domingo, 24 de maio de 2015

MaDame listas de Cinema 2015 : Top 10 Diretores modernos para dramas poderosos

 MaDame listas de Cinema
por Cristiane Costa
 


MaDame listas de Cinema é uma seleção especial, perceptiva e degustativa com 10 favoritos (filmes, atores, cineastas etc) sobre determinado tema ou com algum recorte específico na escolha. Não tem a intenção de ser uma verdade fixa e absoluta pois é baseado em minhas observações, análises e afinidades sobre Cinema e poderá ser alterada em novas e atualizadas listas. O propósito é oferecer-lhes uma pílula "look closer", ou em outras palavras, uma lista para despertar sua atenção e/ou interesse e dividir com vocês meus gostos pessoais de Cinefilia e como tenho visto a indústria cinematográfica.

A lista "Top 10 Diretores modernos para dramas poderosos" teve como objetivo capturar diretores que se destacam em dramas contemporâneos mais realistas, não estereotipados ou com uma estrutura linear padrão e previsível. Seus estilos de direção também foram considerados assim como a filmografia mais recente.

Bem-vindo(a)! Você está convidado para dividir a sua lista. Viva ao Cinema!






1. Michael Haneke, Alemanha

A topo da direção de dramas poderosos só poderia ser ocupado por Haneke. O experiente cineasta aprecia dramas complexos e difíceis, aqueles que a sociedade prefere não encarar de frente e agir com hipocrisia, aqueles que mostram a natureza humana obscura e são como "um tapa na cara" ou "um dedo na ferida". O Cinema de Haneke tem a preciosidade de abordar as várias formas e manifestações de violência do ser humano. Seus personagens ocupam papeis nos quais, ou sofrem ou fazem alguém sofrer ou demonstram  a natureza da violência, do mal. Filmaços como A professora de piano, A fita branca e Amour transitam da violência física à psicológica e destacam a habilidade de Haneke trabalhar com variados tipos de histórias sem se afastar do seu singular estilo de direção e do seu contundente universo temático.


Dica de filme imperdível : Amour (2012) 




 


2. Steve McQueen, UK


Steve McQueen é um daqueles diretores que tem uma direção única,  sofisticada e impactante, com forte intenção de nos conectar com cada personagem e observar seus dramas. Dos modernos,  ele é um dos mais fiéis ao seu estilo de direção, tanto que é possível identificar um "Steve McQueen"  após familiarizar-se com seus filmes. Desde os longos takes à aproximação da câmera nos diálogos de maior efeito dramático e a bela  orquestração do som e da trilha sonora com a imagem, Steve McQueen coloca sua impressão digital cinematográfica nos movimentos de câmera e enquadramentos e garante  imagens inesquecíveis como as de Shame e 12 anos de Escravidão. Ele também realiza um ótimo trabalho em parceria com o ator Michael Fassbender, resultando em excelentes atuações, confiança e energia no set. É um diretor com forte potencial para desenvolver novos e interessantes dramas se seguir a linha mais contundente e dolorosa de Shame, um dos seus melhores filmes.


Dica de filme imperdível : Shame (2011) 
Review: Shame







3. Asghar Farhadi, Irã


O premiado diretor Asghar Farhadi é um dos responsáveis contemporâneos por levar o Cinema Iraniano ao resto do mundo com um talento formidável de abordar questões complexas na relação humana dentro da dinâmica familiar. Filmes como A Separação e O Passado se destacam por criar um ambiente narrativo fechado e intimista no qual há conflitos e discussões acaloradas e, em algum momento, personagens se encontram com outros personagens e desdobramentos dramáticos marcantes ocorrem em cena, dilemas complexos são abertos para uma decisão. A força humanista, expressiva e universal do seu Cinema, que é originado em um pais com cultura bem tradicional, possibilita que ele abra espaço para o diálogo e a reflexão sobre as complexidades do agir.


Dica de filme imperdível : A separação (2011) 






4. Denis Villeneuve (Canadá)


Um dos mais interessantes diretores do momento e o selecionado para a direção do remake de Blade Runner, Denis Villeneuve tem  realizado filmes com uma cinematografia impecável, um estilo de direção sofisticado que dialoga com outros diretores como David Fincher, roteiros que fogem do lugar, histórias obscuras com componentes violentos e uma versatilidade de combinar drama, suspense, crime e mistério, podendo orientar-se mais a um gênero ou outro. Seu grande filme é Incêndios, uma dramática e violenta jornada familiar no Oriente Médio, seguido pelo criativo, kafkiano e psicanalítico Homem Duplicado (Enemy) que traz Jake Gyllenhaal representando dois egos, o homem livre e aberto aos prazeres e o homem casado e preso às suas funções sociais. Seu próximo longa, Sicario, promete ser um brutal drama-thriller-action movie  na fronteira do México e USA e trará dilemas de uma agente do FBI durante uma operação clandestina.


Dica de filme imperdível : Incêndios (2010)  





 
5. Nuri Bilge Ceylan (Turquia)


Ceylan tem uma parceria especial no seu Cinema em estado de Arte: seus principais filmes tem a participação de Ebru Ceylan, sua esposa roteirista, e uma estrutura narrativa minimalista, peculiar, fria, porém envolvente à medida que somos desafiados a observar como o ser humano age em contextos mais obscuros com componentes do crime e/ou da violência (inclusive violência dos sentimentos mal resolvidos, das fissuras sociais etc). Com texto forte , denso e humanista e um interessante entendimento da complexa psicologia humana, suas histórias abordam questões mais universais nas relações sociais, políticas etc. Seu último filme, Sono de inverno (Winter Sleep), os personagens são concentrados nas paisagens isoladas e frias da Anatolia, mostram suas ambiguidades e entram em confronto com o calor das discussões e acontecimentos, diante da vida, da morte, do ódio.


