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MaDame Teen: Coletânea de filmes dos anos 80 que marcaram minha (pré)adolescência O clã Mankiewicz de roteiristas sempre fez bonito na hi...

MaDame Teen: O Feitiço de Áquila (LadyHawke) - 1985

MaDame Teen:
Coletânea de filmes dos anos 80
que marcaram minha (pré)adolescência






O clã Mankiewicz de roteiristas sempre fez bonito na história do Cinema. Herman J. Mankiewicz e Joseph L. Mankiewicz deixaram suas marcas, respectivamente, em perfeitos roteiros como o de Cidadão Kane e A Malvada e puseram em evidência este sobrenome emblemático que preza pela objetividade e concisão dos textos cinematográficos. Neste final de semana, lamentavelmente o Cinema perdeu mais um ótimo roteirista desta família: Tom Mankiewicz, de Superman e 007 - Live and Let Die, morre aos 68 anos vítima de câncer, e o MaDame Teen faz uma honrosa homenagem a ele por ter feito parte da equipe de roteiristas de um filme inesquecível: O Feitiço de Áquila, uma bela e fantasiosa história de amor entre o capitão Etienne Navarre (Rutger Hauer) e a nobre Isabeau d'Anjou (Michelle Pfeiffer), com direção de Richard Donner.






Em plena Idade Média, Navarre e Isabeau são impedidos de viver seu romance após receberem a maldição do pertubado Bispo de Áquila (John Wood), enciumado e apaixonado por Isabeau. De dia, ela é um falcão e Navarre é um humano, de noite, ela assume a forma humana e ele se transforma em um negro lobo, desta forma, não podem tocar seus corpos humanos e trocar juras e sentimentos amorosos, destinados à tristeza da separação e à incompletude da relação. Para ajudar o casal no último fio de esperança e colocar mais ação e humor aos desdobramentos do enredo, entra na história o jovem ladrão Rato (Matthew Broderick) que foge da masmorra de Áquila, feito que é inédito na história da prisão. Navarre deseja vingar-se do Bispo, para isso, precisa entrar em Áquila, o Rato é peça-chave como um 'facilitador'. Adepto a mentiras e falsas promesas a Deus, Rato tem a oportunidade de redenção porque, ao encontrar Navarre em seu caminho, se deixa envolver pela amizade do capitão e pela beleza de Isabeau; ao descobrir sobre a maldição, é sensibilizado por esta intensa história de amor que nem uma fatalidade pode sucumbir.





O Feitiço de Átila é um história de amor medieval belíssima, um clássico nos corações fincados na nostalgia dos anos 80; daqueles que quanto mais vimos e revimos, mais é o desejo de imortalizar o amor e a esperança de amar; daqueles que nos fazem lembrar que não há mal que possa impedir a concretização daquilo que é para ser, o destino de encontrar aquela alma gêmea e dizer a ela: Eu te amo, agora estamos juntos! Ao iniciar a película, a imagem incadescente do sol no horizonte é tão saudosa que chega a doer saber que Navarre e Isabeau quase conseguem se tocar a cada nascente; tanto que uma das cenas mais trágico-românticas vistas no Cinema desta época é a tentativa deles se contemplarem em suas formas humanas, firmar seus olhos um no outro e sentir os corações baterem forte, o desejo pelos corpos nascer com o calor do sol. Uma imagem tão lírica e embelezada pelo olhar celeste ( e doloroso) de Michelle Pfeiffer que faz Rato chorar, e não há como impedir as lágrimas de lavar a alma, fazê-la vibrar com um novo sentimento de fé, a de que aquele amor resistirá a todas as impossibilidades e vencerá todas as forças das trevas; simplesmente porque dói vê-los tão juntos e, ao mesmo tempo, tão separados.






