quarta-feira, 13 de maio de 2015

MAD MAX: Estrada da fúria ( MAD MAX : Fury Road) - 2015


 
 
Entregue-se à essa fúria!
 
Por Cristiane Costa

Você tem uma missão cinéfila a partir de amanhã, 14 de maio, em um dos cinemas próximos à sua casa ou trabalho: Assistir ao explosivo filme de George Miller, MAD MAX: Estrada da Fúria, que revisita sua própria trilogia pós apocalíptica. Esse não é um filme qualquer. É uma aula máster de Cinema de como fazer um blockbuster de ação de última geração. Com roteiro de Miller em parceria com Brendan McCarthy e Nico Lathouris, o longa é forte candidato a melhor blockbuster de 2015 e será difícil alguém tirá-lo do trono. Você não se lembrará de nada parecido a esse MAD MAX, nem mesmo de seus antecessores, porque ele chegou para se impor como um filmaço único, com uma direção, estética e linguagens cinematográficas bastante diferenciadas para o gênero:  fantásticos enquadramentos dos carros, motos e elenco na estrada, peculiar estilo visual com fotografia de John Seale aderente à temperatura e humor da história, agilidade e ritmo entre cenas, cortes preciso e toda uma edição em sintonia com as rápidas mudanças cênicas e picos dramáticos, excelente desenvolvimento de personagens, atuação e direção de atores, e uma história simples e, ao mesmo tempo incrível, com um senso de humanidade que ainda lhe fará refletir sobre a fascinante metáfora presente nessa desértica e hostil paisagem.

 

Tom Hardy como o novo MAD, o icônico anti-herói  dessa franquia
 
 
 
MAD MAX: Estrada da Fúria é uma missão eletrizante e cheia de energia. Ele tem um efeito vibrante e viciante, instantaneamente, como uma injeção de adrenalina que te deixará ligada (a) na Tela Grande. Só nela, porque esse filme tem um poder: o de dominar a atenção e torna-lo uma obsessão por 2 horas!  Depois de finalizada a projeção, você poderá sair da sala totalmente surpreso(a) com o que viu e dizer a si mesmo: “Que blockbuster! Que dia incrível! Quero vê-lo de novo”, fazendo côro ao What a lovely day!” – slogan do filme. Prepare-se para pegar essa estrada e esbugalhar os olhos a cada cena impecavelmente bem construída. Não é qualquer lançamento, é o blockbuster de ação mais bem realizado dos últimos tempos. Ação do começo ao fim, perfeitamente sincronizada com expressivas atuações e arcos dramáticos de um elenco estelar composto por talentos como Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hault, Hugh Keays – Byrne, Zoe Kravitz e Rosi Huntington-Whiteley.
 

A história começa com uma de suas principais estrelas, o anti-herói MAD MAX (Tom Hardy), um homem solitário e assombrado pela perda da família.  No deserto, ele é capturado para ser prisioneiro na cidadela do ambicioso vilão Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) e servir como uma "bolsa de sangue", um tipo de doador universal, para Nux (Nicholas Hoult). Sem ter para onde e como fugir, MAD está preso no meio deste insano grupo de “soldados” assassinos de Immmortan Joe, loucos como Slit (Josh Helman) e Rictus Erectus (Nathan Jones). Após uma reviravolta na história, que é o estopim do conflito, ele conhece a corajosa Furiosa (Charlize Theron), rebelde e heroína, que está determinada a cumprir a missão da jornada, retornar ao lar e alcançar a redenção.

 


Miller em estado de graça na composição e direção dos planos



Os dez minutos iniciais são uma boa dose degustativa da qualidade da direção de Miller que permeará todo o filme. Ali, MAD MAX : Estrada da Fúria mostra a que veio: é um cinema de ação de primeira grandeza! Vários elementos já estão ali, principalmente, como a ação será construída em cada plano, ágil e com uma intenção clara de explorar a movimentação dos personagens e como eles interagem em cena entre si e com o ambiente. Miller conduz essa realização com vigor, ocupa o espaço com agilidade e total domínio técnico, e como destaque e diferencial, ele realiza um trabalho excepcional em como as sequências de ação são desencadeadas em harmonia e com uma evidente “fúria” narrativa. A intensidade da ação está no DNA desse imperdível blockbuster. Miller humilhou os filmes de ação que repetem fórmulas antigas e exaustivas. Você não será mais o mesmo após observar que esse filme faz justiça ao termo “filme arrasta quarteirões”. Se há um longa que pode virar predador voraz nas estreias da semana, MAD MAX: Estrada da Fúria merece devorar o máximo de espectadores. É Cinema mainstream americano de alto nível, excepcional qualidade em cada detalhe. Se filmes furiosos na ação é o seu território, você vai pirar nessa estrada  em chamas!

