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Crítica | Enzo

 



Lançamento #MaresFilmes nos Cinemas : 19 de Março 


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Por Cristiane Costa,  Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos




Entre o cimento e o desejo, o drama francês Enzo chega às telas envolto em uma aura de despedida e continuidade, sendo o testamento artístico de Laurent Cantet, o mestre do realismo social de Entre os Muros da Escola. Com roteiro assinado por Robin Campillo, Laurent Cantet e Gilles Marchand, o longa abriu a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes de 2025. Cantet, que nos deixou em 2024, encerra sua trajetória com uma obra que reafirma sua obsessão pelo choque entre juventude e estruturas sociais, sob a direção cuidadosa de Campillo.







O filme acompanha Enzo (Eloy Pohu), um jovem de 16 anos que vive no conforto de uma família burguesa no sul da França, mas que decide romper com o destino escolar esperado para se tornar aprendiz de pedreiro. No calor do canteiro de obras, ele conhece Vlad (Maksym Slivinskyi), um imigrante ucraniano marcado pela iminência da guerra, iniciando uma jornada de amadurecimento onde o suor do trabalho manual se mistura à descoberta de uma sexualidade fluida e autêntica.



A casa de Enzo é um espaço de tensões silenciosas. O pai, Paolo (Pierfrancesco Favino), observa o filho com amor e incômodo diante de sua “estranheza”. A mãe, Marion (Élodie Bouchez), tenta manter uma amorosidade que não basta para preencher o vazio comunicativo da mesa de jantar. O irmão simboliza o conformismo acadêmico, focado apenas no sucesso institucional em Paris, contrastando com a busca de Enzo por uma identidade fora dos padrões impostos.








O ambiente da construção surge como o grande laboratório existencial e pedagógico de Enzo. Como um aprendiz da vida, ele aceita sujar e ferir as mãos para entender o valor do esforço e da matéria bruta, algo que a teoria escolar jamais alcançaria. Vlad exerce sobre ele um fascínio magnético pela crueza de sua humanidade, tratando-o com um afeto e um respeito que aceleram o amadurecimento do jovem que, sem posses ou diplomas, possui a autenticidade que falta em seu ambiente familiar.



A narrativa queer é tratada como parte desse rito de iniciação, embora a descoberta sexual sofra limitações compreensíveis pelo fato de Enzo ser menor de idade. Campillo evita o sensacionalismo e privilegia a intimidade emocional, mantendo o foco na admiração e na presença física de Vlad.



Ao optar por um naturalismo extremo, o filme sacrifica embates que poderiam dar mais densidade à trama, resultando em ações que soam imediatistas. Essa escolha pela fluidez cotidiana, embora fiel ao estilo de Cantet, por vezes retira a potência de conflitos que poderiam elevar o drama a um novo patamar de complexidade.



A cinematografia contrapõe a mansão solar à poeira densa da construção, criando um entrepiso visual que traduz a transição de Enzo entre conforto e brutalidade. O filme recusa os louros de grandes desfechos cinematográficos, optando por um final aberto e profundamente humanizado, fiel à tradição de um cinema francês que entende a vida como um processo permanentemente inacabado.



Enzo é uma homenagem permanente a Cantet, reafirmando que a educação mais profunda acontece no encontro com o outro e na coragem de questionar o próprio lugar no mundo. Mesmo diante da morte, este cinema continua acreditando na capacidade de transformação e na resistência da juventude.








Imagens. Divulgação Mares Filmes.

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