sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Tá chovendo hambúrguer ( Cloudy With a Chance of Meatballs) - 2009


Assistir Tá chovendo hambúrguer faz adequar-me mais e mais àquela cena típica de gulosos em frente à tela de cinema: a cada aparição de comida no filme, mais comida boca adentro e, eu, que estou em uma fase "gulosa" ultimamente, tenho vontade de entrar neste filme e ser uma habitante da cidade das sardinhas mesmo que eu prefira atum. A nova animação da Sony Pictures, dirigida pelos recém batizados Phil Lord e Chris Miller, conquista não só pelas toneladas de comidas apetitosas em cena, mas principalmente pelo personagem de Flint Lockwood, um cientista nerd surtado e solitário que, desde a infância, sempre quis fazer a diferença na ciência e para a humanidade, no entanto sempre foi um fracassado com experimentos igualmente fracassados. Flint, cuja mãe falecida que mais o apoiava em seus projetos científicos, também não é levado à sério pelo pai, um tradicional pescador.



Um belo dia, Flint, cansado de ver os habitantes locais desta cidade pesqueira vivendo só de sardinha faz com que chova uma tonelada de hambúrguers enviando à estratosfera uma máquina que produz comida . Estando lá a máquina, ela pode ser operada à distância no laboratório de Finn e produzir centenas de cardápios inimagináveis. Esta proeza do jovem cientista de conseguir uma inusitada e milagrosa chuva "alimentar" cria uma grande alegria na população, desperta os interesses financeiros do inescrupuloso e ambicioso prefeito da cidade e faz com que Flint, antes esquecido, seja valorizado na cidade. A vida dele muda rapidamente assim como passar no fast food e fazer uma "boquinha".



Embora o enredo não seja tão humorístico a ponto de fazer eu ter dor de barriga de tanto rir, o considero adorável porque é uma idéia original em animações, além disso a forma que o filme foi produzido em cena é bem diferente, também visualmente, do estilo de outras produções de animação mais clássicas como as dos estúdios da Disney e das exponencialmente tecnológicas da Pixar. Logo, há uma "certa modéstia" na animação que não invalida o efeito incrivelmente fantástico e realístico de comidas aparecendo em todos os focos de cena possíveis. Além disso, em termos de enredo qualitativo, Flint é um jovem cientista, ignorado e/ou tolerado e totalmente enquadrado no estereótipo de nerds, ou seja, ele vive uma vida mais reclusa em seu laboratório e, mesmo que não conviva com uma turma de amigos e uma namorada e não seja querido por todos, ironicamente, ele quer fazer o bem por todos e, consequentemente, a si mesmo como qualquer jovem bondoso e sonhador.



Flint é contratado pelo prefeito da cidade para criar vários cardápios e projetar uma nova cidade " A boca cheia" que ganharia a atenção do mundo com seu parque de sorvete, sua piscina de cheddar e tantas outras delícias mirabolantemente implementadas na infraestrutura da cidade, com isso, a cidade receberia a projeção da mídia e uma leva de turistas. Neste contexto, há uma relevante mudança comportamental em Flint e, muito mais no prefeito, ambos, mesmo em graus diferentes de gravidade, se tornam ambiciosos como ter uma gula exagerada por notoriedade e prosperidade, este é um ponto interessante no comportamento de Flint que, de tão cego, acaba brigando com o pai e com a potencial namorada (a jovem jornalista metereologista Sam) .

Flint, sendo um pouco mais ingênuo, acaba caindo na pressão do prefeito e, não se dando conta de que o sucesso da cidade representava o fracasso do seu pai que aparece em cena tristonho e com seu negócio de sardinhas falido. Além disso, uma catástrofe está prestes a acontecer, a máquina tem um limite para sintetizar alimentos sem que os mesmos sofram mutações. Este limite é atingido e comida gigante começa a cair do céu, pondo em risco a segurança de toda a humanidade. Com isso, felizmente Flint cai na real e luta para reverter a situação. Ele ganha um final feliz com um pai mais próximo e uma nova namorada também nerd.



Basicamente, Tá chovendo hambúrguer tem uma lição de moral que, não necessariamente, é levantar bandeiras contra cadeias de fast foods e qualquer espécie de junkie food e pregar o "diga não ao fat hambúrguer" às crianças. Eu o vejo de uma forma mais profunda que atinge uma crítica a qualquer tipo de indústria e indivíduo cuja ganância é elevada a um egocêntrico fora do comum, preocupados somente com uma gula "pessoal" que não é por comida, mas por poder e por conquistas, ainda que isso possa colocar em risco o homem, a cidade e a natureza. É o que vimos mais no comportamento do prefeito mas também em Flint, em uma parte do filme que marca seu comportamento alterado e focado no seu "ego", o lançando a este incontrolável desejo de produzir comida sem qualquer prévio discernimento com relação a limites. Embora Flint seja jovem, esta "ingênua ganância" pode ocorrer com qualquer um de nós, levados a atingir uma meta, muitas vezes na melhor das intenções, o ser humano abre uma exceção ali , outra acolá e , quando percebe o que fez de errado, o preço é muito alto. Chovem problemas e a alma carece de ensolaradas soluções.


Avaliação Madame Lumière


Título Original: Cloudy With a Chance of Meatballs
Origem: Estados Unidos
Gênero(s): Animação, Família, Infantil
Duração: 90 min
Diretor(a): Phil Lord, Chris Miller
Roteirista(s): Judi Barrett, Ron Barrett, Phil Lord, Chris Miller
Elenco: Bill Hader, Anna Faris, James Caan, Andy Samberg, Bruce Campbell, Mr. T, Bobb'e J. Thompson, Benjamin Bratt, Neil Patrick Harris, Al Roker, Lauren Graham, Will Forte, Max Neuwirth, Peter Siragusa, Angela Shelton.

2 comentários:

  1. Meu filho de cnco anos já viu esse filme muitas e muitas vezes...seguidas vezes...e dá ótimas gargalhadas. Ele ama quando chega no final e vê o preeito se dá mal. Ele fica cantando e dançando na frente da tv a música que toca no final do filme. adoraria saber quem canta pois eu iria gravar para ele.
    grande abraço.
    Ilza

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  2. Oi Ilza,

    Nossa... gostei muito do seu comentário, um dos mais bonitos que eu já recebi porque você trouxe a sua realidade familiar para dentro do blog e isso é lindo de se ver.

    Que delícia ser mãe, né? Eu peço a Deus para ser também...um dia!rs E quero que meu filhinho seja cinéfilo também haha...

    Então Ilza, eu não me lembro a música do final se ela é cantada ou só tocada e se você se refere a alguma versão em inglês ou a em português, eu teria que rever o filme. Mas a trilha sonora é composta pelo Mark Mothersbaugh e eu dei uma xeretada na net pra ver se encontrava algum link de download da trilha pra você e encontrei nas trilhas disney. Veja o link

    http://www.trilhasdisney.com/2009/11/ta-chovendo-hamburguer-download.html

    Quando eu descobrir, coloco aqui o nome.

    Abraço,

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