Dica de filme imperdível: Era uma vez em Anatólia (2011)





 6. Lars von Trier (Dinamarca)


Lars von Trier tem fama de ter um Cinema polêmico, perturbador,  pessimista e transcendente, no entanto, um dos seus grandes diferenciais não é exatamente ter essa imagem pública controversa, é a sua capacidade de ser um cineasta contemporâneo que exerce sua liberdade criativa e filosófica, experimenta e se desafia na estética e linguagem cinematográficas de seus filmes, muitas vezes não facilmente compreensíveis, porém ainda capazes de enfocar temas profundos da condição humana como a depressão, a melancolia, a morte, o sexo, a culpa, a  etc. Atualmente é um dos diretores mais intrigantes, amado ou odiado, que provoca o público à uma  reflexão existencialista, além de valorizar boas personagens femininas e ter dirigido excelentes atuações como as de Björk (Dançando no escuro), Charlotte Gainsbourg (Anticristo,Melancolia, Ninfomaníaca I e II), Kirsten Dunst (Melancolia), Emily Watson (Ondas do destino) e Nicole Kidman ( Dogville).


Dica de filme imperdível: Dançando no Escuro (2000)




 

 7. Hirokazu Koreeda (Japão)


Hirokazu Koreeda une uma realista cinematografia de um Japão contemporâneo,  melodramas familiares com sensível orquestração da dinâmica do cotidiano doméstico e de suas relações e uma excepcional habilidade na direção de crianças. Sua câmera explora situações disfuncionais com diferentes perspectivas e possibilita o ponto de vista da criança, dando voz a outras formas de observar personagens, sentimentos e impactos das ações de adultos.  É um diretor excelente para dramas familiares pois equilibra temas fortes com histórias significativas que têm leveza e delicadeza. Seu novo filme, Umimachi Diary, presente no Festival Cannes 2015, aborda a relação entre irmãs e a chegada de outra meia-irmã.


Dica de filme imperdível: Pais e filhos (2013)









8. Thomas Vinterberg (Dinamarca)


Thomas Vinterberg é um diretor  experiente que, quando decide fazer um ótimo drama, ele faz. Como um dos fundadores e influenciadores do movimento Dogma95, sua direção tem o que há de melhor no excelente Cinema Dinamarquês e suas influências cinematográficas: dramas realistas e contundentes, câmera na mão, personagens com fortes conflitos que são lançados em espirais crueis e destrutivas e uma liberdade narrativa de reminiscências do Dogma95. Seus melhores filmes, como Submarino e A Caça, adentram no núcleo familiar, exploram a psicologia  humana, colocam indivíduos em situações dramáticas complexas que resultam em impactantes momentos de exclusão e julgamento sociais, mas também, na possibilidade de esperança e redenção. A Caça é definitivamente um dos melhores dramas dos últimos anos.


Dica de filme imperdível: A Caça  (2012)







9. Jacques Audiard (França)


Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes 2015 por "Deephan", Jacques Audiard é um cineasta Francês que vai contramão do Cinema leve, cômico, refrescante e fenômeno de bilheteria  que vemos em sucessos como "Intocáveis" de Olivier Nakache e Éric Toledano e "Eu, mamãe e os meninos" de Guillaume Gallienne. Audiard enfoca o Cinema mais brutal, com histórias pesadas e realistas que fundem o crime, a  violência, a diversidade étnica e social, o xenofobismo, o subemprego etc. O cineasta tem uma  primorosa direção para abordar a truculência de dramas individuais em uma sociedade europeia em decadência. Ele também se destaca como diretor de atores. Trabalhou com elenco de fortes atuações com Tahar Rahim (O Profeta),  Matthias Schoenaerts e Marion Cotillard (Ferrugem e Osso). O aguardado "Deephan" enfoca um imigrante e sua família do Sri Lanka que, após uma guerra civil, tenta uma nova vida na França e é confrontado pela violência e todos os obstáculos da realidade do país.


Dica de filme imperdível: O profeta (2009)





10. Derek Cianfrance (USA)


Derek Cianfrance é um dos cineastas do Cinema independente Americano que bom potencial de crescimento. Com uma filmografia pequena, porém bem interessante, ele consegue reunir 3 pontos de harmonia entre o Cinema comercial e o independente: Dramas sensíveis que se comunicam com um público mais amplo; um estilo de direção realista e bem particular de fazer cinema com personagens bem desenvolvidos, dramas com conflitos e rachaduras emocionais e uma narrativa com diálogos e situações bem honestas e humanizadas, todos suportados por uma excelente cinematografia e trilha sonora que possibilitam reconhecer o DNA cinematográfico de Cianfrance e projetos com bons atores que são bem recebidos por um público variado (Ryan Gosling, Bradley Cooper,  Michelle Williams). Seu último filme, O lugar onde tudo termina, reforça seu estilo de direção apropriado para bons dramas e acrescenta sua versatilidade com novas nuances de gênero como o suspense e o policial. 


Dica de filme imperdível: Namorados para sempre (Blue Valentine, 2010)

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