sábado, 31 de outubro de 2015

Mostra SP: Túmulos e ossos (Grafir & Bein, 2014), de Anton Sigurosson

MaDame te mostra a Mostra internacional de Cinema 
Uma seleção especial de filmes na semana mais cinéfila de São Paulo
Acompanhe!





Por Cristiane Costa


Quando um filme de horror é originário da Islândia, país que está em alta na Mostra internacional de Cinema de São Paulo com longas bem recebidos pelo público como "Ovelha Negra", "Pardais" e "Virgin Mountain", não há como não ser despertado por um ímpeto de curiosidade, principalmente quando o gênero horror moderno e de qualidade tem sido uma raridade. Como nem tudo são flores em uma Mostra, cabe falar aqui do que não deu certo. Baseado em uma tragédia familiar, "Túmulos e Ossos" de Anton Sigurosson é forte candidato a um dos piores filmes de horror dos últimos tempos.  A explicação é simples: o diretor teve tudo para gerar um clima de tensão e explorar o drama familiar mas, de tanto ficar preocupado em gerar essa crescente tensão, esqueceu de contar a história, desenvolver os personagens  e de, pasmem, pregar um bom susto.


Na história, Gunnar (Björn Hlynur Haradldsson) está envolvido em um escândalo financeiro e em crise com a mulher Sonja (Nína Dögg Filippusdóttir). Desde o falecimento da filha do casal, o casamento não vai bem. Após uma tragédia familiar, eles visitam a sobrinha Perla (Elva María Birgisdóttir), garota estranha e misteriosa. Acontecimentos sinistros começam a acontecer na casa. 


Como podem ver, é um roteiro mais do mesmo, portanto o que faria a diferença é exatamente a execução e criar um suspense que fosse eficiente na conclusão. O que o diretor faz? Promete o que não entrega. A tensão existe mas nada acontece de  interessante  e as tentativas de dar susto na plateia não têm qualquer vigor e naturalidade. Chega a ser ridículo como ele não conseguiu nem colocar em prática os sustos clichês que ocorrem no Cinema Hollywoodiano. Por incrível que pareça, o resultado ficou aquém dos filmes medianos do gênero e de origem americana.  Também, ao colocar uma atriz mirim que leva jeito para ser uma criança sinistra e potencialmente diabólica, Sigurosson poderia ter desenvolvido melhor o papel dela. Também não acontece isso. Ela apenas encara a câmera como se fazê-lo fosse suficiente.



Mas o principal equívoco dele é não refletir a qualidade dos demais filmes da Islândia que têm sido apresentados na Mostra.  O Cinema Islandês tem uma qualidade: os atores, fotografia e elementos que compõem a cena são mais reais, palpáveis. É como o bom cinema independente de países Nórdicos, a cinematografia tem essa virtude de colocar o público em histórias mais naturalistas, dramáticas. Entretanto, em "Túmulos e Ossos" esse realismo só fica na intenção e nem a movimentação da câmera na intimidade familiar salva o longa. O roteiro deixa muito a desejar e seria mais interessante se o diretor tivesse optado por fazer um drama sem elementos de horror já que esses últimos quase inexistem. Mesmo em determinadas escolhas como criar suspense através do silêncio e de personagens dúbios e estranhos, a execução acaba sendo frágil.





Considerando o efeito piloto automático do longa, é importante que os diretores do gênero não façam o público cinéfilo e leigo perder tempo com um filme que nem o clichê entrega muito menos o que é qualitativamente eficaz e original. Perde-se muito tempo com roteiros e direções que não compreendem a essência do terror, do medo, da paranoia, da tragédia e da psicologia humana em geral. Profissionais que decidem se dedicar a esse gênero têm que dominar esse campo cinematográfico, por isso, "Túmulos e ossos" é uma aula de como não fazer um filme de horror. 




Ficha técnica do filme ImDB Túmulos e ossos

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