quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Mostra 2015: É o Amor (C'est l'amour, 2015), de Paul Vecchiali



MaDame te mostra a Mostra internacional de Cinema 
Uma seleção especial de filmes na semana mais cinéfila de São Paulo
Acompanhe!







Por Cristiane Costa



Poucos cineastas contemporâneos conseguem conciliar comédia e drama com originalidade, sensibilidade, estilo e menor orçamento. Paul Vecchiali, diretor francês de Noites Brancas no Pier lançado em 2014 e parte da seleção da 38º Mostra internacional de Cinema de São Paulo é um desses talentosos profissionais independentes que sabem escrever e dirigir filmes que falam sobre o amor de uma maneira criativa e autêntica. Seu mais recente filme "É o amor" (C'est l'amour) traz, além de uma história passional e aparentemente non sense, uma construção narrativa marcada pelo bom humor, irreverência e um estilo cheio de graça na composição dos elementos de cena, com destaque para a encantadora direção de arte.







Não espere uma comédia dramática francesa convencional e com as mesmas fórmulas para falar de relacionamentos. O roteiro original de Vecchiali exige uma mente aberta e desencanada para observar as ações excêntricas dos personagens e se envolver com os monólogos que fazem muito a diferença para entrar no clima do longa.  Tudo começa quando Odile (Astrid Adverbe) suspeita que seu marido Jean (Julien Lucq) a está traindo. Ele chega tarde em casa , se esquiva das perguntas ou não quer discutir a relação. Neste momento já podemos observar diferentes pontos de vistas do casal e como análise da relação depende da subjetividade de cada parceiro. Para isso, a direção  original de Vecchiali  usa o mesmo diálogo e posiciona a câmera para filmar individualmente cada ator, dessa forma, temos o ponto de vista de Odile e de Jean e como eles reagem na conversa. Embora na estrutura do texto esse recurso pareça redundante, a intenção da narrativa é mimetizar o que ocorre na prática e as reações emocionais, principalmente as não verbais através das expressões nos rostos, corpos e movimentos.





Odile está disposta a se vingar do marido e procurar uma aventura extraconjugal . Aparece radiante em um vestido vermelho, tomada por um comportamento sensual e libertário e dançando com uma envolvente trilha sonora, um dos personagens do longa. Nessa ocasião, ela conhece o amante Daniel (Pascal Cervo), um ator de cinema que parece constantemente embriagado. Ao vê-lo, ela torna-se uma devoradora sexual e se apaixona por ele. Em menos de 2 horas de projeção,  Vecchiali discute a relação a dois, envolvendo um casamento em crise, uma traição vingativa e repentina e outros relacionamentos paralelos como o de Daniel com Albert (Fred Karakozian), um ex-militar com quem vive junto.






Convém mencionar também que o cineasta gosta de monólogos e os atores tiveram forte demanda para incorporar uma atuação  teatral, sozinhos no quadro em plano médio mais fechado ou em close up, assim, a audiência pode ficar mais atenta e compreender suas emoções. Com destaque,  os personagens coadjuvantes como a mãe de Odile e Albert preenchem bem os espaços da narrativa para também falar sobre seus sentimentos, o que equilibra diferentes experiências e pontos de vista e movimenta a mise en scene. Por ser um roteiro pouco convencional,  Vecchiali acerta em não fechar apenas os conflitos no triângulo amoroso, mas também, colocar cenas mais cômicas que envolvem relacionamentos e uma forte dose de desabafos sobre o Amor. Normalmente os atores parecem que estão bêbados e têm atitudes excêntricas ou intempestivas. É como se o amor fosse uma bebida viciante que deixa os personagens grogues. E o que é o amor se não fosse uma boa dose etílica e um transbordar de paixões?








Ficha técnica do filme ImDB É o Amor

Distribuição: Supo Mungam Films


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