segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Pour Elle (Anything for her ) - 2008





O que um homem apaixonado faria quando a vida de sua  família é virada do avesso após um crime misterioso? O que um marido faria pela liberdade da sua mulher? Pour Elle, suspense de Fred Cavayé em colaboração com Guillaume Lemans trabalha com o argumento de uma situação limite: um homem executa um plano ambicioso para tirar sua esposa da prisão. E o faz sozinho. Cavayé adora abordar o pai disposto a defender e preservar a família, como em Mea Culpa, aqui não é diferente. 


Julien (Vincent Lindon) é professor de Francês, casado com uma bela mulher mais jovem, Lisa (Diane Kruger). Eles tem um filho pequeno, são muito apaixonados. A família vive em harmonia. Essa paz é afetada quando policiais invadem sua casa e levam sua esposa. Motivo: ela é uma assassina. Está condenada a 20 anos de prisão. Após anos na cadeia, sua situação se torna mais crítica: pensa em suicídio.


Todo o filme é construído para evidenciar o amor e a lealdade de Julien à Lisa e colocá-lo em uma situação desesperadora e contra o tempo para libertar a esposa. No início, as intensas demonstrações de carinho mostram que esse casal tem química e nem mesmo o casamento deixa a relação morna. Se beijam com muito tesão e estão felizes. Ele é um pai dedicado e cuida do filho. Mais adiante, nas visitas à prisão, ele continua fiel ao seu amor, incapaz de traí-la e abandoná-la em nenhum momento. Esse retrato de Julien define (e justifica) o que ocorre posteriormente na narrativa: vira um fora da lei para libertar a esposa e  Pour Elle se transforma em filme de um homem só. A vantagem desta escolha é que, nos filmes de Cavayé,  Vincent Lindon tem o dom de ser um protagonista com jeito de homem comum e capaz de perder o controle a qualquer momento para defender seus interesses. Além de sua sedutora maturidade, forte (e viril) presença na Tela, ele tem o estilo de lobo solitário para a ação.



Vincent Lindon e Diane Kruger: 
separados por um crime, unidos por outro



Não há grandes intervenções de coadjuvantes (que são rasos aqui e só servem para interagir com Julien em situações realmente necessárias para fazer sentido ao plano de fuga dele). O plot não tem o propósito de investigar o crime pelo qual Lisa é acusada, portanto, esse detalhe fica suspenso. Também não há um melhor desenvolvimento que demonstre em profundidade  o que Julien está tramando tanto que, em algumas sequências, o diretor usa como respaldo ( e cansativo recurso) a colagem dos planos de Julien expostos nos desenhos e rascunhos na parede x a imagem de Julien, sozinho, pensativo e introspectivo. Por causa disso, primeiro e segundo ato do longa são  lentos e, para lidar com o suspense, tem que entrar no clima e não exigir nenhuma complexidade na história, apenas aceitar que ela é sobre um marido obcecado pela esposa e que fará tudo por ela, até mesmo colocar em risco a própria vida. Cavayé e Lemans não costumam desenvolver profundamente as ações intermediárias, deixando mais para o clímax. Essa opção de roteiro impede  a história de ter camadas narrativas mais densas, logo o filme tem que ser encarado de forma bem leve, menos crítica e mais como um suspense a entreter o público com o clima de tensão do clímax. Com o ótimo Vincent Lindon e seus momentos de machão implacável, Pour Elle é muito mais do que um suspense mas uma prova de amor de um homem apaixonado.









Ficha técnica do filme ImDB Pour Elle 

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