela faz dueto com John Travolta em "Bolt", que é ótima. E não gostei do trailer desse "A Última Música", mesmo sendo do Sparks. Prefiro conferir "Querido John", que parece bem melhor.

    Beijos, querida! ;)

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  4. Se fosse um documentário chamado "A Última Música" estrelando Miley Cyrus, eu assistiria e recomendaria a todos, mas como se trata de uma ficção...HAHAHAHAHA!

    eu não esperava muita coisa mesmo por ser uma adaptação do Nicholas Sparks, que é aquele tipo de querer arrancar lágrimas do espectador sem dó nem piedade. E o talento de Miley Cyrus, convenhamos, não é nem um pouco atrativo para se passar 2 horas assistindo a um filme. Vou esperar passar na Sessão da Tarde =D


    abs, MaDame! o/

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