 
 
Charlize Theron: Furiosa e em uma atuação emblemática


 

Além do mais que excelente Tom Hardy, um ator crível, versátil e carismático cuja evolução do personagem cresce a cada momento que ele percebe o valor da escolha de Furiosa e de sua audácia e enfretamento do status quo, a principal estrela do filme é Charlize Theron, uma personagem fundamental que toma uma decisão que traz impactos irreversíveis. É lutar ou morrer! Ela dá o primeiro passo que move toda a ação posterior, além de ser responsável por muito do efeito dramático do longa. O encontro entre ela e MAD tem uma razão de ser: ele perdeu a família. Ela perdeu a família. Ambos são órfãos de seus lares. Do ponto de vista da construção da narrativa, a união entre MAD e Furiosa é o que move a ação e traz a importância do peso da maturidade desses atores. Charlize Theron e Tom Hardy não são apenas os experientes em cena, mas, conjuntamente com a excelente direção de atores de Miller, os que asseguram que o filme não caía em atuações vazias que usam apenas a ação como muleta. Cada um deles têm arcos dramáticos bem claros, um dos pontos altos da qualidade do roteiro. Eles também são líderes em cena, ainda que compartilham responsabilidades com os demais coadjuvantes. Esse cruzamento de suas histórias leva o filme a questões humanistas muito mais nobres: liberdade, confiança, integridade, sobrevivência, segunda chance.

 

Hugh Keays Byrne está de volta e é o "diabo" do deserto
 
 
Ainda sobre o  elenco, com merecidos destaques, vale a pena mencionar Hugh Keays – Byrne e Nicholas Hault.  Byrne é a incorporação do próprio demônio, com uma arcada dentária falsa e aterrorizante, ele é o ditador de um mundo que escraviza e subjuga pessoas. É um vilão que, ainda que não tenha tido a importância dramatúrgica e física de Furiosa e Mad, tem uma força visual em cena que ressalta sua insanidade e controle. Nicholas Hault é a grata surpresa e atua com luz própria. Realiza uma excelente atuação: rebelde, dócil e bem humorada. Tem um personagem que sofre mais mudanças no decorrer da história, algumas de bela demonstração de honra, coragem e sacrifício, e pode despertar no público certa piedade por ele idealizar um tipo de reconhecimento pessoal nesse mundo hostil que, também, é frustrante. É um terno sonhador, como um menino que perdeu a sua infância no meio do caos e que espera por um lar.  Ainda com relação ao elenco, todos entram intensamente no clima e “DNA MAD MAX”; todos estão furiosos em uma jornada de perseguição na estrada, mas também, apresentam momentos mais humanistas com esperança, perdão, ternura, generosidade, lealdade e trabalho em equipe. A estrada é o microcosmo da vida.  Essa é uma das grandes belezas da história.

 

Nicholas Hault (NUX)  ganhou um excelente personagem e fez bonito
 
 
MAD MAX: Estrada da Fúria tem de tudo para ser o novo vício nas bilheterias estrangeiras e do Brasil. Certamente, ele será e já está sendo bem elogiado pela crítica especializada e público. Bombástico, insano, libertário, redentor. Não faltam elogios ao mundo pós-apocalíptico criado por George Miller no auge de seus 70 anos. Que energia que dá orgulho! Quanta disposição!  Sua competência na realização desse excepcional exemplar do Cinema de ação foi nada mais do que a de um perfeccionista. Totalmente habilidoso para decupar planos com sagacidade na corrida ação, ele energizou o filme com sequências tão coesas entre si que mantêm o ritmo insano da perseguição e são reforçadas pelo uso de trilha sonora de Junkie XL, igualmente insana, que dá mais e mais tensão à história. Cada explosão, luta, morte, olhar, diálogo não está ali à toa. Simplesmente os storyboards criaram vida de uma maneira impecavelmente criativa e vigorosa. George Miller voltou à arena cinematográfica com um filme que exala fúria e rebeldia, porém tem espaço para a esperança, tem fome por justiça e sede por liberdade. Você sentirá a vibração mundana e violenta desse mundo. Nessa estrada, o anti-herói MAD MAX é apenas parte de algo muito mais grandioso: o deserto é o nosso mundo. Todos os dias vivemos nessa Estrada da Fúria. Precisamos aceitar  a nossa insanidade e encontrar o nosso destino.
 
 
 
Ficha técnica no ImDB Mad Max : Estrada da fúria
 
 

3 comentários:

  1. Artigo perfeito. Sintetizou a obra com perfeição. Mad Max é realmente uma espetáculo visual poucas vezes visto.

    ResponderExcluir
  2. Uau... parabéns; Não poderia ter escolhido melhores palavras.

    ResponderExcluir
  3. Uau... parabéns; Não poderia ter escolhido melhores palavras.

    ResponderExcluir

Prezado(a) leitor(a)

Obrigada pelo seu interesse em comentar no MaDame Lumiére. Sua participação é muito importante para trocarmos percepções e informações sobre a fascinante Sétima Arte.
Madame Lumière é um blog democrático e sério, logo você é livre para elogiar ou criticar o filme assim como qualquer comentário dentro do assunto cinema. No entanto, serão rejeitadas mensagens que insultem, difamem ou desrespeitem a autora do blog assim como qualquer ataque pessoal ofensivo a leitores do blog e suas opiniões. Também não serão aceitos comentários com propósitos propagandistas, obscenos, persecutórios, racistas, etc.
Caso não concorde com a opinião cinéfila de alguém, saiba como respondê-la educadamente. Opiniões distintas são bem vindas e enriquecem a discussão.

Saudações cinéfilas,

MaDame Lumière