domingo, 27 de dezembro de 2009

9 1/2 Semanas de Amor ( Nine 1/2 Weeks) - 1986



Nesta última semana fui tomada por um sentimento saudosista de alguns filmes nos anos 80 e 90, aqueles filmes que foram lançados quando eu era jovem e imatura demais para captar a mensagem do enredo. De fato, eu era ainda uma criança em um corpo que já começava a arredondar suas curvas, então como eu poderia entender de filmes com temas mais adultos, por mais que eu já era uma pré-adolescente emancipada? Eu até os compreendia um pouco com minha precoce malícia cinéfila mas não havia mergulhado profundamente nestas pulsões tão íntimas que do inconsciente se tornam tão conscientes. Dentre estes filmes, se destacam os dirigidos por Adrian Lyne e sua mente sexual não pornográfica, capaz de ser usada para dirigir filmes que despertam os desejos mais deliciosamente obscuros nos corpos e nas almas dos amantes, dentre eles: Atração Fatal, 9 1/2 Semanas de Amor e Proposta Indecente, além de outros mais como Lolita e Infidelidade, estes dois últimos mais recentes.






9 1/2 Semanas de Amor foi o primeiro deles pelo qual eu estava empolgadíssima a desvendá-lo minuciosamente. Já não me lembrava de absolutamente nada no enredo, a não ser que Kim Bassinger e Mickey Rourke tinham uma química e uma atração sexuais acima da média dos casais do Cinema, que eles haviam sido os amantes cult, cool e libidinoso da década de 80 realizando várias fantasias que foram reproduzidas por homens e mulheres em todo o mundo e que Mickey Rourke foi um dos primeiros atores a me fazer desejar ser uma atriz de cinema, ou melhor, ser Kim Bassinger sendo vendada para sentir somente o toque dele e ser excitada por aqueles olhos fascinantes mirando o meu corpinho.




Nesta produção cinematográfica, Kim Bassinger é Elizabeth, uma mulher recém separada que trabalha em uma galeria de arte e que é mais introspectiva, aparentando não colocar em prática sua cativante beleza. Ela encontra John (Mickey Rourke), um homem sensual, lindo e misterioso em um dia e situação cotidianos enquanto ela comprava alimentos em uma loja. Naquele momento, os olhares se cruzam, pelo menos, fica nítido que ela achou ele um tesão (veja o olhar de Kim Bassinger, perfeitamente sexy e um dos melhores flertes do cinema). Em um outro momento, eles se encontram por acaso e começam a sair, já dando os primeiros sinais de intimidade como a famosa cena que ela sente prazer com os olhos vendados e as gotas de cubo de gelo percorrendo o seu corpo esguio com destaque para os seus lábios carnudos e seu belo par de seios. Qual mulher não queria ser ela com aqueles olhos sensuais bem marcados, revirando de um lado para o outro com às loucuras libidinosas de John a levando às alturas do gozo? A madame queria.



A partir daí, a dócil Elizabeth mergulha nas fantasias conduzidas por John que, aliás, é um sádico na maneira mais positiva que possa haver: daquela forma mais disfarçada e elegante na qual se sabe que tem requintes cruéis de sadismo mas que fazem a mulher gozar entrando no lado "cachorrinha" dela . Praticamente, Elizabeth é uma submissa que cai no jogo sexual deste intrigante homem que cumpre a fantasia de boa parte das mulheres: o estranho belo homem bem sucedido que liberta a mulher em seus desejos mais intensos e eróticos, sem chance para falsos moralismos e promessas de compromissos. Contanto que a mulher não se apaixone (como foi o caso de Elizabeth), John é absolutamente o homem que toda a mulher deveria encontrar uma vez na vida em uma jornada sexual que ponha em prática todo o tesão enrustido que só pode ser libertado com um bom condutor. Ele é um canalha doente, mas um canalha bonito, quente e delicioso e a intimidade que ele propõe a Elizabeth faz com que a vida apática dela se tornasse mais conflituosa mas também mais divertida, afinal tudo tem um preço nesta vida.





