terça-feira, 6 de abril de 2010

O Som do Coração (August Rush) - 2007


A maioria das pessoas que apreciam boa música concordam que música é um bálsamo para os ouvidos, um refrigério para a alma, um nova emoção a cada canção. Sua capacidade multifacetada de expressar vários sentimentos e estados de espírito através de suas notas é tão poderosa que simplesmente não há como viver sem música. Não é à toa que ela está nos filmes, seja como parte protagonista de musicais e/ou filmes de dança, seja como parte integrante das trilhas sonoras que tanto marcam nossa relação com determinado filme. Definitivamente, a música tem o poder de nos conquistar até mesmo no Cinema. O longa-metragem, “O Som do Coração” tem a música como importante personagem, até em um grau mais elevado já que o filme é bastante melodramático colocando a música em um patamar que passa de pais para filhos, como se fosse um “DNA musical”, além da película servir-se da música como elemento capaz de conectar vidas, unir amores, afastar dores, mudar destinos, sendo assim, a música é como um “chamado”, é um som que vem do coração, uma intuição que nos guia à esperança e à felicidade, uma voz que está em todo o lugar basta escutá-la. Sem dúvida, a idéia do filme é muito bonita, chegando a alcançar a magia lúdica de encontrar a quem se ama.





Na história, o garoto August Rush (Freddie Highmore) cresce em um orfanato durante mais de 10 anos por uma fatalidade do destino. Seus pais, o cantor e guitarrista Louis Connelly (Jonathan Rhys Meyers) e a violoncelista Lyla Novacek (Keri Russell) se apaixonam à primeira vista e Lyla engravida, no entanto sofre a oposição do pai dela que deseja que Lyla siga a carreira musical e não o seu amor por Louis, o que acaba separando o apaixonado casal. August Rush, que sempre sentiu a “presença” dos pais através da música, acaba saindo do orfanato para tentar encontrá-los e acaba caindo nas garras do Mago (Robin Williams), um verdadeiro explorador de crianças abandonadas que, ao ajudá-las com seus talentos musicais, fica com uma parte das gorjetas que elas ganham nas ruas de Nova York, ele, vivazmente evidencia que é muito focado em ganhos materiais através das crianças que ajuda. Entre o bem e o mal, o Mago ajuda August a desenvolver o seu dom musical , dom que é loucamente surreal pois August não estudou em nenhuma escola de música, mas é capaz até mesmo de compor uma rapsódia e ser descoberto por um pastor que o leva a estudar na renomada escola Julliard.






O Som do Coração é um conto de fadas que envolve música, amor e família. Um garoto que herda o talento musical dos pais dos quais foi separado por uma lamentável circunstância, mas o talento de August tem uma grandeza bem maior já que ele é capaz de reconhecer sons na rua, uni-los em harmonia, surpreender a todos e tornar-se até mesmo o líder de uma experiente orquestra. Tudo é muito mágico a começar pelo surreal do contexto. Ao mesmo tempo, Louis e Lyla representam o casal que ainda se ama, mesmo que não se vêem há mais de uma década. Eles seguiram suas vidas mas falta algo, falta que eles se encontrem novamente. A música e o amor unirão esta família, por isso o apelo de misturar a música, componente também emotivo com a emoção de ver uma família unida fazem de O Som do Coração até mesmo sentimentalista demais . Isso é evidente em toda a fita, em pequenas minúcias que vão desde a atuação de Freddie Highmore (razoável e, inevitavelmente, forçada em algumas cenas) até a forma mágica como as vidas de Louis e Lyla se cruzam e os componentes trágicos do próprio enredo como a separação de um casal, o abandono de uma criança e sua criação em um orfanato, um estranho explorador financeiro “o Mago” que adota um discurso agressivo e interesseiro quando o assunto é lucrar com a música de August Rush, enfim esses elementos contribuem para sensibilizar a audiência.






