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Crítica | Fora de Controle: O Peso do Cotidiano e o Suspense Diluído

 




Lançamento nos Cinemas 28 de Maio.


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Por Cristiane Costa,  Editora e Crítica de Cinema | Especialista em Comunicação e Projetos




O longa-metragem francês Fora de Controle (Dis-moi juste que tu m'aimes), dirigido por Anne Le Ny, acompanha a aparente estabilidade de Julien (Omar Sy) e Marie (Élodie Bouchez). Após quinze anos de casamento, essa rotina é abalada pela volta de Anaëlle (Vanessa Paradis), antiga paixão de juventude de Julien. A partir desse reencontro, uma rede de segredos e infidelidades se forma, intensificada pela presença de Thomas (José Garcia), colega de trabalho de Marie.



Movendo-se entre o drama conjugal e o suspense psicológico, o filme, resultado de uma parceria entre França e Bélgica e já exibido em festivais internacionais, reúne um elenco expressivo do cinema francês contemporâneo para explorar as consequências de uma traição. Embora a premissa de examinar os efeitos de uma quebra de confiança seja atraente, a execução falha em sustentar a atmosfera de mistério proposta pelo roteiro.





Omar Sy. Divulgação.



A narrativa carece de ritmo mais vigoroso e de embates diretos que deem relevo ao conflito, resultando em uma lentidão que compromete a verossimilhança das situações. O desenvolvimento abdica da profundidade psicológica essencial a esse tipo de trama, diluindo a força dos dilemas e impedindo que a plateia seja capturada pela urgência das transformações vividas pelo casal.



A condução frágil subutiliza o evidente profissionalismo de seu quarteto central, que se vê desprovido de um alicerce firme na direção e no texto para alcançar notas mais densas. O protagonista vivido por Omar Sy, encruzilhado entre a crise doméstica e o fantasma do passado, adota uma postura passiva que reduz o impacto dramático. Já a esposa interpretada por Élodie Bouchez transita por uma ingenuidade que enfraquece o embate diante da manipulação sofrida.




Vanessa Paradis. Divulgação.



Vanessa Paradis, cuja chegada deveria funcionar como catalisador das tensões, é confinada a um papel secundário com pouco espaço de tela. O único elemento que rompe a inércia é Thomas, vivido por José Garcia: sua figura abusiva e obsessiva provoca rejeição imediata no espectador, embora esse efeito se dê mais pela repulsa às suas atitudes perturbadoras do que por um refinamento do suspense.



Por outro lado, a escolha de ambientar a narrativa fora do glamour parisiense revela-se um acerto técnico. Rodado na região francesa da Bretanha, o filme desloca a rotina da família para cenários cotidianos de escritórios, ruas e pequenos comércios, afastando o olhar das imagens turísticas e ancorando o espectador na simplicidade da vida cotidiana. Todavia, essa eficácia cenográfica exigia um contraponto de igual peso na condução dos dilemas internos, o que infelizmente não se concretiza.




José Garcia e Élodie Bouchez. Divulgação.



Visitar temas universais como obsessão e infidelidade, já explorados por clássicos como Atração Fatal ou Infidelidade, demanda um olhar capaz de imprimir diferencial estético ou narrativo. Sem oferecer o apelo do clichê comercial nem o rigor do cinema de arte psicologicamente denso, a obra encerra-se como uma oportunidade perdida dentro da rica cinematografia de suspense francesa.








Imagens para divulgação. Crédito: California filmes.

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