O filme, embora nulo em enredo, foi bem construído na minha opinião para o que ele se propõe a fazer e Adrian Lyne é o melhor diretor em expor a alma erótica dos casais em filmes que não são etiquetados como eróticos. Basta lembrar de casais como Michael Douglas e Glenn Close em Atração Fatal e Diane Lane e Olivier Martinez em Infidelidade e temas como o adultério que se misturam ao prazer . Eu gosto desta capacidade que ele tem de entrar abertamente nos desejos femininos que muitas vezes são podados em filmes e como estes desejos sexuais são tão íntimos da alma feminina, como eles podem ser tão (in)sanos quando são concretizados, alcançando uma cura e libertação que também traz sofrimento. Esta sexualidade e sensualidade em suas produções atiçam o desejo da platéia que simplesmente não deseja prestar atenção aos diálogos, a idéia é fazer o que o público quer: contemplar o sexo permitido nas salas de cinema convencionais e que está guardado no depósito da alma erotizada. Na minha opinião, isso é recorrente nos principais filmes de Adrian Lyne, a tensão sexual que é desdobrada em outras questões do universo dos amantes como o adultério, a loucura, a dúvida, o amor, a violência psicológica,etc e que acabam sendo um espelho de nossos inquietantes conflitos afetivos.



9 1/2 Semanas de Amor é mais um microcosmo das relações afetivas com a assinatura de Lyne no qual as palavras não são necessárias, só o sexo e o prazer e a realização dos mesmos sem qualquer imposição de regras. Fantasias clássicas são realizadas como transar em um beco e na cozinha, ser vendada dando espaço a inúmeras sensações, ser tocada por uma mulher enquanto o homem é um voyeur, se masturbar em um lugar inusitado tendo os pensamentos tomados e atiçados por um homem, fazer um strip tease ao som de uma sexy música, etc. Por tudo isso é que Elizabeth e John praticamente não têm diálogos porque o relacionamento está fadado ao fracasso, porque não interessa ter um enredo baseado em discutir a relação e construir um alicerce para o futuro afetivo. John já estava acostumado a pôr em prática os seus joguinhos sexuais, mas Elizabeth entrou como uma ingênua mulher que cede ao prazer ( e quem não cederia ao jovem Mickey Rourke antes de se destruir com as cirurgias plásticas mal sucedidas?), com isso, ela se divide entre as delícias do amor e do sexo e a via crucis de estar com um homem que "não é dela", mas que, por um inesquecível e curto período estará "dentro dela".

Avaliação Madame Lumière





As melhores canções desta trilha sonora inesquecível


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Título Original: Nine 1/2 Weeks
Origem:
Estados Unidos
Gênero(s):
Drama
Duração:
112 min
Diretor(a):
Adrian Lyne

Roteirista(s): Adrian Lyne
Elenco:
Mickey Rourke, Kim Basinger, Margaret Whitton, David Margulies, Christine Baranski, Karen Young , William De Acutis, Dwight Weist, Roderick Cook, Victor Truro, Justine Johnston, Cintia Cruz, Kim Chan, Lee Lai Sing, Rudolph Willrich

3 comentários:

  1. As coisas estão quentes por aqui .... rsrs
    Sério, bela memória, e obviamente,bela critica de 9 e1/2 semanas de amor madame. Em especial essa última frase resume bem o status quo do filme e da relação que testemunhamos nele.
    "ela se divide entre as delícias do amor e do sexo e a via crucis de estar com um homem que 'não é dela', mas que, por um inesquecível e curto período estará 'dentro dela'.
    Tb gosto muito desse filme. E, realmente Kim Bassinger está tudo de bom. Vai lá, o Mickey Rourke tb... rsrs

    Bjs

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  2. Rsrs... estão quentíssimas, vai ficar mais...
    M O N S I E U R ! rsrs...

    Obrigada pelo comentário... Kim e Mickey estão tudo de bom... talvez eu assista este filme de novo haha...

    Beijos da Madame!

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  3. Muito bom, vi o filme pela 1º vez quando tinha uns 20 anos, quanto a esses jogos sexuais, as mulheres adoram...

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