sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Arrasta-me para o inferno (Drag me to hell) - 2009


Sabe aquele velho ditado que diz que é melhor rir para não chorar? No novo filme de terror de Sam Raimi, Arrasta-me para o inferno, o ditado mais adequado seria: é melhor rir, rir e rir porque não há como chorar e, muito menos, sentir medo! O filme é uma verdadeira comédia do humor negro, trash e tosca, ainda que bem feita no clima de suspense e nos efeitos especiais asquerosos e bombasticamente engraçados sob a direção responsável de Raimi que, aliás, é especialista em unir terror e riso e tem no seu background o inesquecível Uma noite Alucinante. Apesar de não ser fã do gênero e de esperar um filme de terror puro, confesso que Arrasta-me para o inferno não merece o troféu framboesa do Madame Lumière porque ele tem duas qualidades que me soam interessantes: É uma tremenda paródia do terror e tem um enredo baseado em temas como vingança e maldição alheias.

Christine Brown (
Alison Lohman) é uma analista de crédito, cuja expectativa profissional é ser promovida à diretora assistente do banco. Sendo uma garota ambiciosa, advinda do interior e que namora um professor de família abastada Clay Dalton (Justin Long) cuja mãe não a reconhece como um bom partido para Clay, ela vê na promoção uma forma de estar melhor posicionada financeiramente e socialmente. Certo dia, uma velhinha esquisita e horrorosa, Sra. Ganush (Lorna Raver, em ótima e assustadora atuação) aparece no banco para pedir um empréstimo para pagar a hipoteca, evitando a perda de sua casa. Christine, influenciada pelo chefe que diz que "ela tem que tomar decisões difíceis para ser promovida" e certa de provar isso para merecer o cargo desejado, acaba não concedendo o crédito à velha senhora. Sra. Ganush, movida por um espírito de vingança, joga-lhe uma maldição e, a partir de então, Christine é atormentada por forças demoníacas que pretendem tirar sua vida ao fim do terceiro dia e levá-la ao inferno.




O filme girará em torno deste tormento de Christine, entre perseguições, lutas e sustos, em especial contra a Sra Ganush que, mesmo falecendo após o ocorrido, a atormenta, além disso, a jovem garota luta contra o tempo porque um demônio virá buscá-la. Neste interim, muita gosma e vômitos de Sra. Ganush para embrulhar os estomâgos da audiência cinéfila. O que torna o filme menos tosco em comparação ao superlativo que se possa dar à este adjetivo é que, o terror é ridicularizado e se mistura com cenas hilárias de terror-comédia, como a briga entre Christine e Ganush em um carro e Christine ouvindo vozes e vendo coisas enquanto jantava com os pais de Clay. Nem sempre é fácil alcançar esta linha tênue entre o riso e o medo, sem cair no ridículo total, sem dúvidas, Sam Raimi sabe bem dar o tom exato, no mínimo, oferecendo umas gargalhadas à galera que adora um trash cinematográfico.


Mas, para mim, o ponto que interessa é o aprendizado que o filme me traz e como está conectado à realidade. Reconheço que Christine não fez nada de tão errado porque, por mais ambiciosa que ela fosse, ela poderia optar por não dar o crédito, ser prática e dizer o mesmo não que todos nós ouvimos todos os dias em áreas de nossas vidas e que não justificam ser motivos para desejar maldições às outras pessoas. Sra Ganush já tinha tido duas oportunidades e sabia dos riscos da hipoteca, além disso, dada sua natureza diabólica, ela deveria se ajoelhar não diante de Christine, como o fez no filme, mas perante Deus para obter alguma ajuda divina.



Aqui, o fato relevante é que existem muitos(as) Sr(as) Ganush(es) espalhados(as) no mundo e que, não necessariamente, ficam assustando e perseguindo as pessoas de forma "presencial". São pessoas que desejam o mal e fazem o mal, com confronto mais aberto ou debaixo dos panos, de forma muito gratuita e vingativa, muitas vezes porque se adaptaram a sentir inveja, raiva, vingança, etc preocupadas somente como elas pensam e o que precisam e sem dar a mínima em abençoar a vida do outro. Uma grande bobagem porque todos deveriam saber ouvir um não sem levar questões para o lado pessoal e não anunciar maldições aos quatro cantos através da palavra mais torpe ou da atitude mais maléfica, assim como também saber que não precisamos ser amigos de todos, mas no mínimo, deixemos os outros em paz, que é o melhor a fazer até para ter paz.


Avaliação Madame Lumière

Título Original: Drag me to hell
Origem: Estados Unidos
Gênero(s): Terror, Suspense
Duração: 99 min
Diretor(a): Sam Raimi
Roteirista(s):
Sam Raimi
Elenco: Alison Lohman, Justin Long , Lorna Raver, Dileep Rao, David Paymer, Adriana Barraza, Chelcie Ross, Reggie Lee, Molly Cheek, Bojana Novakovic, Kevin Foster , Alexis Cruz, Ruth Livier, Shiloh Selassie, Flor de Maria Chahua

4 comentários:

  1. Um filme digno de se divertir, Madame. Acredito que Sam conseguiu alcançar a linha tênue que separa o terror real do terror divertido. Incrível como ele fez uma obra tão desmistificada e mesmo assim, uma obra digna de ser vista!

    Abraços, mademoiselle! :D

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  2. Oi Marcelo, obrigada pela sua querida visita. Concordo contigo, embora eu esperava um filme bem de terror real como lhes disse, confesso que Sam Raimi soube trabalhar estes extremos do real e do divertido, além do filme ser engraçadíssimo. Ri muito com os absurdos fantasmagóricos.

    Merci, abraços da Madame!

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  3. Confesso que para mim, Arrasta-me para o inférno é um dos melhores filmes do ano. Revisita os clássicos oitentistas,alguns dos quais o próprio Raimi é responsável, é divertido, trash e, sim, aterrorizante. Pelo menos eu achei o filme plenamente satisfatório no que compete a sua proposta. Diferente de uns e outros muito badalados por aí. Concordo que quem espera um terror TERROR há de se surpreender, mas é impossível negar o charme dessa fita.
    Bjs madame!

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  4. Rsrs... ai ai Monsieur...Confesso que eu já tinha o sexto sentido que você era fã de Arrasta-me para o inferno e já esperava que Monsieur ia reforçar esta adoração (rs). Concordo, como falei na resenha, que Raimi soube equilibrar a linha tênue entre o divertido e o terror. No que compete à proposta, ele é bom. Eu reforço que esperava um mega terror tradicional e me frustei por conta disso, mas isso não tira o charme da fita dentro da proposta à qual nós dois concordamos.

    Beijo da Madame!

    Beijo da Madame!

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