Lançamento nos Cinemas: 26 de Março
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Por Cristiane Costa, Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos
Há uma inteligência muito particular na escrita de Cláudio Torres. Sua assinatura como roteirista em sucessos como A Mulher Invisível e O Homem do Futuro já revelava um domínio raro sobre a comédia nacional, um gênero que merece mais afeto e cuidado narrativo do que costuma receber, apesar de suas inúmeras produções no Brasil. Torres possui a mão leve para diálogos divertidos e uma capacidade de criar situações absurdas que preservam uma doçura muito humana.
Nesse sentido, em Velhos Bandidos, essa habilidade de escrita se funde ao seu papel de diretor para criar uma obra de camadas extras de ternura e reverência. Ao trabalhar com a própria mãe, Fernanda Montenegro, Cláudio não apenas conduz uma trama de assalto; ele presta uma homenagem à versatilidade e ao brilho soberano de sua atuação. Ao lado de Ary Fontoura, que empresta uma docilidade magnética ao personagem, o casal Marta e Rodolfo forma o verdadeiro coração e o maior atrativo da obra.
Por outro lado, o tom da comédia flerta com o non-sense e o inverossímil. O assalto é conduzido de forma quase simplista, o que confere ao filme uma leveza de fábula urbana. Mas o que importa não é a logística do crime, e sim a ironia ácida contra quem subestima a inteligência dos mais velhos. O filme acaba sendo, também, um manifesto de que a vida não morre com o envelhecimento; é possível viver, amar e se divertir. Uma das mensagens mais poderosas reside justamente na vitalidade que uma pessoa idosa pode e merece ter.
Um ponto forte da produção está na sua direção de arte e fotografia. Com cores vivas e detalhes cuidadosos, o filme constrói uma atmosfera visual que remete aos clássicos filmes de assalto internacionais, mas com uma "brasilidade" inegável. A coloração elegante e a estética de comédia de ação sobre roubos a bancos estão muito bem realizadas, convertendo o assalto em espetáculo visual que se alinha perfeitamente ao tom da narrativa.
Assim, Fernanda Montenegro, envolta em um figurino sob medida que exala classe, encarna a diva absoluta. Ela e Ary são bandidos, sim, mas tão agradáveis e humanos que o espectador se torna cúmplice desde o primeiro instante. Essa dimensão simbólica encontra eco no elenco de apoio, que sustenta a narrativa com carisma e experiência. Entre os veteranos, destacam-se Nathalia Timberg e Reginaldo Faria; já Tony Tornado e Vera Fischer acrescentam vigor e presença. Teca Pereira e Hamilton Vaz Pereira completam o grupo, compondo um mosaico de talentos que recupera a dignidade desses atores na ativa. Além disso, há a participação especial de Laila Garin, em papel breve, que acrescenta frescor à narrativa.
Esses veteranos funcionam como comparsas de uma ética politicamente incorreta que serve perfeitamente aos recursos narrativos de Torres. Lázaro Ramos, como o investigador Oswaldo Aranha, equilibra a dinâmica, trazendo uma sobriedade necessária para ancorar o clímax, ainda que o brilho maior esteja no quarteto principal.
No final, Velhos Bandidos é um avanço na nossa comédia por entender que a "brasilidade" não precisa ser caótica para ser engraçada. Ela pode ser soberana, audaciosa e, acima de tudo, elegante. É o cinema lembrando que a maturidade intelectual e espiritual é o plano perfeito que ninguém consegue roubar.
Divulgação. Créditos fotos: Laura Campanella.
Imagens cedidas por Distribuidora / Assessoria de imprensa para crítica do filme.





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Cristiane Costa, MaDame Lumière