Não posso deixar de afirmar claramente que a idéia do filme é tocante apesar de todos os tropeços da direção. O filme ainda tem uma bela e comovente história
e, não importa em qual circunstância, a música no Cinema ainda é essencialmente fascinante e, na trilha sonora desse filme há canções inesquecíveis como This Time e Something Inside na interpretação de Meyers, porém a forma como O Som do Coração foi filmado pela inexperiente Kirsten Sheridan deixa aquém do esperado exatamente por não ser um sentimentalismo genuinamente bem orquestrado no roteiro e na direção. Há momentos que "forçam a barra" ou simplesmente são "fake". Fica evidente através de detalhes como as lágrimas de coitadinho de Freddie Highmore, o estilo oportunista e caricato de Robin Williams, a falta de emoção genuína de Keri Russell no papel de mãe e até a forma como Jonathan Rhys Meyers reencontra sua amada, tudo poderia ser espontaneamente mais "humano", carne, osso e coração sem cair no perigo que é o sentimentalismo anti-natural. Tudo se resume a uma caricatura realmente sentimentalista e vivamente lúdica para arrancar lágrimas (e realmente a cena final é a mais linda e a mais emocionante, ao som de uma evocativa rapsódia), no entanto mesmo assim O Som do Coração deixa a desejar e perde a oportunidade de usar a música em um nível não somente capaz de unir as pessoas que se amam, mas a música que entra em nossos corações através das interpretações do elenco. Apesar de tudo isso, ainda é um filme sensível para os sensíveis como eu, feito para acreditarmos no poder da música e do amor, no poder do sonho que se torna realidade.




Avaliação MaDame Lumière







Título original: August Rush
Origem: EUA
Gênero: Drama
Duração: 113 min
Diretor(a): Kirsten Sheridan
Roteirista(s):
Nick Castle, James V. Hart, Paul Castro
Elenco: Freddie Highmore, Keri Russell, Jonathan Rhys Meyers, Terrence Howard, Robin Williams, William Sadler, Marian Seldes, Leon G. Thomas III, Mykelti Williamson, Aaron Staton, Alex O'Loughlin, Jamia Simone Nash, Ronald Guttman, Bonnie McKee, Michael Drayer

10 comentários:

  1. Ainda não vi esse filme, mas sua análise vai ao encontro de minhas suspeitas em relação a fita. As músicas, sim, são boas. Lembro de tê-las escutado com atenção à época do Oscar 2008, a qual o filme foi indicado.

    Bjs

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  2. Vizinha,
    amei a sua resenha.

    Preciso assistir a este filme, nunca foi muito o meu tipo de história, mas tem o garotinho da FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE e o garotão de MATH POINT!

    Verei!

    Bjokas minha Dietrich!

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  3. É bem isso mesmo. Um filme sensível e "bonitinho" que é brega e maniqueísta. Não suportei o personagem de Robin Williams, alias. [**]

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  4. É um filme que exagera em todos os aspectos e por isso não funciona. Até pode emocionar numa cena ou outra, mas é piegas demais para ser levado a sério. A parte musical é boa mesmo.

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  5. Meu cine curator,

    Obrigada! Assista-o para ver o garotão de Match Point. Vale a pena para ver o gato do Jonathan Rhys Meyers, sexy ao som de uma guitarra.

    Beijinho!

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  6. Oi Reinaldo,

    Suas suspeitas estão corretas! O filme perde bastante ao expor a esfera sentimentalóide como voce percebeu naquele seu post sobre Quem quer ser um milionário. O filme é bonito mas soa-me muito fake, evocando a inexpressividade do sentimento forçado. bjs!

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  7. Wally,

    haha! Você tem razão.O Robin Williams deve ter odiado usar aquela roupa brega-be!

    Beijo

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  8. Oi Vinnicius,
    Cadê a linha pontilhada pra eu assinar embaixo?
    Bjs,

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  9. Cara! vcs não tem ideia deste filme é uma historia emocionante,dificil não chorar de emoção.é realmente DMMMMAISSSSSSSSSS!
    VALE APENA! SIMPLISMENTE LINDO!

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  10. Já vi esse filme e ñ e la essas coisas

    Agora se querem um filme para chorar de vdd pesquisem por VOCÊ ACREDITA?

    Mais como madame Lumiere relata a história e muito interessante

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