quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O Grande Hotel Budapeste ( The Grand Hotel Budapest ) - 2014





Wes Anderson tem uma qualidade fantástica: Ele é um contador de histórias que realiza seus filmes como um autor que escreve autêntica Literatura. Seus filmes são como obras literárias, encantadores contos de ficção nos quais somos conduzidos a entrar em seu mundo excêntrico e fabuloso. A cada plano, uma página, este é o prazer de O Grande Hotel Bucapeste, seu novo filme rodado na Alemanha e baseado nos escritos de Stefan Zweig, um híbrido de comédia de humor negro com aventura e suspense. Com uma direção de Arte primorosa, uma marca autoral criativa e um elenco grandioso de muitos de seus atores fetiche, Wes Anderson realiza um filme brilhante e com a fascinante Arte da Metalinguagem, mesclando o poder imaginativo da Literatura com a capacidade do audiovisual de transformar grandes histórias em imagens únicas e inesquecíveis.

A história enfoca o concièrge do hotel, M. Gustave (Ralph Fiennes) e seu leal lobby boy, Zero (Tony Revolori) cuja relação está além de suas funções no hotel. Ambos têm uma bela amizade  e respeito um pelo outro e a narrativa se apoia nesse companheirismo e memorável gratidão. M. Gustave é um homem dedicado e apaixonado pelo que faz. Galanteador, ele se envolve com suas clientes idosas, mulheres carentes e milionárias.  Após a morte de uma delas, MaDame M. (Tilda Swinton), M. Gustave é vítima de uma conspiração que envolve Dmitri (Adrien Brody) e o assassino Jopling (Willem Dafoe). Ele e Zero precisam localizar o ex-mordomo da Madame, Serge X (Mathieu Amalric), para sair da enrascada.





Metalinguagem: Fusão primorosa entre a Literatura e o Cinema. 



Wes Anderson é um expert em criar seus próprios mundos. Nesse longa, seu estilo é muito marcante em variados planos: com uso bem estilizado e perfeccionista de posicionamentos estáticos de câmera que transformam seus planos em quadros ou imagens de um livro; a maquiagem e figurino têm o toque da excêntrica caricatura, a fotografia impecável com uma palheta de cores que valoriza o caráter ficcional da história, seus personagens costumam olhar para a câmera, diretamente ao público e normalmente é posicionada a partir do alto e o uso de trilha sonora de Alexandre Desplat, um mestre para compor melodias impregnadas com uma atmosfera de fábula ou sonho.





Planos estéticos como quadros: perfeccionismo na Direção de Arte.



Porém, independente das características recorrentes da direção de Wes Anderson, o grande diferencial desse filme é sua forte relação entre a linguagem literária e a linguagem audiovisual. Essa sinergia é tão primordial para a construção da narrativa que, em um dos planos iniciais, uma garota abre o livro "O Grande Hotel Budapeste" e começa a lê-lo. Posteriormente, o status legendário da história como obra falada (que atravessa os séculos) é mostrado quando o velho Zero (F. Murray Abraham) conta as aventuras para o jovem escritor (Jude Law). A partir dali, somos convidados a ler (e escutar) a obra de Wes Anderson como se as imagens que criamos na mente, através das palavras escritas e faladas, fossem projetadas na tela.  



O diretor é experiente na decupagem de planos que parecem páginas de livros de fábulas, contos, lendas. Nesse trabalho fantástico ele equilibra de forma bem consistente as virtudes visuais da direção de Arte com os gêneros de suspense e ação que são estratégias comuns em uma obra literária. Elas relatam as aventuras de um personagem  e sua capilaridade em interagir e estar ligado às ações e desdobramentos de outras personagens, o mesmo ocorre nesse contexto, com bastante desempenho do roteiro em apreender o gosto pela história. M. Gustave é um concièrge incrível, com um humor peculiar, charme e carismas que o valorizam no relacionamento com funcionários, amantes e, finalmente, conosco. Não há como não torcer para ele se dar bem.




Ralph Fiennes: Um agradável concièrge, em excelente atuação
para uma personagem de Wes Anderson


Com um elenco imperdível e competente, entre os quais, atores fiéis a Wes Anderson como Edward Norton, Bill Murray e Owen Wilson, O Grande Hotel Budapeste é uma bela história que mescla amizade e memórias em um microcosmo europeu entre as guerras: a fictícia República de Zubrowka. Também, o longa é uma bonita representação da tradição das histórias. Com seu dinamismo em misturar aventura com suspense, somos incentivados a acompanhar a jornada dos dois amigos até o desfecho. O cineasta tem o dom de nos presentear com uma viagem no tempo e na história e nos leva a qualquer um dos mundos perdidos na imaginação. O  Cinema nos possibilita encontrar  esses maravilhosos mundos através das lentes de um talentoso diretor contador de histórias.







Ficha técnica do filme ImDB O Grande Hotel Budapeste

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