sábado, 18 de junho de 2011

MaDame DivaDame: Greta Garbo

MaDame DivaDame:
Uma homenagem para as Divas do Cinema

Eu nunca disse "Eu quero ficar sozinha". Eu somente disse que "eu quero que me deixem sozinha" Existe toda uma diferença!"



Greta Garbo é uma legendária diva do Cinema. Seu olhar é um mistério convertido em lenda, é uma janela que desperta os mais profundos e intrigantes desejos, assim como sua escolha pela reclusão é mais um mistério que, no íntimo, é compreensível. Divas precisam de uma vida que não seja somente a sufocante Hollywoodiana, impregnada de aparências e cobranças. Elas precisam dessa humanidade que advém da normalidade de ser uma anônima, mesmo que esse anonimato seja vivenciado entre as quatro paredes de um solitário quarto, com um cigarro ou uma bebida na mão, um diário íntimo como companheiro ou uma fragilidade que lhes tira o vigor da beleza.




"Há muitas coisas no seu coração que você não deve contar a ninguém"




Do contrário de Elizabeth Taylor que ganhou o coração dos estúdios desde criança, tinha a carreira controlada pela mãe e já nasceu como uma estrela bonita aos olhos dos executivos da MGM, Greta Garbo era uma atriz estrangeira, de nacionalidade sueca e em solo Americano. Ela era cheia de imperfeições diante dos exigentes critérios de Hollywoody. Não falava inglês direito, não tinha o corpo esguio, não tinha o rosto perfeito. Passou por um tratamento estético e por ser privilegiada por um olhar exótico e expressivo ganhou território no Cinema Mudo, destacando-se como uma icônica estrela nessa seara cinematográfica. Sua beleza era arrebatadoramente perfeita que nem mesmo um som poderia fazer o expectador distrair-se e tirar os olhos dela. Seu olhar feminino era capaz de despertar não somente o desejo de homens, mas também de mulheres que se extasiam com olhos tão sensuais. Eram olhos como que nascidos para serem transgêneros e guardiões de doces e contraditórios segredos. Eram olhos universalmente e atemporalmente desejáveis, assim como Greta Garbo.




"A vida poderia ser maravilhosa se soubéssemos o que fazer com ela"



Ela foi uma dessas divas que tomou uma decisão na contramão do sucesso alimentado pelos holofotes. Ela escolheu ser ela mesma e retirar-se do comando dos grandes estúdios do Cinema Americano cujos ideais de perfeição e de constantes exigências criou divas e musos, assim como também colaborou para que muitos delas (es) entrassem na melancólica e inevitável autodestruição. Após mais de uma década de sucesso em filmes como Grande Hotel, Ninotchka, Rainha Cristina, Anna Karenina e Dama das Camélias e de ter sido um icône do Cinema Mudo com sua singular expressividade que dispensava palavras, Greta Garbo escolheu a solidão, que é um luxo intrisecamente paradoxal. Ela traz o sereno, o tempo a si mesma, porém traz o doloroso, o pesar das silenciosas e extensas horas, a indignação e o murmúrio das pessoas que especulam os porquês e criticam a reclusão.



A atitude da diva é tão clara como o sucesso de grandes celebridades do Cinema. Assim como há o ápice do reconhecimento e seu glamour, há o tempo de escolher entre ser excluída por Hollywoody (fato que ocorreu com outros nomes) ou excluir Hollywoody. A escolha de Greta Garbo não foi uma afronta contra os estúdios e a Sétima Arte, mas uma espontânea opção de seguir a própria vida e dar continuidade a algo que ela precisava e tinha como traço de sua personalidade: a privacidade. Garbo precisava sair das sombras e da luz do Cinema em direção à luz e as sombras da solidão. Provavelmente ela sabia que era melhor ser inteira fora das telas do que ser pela metade dentro das telas e isso é uma evidência de que ela respeitou o seu público, de que ela é uma DivaDame.








Fotos de livro foram tiradas de Greta Garbo, de Mystery of Style

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