sexta-feira, 24 de junho de 2011

Qualquer Gato Vira-Lata (2011)



Qualquer Gato Vira-Lata, nova comédia nacional com o trio de Globais Cleo Pires, Dudu Azevedo e Malvino Salvador é uma combinação divertida de clichês das relações amorosas modernas nas quais, muitas vezes, a mulher perde um bom tempo da sua vida com o homem errado, insegura e pegando no pé do namorado ou desesperada à procura das respostas que expliquem porque os homens agem de determinadas maneiras. Na história, Tati (Cleo Pires) é apaixonada pelo sarado Marcelo (Dudu Azevedo), um namorado egoísta, narcisista, mulherengo e completamente desprovido de qualquer conteúdo intelectual. Ela acaba levando um fora, ou melhor, um 'tempo' para a relação, debulha-se em lágrimas e vê seu mundo desabar. Ao assistir uma palestra do professor de Biologia Conrado (Malvino Salvador) a respeito da tese Darwinista de que as mulheres estão correndo atrás dos homens e agindo na contramão da teoria evolutiva dos machos, Tati se aproxima de Conrado e aceita ser de objeto de sua pesquisa. A aproximação entre eles faz com que Tati amadureça como mulher e tenha uma nova chance de encontrar a tão desejada felicidade afetiva.





Baseado na bem sucedida peça teatral Qualquer Gato Vira-Lata tem uma vida sexual mais sadia do que a nossa, de Juca de Oliveira, o longa é um entretenimento ligeiro com fórmulas que seguem o padrão das personas e da sedução desse complicado pano de fundo das relações afetivas. Esse padrão comportamental foi bem observado por Juca Oliveira que escreveu a peça após observar a vida amorosa de sua filha. Ela costumava agir como a Tati. Ligava várias vezes para o namorado e agia de uma forma mais ativa em procurá-lo do que o contrário. A peça se tornou um sucesso de público durante quatro anos com mais de milhão de expectadores e agradou ao trazer em plena contemporaneidade a discussão da teoria evolucionista de Darwin nos relacionamentos de homem e mulher. Segundo a premissa, os machos se comportam audaciosamente no mercado sexual para perpetuar a sua especie, sob o risco de extinção. A partir do momento que a mulher se coloca em uma posição de caçadora, ela está invertendo o seu papel e, o macho não a valoriza. Certamente quando o homem quer namorar uma garota e amá-la verdadeiramente, ele a procura, pelo menos, deve criar coragem para fazê-lo.






Mesmo que o argumento pareça machista ao trazer à discussão que as mulheres agem como se fossem machos agressivos no mercado sexual e por isso acabam sozinhas e inconformadas, perdidas em como lidar com os homens e perdendo a chance de encontrarem o par ideal, na verdade, o filme não está mentindo e nem é tão machista. Ele retrata uma verdade do cotidiano e não há surpresas porque, no fundo, a mulher sabe que o homem não valoriza a que pega no pé e que um desprezinho básico em homem que se acha nunca é demais. A narrativa é construída com esse padrão moderno de clichês que funcionam, são interpretados de uma forma mais caricata e exagerada e não deixam de ser honestos com o público. Basta observar como os personagens foram propositalmente construídos. Tati é a garota bonita, carismática, inteligente, sincera, que trabalha e estuda. Ela foi construída para ser a mulher bacana e apaixonada, para casar e namorar. Marcelo é o garoto sarado, bonito e burro, que vive de mesada na casa dos pais, não trabalha, tem tempo para ir à praia surfar e circular nas ruas do Rio de Janeiro em plena luz do dia, dar festinhas sacanas e traí-la. Conrado é o homem mais maduro, intelectual, tímido e de bom coração que já teve um casamento fracassado.





A direção conduz a narrativa de forma a criar essas caricaturas de forma simpática e obedecer o clássico gênero de comédia romântica, com os encontros e desencontros até o happy end. O roteiro inclue cenas clássicas como a paquera na balada, o surto da ex-namorada ciumenta, a traição do namorado mulherengo, a hesitação da declaração de amor. Marcando sua estreia em longas após convite dos produtores Pedro Rovai e Tubaldini Junior, Tomás Portella capricha mais nos enquadramentos, na edição, trilha sonora e direção de atores, essa última só funciona positivamente com Cleo Pires que dá muito mais vida e beleza à personagem e leva os filmes nas costas com o seu charme. Os desdobramentos acerca desse trio amoroso são óbvios porém são bem verossímeis com o padrão comportamental de muitas pessoas. Se uma mulher tivesse a opção de encontrar o par ideal, quem ele seria: Marcelo ou Conrado? No final das contas, o amor simplesmente acontece e sempre com aquela pessoa que o leva a sério.



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Título Original: Qualquer Gato Vira-Lata
Gênero: Comédia Romântica
Roteirista: Claudia Levay, Julia Spadaccini.Baseado na peça de Juca de Oliveira, Qualquer Gato Vira-Lata tem uma vida mais sadia do que a nossa
Diretor: Tomás Portella
Elenco: Cleo Pires, Dudu Azevedo e Malvino Salvador

3 comentários:

  1. Mesmo que seja um "mais do mesmo", eu estou super afim de conferir...

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  2. O que me surpreendeu positivamente neste filme é que ele é uma reunião de clichês, mas isso tudo dá tão certo, que a obra acaba conquistando bastante a gente. Acho que o filme tem muitos elementos felizes, que passam pela escolha das músicas que compõem a trilha sonora e culminam nos três atores centrais, que podem não ser o mais talentosos, mas estão muito bem aqui.

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  3. Titulo podre. O filme deve ser também.

    http://cinelupinha.blogspot.com/

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