terça-feira, 27 de abril de 2010

Batalha de Passchendaele(Passchendaele) - 2008



Não é somente trailer de cinema que pode ser uma propaganda enganosa, a capa do DVD também. Batalha de Passchendaele, filme do charmoso diretor canadense Paul Gross (que também produziu, roteirizou e atuou nesse longa-metragem) é um típico exemplo de que uma pessoa nunca deve guiar a escolha da próxima locação pelo que está escrito na capa e contrapa do DVD. Ao locá-lo, vi uma bela imagem romântica entre Paul Gross e Caroline Dhavernas e as palavras: "uma das mais sangrentas batalhas da primeira guerra mundial". Influenciada também pelo dono da locadora que ressaltou-me: "Não é somente sobre guerra, é mais um romance dentro do contexto da guerra", não pude evitar minha imediata empolgação de que esse filme pudesse ser um Pearl Harbour made in Canada a arrebatar o meu coração romântico, infelizmente, somente corpos foram arrebatados pelos explosivos nos campos de guerra em um ápice um pouco exagerado que, pessoalmente, não me emocionou como filmagem mais verídica.





Esse filme abriu o Festival de Toronto, na ocasião de seu lançamento e ganhou vários premios canadenses como o Directors Guild of Canada. Após assistí-lo, considero-o um filme mais inspirado por um nacionalismo de Paul Gross, um exímio canadense de Calgary que foi o selecionado para ser o sensual demon Van Horne na adaptação de "As bruxas de Eastwick". Batalha de Passchendaele, a "3ª Batalha de Ypres" é considerada uma das batalhas mais violentas da Primeira Guerra Mundial na qual os Canadenses lutaram contra os Alemães, então nada mais justo do que Gross mostrar o heróico sangue dos bravos soldados canadenses, distantes de suas famílias, abandonando suas amadas, vendo sua Pátria enviar jovens imaturos à Guerra e derramando o sangue de cidadãos em corpos mutilados. Até aqui, nenhuma surpresa para o gênero, mas há um enredo que não é de todo banal, tanto que explanarei sobre minha interpretação pessoal sobre ele o qual julgo que há uma mensagem de paz e de redenção, baseada no amor e na salvação do outro, mesmo que esse "outro" tenha sangue "inimigo".



Paul Gross é o soldado veterano Michael Dunne que, desde o início, não banaliza a morte gratuita como muitos veteranos e autoriades de guerra o acabam fazendo. Há um senso de justiça e humanidade nele, mesmo com seu comportamento letal que o rendeu o reconhecimento do exército. Ferido e, retornando ao Canadá, ele é atendido pela enfermeira canadense Sarah Mann (Caroline Dhavernas) que, pelo sobrenome já indica que é descendente de alemães. Eles se apaixonam mas são impossibilitados de ficarem juntos porque Michael decide voltar às trincheiras a fim de proteger o irmão de Sarah, David (Joe Dinicol) , um jovem ingênuo que se alistou à guerra e foi aprovado indevidamente a lutar já que é asmático.





As cenas mais marcantes da batalha surgem mais no final do filme e se aproximam das fotos históricas sobre a batalha, pelo menos, tentam imitá-las trabalhando um pouco melhor a fotografia fúnebre da guerra. São realistas, regadas a bastante lama, explosivos e feridas abertas, mas não há uma liderança emocionante do pelotão com Paul Gross à frente, muito menos, aquela emoção da bravura genuína dos soldados, então voltando à frase " "uma das mais sangrentas batalhas da primeira guerra mundial", o longa não é acompanhado de um tom cinematográfico que ressalte: "essa sim foi uma batalha bélica sangrenta que, não necessariamente, é dramática pela quantidade de sangue jorrado de corpos sobre trincheiras". Não há o teor das imagens e interpretações clássicas Platoon, Apocalypse Now e Resgate do Soldado Ryan e o roteiro não acompanha diálogos inteligentes que expressem a importância histórica dessa guerra e o drama do incerto romance em meio à guerra o qual também fica sem ser eficazmente explorado. Em um momento do filme, há uma carnificina no campo de guerra que absolutamente força o derramar de sangue porém não consegui ver autenticidade emotiva nessa guerra, o que, por alguns minutos me fez pensar se o propósito de Gross foi filmar o "sangrento" no sentido do estúpido sangue non sense que é derramado de forma pontualmente artificial, assim como a guerra é, fake por natureza, cheia de inverdades.


Por outro lado, o filme não é um fiasco, há um esforço a ser honrado porque a iniciativa do canadense Michael defender o filho de um bavário traidor é como um ato de amor que não é só por Sarah, mas uma escolha por voltar ao inferno, defender uma vida que independe de nacionalidade, que independe de mágoas patriotas. A cena da cruz é sugestiva porque exemplifica que voltar à guerra pode ter sido uma espécie de calvário à Michael, uma forma dele salvar a humanidade como "idéia do coletivo" salvando uma única pessoa através de um ato de amor e perdão, e assim, alcançando a redenção. Será que Paul Gross usou uma metáfora cristã nos campos de guerra cinematográficos? Resta-nos a reflexão advinda das hipóteses, pois pensar também é uma guerra.


Avaliação MaDame Lumière




Título Original: Passchendaele
Origem: Canadá

Gênero(s): Guerra

Duração: 114 min
Diretor(a):
Paul Gross
Roteirista(s): Paul Gross

Elenco: Paul Gross, Caroline Dhavernas, Joel Dinicol, Meredith Bailey, Jim Mezon, David Ley, etc.

4 comentários:

  1. Pois é madame. Não se deixe enganar por uma produção canadense. rsrs Quando for co-produção com outros países (como no caso de Ensaio sobre a cegueira, por exemplo) tudo bem. rsrs

    Bjs

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  2. Oi Reinaldo,
    As produções são tão ruins assim? rs... bjs

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  3. Creio que vou gostar deste, a premissa é atraente!

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  4. Oi Cris,
    Saudades! Talvez você goste, embora eu duvide disso, rs!
    Cadê meu beijo, seu danado? rs

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