domingo, 20 de junho de 2010

Príncipe da Pérsia: As areias do tempo (Prince of Persia: The Sands of Time) - 2010



Na briga entre a Warner e a Disney no que se refere à qualidade cinematográfica de seus atuais épicos fantasiosos, respectivamente, Fúria de Titãs e Príncipe da Pérsia, a Disney entregou muito mais performance no conjunto da obra. Já é sabido que o remake de Clash of Titans foi um fiasco em roteiro e em aplicação da tecnologia 3D, conta com Sam Worthington, um herói em deficiente atuação, e uma belíssima Gemma Arterton com seu talento subutilizado. Em Príncipe da Pérsia: As areias do tempo, baseado no game homônimo, há uma série de qualificações que o aproximam de uma aventura Disney com diversão garantida: o roteiro amarra todas as pontas da coragem e do carisma do herói, do dinamismo da ação, do suspense da aventura, da harmonia das interpretações do elenco, da delicadeza do romance e, principalmente, da eterna lição de moral familiar das películas do estúdio. De quebra, ainda conta com um elenco luminoso com o versátil Jake Gyllenhaal, a revelação britânica (e emergente na cena Hollywoodiana) Gemma Arterton e os competentes atores Ben Kingsley e Alfred Molina.


Em linhas gerais, e evitando spoilers tal que a audiência possa desfrutar o máximo da aventura, o enredo ocorre no século 60 em plena Pérsia com lindas locações orientais, de castelos nobres a becos em ruas populares passando por sublimes paisagens desérticas e os extremos do figurino com exóticos e ricos trajes e rústicas roupagens de guerreiros. Jake Gyllenhaal é o carismático Dastan, filho adotivo do Rei da Pérsia Sharaman (Ronald Pick up) e sobrinho de Nizam (Ben Kingsley), irmão e conselheiro do Rei. Ao encontrar o orfão pelas ruas de Nasaf, Sharaman se encanta pela bravura de caráter dele. Já adulto, como um corajoso e bom guerreiro, Dastan tem uma personalidade impulsiva para a batalha e mantém o espírito de compromisso com a família. Após receberem a notícia de que a cidade sagrada de Alamut está vendendo armas para os inimigos da Pérsia, Dastan e seus irmãos Garsiv (Toby Kebbell) e Tus (Richard Coyle) partem para a batalha em Alamut e lá encontram a linda princesa Tamina (Gemma Arteton), defensora da adaga das Areias do Tempo, uma poderosa relíquia dos Deuses capaz de fazer com que uma pessoa volte no tempo e mude o passado. Após destruirem a cidade, eles levam a Princesa Tamina para a Pérsia a fim de que ela se case com Tus, filho mais velho e sucessor direto de Sharaman e unam os reinos sagrados da Pérsia e de Alamut, porém misteriosas circunstâncias acontecem durante uma festa que termina em uma tragédia familiar da qual Dastan é acusado de assassinato. Ele foge com a adaga e, com ele, a Princesa Tamina. Nesta aventura, a qual ele encontra várias armadilhas e pessoas de outro estrato social, entre as quais o comerciante Sheik Amar (Alfred Molina) e o guerreiro Seso (Steve Toussaint), Dastan persegue a verdade que o faça provar que ele é inocente, reaver e ter o perdão dos irmãos queridos e impedir os planos diabólicos de uma mente perigosa que pretende possuir a mítica adaga.






Apesar de se basear em uma popular franquia de jogo e manter a aparência de Jake com o herói e seu deleite acrobático em uma perigosa jornada, este longa-metragem tem luz própria sem desvirtuar a característica geral do game. Primeiramente, dada à complexidade de se adaptar um jogo, o roteiro mantém uma excelente articulação entre a saga e o destino de um herói, ou seja, após um erro movido pelo seu impetuoso espírito de batalha, Dastan vê o seu mundo desmoronar e tem que salvar a si mesmo, sua família, seu amor e a humanidade. Este é o seu destino, assim como costuma ser o destino mítico dos heróis, porém um destino pode ser mudado independente da ação dos Deuses e esta é a envergadura do tema destino nesta obra. O roteiro amarra bem as habilidades de movimento do jogo com a versatilidade e o carisma de Jake Gyllenhaal, combinação que é perfeita para um herói da Disney e para fãs de filmes deste gênero. O ator está muito inspirado na atuação, além de sua beleza e força físicas, digna de um impetuoso guerreiro sarado do Oriente, Gyllenhaal possui uma característica primordial e de sucesso para o longa: Ele é carismático neste papel heróico, transitando entre um herói que cativa adolescentes e também faz as mais mulheres mais experientes suspirarem, então, ao avaliar sua performance é possível observar que ele tem uma forma nobre de tratar uma mulher, um irmão, um pai, estabelecendo-se como um herói sob medida para a estratégia blockbusteriana da Disney.







