segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Entre Lençóis - 2008


Assistir Entre Lençóis após 9 1/2 semanas de amor pode ser altamente broxante. Juro-lhes que eu quase abandonei "entre lençóis" e fui me divertir entre meus lençóis (risos) e, durante boa parte do filme, fiquei a pensar que o roteirista Rene Belmonte deveria ter adotado a tática de Adrian Lyne, ou seja, colocar o casal para transar de forma mais espontânea e erótica ao invés de enchê-los com diálogos cansativos e patéticos dignos de um roteiro mal mensurado, enjaulados em um quarto de motel horroroso, sem estética e com uma fotografia pobre. O filme brasileiro baseado no original latino "Entre Sabanas" do mesmo diretor Gustavo Nieto Roa e estrelado pelos belos Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira é um teste de resistência ao mais otimista dos cinéfilos ao expor um casal desconhecido que após se conhecer na balada, vai direto ao motel e, entre algumas trepadinhas básicas e algumas conversas que soam como forçadas e complexas demais para o "one night stand", os protagonistas chegam a fantasiar que ficariam juntos. Sem dúvidas, eu deveria ter sabido que meus lençóis seriam muito mais divertidos, principalmente após dar uma de voyeur contemplando o bumbum de Mr. Gianecchini.



A propósito, Reynaldo Gianecchini é Roberto que antes de conhecer Paula (Paola Oliveira) acabou de terminar uma relação de 3 anos com Cris. Paula vai se casar no dia seguinte com Marcos, logo entre o fim de uma relação e a consolidação de outra, estão Roberto e Paula tendo uma festinha privê no motel VIP, famoso no Rio de Janeiro. No começo do filme, a transa promete: beijos selvagens, pegadas fortes e o tesão a mil por hora. Corpos nus belíssimos e o carisma dos atores, o grande apelo para a audiência nacional, parece funcionar, no entanto após uns 20 minutos de filme, o roteiro se torna um desafio para aguentar os outros 76 minutos de duração do filme .Entre transas e briguinhas rápidas e infantis, Roberto e Paula começam a trocar confidências que vão desde brincar de momento "intimidade" até começar a fantasiar que estão apaixonados, indicando que deveriam ficar juntos após a noite de sexo. Neste ponto, o filme peca, não somente pelo diálogo em si, o que seria produtivo se ele não fosse tão extenso e artificial, mas pelo inusitado explorado nesta noite com um roteiro arrastado que tenta sobreviver a qualquer custo até mesmo com devaneios românticos. Além disso colocar Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira em um quarto de hotel trancafiados a quatro chaves é um grande desafio aos atores que, embora o tenham segurado com competência, ainda assim deixou-me sem um pingo de paciência com relação à fotografia mal feita, quase claustrofóbica, fora que há momentos cômicos no filme que me fizeram rir, rir e rir, de forma negra.



Vejamos algumas pérolas dignas a serem incluídas na sessão Madame Lumière pede socorro durante o filme(e reforço que não é que eu não seja romântica e um pouco psicologicamente poliana, mas pelo amor de Deus, lembrem-se que isso é uma transa casual entre desconhecidos cujo roteiro é empurrado às últimas até acabar o filme. Eu prefiro acreditar que, de forma factível, atitudes movidas por paixão como esta acontecem a partir, no mínimo, da segunda transa ou terceira transa e/ou encontros):

- Paula e Roberto confessam que estão se "envolvendo", pelas minhas contas, antes do quarto gozo.
- Roberto faz uma surpresa romântica para Paula e deixa o quarto cheio de rosas desde o chão até a cama.
(surreal demais para uma transa pós balada... o que a falta de um enredo pode causar a um filme!)
- Em uma romântica cena, ambos vão ver o amanhecer na sacada do quarto e, de repente, o celular de Roberto toca, toca e toca insistentemente. Ele fica com cara de mané sem atendê-lo porque é a Cris quem está lhe chamando e permanece olhando para Paula que se irrita e pede para ele colocar no vibra-call. (quanto constrangimento desnecessário!)
- Após ler a mensagem de Cris(a mulher de Roberto) no celular dele, Paula faz um drama de que ficou com medo de perdê-lo, de entregar os sentimentos dela de "bandeja" e ficar sem Roberto. Ela diz que precisava sentir nele esta "firmeza" e ele responde "Você também não acha que isso é difícil para mim"? (pasmem! eles estão delirando em um show privativo de fantasias românticas pós coito).
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Paula diz para eles ligarem para Marcos e Cris e dizerem toda a verdade a eles, começando a relação tudo do zero. (risos... ela vai se casar mesmo?, afinal Roberto tem menos a perder do que ela, segura seu Marquito, querida!)
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Roberto diz que Paula é a mulher mais sensacional do mundo e que ele não tem raiva de mais ninguém (???) após conhecê-la, por isso não pode tratar Cris de qualquer jeito e, emenda: "Você acha justo partir o coração de Marcos assim também"? (momento "vamos relativizar as coisas" e matar um pouco mais o filme)
- Roberto diz: "Agora para sempre será só nós dois". ( Eu quero o corpinho e a loucura do Gianecchini)
- Após definirem que a fantasia é a única coisa que sobrará desta longa noite, mais uma transa rápida e romantizada entre as pétalas de rosas. (inesquecível, não? para esquecer o filme de vez e lembrar que as rosas são eternas...risos)




