terça-feira, 16 de dezembro de 2014

MaDame Trilogias: O Hobbit - uma jornada inesperada ( The Hobbit : an expected journey ) - 2012


MaDame Trilogias:
3 Filmes e 1 balde de pipoca






Há filmes que, por mais que tenham luz própria, nos despertam a nostalgia de outros grandes filmes. O Hobbit, baseado no mítico mundo criado por J.R.R. Tolkien é um desses. Tem o dom único de lembrar de O Senhor dos Anéis,  uma trilogia de muito valor afetivo para os seus aficcionados, com seus  inesquecíveis personagens heróicos e a dolorosa jornada do bem contra o mal. Ainda que  O Hobbit tenha em sua concepção uma estratégia comercial de prolongar o livro ao máximo e dividí-lo em 3 longas, ele é o começo de tudo. Há um caráter especial em apreciá-lo em sua nobre ação: um Hobbit que sabe o significado de um lar e sai do seu para conhecer o mundo e seus perigos. É quando Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), tio de Frodo, parte do Bolsão para integrar a Companhia dos Anões e ajudá-los a recuperar o seu lar sob a montanha, dominado pelas forças tenebrosas do dragão Smaug. Assim como ocorre com Frodo em O Senhor dos Anéis, há uma jornada de sacrifício na história. O público é convidado a observar que toda aventura tem perdas, danos e recompensas na qual uma das vantagens é partir, amadurecer e perceber que é preciso sair da zona de conforto.


O primeiro longa é parte de um prólogo bem extenso no qual temos a visão das principais personagens que compõem a historia e, principalmente, de suas motivações e vulnerabilidades. Essas figuras lendárias na obra de J.R.R Tolkien integram O Senhor dos Anéis e/ou fazem parte de suas referências depois de mortos, por isso O Hobbit tem uma força nostálgica e merece ser visto. Bilbo Bolseiro é apresentado com seu jeitinho de quem caiu em uma estratégia de integrar a missão de chegar a Erebor, casa dos anões liderados pelo rei Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage). Ele é escolhido por ser um bom ladrão, a princípio, porém no decorrer da narrativa Bilbo é muito mais do que isso, ele é a representação da dócil sabedoria, da ironia despretensiosa,  da bondade convidativa, da lealdade com pouco em troca.  A atuação  de Martin Freeman vem a dar a Bilbo um atrativo misto de introspecção com observação. É um ator que incorporou uma personagem bem diferente, um tanto misterioso e com competência. Bilbo tem a discrição de um Hobbit com atos de heroísmo que demonstram sua lealdade à missão. Ele é a testemunha do público, o contador de histórias cujo legado deixou para seu querido sobrinho Frodo.





Elfos, orcs, anões, magos, humanos, todos os elementos estão aqui. É preciso ver esse filme para entender todo o resto e a relação entre as personagens. Eles são mostrados de uma maneira lenta, antecipando que esse longa é parte de uma jornada muito maior cuja batalha final ficará para anos posteriores, logo requer paciência e doação de tempo em seus 161 minutos. Com isso, o roteiro é concebido de uma forma a valorizar ao máximo a ação, a aventura e usa de seu aspecto épico para criar momentos de façanha heroica, nos quais a esperança é a última que morre, como por exemplo,  a chegada das águias em uma das lutas contra os orcs. Peter Jackson é muito competente em explorar o tempo de duração e esticá-lo ao extremo com o uso de ação. É um artesão do mundo de Tolkien. Ele usa e abusa de suas escolhas técnicas para compô-lo e é um excelente orquestrador da direção de Arte apoiado por uma fotografia e trilha sonora que potencializam o efeito épico das lutas. Esse roteiro também intercala diálogos de humor e o usa em variados momentos para energizá-lo com mais descontração e leveza, principalmente com os anões que, por trás de seu estilo valente, guloso e ganancioso, formam uma excêntrica família de parentes e amigos. Bilbo tem um humor bem peculiar e interessante para marcar bem a composição da personagem. Em um dos melhores momentos, ele brinca de jogo de adivinhação com Gollum e ali surgem algumas características importantes do Hobbit e de sua relação com a pobre criatura, questões que se repetem com Frodo.


O longa não é excepcional em seu roteiro e nem os anões conquistam em simpatia extrema em comparação a outras histórias lendárias, mas há Thorin. Ele é uma personagem bacana como representação de quão fortes e vulneráveis podemos ser. Encarnado por Richard Armitage, Thorin conquista bem mais pela obscuridade de ser rei, dividido entre a bravura, a lealdade, o ódio e o heroísmo. É um ótimo personagem porque ele catalisa nossas falhas e virtudes. Ele não é como o  carismático Aragorn e nem lhe é dado muitos conflitos e atos heroicos para explorar seu potencial mas, ainda em sua peculiaridade, Thorin carrega o próprio destino nas costas e a responsabilidade de ter de volta o seu lar. Só esse fardo é bonito de ver em uma história! Com este começo de trilogia, o longa consegue extrair o gosto pela aventura, a conexão mais pessoal com Thorin e Bilbo e desperta a fidelidade do público que aprecia a obra de J.R. R. Tolkien. Definitivamente, a Terra Média é um fantasioso mundo paralelo no qual partimos junto com Bilbo, para o bem e para o mal. Somos servidos de metáforas para perceber como as aventuras podem ser como lutas diárias que temos contra o mal e nós mesmos em nossas fragilidades. Podemos ser mais sonhadores e menos exigentes com esse longa, basta  imaginá-lo como uma partida para uma aventura na qual Peter Jackson nos deixará desfrutar de todos os perigos em uma caminhada, momentos que precisamos acreditar no milagre do bem e da conquista.









Ficha técnica do filme no ImDb - Hobbit 1

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