sábado, 26 de dezembro de 2009

O Amor pede passagem ( Management ) - 2008




O Amor pede passagem é a nova comédia romântica estrelada por Jennifer Aniston e Steve Zahn e dirigida pelo quase estreante Stephen Belber. Fielmente fazendo jus ao gênero comédia romântica, o enredo gira em torno do encontro de Mike (Steve Zahn) e Sue (Jennifer Aniston) seguindo de um desencontro antes de um novo reencontro, assim como o amor o é para os mais afortunados. Embora não haja grandes surpresas aqui, o filme é mais contido em comparação aos seus concorrentes. Não há momentos hilários e muito apaixonados que tanto fascinam os corações românticos, logo a primeira impressão que tive é que O Amor pede passagem é uma história baseada no amadurecimento do amor e dos protagonistas, o que a torna um pouco mais "profunda" ainda que perca seu conteúdo cômico.



Mike é um jovem que vive em Kingman, uma cidade no interior do Arizona, totalmente tranquila e, também chata para se adequar à coerência do filme e ao personagem de Steve Zahn que, embora um homem muito bacana, simples e divertido, é imaturo soando no início como um imbecil. Ele vive com os pais no hotel da família, pratica yoga e não tem todos aqueles atrativos de um jovem sedutor. Certo dia ele conhece Sue, uma executiva que vende quadros a empresas que se hospeda no hotel durante uma viagem de negócios. Inevitavelmente, Mike se sente muito atraído por ela e a visita no período noturno, oferecendo bebidas por conta da casa, sem ao menos saber flertar mas fazendo o carinhoso esforço de agradá-la. Para a sorte dele, sua estratégia funciona. Pinta uma atração entre ambos após Sue deixá-lo colocar a mão no traseiro dela (ótimo!) e, então, no dia seguinte eles transam (sim, somente no dia seguinte... risos). Logo mais, seguindo o ditado reestruturado: "transa de verão nem de negócios sobe no avião", Sue vai embora para Maryland, cidade onde mora e trabalha deixando Mike apaixonado.

Alinhar ao centro
O espontâneo e "fofo" Mike se vê perdidamente louco por ela, viaja para Maryland com o último tostão que tem investido em uma passagem só de ida e lá reencontra Sue, no entanto, seguindo aquela lógica feminina que antagonicamente é confusa, Sue se diverte muito com ele, se sente atraída pelo jeitinho caipira e romântico de Mike mas não quer nada sério ainda que o tenha revisitado em Kingman em uma das vezes. Acaba voltando para o ex- namorado Jango, um ex-punk e milionário empresário de iogurtes interpretado por Woody Harrelson com o qual junta os trapos para depois casar.



Neste enredo que costuma ser comum em algumas histórias afetivas, Mike e Sue são dois solitários, dois opostos que têm uma "aura atrativa" bem próxima por terem um tipo de complementaridade entre ambos. Embora ela seja uma executiva altruísta e ele seja um apaixonado que "não tenha onde cair morto", ela vem de uma família desestruturada e só tem a mãe com a qual tem uma relação distante. Ele acaba perdendo a mãe e tem um pai que não gosta de pessoas, logo tanto Mike quanto Sue acabam tendo uma afinidade por terem bons corações que vêem uma companhia um no outro. A diferença reside que Sue não se vê morando em uma cidadezinha pacata e muito menos com Mike e, para levar seus sonhos altruístas de ajudar moradores sem teto, ela acaba se aliando a Jango que a faz administrar um fundo beneficiário de atividades socialmente responsáveis. Por outro lado, Mike é um meninão que, no começo, deixava aflorar nenhum tipo de objetivo na vida, era um homem que seguia seus instintos apaixonados e atravessava estados atrás de Sue a tal ponto de ir atrás de seu amor em Washington onde ela havia ido morar com seu namorado após reatar o relacionamento. Definitivamente, Mike tinha carisma mas estava fora do padrão de homem de uma mulher executiva e que pensa no futuro.




Por isso, Amor pede passagem é como pedir passagem ao amor, tirando estes obstáculos baseados em conceitos pré-concebidos que colocamos na cabeça, principalmente as mulheres exigentes. Mike acaba se apaixonando da forma que toda mulher quer ser amada, com um toque de insanidade, de tirar o homem do sério a tratando como uma deusa, como a única mulher que interessa na face da terra, no entanto, preocupados em nossos objetivos profissionais e visionários acabamos sendo seletivos com o tipo de amor que queremos nos apaixonar, acabamos fazendo sacrifícios e esquecemos de nós mesmos, esquecemos de ter uma vida mais espontânea e lembramos sempre de pensar muito antes de viver. Há uma parte do filme que, considero a mais bonita e reveladora, quando Mike diz para Sue algo assim : "Você se preocupa em salvar as pessoas do mundo exceto a você mesma".

É isso... o amor tem que pedir passagem para que não morramos um pouco mais, mas ele só abrirá passagem se permitamos que ele opere.

Avaliação Madame Lumière



Título Original: Management
Origem:
Estados Unidos

Gênero(s):
Comédia Romântica
Duração:
94 min
Diretor(a):
Stephen Belber

Roteirista(s): Stephen Belber
Elenco:
Jennifer Aniston, Steve Zahn, Margo Martindale, Fred Ward, James Hiroyuki Liao, Woody Harrelson, Katie O'Grady, Yolanda Suarez, Kevin Heffernan, Don Burns, Kimberly Howard, Collin Crowley, Gilberto Martin del Campo, Mark Boone Junior, Garfield Wedderburn

4 comentários:

  1. Confesso que não me interessei muit por esse filme não. Tanto por isso não fui conferi-los no cinema, mas seu olhar me despertou a curiosidade. Vou dar uma chance para esse filme.
    Bjs madame!

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  2. Oi Reinaldo,
    Na verdade, se você não assistí-lo não fará diferença porque o filme é muito parado e não tão charmoso como outras comédias românticas, mas pensando sob a ótica de nos "darmos a chance para sermos felizes com quem menos imaginemos", vale uma sessão da tarde.

    PS: Pra falar a verdade, achei o filme meio chatinho por conta de não fazer-me suspirar de amores ou de risadas . Uma pena! Passa longe do charme das fitas de A proposta e a verdade nua e crua, por exemplo.

    Beijos da Madame!

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  3. Esse que é o legal da crítica. Separar o emocional do racional. As vezes um filme pode não corresponer emocionalmente a teus anseios e expectativas e ainda assim ser um material digno em algum nível. acho que isso ficou bem claro com a sua crítica madame.
    Beijos

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  4. É vero, Rei... nós, como cinéfilos e apaixonados pela sétima Arte temos esta missão de ver além da tela, não é mesmo?

    Beijo da Madame!

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