O diretor Mike Newell foi bastante competente ao priorizar o exotismo das locações e do figurino, a beleza fotográfica em tons dourados, o encantamento da música oriental, os efeitos especiais nada "fakes" e a impetuosidade acrobática e vigor físico de Dastan, o que, de imediato, cria um processo de identificação desta obra com os grandes filmes aventureiros como Indiana Jones e a Múmia que seguiam um formato similar em termos de boa atitude comportamental do herói, por isso este filme tem de tudo para dar certo em uma franquia com mais continuações alicerçadas por um ótimo roteiro de ação e ainda conta com um dos produtores mais titãs que existem em Hollywood: o experiente e ultra profissional Jerry Bruckheimer (de Piratas do Caribe). O apelo de unir um herói bem humorado, corajoso e de gentleman o qual é acompanhado por uma bela mulher de gênio forte em uma crescente e desejada história de amor cativa bastante o espectador e une à aventura o clima de romance tão comum em clássicos da Disney. Gemma Arterton, deslumbrante como uma princesa oriental, atua com muito mais conteúdo de texto, ganha poder em cena à medida que protege a adaga do Tempo, tem briguinhas charmosas com Dastan, e junto com Jake Gyllenhaal formam um casal bonito com deliciosa química a qual , em nenhum momento, apela para a sensualidade extrema, evitando que o filme saía das fronteiras de "respeito" à família, tão típica nestas produções. Finalmente, Princípe da Persia: As Areias do Tempo é um filme de forte base familiar que concretiza que o amor, a lealdade e a proteção à família são os bens mais preciosos que existem e, para assegurar tais vínculos afetivos, Dastan é o herói que é a referência de ótimo caráter que todos devemos ter em seus lares.


Avaliação MaDame Lumière




Título Original: Prince of Persia: The Sands of Time
Origem: Estados Unidos
Gênero(s): Ação, Aventura, Fantasia
Duração: 116 min
Diretor(a):
Mike Newell

Roteirista(s):
Boaz Yakin, Doug Miro, Carlo Bernard, Jordan Mechner
Elenco: Gemma Arterton, Jake Gyllenhaal, Ben Kingsley, Alfred Molina, Toby Kebbell, Reece Ritchie, Richard Coyle, Ambika Jois, Gísli Örn Garðarsson, Dave Pope, Daud Shah, Ronald Pickup, Steve Toussaint, Selva Rasalingam, Stephen Pope

14 comentários:

  1. Com certeza, é um belo filme. Jerry Bruckheimer sabe o que faz, né?

    abraços

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  2. Eu adorei "Príncipe da Pérsia - As Areias do Tempo". Acho uma obra que cumpre totalmente seu papel de entreter. A história envolve, a química entre Gyllenhaal e Arterton é boa. No geral, acho que testemunhamos o nascimento de uma franquia bem sucedida do cinema.

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  3. Olá MaDame!

    Serei sincero: eu olhei com desconfiança para "Princípe da Pérsia" desde que lançaram aquele trailer pouco empolgante dele em janeiro desse ano. Achei que seria uma desculpa para ver Jake Gyllenhaal desfilando por aí sem camisa rs. Mas sua crítica me animou. 4 ESTRELAS? E sério, parece que não é a bomba que eu pensei que seria. Se continuar em cartaz - e nao tiver mais nada tao interessante rs - eu arrisco dar uma espiada =)


    abs!

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  4. Olá Madame!
    Acho que de todas as resenhas que li sobre este filme a sua foi a mais animadora a mais defensora do filme, chegou até me dar vontade de conferir, rs
    Mas acho que esse só em DVD mesmo.
    Abs.

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  5. OI vizinha,

    este filme tem uma vantagem: ele não foi transposto para o 3D agora que virou modinha. Como foi o caso do ridículo Fúria de Titans.

    O Jacke está lindamente lindo (adoro pleonasmo, rs) mas a fita é deficiente, o game também não ajuda. Parece uma bobagem sem açúcar.

    De viagens no tempo prefiro o De_lorean do Doc. Brown!

    Bjs!

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  6. Não concordo com todo esse entusiasmo. É um filme eficiente, mas não acho que mereça toda essa distinção. De qualquer maneira, é um blockbuster superior a Robin Hood, já que Fúria de Titãs só disputou vaga nas bilheterias com esse filme aqui no Brasil...
    bjs

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  7. Hahaha... Reinaldo, gostei do seu comentário, principalmente a primeira frase. Dá vontade de falar: Deixem o Jake em paz! hahaha


    Nós, meninas blogueiras de cinema, estamos entusiasmadas com Princípe e os meninos colocam pilha... Depois volto aqui para complementar porquê o filme é ótimo.