Muito da beleza e da qualidade da película advém de que ela abarca o romance, a fantasia, a aventura, a ação e o humor de uma forma bem fluída em todo o roteiro que nem parece que tem 2 horas de duração. Com uma temática de fantasia na qual os apaixonados não podem tocar o objeto do amor e do desejo, O Feitiço de Áquila encanta a partir da própria dor da não-realização amorosa, ou seja, é antes de tudo, uma tragédia dos enamorados sobre a qual eles não têm uma ação imediata e decisória, sendo assim precisam contar com um milagre. Além disso, o longa-metragem integra papéis sociais bem estereotipados para a Idade Média e o romance de cavalaria (a bela e apaixonada mulher, o guerreiro e corajoso capitão, o bom e divertido ladrãozinho, o corrompido clero, etc), e ainda faz uma crítica à hipocrisia da igreja que 'pactua com as forças demoníacas por meros caprichos e mágoas individualistas'.






Ao invés de exercitar suas virtudes espirituais e humanistas, aliás, virtudes das quais ele é desprovido, O Bispo de Áquila cedeu às suas paixões terrenas, e não satisfeito com o desprezo de sua amada e o amor dela por Navarre, ainda rogou-lhes uma praga. A forma de "amar" do Bispo não é amor, é posse; porque se amasse Isabeau verdadeiramente daria pelo menos o crédito de deseja-lhe a felicidade. Já, como uma inversão do anti-herói que se torna herói, do vicioso que se torna virtuoso, Rato é o ladrãozinho que tem um grande coração e é carismático o suficiente para dar o tom cômico ao filme. Ele fez sua boa ação e representa um exemplo de que as virtudes são muito mais do que intenções, pre(conceitos) e papéis da sociedade. Demais valores como perdão, bondade, amizade, gratidão são provenientes da relação de Navarre e Isabeau com o padre Imperius (Leo McKern) que, antes da maldição, havia traído o casal, e que agora tem a chance de ajudá-los e ter a 'remissão' de seus pecados. Com um desfecho emocionante, O Feitiço de Áquila faz pensar no amor como Coríntios 13: "tudo espera, tudo tolera, seja o que vier"





Avaliação MaDame Lumière



Título Original: LadyHawke
Origem: EUA
Gênero(s): Romance, Aventura, Fantasia
Duração: 121 min
Diretor(a): Richard Donner
Roteirista(s): Edward Khmara, Michael Thomas, Tom Mankiewicz, David Peoples
Elenco: Matthew Broderick, Rutger Hauer, Michelle Pfeiffer, Leo McKern, John Wood, Ken Hutchison, Alfred Molina, Giancarlo Prete, Loris Loddi, Alessandro Serra, Charles Borromel, Massimo Sarchielli, Nicolina Papetti, Russell Kase, Don Hudson

4 comentários:

  1. Estava lembrando desse filme por esses dias, pois meu noivo vai trabalhar dois meses no horário noturno. Brinquei que seríamos que nem O Feitiço de Áquila. hehe.

    É lindo, o filme, o amor dos dois, a transformação do personagem de Matthew Broderick. Bela lembrança e belo texto.

    bjs

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  2. Linda homenagem e resumo do trabalho do Tom Mankiewicz Madame! Eu tenho predilação por 007 Live and Let Die (primeiro BOND com Roger Moore e o mais exótico). E parece que ele fez o mesmo com este lindo filme. Eu tenho alguns flashs dele por causa do Matthew Broderick, na época que o diretor Donner fazia belos filmes sessões da tarde ( Os Goonies e tal). Preciso rever direito e me recordar imageticamente falando.
    Já faz tempo que não ouço ou leio sobre Feitiço de Áquila. Adorei a premissa e pelo visto o trabalho com o diretor, depois de Superman,valeu o retorno da parceria.

    Também gosto do ator Leo McKern (de A profecia e A Lagoa Azul)é bom saber que ele esta no filme, rs!

    Um exímio roteirista que agora Rest In Peace!

    Beijos!

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  3. Apesar de este ser um filme que cansa de passar na TV, nunca consegui assistí-lo. Acredita???

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  4. Assistia muito na Sessão da Tarde, quando era pequena. Adorava! rsrs.

    Beijos! ;)

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