terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ele não está tão afim de você ( He's Just Not That Into You ) - 2009

A comédia romântica "Ele não está tão afim de você" é muito mais uma comédia de relacionamentos considerando que não é focado em um único casal apaixonado como normalmente ocorre no gênero. Na verdade, o riso é garantido pela história de alguns casais, seus encontros e desencontros e, em especial, a teorização dos comportamentos amorosos baseados em vários clichês, a maioria dúvidas problemáticas de mulheres que insistem em ser problemáticas, ou melhor, serem mulheres com M maiúsculo : "Ele vai me dar o número telefônico dele?" "Ele vai se casar comigo?" "Ele vai me ligar e me convidar para sair?" "Ele está me traindo?" e todo o arsenal de pautas para o famoso "DREHEMEDEE" - Discussão da relação entre homens e mulher e a diferença entre eles. Gostou da longa sigla? Sim, tão complexa e complicada como exaustivamente discutir a diferença entre homens e mulheres e os impactos afetivos entre eles.


O que surpreende no filme é que há um time grande e, para um filme desta espécie, bem seleto de atores e atrizes queridos, bonitos e simpáticos no longa dirigido por Ken Kwapis: a irresistível blond girl Scarlett Johansson (Anna,), o sexy emergente Bradley Cooper (Ben), o meio caído, mas ainda charmoso Ben Affleck (Neil), a querida inimiga nº 1 da Brangelina Jennifer Anistom(Beth), a Charlie's Angel, ex- ET doll Drew Barrymore(Mary), entre outros, no entanto quem rouba a cena e faz a comédia ser cativante é Gigi (Ginnifer Goodwin, de O sorriso de Monalisa). Em Ele não está tão afim de você, o que cativa é que ela aparece como a típica garota simpática e bonitinha, um patinho quase feio em comparação às outras beldades, mas ainda muito cativante e questionadora e, por isso, ela é interessante à este longa-metragem. Ela acaba desenvolvendo uma amizade com o gato do Justin Long (Alex, que penso ainda ser o namorado de Drew Barrymore fora das telas) que dá a ela várias dicas sobre como "os homens pensam" e, ironicamente, ele se apaixona por ela no decorrer do filme, mesmo que seja vítima daqueles estados de "negação". Ela também se dá conta disso mais no fim do filme e, a expectativa romântica do público é atendida porque, "mesmo que homens não estejam tão a fim de nós", ela acaba representando o sucesso da ala feminina e, de certa forma, ele também porque, meninos, a madame aqui sabe que homem quando se apaixona, se apaixona pra valer e ponto final. Por outro lado, quando não quer, não tem jeito.




Eu gostei do filme mais em função de como Gigi o movimenta. Ela tem amizade com Beth (Jennifer Anniston) e Janine(Jennifer Connelly) e, graças a Deus, acaba sendo a mais otimista de todas, principalmente porque ela é leve, livre, solta e muito romântica e faz bem o estereótipo da maioria das mulheres mortais, aquela que está sempre sozinha à procura de um amor de verdade e entender também o porquê das questões do coração não serem respondidas e/ou atendidas da forma que desejamos. Por outro lado, Beth e Janine têm outros problemas afetivos mais chatos e também comuns a casais. Beth rompe Neil (Ben Affleck) porque ele não se decide pelo casamento. Janine é uma mulher chata e sistemática cujo casamento está em crise com Ben(Bradley Cooper) que, aliás, está sexy neste filme em umas pegadas inspiradoras com Scarlett Johanson (sua amante) e, sejamos sinceros, não há nada mais sexy na tela do cinema do que ver um casal bonito de atores como eles. Basicamente, os momentos mais interessantes giram em torno destas personagens, porque Drew faz uma pequena ponta no filme, quase insignificante em comparação à expressividade de seus outros papeís e, Kevin Connolly (Conor) vive um homem que mais parece uma mulher apaixonada que um homem apaixonado, se arrastando aos pés da sua "amiga" Anna(Scarlett Johanson) que só o vê como um amigo, no mais semântico valor da palavra.




Apesar dos clichês, o filme é bem sensato com relação a estes encontros e desencontros e prova, mais uma vez, que ainda que haja clichês amorosos, relacionamentos entre homens e mulheres podem ter um desfecho muito diferente do que os termos "clichados". Veja, por exemplo, o caso de Gigi e Alex. Ela acabou encontrando o amor em um cara que era tão "expert" em dizer como os homens funcionam que, somente no final, ele se deu conta de que estava apaixonado por ela, tendo que superar a própria racionalidade masculina. E o melhor de tudo: ela o encontrou quando não estava desesperadamente procurando e ansiosa por isso. Em uma das cenas mais românticas, ele bate à porta do apartamento dela e se declara (e eu precisei pegar o meu lequê a abanar o meu corpinho elegante).