    Bjs a todos.

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  8. Amanda:
    É belíssimo e só a forma como a Disney reforça alguns valores já merece uma estrela há mais,rs!
    Jerry é o cara, ele sabe fazer ação, né?
    bjs

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  9. Kamila:
    Adoramos o Prince of Persia, lindo não? Concordo totalmente com seu comentário e, reforço que o filme foi bem avaliado porque realmente entrega o que propõe, ou seja, encantar no que a Disney tem de melhor em termos de expertise em criar heróis e com uma boa parceria com Jerry Bruckheimer, experiente em dar velocidade à ação. Ele está sendo avaliado dentro do Universo dele, mágico, sublime, inesquecível e, neste ponto, o filme é excelente e super "assistível".
    bjs!

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  10. Olá Elton,

    Concordo que o apelo do Jake é forte porque ele está simplesmente lindo no filme, porém não é só beleza externa. Ele realmente se mostra versátil para encarnar um papel que jamais pensaríamos que ele seria capaz de aceitar, e com isso demonstra que pode transitar em filmes mais "profundamente cabeça" como "O segredo de Brokeback Mountain" e ainda ser herói da "MovieDisneylândia".

    Pelo que eu conheço do seu estilo de fazer críticas e pontuar os filmes, provavelmente você será menos tolerante do que eu e daria no máximo 3 estrelas para este filme. Não sei, Elton, vc é uma caixinha de surpresas , haha! Eu, particulamente, acho que o filme merece 4 estrelas comparativamente a tipos de filmes como este, ou seja, uma nota 8,0 é de bom tamanho.

    Obviamente, uma estrelinha extra ao ver o bronzeado e o abdômen do Jake, haha!

    abs!

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  11. Olá Alan,

    Sim! Adorei o filme e vou defendê-lo com uma Adaga, se possível haha...
    Confira-o. Vc vai, no mínimo, se divertir com a ação e reconhecer o visual bonito.

    abs!

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  12. Oi Vizinho,

    Pois é, tivemos nossa primeira discordância cinéfila e, tudo o que eu quis ontem foi chorar no ombro do Jake haha...

    No mais, concordo com a ótima observação que comentastes: A Disney não teve a ambição da Warner em customizar este filme para 3 D, o que foi uma excelente iniciativa, evitando com que fosse um provável desastre.

    Acho que, se compararmos o Principe da Pérsia com um filme excepcional de grandes mestres, provavelmente não chegaremos a um acordo, rs! Realmente a fita é uma fita comum em comparação à qualidade de vários filmes por aí mais bem roteirizados e com argumentos mais profundos, mas para o que ela propõe/entrega: o uso de elementos do game, referência sem grandes filmes deste estilo,o desenvolvimento de um herói perfil Disney, e dadas as dificuldades de adaptar um jogo, de novo, eu repito com confiança que o filme foi bem redondinho e compatível com a produção de Jerry... Um jogo é veloz, a idéia foi fazer a audiência entrar neste plano dinâmico que não se afastasse de um filme game.

    Bjs!

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  13. Oi Reinaldo,

    Eu sabia que iríamos discordar. Viu como já te conheço?rs!
    Nisso que comentou concordamos: Príncipe da Pérsia é muito mais superior que Fúria de Titãs e,também,penso que um trabalho bem mais feito em termos de adaptação, bem mais trabalhoso porque começou do zero a partir de uma referência que não está dentro do Cinema, ou seja, um jogo. Enquanto em Prince of Persia, a equipe teve que rodar um novo filme, Fúria de Titãs não teve a capacidade de entregar um bom remake que já tinha uma outra película como modelo. Não tiveram a capacidade de fazer uma boa cópia.

    bjs!

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  14. Olá, Madama(e possíveis leitores)

    Meu veredicto é: um belo e divertido blockbuster.
    Deixando a síntese de lado, gostei muito da honestidade e precisão com que foi proposto/entregue. Não tentaram, nem de longe, estremecer as estruturas da arte sétima com um suposto titânico ÉPICO. Não. O filme , acredito, era pra ser exatamente aquilo ali. E se dai não temos falha, o bônus vem com o elenco - pra lá de gabaritado, sintonizado - e com o texto, redondo, eficaz , divertido e inteligente. Fundamento minha avaliação sem ter que mencionar o visual, que, acredito, dispensa comentários. Eu sai da sala bastante satisfeito.

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