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Crítica | A Noiva! (The Bride!)

 




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Por Cristiane Costa,  Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos




Há uma eletricidade quase anacrônica no ar quando Maggie Gyllenhaal decide reanimar um mito. Em seu A Noiva!, a diretora e roteirista não se contenta em apenas revisitar o clássico de Mary Shelley; ela o sequestra para as luzes de um cabaré punk, onde o vintage e o moderno colidem em uma escolha estilística visceral.



É impossível não traçar um paralelo imediato com a energia disruptiva que Margot Robbie emprestou à sua Arlequina. Aqui, porém, o caos é tingido por uma sofisticação literária que eleva a narrativa. Gyllenhaal constrói uma atmosfera de rebeldia que não é apenas estética, mas um manifesto de heroísmo feminino que dialoga diretamente com as cicatrizes do nosso tempo.






A grande subversão, entretanto, reside no deslocamento do olhar. Historicamente confinada ao papel de objeto inexpressivo, a Noiva de Jessie Buckley emerge com um protagonismo avassalador. Como a própria diretora sugeriu, as costuras físicas da personagem funcionam como uma poderosa metáfora da fragmentação da identidade feminina.



Ela é uma mulher composta por pedaços impostos, mas que desperta para a urgência de uma integração própria. Não é um amparo; é uma força da natureza que recusa as correntes da gratidão servil após o trauma do feminicídio.



Buckley, em uma interpretação que reafirma por que é uma das atrizes mais diferenciadas de sua geração, traz para a tela o que poderíamos chamar de uma "intelectualidade orgânica". Sua força não é apenas física, é vibrante e instintiva. Ela equilibra a selvageria de uma líder revolucionária e a autenticidade de uma mulher que está, pela primeira vez, descobrindo o próprio desejo.



Nesse despertar, a jornada afetiva também se redefine. Ela descobre o amor não como uma imposição do "criador", mas como um encontro de dois iguais. São dois solitários e incompreendidos que buscam amparo contra uma hostilidade universal.






Paralelamente, a metalinguagem surge como um respiro de doçura em meio à fuga caótica. A admiração da Criatura pelo cinema, projetando-se nos galãs hollywoodianos interpretados por Jake Gyllenhaal em um papel mais figurante do que ativo, humaniza o monstro de uma forma tocante. É o cinema servindo como espelho de dignidade para aquele que o mundo rotulou como aberração.



No campo interpretativo, Christian Bale atua com uma generosidade rara, dosando sua imensa presença de cena para garantir que o palco pertença inteiramente à sua parceira. Existe uma solidariedade entre eles que sustenta o filme, mesmo quando o roteiro parece hesitar em entregar grandes pontos de virada ou deslocamentos dramáticos mais robustos.






Apesar da presença luxuosa de Annette Bening, Penélope Cruz e de um subutilizado Peter Sarsgaard, o filme opta por manter o foco quase exclusivo na jornada libertária de sua protagonista. Se por um lado A Noiva! triunfa na estética, por outro lado falta um conflito mais incisivo vindo dos coadjuvantes, o que deixa evidente uma hesitação narrativa.



Ao contrário de obras como o Frankenstein de Guillermo del Toro, que utiliza cada coadjuvante como peça vital de um arco robusto, aqui figuras como a cientista e os antagonistas permanecem apenas como esboços. Essa falta de densidade nos núcleos secundários deixa a jornada centrada quase exclusivamente na dinâmica entre Criatura e Noiva. Embora o design de produção e a maquiagem também nos transportem para um universo fascinante, o roteiro acaba por isolar demais seus protagonistas.






É nesse contexto que a cena do salão de baile surge como um ápice de denúncia e liderança, ressoando como um grito contemporâneo contra sistemas opressores e violentos. O momento funciona como síntese da força estética e política do filme, reafirmando a potência da protagonista mesmo diante das fragilidades narrativas.



O filme entrega uma experiência sensorial poderosa, mas perde a chance de ser uma obra absoluta ao não preencher os vazios de sua própria visão geral. Restam-nos as texturas magníficas, que nos inspiram pela força da mensagem, mas nos deixam desejando que o mundo ao redor da Noiva fosse tão vivo quanto o despertar de sua própria consciência.




3,5


Divulgação. Imagens 


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