Beth e Neil têm também um desfecho que julgo ótimo por conta de que ela exigia muito(até mesmo para si mesma) o casamento, era meio neurótica com isso e acaba terminando o relacionamento e sofrendo as consequências de tal ação. Neil sempre a amou, até o dia em que ela, "se tocou" do mal que fez a ela o dispensando. Beth estava precisando de ajuda em casa por conta de um infarto do seu pai e, o(s) cunhado(s) inutéis não demonstrava(m) nenhum tipo de suporte à ela, então chega Neil e a ajuda. A partir daí, entendo que ela mudou sua percepção do que é, de fato, "um casamento" ainda que não formalizado e do valor do homem que ela tinha, posteriormente, eles acabam se casando porque ele também amadurece para este novo cenário conjugal.


Já Ben e Janine exemplicam bem o casal que se conheceu na faculdade, namoraram e decidiram unir as escovas de dente. O problema aqui é que, no fundo, eles nunca deveriam ter se casado, ainda que haja uma grande história da juventude juntos. Quantos casais não cometem este mesmo erro? Casam-se baseados só em uma amizade, um nostálgico tesão e um certo comodismo pautado em um namoro de mil anos atrás e, quando se unem, nem eles mesmo se suportam. Ben acaba pulando a cerca com Anna, só que no final e, nisso reside o interessante perfil dele é que ele é um cara que nasceu para ser mais solteiro ou, no mínimo, permanecer solteiro. Ele sacaneia tanto a mulher quanto a amante, gosta de uma mentirinha básica e gerenciar ambas as mulheres ao mesmo tempo sem ser honesto o suficiente com ambas, enfim, um cara bonito e sem personalidade como muitos que existem por aí.



Anna gosta de prazeres e aventuras, mas no fundo, tem aquele senso de justiça de não enganar nem a si mesma e nem aos homens, me fazendo lembrar que, ainda que haja algumas mulheres mais volúveis, que adoram sexo casual e zero compromisso, muitas vezes carentes, calejadas e orgulhosas por contas de suas próprias desilusões, elas ainda têm uma base romântica e o mínimo de bom senso. O melhor de Anna é que ela fica sozinha, mesmo decepcionada com o canalha do Ben e mesmo tendo como "cômoda" opção ficar com Conor. O apaixonado Conor declara seu amor à ela e ainda oferece um apartamento para morarem juntos, mas , ainda que eles já tenham dado umas trepadinhas básicas, ela não se força a fazer algo que ela não quer. Ela gosta dele como amigo e ponto final. Ela não o ama e nem morre tanto de tesão por ele para juntar as malas. Para a alegria de Connor, ele encontra Mary (
Drew Barrymore) no final, confirmando que nunca é tarde para superar um fora e encontrar uma potencial nova namorada.




Mesmo que elabore uma discussão mais sobre ELE e não tanto sobre ELAS e sabendo que as mulheres são mais estressadas para discutir como os homens funcionam, mais adiante, percebo que
Ele não está tão afim de você é sobre ELES e ELAS, afinal as mulheres do filme também têm vontade própria e elas também optaram por estar afim ou não dos homens, permanecer ou não com eles. Mulheres também têm o privilégio de não estar tão afim de certos homens porque, felizmente, ninguém é so regra ou só exceção!


Avaliação Madame Lumière



Título Original: He's Just Not That Into You
Origem: Estados Unidos
Gênero(s): Comédia Romântica
Duração: 129 min
Diretor(a): Ken Kwapis
Roteirista(s):
Abby Kohn, Marc Silverstein, Greg Behrendt, Liz Tuccillo ( Adaptação do best-seller de Greg Behrendt)
Elenco: Scarlett Johansson, Bradley Cooper, Ben Affleck , Jennifer Anistom, Drew Barrymore, Jennifer Connelly, Ginnifer Goodwin, Justin Long, Kevin Connolly

2 comentários:

  1. Eu adorei esse filme. E para mim realmente a cena em que o personagem de Justin Long se declara para a de Ginnifer Goldwin é a mais romântica e bela de todo o filme. Embora o meu núcleo preferido seja o de Jennifer Aniston e Ben Afleck(que mostar que amor sem maturidade também não dá).
    Bjs

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  2. Oi Monsieur G, obrigada pelo comentário. Também acho bacana o núcleo de Jennifer Aniston e BEn Afleck, no final, ambos amadureceram sem se ferir tanto em prévias neuroses matrimoniais.

    Beijo da Madame!

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