Sinceramente, agora tirando o trigo do meio do joio, penso que Gustavo Nieto Roa e Rene Belmonte tiveram uma boa intenção com o filme, recriando este cenário entre lençóis de dois amantes desconhecidos que desfrutam o prazer e colocam à prova seus próprios sentimentos afetivos, neste sentido, não tiro o mérito da intenção da fita, mas ao invés de apreender o interesse e a satisfação da audiência com uma sensual performance e um diálogo mais equilibrado, Entre Lençóis acaba empurrando a si mesmo como se não houvesse mais opção nem mesmo para a ação e os diálogos das personagens. A culpa é mais do roteiro que se torna ainda pior com o cenário e, neste ponto, deveriam ter sido melhor trabalhados de forma a não serem tão exaustivos.


Em alguns momentos do filme, Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira já não tinham mais posições para mostrar outros focos de seus corpos nus, usados de forma apelativa, muito menos assunto interessante para conversar logo começaram a fantasiar a relação e, ainda que eu seja mais "pé no chão e muito esclarecida" com relação a sexo casual me preservando como uma mulher romântica, estou segura de que o filme forçou demasiado este romantismo enganoso com evocativas fantasias de que poderiam ficar juntos e de que estavam sentindo um "algo a mais". N
ão acho impossível que eles pudessem ficar juntos, mas não seria uma decisão que chegaria a ser tomada seriamente em uma madrugada em um quarto de motel pós fervor baladeiro, a relação poderia evoluir em outro segmento de ações caso este fosse o intuito do roteiro, logo para Roberto e Paula este roteiro foi forçado demais e se tivessem tomado umas biritas, transado como coelhos e rido como palhaços o filme poderia ser menos trágico. Convém comentar que, como ocorrido no filme, muitas vezes o sexo bom faz a gente fantasiar que aquela noite louca de sexo casual pode se desenvolver para algo mais profundo, o sexo é tão bom que pensamos que estamos nos apaixonando ou, no mínimo, a vida afetiva está tão confusa em meio à insegurança e aos conflitos que o vazio da alma e do corpo é preenchido com o fogo que recarrega as esperanças em uma incrível noite de sexo que pode ser transfromado em um potencial amor. Apesar de considerar o filme abaixo da média, penso que este seja o ponto desta produção cinematográfica, uma intimidade entre lençóis que se converte em questionamentos sobre o próprio curso das vidas de Roberto e Paula. Um curso que não mudará de curso após uma perene fantasia entre ambos e muito menos de lençóis.

Avaliação Madame Lumière


Título original: Entre Lençois
Origem: Brasil
Gênero: Drama, Romance
Duração: 96 min
Diretor(a):
Gustavo Nieto Roa

Roteirista(s): Rene Belmonte
Elenco:
Reynaldo Gianecchini, Paola Oliveira

3 comentários:

  1. Estou só no inico da critica mas já estou gostando. E concordo, assistir esse filme depois de 9 e 1/2 semanas de amor é broxante.

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  2. Parabéns pela ´critica. Gostei da lista de "excessos' do filme. Francamente, depois dos 20 minutos é uma enrolação só. Não tem para onde levar a história. Ademais vc capturou muito bem a intenção (extremamente mal sucedida)do filme em flagrar como insegurança e carência emocional podem ser poderosos catalisadores para fantasias desmedidas. Assino embaixo do seu belo insight, que demonstra mais uma vez a excepcional observadora que é. Mesmo quando há pouco conteúdo para se observar(e mais para deduzir).

    PS: As coisas continuam quentes... rsrs

    Bjs madame!

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  3. Que bom que gostou e que concordamos! Obrigada pelas belas palavras, me incentivando a seguir observando o cinema tão intríseco a nós.

    PS: E as coisas continuarão quentes ... agora em 2010... rsrs!

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