segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mostra SP 2010: Submarino (Submarino) - 2010





O Dinamarquês Thomas Vinterbeg, cineasta de Submarino, um dos filmes indicados ao Urso de Ouro do Festival de Berlim foi um dos fundadores do movimento Dogma 95 em ao lado do Lars von Trier. Como todo manifesto de vanguarda, o Dogma 95 é um movimento cinematográfico no qual o intuito é seguir uma série de regras de forma a criar um Cinema mais pautado no Realismo, fora de seus adornamentos com propósitos comerciais. Assim, mesmo seguindo um conjunto de regras rígidas, o conceito do movimento está em linha com o de fazer Cinema de forma independente e comercialmente menos exploratória. Orçamentos baixos e criações realistas são comuns. No âmbito da estética do Cinema Dinamarquês, o Dogma 95 influencia muitos diretores no que tange à narrativa realista, normalmente com argumentos polarizantes e controversos. Vinterbeg regressa como um novo homem no Cinema. Seu Submarino não deixa de expressar a decadência e fragilidade do ser humano e ainda lhe mostra uma luz no final do túnel.





Vinterbeg retorna com louvores em Berlinade ao dirigir o drama de dois irmãos traumatizados por um lar desestruturado, um pai ausente, uma mãe indiferente, alcóolatra e drogada. Eles são separados por uma tragédia. Na vida adulta, apresentam vidas bem distintas porém marcadas pela solitária degradação, pela miséria do homem. Um é Nick (Jakob Cedergren), arredio, violento, alcóolatra. Nitidamente, Nick não consegue superar a dor do trauma, e muito menos esquecer a ex. Outro é seu irmão
(Peter Plaugborg), um viciado em drogas que cria sozinho o filho Martin (Gustav Fischer Kjaerulff) desde a morte da esposa, e nutre um grande carinho e amor pelo garoto. Claramente, ele é um homem mais afetuoso e vulnerável; escravo das drogas, perdendo totalmente a noção de que precisa estar limpo para poder cuidar de Martin. Nick e seu irmão se encontram no velório de sua mãe. Não conseguem se relacionar de maneira próxima, suas vidas tomam novamente rumos diferentes mergulhadas em temas como violência, tráfico e uso de drogas, suicidio e abandono.







Baseado no romance de Jonas Bengtsson, Submarino traz a tristeza convertida em redenção, em esperança. Em momento algum, Nick e seu irmão são dois canalhas mesmo que seus comportamentos sejam reprováveis, autodestrutivos. Nos sensibilizamos com eles, com suas tragédias particulares, este é o plus da película. É como se eles não tivessem tido as escolhas ruins, elas aconteceram com as boas intenções perseguidas pela brutalidade de suas vidas. Simbolicamente, cada um tem o seu desfecho e a criança Martin tem um importante papel no filme. Ela é como um anjo que volta do passado ao presente para dar-lhes uma perspectiva para viver. A relação de pai e filho é tocante, e o vício drogatício do pai é aliviado nas sequências pelo amor e seus esforços em criar Martin com dignidade. Jakob Cedergren indicado ao European Film Awards como melhor ator, ganha a cena com pouco diálogo. É um trabalho difícil permanecer preso a esta àrdua realidade e comportar-se como com uma profunda inércia. Nick é calado, reflexivo, amargurado pela culpa, por isso, a indicação de Jakob é bem merecida. O bom trabalho no elenco e no roteiro contribuem muito para tornar esta realidade brutal digerível a nós. Até em cenas pesadas como o filho que encontra o pai drogado no chão, Vinterbeg conduz sua câmera com um olhar que não escancara a violência da cena. A brutalidade não se apóia só no visual, ela é muito mais psicológica.



Avaliação MaDame Lumière






Título original: Submarino
Origem: Dinamarca
Gênero: Drama
Duração: 110 min
Diretor(a): Thomas Vinterberg
Roteirista(s): Thomas Vinterberg
Elenco: Jakob Cedergren, Peter Plaugborg, Patricia Schumann, Gustav Fischer Kjaerulff

6 comentários:

  1. Olha, não posso falar por esse filme, que não vi, e que sua descrição e avaliação entusiasmam, mas, no geral, Vinterberg é uma decepção para mim. Acho-o um cineasta medíocre, pretensioso e de muito pouco conteúdo. Perdi a paciÊncia com seu último filme que assisti, Dogma do amor. No geral, seu cinema não evolui. Mas quem sabe Submarino não seja a prova cabal de que posso morder minha língua.
    Beijos

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  2. Não conheço muito da filmografia do Thomas Vinterberg, mas teu texto me deixou bem curiosa em relação a este "Submarino".

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  3. Darling,

    você me deixa LOUCO com várias resenhas cinematográficas de filmes exibidos na MOSTRA SP!

    Quanto ao 'Submarino', fiquei obviamente curioso, já que gostei muito de 'Festa de Família'

    Ano que vem vou ir na Mostra e apreciar a sétima arte como ela merece. Este ano estive na Mostra pela Madame Lumiere. Obrigado.

    Bjs.

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  4. Oh, quanto tempo eu não vinha aqui!

    Muito convidativo a tua seleção destes trabalhos da Mostra. Sabe, é bárbaro constatar que ainda há trabalhos contemporâneos com roteiros tão ricos e assim, autênticos.

    Por algum motivo que não sei, "Submarino" me lembrou de "Eu matei minha mãe". Tu o viu?

    Beijos

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  5. Li o nome de Vinterberg e já lembrei do curioso "Querida Wendy", filme que achei bem legal dele. Esse "Submarino" parece ser um achado pelo seu texto (excelente, por sinal).

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  6. boa postagem, me deixou salivando pelo filme, além de morrendo de inveja de ti por ir na Mostra, rs. adorei teu blog, passo aqui todo dia agora pra ler teus textos sobre os filmes da Mostra, ter um pouco de vontade sempre é bom.
    nunca vi um filme de Vinterberg, vou procurar por esses dias, mas gosto muito do estilo proposto pelo Dogma, assim como os filmes de Von Trier que seguem a risca. (:

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