quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Troca (Changeling) - 2008




Baseado em fatos reais, A troca, dirigido pelo mestre Clint Eastwood, é um filme que merece ser visto por três principais motivos: O primeiro é porque é mais um longa-metragem muito bem orquestrado pelo brilhantismo do exímio diretor octogenário que, após Gran Torino, decidiu dedicar-se somente à direção. Nesse filme, ele voltou à década de 20 dos Estados Unidos para relatar a dor e a luta de uma mãe que teve o seu filho desaparecido; porém o Cinema mais atual de Clint Eastwood não se reserva somente a enfocar problemáticas de vidas humanas. Nesse drama, Eastwood também escancara a corrupção da brutal polícia da época que não realizava o que deveria ser um dos seus valores básicos: fazer um trabalho com ética e honestidade, defendendo a sociedade.






O segundo motivo é que o drama conta com a presença ilustre da femme fatale Angelina Jolie que, nessa produção, continua bela e está muito bem vestida com o figurino das décadas de 20 e 30, porém com uma atuação mais madura e mais sofisticada que colabora para tirar-lhe da cena estereotipada da mulher fatal que a tornou popular. Esse trabalho também passa muito mais credibilidade quanto ao trabalho dela de atriz e, ela ainda conta com Clint Eastwood que dá o tom certo para que ela tenha liberdade de ser original, viver a dor genuína de uma mãe, crescer na veracidade da interpretação. Em A Troca, Angelina Jolie é a mãe solteira desesperada (Christine Collins) que não consegue encontrar o filho, e ainda acaba vivendo uma circunstância forçada de criar uma outra criança e ser tida como louca pela polícia local. Ela passa por um caminho tortuoso com o intuito de reencontrar seu pequeno Walter Collins (Gattlin Griffith) contando com a ajuda do pastor Briegleb (John Malkovich, sempre ótimo), e é possível visualizar que Angelina Jolie se superou com um papel bem mais sério, nada ordinário. Além disso, avaliando a vida da atriz, embaixadora da ONU e mãe "do século" de seis filhos, perfomar Christine Collins foi uma oportunidade dela interpretar o que ela mais tem sido desde que casou com Brad Pitt: mãe.






O terceiro motivo é que o roteiro de J.Michael Straczynski dá conta da dramaticidade de uma mãe que tem o filho sequestrado e da denúncia contra a corrupção policial de Los Angeles, interfaceando bem essas duas pontas com um texto que não torna o filme melodramático. Christine Collins sofre, porém o faz com a dignidade de uma mãe que tem que manter a persistência e a sanidade para aguentar não só o drama pessoal mas o drama coletivo, já que ela não luta somente contra seu luto materno, mas contra uma instituição poderosamente corrupta que é capaz de matar, ludibriar e chantagear quem estiver no caminho para manter-se bem perante a mídia e a opinião pública. Através desse roteiro e direção, é possível perceber que Christine Collins é uma mãe que nunca desistiu e nunca deixou de ter esperança, além disso ela nunca deixou que as emoções a controlassem por inteiro, comportamento que é vitorioso e é uma das grandes lutas de mães com crianças desaparecidas, afinal manter a sanidade quando não se tem notícia alguma dos filhos é desesperador, mais desesperador é ver a impunidade e também a falta de proatividade de quem deveria ajudar essas mães a localizar seus filhos. Por isso, A Troca é um filme de uma mãe corajosa que, mesmo em meio à sua dor, persevera, nunca desiste . A luta de Christine Collins foi uma luta diária que contribuiu para mover outras mães a encontrar seus filhos e mostrar que nunca se pode perder a esperança e muito menos a força de continuar lutando por justiça.



Avaliação MaDame Lumière



Título original: Changeling
Origem: EUA

Gênero: Drama
Duração: 141 min
Diretor(a): Clint Eastwood
Roteirista(s): J.Michael Straczynski
Elenco: Angelina Jolie, Gattlin Griffith, Michelle Gunn, Jan Devereaux, Michael Kelly, Erica Grant, Antonia Bennett, Kerri Randles, Frank Wood, Morgan Eastwood, Madison Hodges, John Malkovich, Colm Feore, Devon Conti, J.P. Bumstead

7 comentários:

  1. Mais um filmaço do mestre Eastwood. Ele consegue realizar um drama, um thriller policial e um filme denúncia, sem perder o elemnto humano de vista e ainda concede a Angelina Jolie seu melhor momento como atriz. Grande filme.
    Bjs

    PS: Conte com o meu voto no prêmio top blog. Vc sabe que ele é seu! rsrs
    bjs

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  2. A melhor "TROCA" que o Eastwood já fez na carreira, foi sentar na cadeira da direção.

    O véio é bom em tudo, rs!

    E quando ele faz as duas coisas simultanemamente. Melhor ainda - UM GRAN TORINO, rs!

    A Jolie demonstra aqui, o mesmo talento daquela GAROTA INTERROMPIDA!

    Bela crítica minha Madame Dietrich.

    Bjs vizinha e obrigado pelo adoçante, tô mesmo de dieta!

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  3. Oi Reinaldo,

    É isso mesmo! E mais, penso que o cinema contemporâneo de Clint Eastwood é um dos mais coerentes entre um filme e outro. Ele consegue criar um estilo próprio que abraça as grandes causas do humano e deixa claro que aquilo ali teve a mão mestra dele.

    PS: Obrigada pelo incentivo ao prêmio Top Blog. Acho que será divertido!,rs!

    beijinho

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  4. Oi vizinho,

    Muito sábio seu primeiro comentário. Obrigada!

    Esse véio é um tesãozinho de direção!,rs!

    PS: Estou de dieta também. Comecei hoje. Estou vermelha de fome e com o corpo todo doído (isso porque eu só fiz uma caminhada, rs).

    Hoje cotei os preços das Academias. Começarei a pegar no "FERRO" segunda-feira. Bem que Robert Downey Jr poderia me dar uma mãozinha, rs!

    Beijinho

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  5. Para mim, um dos melhores trabalhos concebidos por Eastwood! Ao lado do Gran Torino e Sobre Meninos e lobos!

    Visto que Menina de Ouro é um tanto supervalorizado...

    Neste temos uma ótima direção de arte, atuação intensa de Jolie e uma trilha sonora muito bem articulada por Clint Eastwood, sem falar no roteiro que vai do frágil ao denso...proporcionando emoção pura!

    Belíssimo filme que é fortemente inesquecível, desde já...creio que, daqui a uns 20 anos, receberá o status de clássico...podem até discordarem, mas eu afirmo que é um filmaço mesmo, daqueles intensos e vorazes...

    Tenho ele aqui em dvd, já vi, ao todo desde o lançamento, umas 5 vezes.

    Gosto muito mesmo.

    Belo texto, Madame!

    Beijo

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  6. Oi, Madame

    Postei sobre ele lá no Apimentário, se puder confere..bjo!

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  7. Oi Cris,

    Eu sei que você ama esse filme e concordo que esses três filmes que citaste são os melhores do mestre e têm a riqueza de unir uma miscelânea coesa de grandes dilemas humanos.

    Conforme comentei quando visitei o seu post hoje no Apimentário, esse filme faz jus ao trabalho competente de Eastwood e ainda coloca Angelina Jolie em um filme de muito bom gosto para a reinterpretação da década de 20.

    Beijo

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